{"id":112794,"date":"2021-02-16T10:00:07","date_gmt":"2021-02-16T13:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=112794"},"modified":"2021-02-16T10:00:48","modified_gmt":"2021-02-16T13:00:48","slug":"morre-farias-quem-tanto-celebrou-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2021\/02\/16\/morre-farias-quem-tanto-celebrou-a-vida\/","title":{"rendered":"Morre Farias, quem tanto celebrou a  vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-112795\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Farias-e-Thelma-300x169.jpg\" alt=\"Farias e Thelma\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Farias-e-Thelma-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Farias-e-Thelma-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Farias-e-Thelma.jpg 1111w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-150x150.jpg\" alt=\"walmir\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Not\u00edcia boa viaja a p\u00e9, j\u00e1 as m\u00e1s, a cavalo. E \u00e9 exatamente nessa antiga premissa que estamos nos acostumando \u2013 mesmo com irresigna\u00e7\u00e3o \u2013 a viver nesses \u00faltimos tempos assolados pela pandemia da Covid-19. Desta vez, a p\u00e9ssima not\u00edcia chega em dose dupla, pelo whatsapp de Jos\u00e9 Nazal: \u201cNosso amigo Faria faleceu nesta sexta-feira (12), de Covid-19, e sua esposa Thelma se encontra internada na UTI\u201d.<\/p>\n<p>Irrequieto, din\u00e2mico, agitado, astucioso, af\u00e1vel \u2013 para muitos \u2013, carrancudo \u2013 nem tanto \u2013 para outros. E neste contexto se encaixava o ilheense Carlos Farias Reis, exatamente como o pensamento de N\u00e9lson Rodrigues, para quem toda a unanimidade era burra. Eu mesmo o classificaria com mais adjetivos d\u00edspares, principalmente quando o tema era sua conduta no trabalho, no dia a dia. Ainda bem.<\/p>\n<p>Meses atr\u00e1s, o casal Farias e Thelma deixa Ilh\u00e9us para dar apoio \u00e0 filha em Aracaju, onde o genro passou um grande tempo na UTI, lutando contra a terr\u00edvel Covid-19. Trancado no apartamento, n\u00e3o se conformava na mudan\u00e7a de vida, no comportamento totalmente estranho para quem sempre foi acostumado a sair \u00e0s ruas, passear pela cidade, ou simplesmente conversar com os amigos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por ironia do destino, o Casal Farias Reis resolve retornar a Aracaju, refazendo o trajeto anterior pela capital baiana, revendo os amigos mais chegados. J\u00e1 em Sergipe, sentem-se mal e s\u00e3o diagnosticados com a infec\u00e7\u00e3o da Covid-19. O que tanto temiam que infectassem os amigos, chegou a eles sem qualquer aviso-pr\u00e9vio, longe de sua querida cidade natal, Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>Farias era um apaixonado por Ilh\u00e9us, embora sempre manifestasse vontade de se mudar para Aracaju, para viver mais pr\u00f3ximo \u00e0 fam\u00edlia, ato sempre postergado por ele e cumprido pelo Divino. Farias se foi e agora rezamos por Thelma, sua esposa, para que se livre desta doen\u00e7a e deixe a UTI, restabelecendo-se por completo. Um casal perfeito, separado de forma violenta.<\/p>\n<p>E desde o in\u00edcio do ano passado que Farias tentava marcar um almo\u00e7o em sua casa para homenagear o jornalista Jos\u00e9 Adervan, falecido em 12 de fevereiro de 2017. Com a epidemia, a data festiva n\u00e3o foi agendada, e uma das preocupa\u00e7\u00f5es do anfitri\u00e3o eram as sucessivas mortes dos convidados \u2013 acometidos da Covid-19 \u2013, com o risco de n\u00e3o haver quorum para a recep\u00e7\u00e3o. E Farias morre exatamente quatro anos ap\u00f3s Adervan.<\/p>\n<p>Por falar em recepcionar os convidados, um dos seus chegados na legi\u00e3o de amigos, o saudoso Raimundo Kruschewsky (Bar\u00e3o da Popov), sempre foi pr\u00f3digo em nomear Farias como o \u00faltimo dos grandes anfitri\u00f5es de Ilh\u00e9us. Essa frase foi tomada emprestada do escritor grapi\u00fana Jorge Amado, que costumava chamar seu amigo Raimundo Pacheco S\u00e1 Barreto de o \u00faltimo coronel do cacau.<\/p>\n<p>Grande anfitri\u00e3o, Farias (ou Carranca, para alguns), se preocupava de forma exagerada com os amigos, tanto que nos nossos telefonemas quase di\u00e1rios, dava not\u00edcia o estado de sa\u00fade de quase todos, perguntando acerca dos que n\u00e3o tinha not\u00edcia. Nessa lista, uma de suas inquietudes era o jornalista e escritor Ant\u00f4nio Lopes, seu amigo desde os tempos de escola, com direito a cadeira e litro de whisky cativo na resid\u00eancia de Farias.<\/p>\n<p>Carlos Farias Reis era considerado um homem das antigas, embora transitasse com muita facilidade em todas as faixas et\u00e1rias e sociais, \u00e0s vezes dizendo verdades merecidas, outras vezes palavras de conforto, ou simples pilh\u00e9rias. Em sua casa reunia amigos, sem importar a ideologia pol\u00edtica, posi\u00e7\u00e3o social ou financeira, e seus convidados iam de representantes do clero, passando por jornalistas, comerciantes, comerci\u00e1rios ou pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Ao tomar conhecimento da morte de seu amigo Farias, Ant\u00f4nio Lopes, ainda agastando com os efeitos de um infarto, ao se refazer do choque, exclamou. \u201cEstou arrasado, creio que perdi uma parte de mim\u201d. O sentimento de Lopes por certo ecoou em Ilh\u00e9us e ultrapassou seus limites, dada a como\u00e7\u00e3o que tomou conta de amigos tantos em Itabuna, Canavieiras, Salvador, Aracaju, dentre outras cidades.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rio da Petrobras, abandonou sua merecida aposentadoria quando chamado para implantar o terminal da empresa de Itabuna, tornando a vestir o pijama listrado assim que inaugurado. Como era do seu temperamento irrequieto, prestou vestibular para Direito; formado, prestou concurso para juiz conciliador do Juizado Especial; aprovado, preferiu n\u00e3o assumir o cargo, deixando a vaga para os mais novos.<\/p>\n<p>Em sua cola\u00e7\u00e3o de grau, Farias n\u00e3o era chamado pelos amigos de formando, como natural, mas de desembargador, pela idade, o que valeu um lauto almo\u00e7o, com direito a assento na mesa da diretoria. Como bem disse o amigo Ant\u00f4nio Lopes, com a partida de Faria todos perderam um peda\u00e7o de si \u2013 em graus diferentes \u2013, lembran\u00e7a que por certo n\u00e3o sair\u00e1 da mem\u00f3ria de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&#8212;-<\/p>\n<p>*Radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio Not\u00edcia boa viaja a p\u00e9, j\u00e1 as m\u00e1s, a cavalo. E \u00e9 exatamente nessa antiga premissa que estamos nos acostumando \u2013 mesmo com irresigna\u00e7\u00e3o \u2013 a viver nesses \u00faltimos tempos assolados pela pandemia da Covid-19. 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