{"id":113057,"date":"2021-02-20T06:00:32","date_gmt":"2021-02-20T09:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=113057"},"modified":"2021-02-20T11:21:56","modified_gmt":"2021-02-20T14:21:56","slug":"a-carteirada-de-manuel-leal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2021\/02\/20\/a-carteirada-de-manuel-leal\/","title":{"rendered":"A carteirada de Manuel Leal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-113058\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Manuel-Leal.jpeg\" alt=\"Manuel Leal\" width=\"405\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Manuel-Leal.jpeg 777w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Manuel-Leal-300x169.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-150x150.jpg\" alt=\"walmir\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Manuel Leal de Oliveira foi uma figura \u00edmpar do Sul da Bahia. Ecl\u00e9tico e desinibido, sempre esteve presente nas mais diversas ocasi\u00f5es relevantes da pol\u00edtica e da economia regional. Morou um tempo na Guanabara e S\u00e3o Paulo. Na capital carioca, trabalhou nos jornais \u00daltima Hora e Jornal do Comm\u00e9rcio.\u00a0 Ap\u00f3s tirar a \u201csorte grande\u201d na Loteria Federal, volta a Itabuna.<\/p>\n<p>J\u00e1 em terras grapi\u00fana, Manuel Leal adquire, com os recursos da premia\u00e7\u00e3o, uma fazenda em Firmino Alves (ex-Itamirim), onde por muito tempo ocupou cargos e a presid\u00eancia do Sindicato Rural. Como sindicalista patronal rural, demonstrou prest\u00edgio e fez parte da diretoria do outrora Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau-CCPC), chegando a ocupar cargos importantes, como a Secretaria.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3cio de alguns empreendimentos, entre eles uma f\u00e1brica de balas e uma ind\u00fastria de qu\u00edmica que fabricava \u00e1gua sanit\u00e1ria e alvejante: a Alvex. Usando sua experi\u00eancia adquirida na \u00e1rea de marketing dos jornais do Rio de Janeiro, promoveu uma revolu\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o de Itabuna, junto com o jornalista Crist\u00f3v\u00e3o Colombo Crispim de Carvalho, ao promover o lan\u00e7amento do produto utilizando o teaser.<\/p>\n<p>Manuel Leal possu\u00eda verve afiada e uma facilidade incr\u00edvel de fazer amigos \u2013 desafetos tamb\u00e9m \u2013, tornando uma pessoa importante na sociedade regional. Foi fiscal da Prefeitura de Itabuna e, em seguida, nomeado fiscal do Instituto de Aposentadorias e Pens\u00f5es dos Comerci\u00e1rios (IAPC), que mais tarde se tornou o Instituto Nacional de Previd\u00eancia Social (INSS), ap\u00f3s a unifica\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Vida estabilizada \u2013 cacauicultor, empres\u00e1rio, funcion\u00e1rio p\u00fablico \u2013, Manuel Leal sempre teve uma grande paix\u00e3o: o jornalismo. Ainda estudante do Col\u00e9gio Divina Provid\u00eancia, fundou o pol\u00eamico jornal A Terra, que lhe tornou ainda mais conhecido. Logo depois criou o Tribunal Regional, que fizeram hist\u00f3ria ao falar abertamente do cotidiano, da economia e da pol\u00edtica, sempre com uma linguagem afiada, o que n\u00e3o agradava os poderosos.<\/p>\n<p>Desde estudante que era considerado comunista, embora se relacionasse perfeitamente e com destaque com pessoas das mais diversas classes sociais e ideologias, seus amigos e de sua fam\u00edlia. De vez em quando um comunista famoso procurado pela pol\u00edcia era abrigado em sua casa ou fazenda, com todas as honras e mesuras que merecia, a pedido dos tantos amigos.<\/p>\n<p>Em 1987, junto com o escritor e jornalista H\u00e9lio P\u00f3lvora, Manuel Leal funda os jornais Cacau Letras e A Regi\u00e3o, dois jornais elaborados com esmero e que \u2013 de cara \u2013 ocuparam o merecido lugar na comunica\u00e7\u00e3o estadual. E A Regi\u00e3o conseguiu chegar ao cl\u00edmax, influenciando o pensamento e a pol\u00edtica regional. E o jornal passou a ser aguardado aos s\u00e1bados pelo conte\u00fado altamente pol\u00eamico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de H\u00e9lio P\u00f3lvora, passaram pelo A Regi\u00e3o editores e rep\u00f3rteres da mais alta linhagem do jornalismo sulbaiano, mantendo, sempre, o tom \u201cmanuelino\u201d que fez hist\u00f3ria na comunica\u00e7\u00e3o regional. Algumas semanas a tiragem de 5 mil exemplares era insuficiente para atender aos \u00e1vidos leitores e a gr\u00e1fica tinha que se desdobrar para aumentar o n\u00famero de exemplares.<\/p>\n<p>Lembro-me quando editor de A Regi\u00e3o \u2013 junto com Daniel Thame \u2013 inovar na diagrama\u00e7\u00e3o do jornal, modificando, inclusive, a primeira p\u00e1gina para aproveitar uma grande not\u00edcia de \u00faltima hora. N\u00e3o raro, jornal na gr\u00e1fica, nos livr\u00e1vamos das chamadas da primeira p\u00e1gina, substituindo-a por um tijol\u00e3o de tr\u00eas laudas e uma foto de um fato que n\u00e3o poderia deixar de ser publicado.<\/p>\n<p>Com todas essas atividades, Manuel Leal nunca deixou de ser o fiscal do INSS, fiscalizando empresas das cidades baianas. Numa dessas viagens tinha como motorista o seu fiel escudeiro Jos\u00e9 Emanoel Aquino, o conhecido \u201cCamb\u00e3o\u201d. Ao se aproximar do posto da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, em Itamaraju, o policial fez o sinal para o ve\u00edculo em que viajavam parar para fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim que o policial se aproximava do carro, Manuel Leal sacou do bolso da camisa uma carteira de couro com as armas da Rep\u00fablica contendo sua carteira funcional do INSS, e brandiu:<\/p>\n<p>\u2013 Fiscal federal do INSS. Estou a servi\u00e7o! \u2013 exclamou.<\/p>\n<p>Tranquilo, o policial rodovi\u00e1rio n\u00e3o se intimidou com a carteirada e retrucou em quente:<\/p>\n<p>\u2013 E o senhor quer dizer que eu estou aqui brincando, n\u00e3o \u00e9&#8230;Favor passar os documentos do ve\u00edculo e do condutor \u2013 pediu.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o estava acostumado a ser retrucado com veem\u00eancia, Manuel continuou a viagem at\u00e9 Medeiros Neto sem dar uma palavra com seu amigo \u201cCamb\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Manuel Leal foi assassinado ap\u00f3s uma den\u00fancia feita pelo jornal A Regi\u00e3o. Hoje o jornal \u00e9 mantido na forma digital pelo seu filho, o jornalista Marcel Leal.<\/p>\n<p>&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>* Radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio Manuel Leal de Oliveira foi uma figura \u00edmpar do Sul da Bahia. 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