{"id":115725,"date":"2021-04-03T08:00:22","date_gmt":"2021-04-03T11:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=115725"},"modified":"2021-04-02T08:50:28","modified_gmt":"2021-04-02T11:50:28","slug":"115725","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2021\/04\/03\/115725\/","title":{"rendered":"A gentileza dos pol\u00edticos longe das c\u00e2meras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/aeroporto-de-Ilh\u00e9us.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-115726\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/aeroporto-de-Ilh\u00e9us-300x141.jpg\" alt=\"aeroporto de Ilh\u00e9us\" width=\"404\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/aeroporto-de-Ilh\u00e9us-300x141.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/aeroporto-de-Ilh\u00e9us.jpg 463w\" sizes=\"(max-width: 404px) 100vw, 404px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg\" alt=\"walmir\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando governador, Paulo Souto, frequentemente passava os fins de semana na pacata Canavieiras, cidade em que podia circular livremente sem as costumeiras aporrinha\u00e7\u00f5es da vida pol\u00edtica, com pessoas lhe parando nas ruas para pedir benesses, que v\u00e3o desde o emprego para si e parentes at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de obras e servi\u00e7os que trouxessem os benef\u00edcios. Como precisava se esquivar, deixando esse mister para os assessores mais chegados, treinados para deixar importunar o governador, Canes era a cidade perfeita.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, entretanto, o governador teria de desembarcar em Ilh\u00e9us, por conta da falta de condi\u00e7\u00f5es e seguran\u00e7a para pousar no aeroporto de Canavieiras. Nesses casos, o hoje aeroporto Jorge Amado era a solu\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que, para o desespero de Paulo Souto, pessoa recatada, a chegada do avi\u00e3o do governador era um acontecimento, visto que tamb\u00e9m \u201cera ilheense\u201d, cidade em que morou por muitos anos, estudando e trabalhando como radialista e depois ge\u00f3logo.<\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca, o prefeito de Ilh\u00e9us, Jabes Ribeiro, conhecedor dos h\u00e1bitos de Paulo Souto, alertou seus amigos que trabalhavam no aeroporto \u2013 desde os motoristas de t\u00e1xis, carregadores e funcion\u00e1rios da Infraero \u2013 de avis\u00e1-lo imediatamente sobre a chegada do avi\u00e3o governamental. E os pedidos do prefeito eram consideradas ordens, n\u00e3o podiam deixar de ser cumpridas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00c0s sextas-feiras, como eram de costume, os telefonemas disparavam para o Pal\u00e1cio Paranagu\u00e1: \u201cO avi\u00e3o do governador est\u00e1 com previs\u00e3o de aterrissagem para tantas horas\u201d. Imediatamente, o prefeito se desincumbia dos seus afazeres, apressava as audi\u00eancias concedidas para estar no aeroporto antes do avi\u00e3o aterrissar. Afinal, ficava bem receber o governador na porta do avi\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 pela gentileza demonstrada, mas era preciso tamb\u00e9m mostrar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que desfrutava de grande prest\u00edgio junto ao governador. Era o m\u00e1ximo e, imediatamente, os fot\u00f3grafos eram colocados a postos para flagrar os momentos mais importantes, o cumprimento ainda na pequena escada da aeronave. Enquanto os flashes pipocavam, os radialistas entravam ao vivo nas programa\u00e7\u00f5es das emissoras para documentar a cena, revelando aos queridos ouvintes a preocupa\u00e7\u00e3o do prefeito em receber o governador na intimidade, ocasi\u00f5es mais do que prop\u00edcias para, numa conversa de p\u00e9 de orelha, tratar de reivindica\u00e7\u00f5es para Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>Por mais que o governador Paulo Souto se esquivasse desses encontros nos fins de semana, a perspic\u00e1cia de Jabes Ribeiro n\u00e3o permitia. \u201cEspi\u00f5es\u201d a postos, n\u00e3o dava outra, assim que o piloto da governadoria preenchia o plano de voo em Salvador, os telefonemas disparavam e o prefeito se aprontava para a recep\u00e7\u00e3o semanal. Era a gl\u00f3ria estar lado a lado com o maior mandat\u00e1rio do Estado da Bahia.<\/p>\n<p>Num desses fins de semana, a agenda do governador era outra e sua passagem por Ilh\u00e9us tinha como finalidade apoiar outro candidato a prefeito de Ilh\u00e9us, o que seria decidido num lauto almo\u00e7o na resid\u00eancia do ent\u00e3o deputado federal Roland Lavigne. Desta vez \u2013 pensava o governador \u2013, estaria livre para conversar sobre a pol\u00edtica ilheense, pois, al\u00e9m de advers\u00e1rio pol\u00edtico, seu anfitri\u00e3o era considerado inimigo de Jabes. Enfim, a conversa seria longa, definitiva e bastante proveitosa.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, tomou todas as precau\u00e7\u00f5es para desembarcar em Ilh\u00e9us longe dos olhares curiosos e vigilantes dos amigos do prefeito. Dito e feito, chega o avi\u00e3o, o governador desembarca e embarca num carro enviado por Roland Lavigne para conduzir Paulo Souto \u00e0 sua resid\u00eancia. Mas, como sempre, o servi\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o municipal funcionou sem qualquer falha.<\/p>\n<p>Sem perder a eleg\u00e2ncia, Jabes Ribeiro se dirige \u00e0 resid\u00eancia de Roland Lavigne, toca a campainha, e como se convidado fosse, se apresenta para uma conversa institucional, republicana, como diriam os petistas. E a situa\u00e7\u00e3o realmente permitia, pois estavam juntos nada menos do que o prefeito de Ilh\u00e9us, o governador da Bahia e o deputado federal por Ilh\u00e9us, Roland Lavigne.<\/p>\n<p>Um whisky de entrada, vinhos durante o almo\u00e7o e Jabes se desmanchava em gentilezas (fora das vistas dos eleitores) com o anfitri\u00e3o e o governador, n\u00e3o permitindo que ambos discutissem a sucess\u00e3o ilheense. Barrigas cheias \u2013 fome saciada, melhor dizendo \u2013 as visitas se despedem e cada um procura seu destino: Roland continua em casa, o governador se dirige a Canavieiras e Jabes desfila pelas ruas de Ilh\u00e9us de volta ao Pal\u00e1cio Paranagu\u00e1.<\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: O pol\u00edtico n\u00e3o dever perder a fleuma e considerar a oposi\u00e7\u00e3o apenas, como inimiga, e sim advers\u00e1ria do momento, pois l\u00e1 na frente poder\u00e3o estar juntinhos, no mesmo palanque e trocando afagos nunca antes imagin\u00e1veis. Essa receita \u00e9 seguida fielmente pelo ex-prefeito e ex-deputado federal Fernando Gomes, desde que ingressou na vida pol\u00edtica, apesar das inflamadas discuss\u00f5es com ACM.<\/p>\n<p>*Radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio &nbsp; Quando governador, Paulo Souto, frequentemente passava os fins de semana na pacata Canavieiras, cidade em que podia circular livremente sem as costumeiras aporrinha\u00e7\u00f5es da vida pol\u00edtica, com pessoas lhe parando nas ruas para pedir benesses, que v\u00e3o desde o emprego para si e parentes at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de obras e servi\u00e7os que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[218,2180,4438,29613,1077],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115725"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=115725"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115725\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":115728,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115725\/revisions\/115728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=115725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=115725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=115725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}