{"id":115246,"date":"2021-03-26T07:10:26","date_gmt":"2021-03-26T10:10:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=115246"},"modified":"2021-03-25T15:12:45","modified_gmt":"2021-03-25T18:12:45","slug":"o-fruto-de-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2021\/03\/26\/o-fruto-de-ouro\/","title":{"rendered":"O fruto  de ouro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cacau-lindo-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-115247\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cacau-lindo-1-300x225.jpg\" alt=\"cacau lindo 1\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cacau-lindo-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cacau-lindo-1.jpg 726w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Daniel Thame<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ouro, ouro, ouro&#8230;<\/p>\n<p>Os gritos, abafados pela floresta, reverberavam nos ouvidos daquele homem aos farrapos, quase em transe.<\/p>\n<p>Ouro, ouro, ouro&#8230;<\/p>\n<p>Frutos de ouro.<\/p>\n<p>As marcas da viagem estavam por todo o corpo. Os ferimentos eram como \u00a0um mapa do trajeto insano, cruzando matas fechadas, desertos, rios caudalosos, picadas.<\/p>\n<p>Uma viagem do fim do mundo ao fim do mundo.<\/p>\n<p>Frutos de ouro.<\/p>\n<p>Ouro, ouro, ouro&#8230;<\/p>\n<p>Quando tomou, pela primeira vez, a \u00a0bebida pastosa, de cor escura e sabor amargo, estava \u00e0s portas da morte, abatido pela mal\u00e1ria nos confins da selva amaz\u00f4nica. Para ele, o Eldorado escondido na mata impenetr\u00e1vel havia se tornado\u00a0 uma miragem.<\/p>\n<p>Era apenas um moribundo, resgatado do del\u00edrio por \u00edndios que, a princ\u00edpio, se assustaram com ele, mas depois se mostraram simp\u00e1ticos.<\/p>\n<p>N\u00e3o era um esp\u00edrito das trevas ou um invasor, mas um ser inofensivo, que falava uma l\u00edngua que eles desconheciam e que mal conseguia se mover, t\u00e3o debilitado estava.<\/p>\n<p>Sobreviveu e, por algum motivo, achou que sua recupera\u00e7\u00e3o se devia \u00e0 bebida escura, da qual os \u00edndios se serviam com rever\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma noite, sonhou que as sementes que geravam o fruto do qual os \u00edndios produziam a bebida eram o Eldorado que ele tanto ansiava.<\/p>\n<p>No sonho, um esp\u00edrito, vestido com uma armadura de ouro, lhe dizia que ele encontraria, sim, o Eldorado atrav\u00e9s daquelas sementes.<\/p>\n<p>Mas o esp\u00edrito lhe sussurrou ao ouvido que o Eldorado n\u00e3o seria ali, naquela tribo onde os \u00edndios viviam a paz do isolamento e o verdadeiro ouro era a natureza e a fartura de comida.<\/p>\n<p>Ouro, ouro, ouro&#8230;<\/p>\n<p>Fruto de ouro.<\/p>\n<p>Agora, depois da viagem rumo ao seu destino dourado, no solo sagrado do Sul da Bahia, \u00a0aos p\u00e9s de uma \u00e1rvore frondosa, cuja copa parecia beijar o c\u00e9u, ele agonizava enquanto sonhava com a bebida revigorante, capaz de devolver-lhe as for\u00e7as perdidas.<\/p>\n<p>Instintivamente, tirou da bolsa as sementes que guardara como se fosse o mais valioso dos tesouros, rasgou o ch\u00e3o com as poucas for\u00e7as que lhe restavam e enterrou-as no solo, banhado com o suor que escorria do rosto e sangue que sa\u00eda das m\u00e3os.<\/p>\n<p>Era da cor de ouro o raio de sol que seus olhos viram \u00a0\u00a0ao olhar para o c\u00e9u&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(conto extra\u00eddo do livro Jorge100anosAmado-Tributo a um Eterno Menino Grapiuna Editora Via Litterarum)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Thame &nbsp; Ouro, ouro, ouro&#8230; Os gritos, abafados pela floresta, reverberavam nos ouvidos daquele homem aos farrapos, quase em transe. 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