{"id":112716,"date":"2021-02-13T06:30:48","date_gmt":"2021-02-13T09:30:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=112716"},"modified":"2021-02-13T08:24:57","modified_gmt":"2021-02-13T11:24:57","slug":"tyrone-perrucho-multiplo-e-singular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2021\/02\/13\/tyrone-perrucho-multiplo-e-singular\/","title":{"rendered":"Tyrone Perrucho, m\u00faltiplo e singular"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-112717\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Tyrone-Perrucho-e-Durval-Filho-300x138.jpg\" alt=\"Tyrone Perrucho e Durval Filho\" width=\"300\" height=\"138\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Tyrone-Perrucho-e-Durval-Filho-300x138.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Tyrone-Perrucho-e-Durval-Filho.jpg 497w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Durval Pereira da Fran\u00e7a Filho<\/strong><\/p>\n<p>Meu primeiro contato com Tyrone foi no Grupo Escolar Quinze de Outubro, em 1959, quando \u00e9ramos estudantes na 5\u00aa s\u00e9rie prim\u00e1ria e candidatos \u00e0 segunda turma do GOB \u2013 Gin\u00e1sio Osm\u00e1rio Batista, inaugurado em 27 de setembro de 1958, e com aulas iniciadas em mar\u00e7o de 1959. A segunda turma seria a nossa. O nome que constava na matr\u00edcula era Tyrone Carlos de Carvalho Perrucho, filho do cabo Wallace Mutti Perrucho (1923-2014), vigilante da costa em tempo de guerra, e da adolescente Glacy Cardoso de Carvalho (1928-2010). O nome foi uma homenagem ao ator norte-americano Tyrone Power (1914-1958).<\/p>\n<p>Foi a partir do Grupo Escolar Quinze de Outubro que nasceu nossa amizade.<\/p>\n<p>Essa amizade se desenvolveu em um grande momento, quando frequentamos a Igreja Adventista no in\u00edcio dos anos 196O. Estivemos juntos em alguns eventos interessantes, como retiros de Carnaval, com ele sempre presente e participativo. Depois, ele saiu e eu fiquei.<!--more--><\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1960, ele casou com Maria Dajuda, minha prima, o que veio fortalecer ainda mais a nossa amizade. Foi nesse momento que ele me convidou, junto com Almir Oliveira Nonato, Ant\u00f4nio Amorim Tolentino, Lindbergue Hermes e Raymundo Jos\u00e9 dos Santos, para participar da cria\u00e7\u00e3o de uma revistinha chamada Tabu que, posteriormente, transformou-se em tabloide, um nome emblem\u00e1tico. Contra todas as expectativas, o Tabu durou 50 anos, algo nunca visto em um jornal noticioso em Canavieiras, ou na regi\u00e3o. Eu estive com ele em todos os momentos e em todas as circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Por esse tempo, estivemos juntos em Itabuna. Numa aventura desesperada, eu cursava Letras com Franc\u00eas, na antiga FAFI &#8211; Faculdade de Filosofia de Itabuna. Tyrone trabalhava na CEPLAC. Fic\u00e1vamos hospedados na mesma pens\u00e3o, ali na rua Ruy Barbosa. Nas horas vagas, ele produzia o Tabu e eu, al\u00e9m de trabalhar no Banco do Brasil em Canavieiras, dava aulas de L\u00edngua Portuguesa e Literatura Brasileira no CEOB \u2013 Col\u00e9gio Estadual Osm\u00e1rio Batista. N\u00e3o me perguntem como.<\/p>\n<p>O que eu posso dizer \u00e9 que a BR 101 ainda n\u00e3o existia. Estava em constru\u00e7\u00e3o e, quando chovia era natural o \u00f4nibus atolar e n\u00f3s, passageiros, armados de muita paci\u00eancia, t\u00ednhamos que esperar bastante.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 1976, ano do centen\u00e1rio de nascimento do escritor Afr\u00e2nio Peixoto, por iniciativa dele, Tyrone Perrucho, Durval Pereira da Fran\u00e7a Filho, Hermenegildo Nunes e Silva, e o pr\u00f3prio Tyrone realizamos viagem a Len\u00e7\u00f3is\/BA. Fomos levantar dados para a programa\u00e7\u00e3o que Canavieiras estava preparando a fim de comemorar o centen\u00e1rio de nascimento do escritor e cientista Afr\u00e2nio Peixoto, filho de Len\u00e7\u00f3is e canavieirense adotado. Em Len\u00e7\u00f3is, mantivemos entendimentos com a Casa de Cultura Afr\u00e2nio Peixoto, com o prefeito da cidade e outras pessoas interessadas no assunto. Essa viagem teve o patroc\u00ednio da Prefeitura Municipal e C\u00e2mara de Vereadores de Canavieiras.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o comemorativa ocorreu no dia 11 de dezembro de 1976, no sal\u00e3o nobre da Loja Ma\u00e7\u00f4nica Uni\u00e3o e Caridade. A Mesa Diretora dos trabalhos foi presidida por Durval Pereira da Fran\u00e7a Filho, representante da Comiss\u00e3o Organizadora, e secretariada por Tyrone Carlos de Carvalho Perrucho.<\/p>\n<p>Ele era assim. A despeito de suas brilhantes ideias, n\u00e3o gostava do prosc\u00eanio nem dos holofotes, mas limitava-se ao fundo do palco ou aos bastidores.<\/p>\n<p>Para o 25 de maio de 1993, na comemora\u00e7\u00e3o dos 25 anos de funda\u00e7\u00e3o do jornal Tabu, produzi os seguintes versos em forma de par\u00f3dia, os quais denominei de Perruch\u00edadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cantem musas do Parnaso, cantem todos<\/p>\n<p>Os feitos gloriosos do passado.<\/p>\n<p>Por rios nunca dantes navegados,<\/p>\n<p>Enfrentando a borrasca e a cruviana,<\/p>\n<p>Em perigos e guerras esfor\u00e7ados<\/p>\n<p>Mais do que entendia a for\u00e7a humana,<\/p>\n<p>Nossos bravos um reino edificaram<\/p>\n<p>Entre gente que tanto sublimaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m cantem mem\u00f3rias gloriosas<\/p>\n<p>Dos coron\u00e9is que foram dilatando<\/p>\n<p>As promissoras terras do cacau,<\/p>\n<p>O Poxim e outras devastando,<\/p>\n<p>E aqueles que por obras valorosas<\/p>\n<p>O seu nome na hist\u00f3ria v\u00e3o deixando.<\/p>\n<p>Parodiando o direi por toda parte,<\/p>\n<p>Buscando de Cam\u00f5es engenho e arte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cessem vozes de poetas e de bardos<\/p>\n<p>E de todas as obras que fizeram,<\/p>\n<p>Cantando as belezas desse Pardo<\/p>\n<p>E de todas as grandezas que tiveram,<\/p>\n<p>Que eu canto os Perrucho soberanos,<\/p>\n<p>Que brilhante ideia conceberam.<\/p>\n<p>\u201cCesse tudo que a musa antiga canta\u201d,<\/p>\n<p>Que um Tabu mais alto se alevanta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Festejemos filarm\u00f4nicas e fanfarras,<\/p>\n<p>Violas, viol\u00f5es, c\u00edmbalos, sinos,<\/p>\n<p>Bandolins, trombones e guitarras,<\/p>\n<p>Com a verve de Fernando e Tolentino;<\/p>\n<p>Com as cr\u00f4nicas de Tyrone e Adelmar,<\/p>\n<p>Com Calhau, com Ferrer e com Sabino,<\/p>\n<p>Com Messias, com Thesbita l\u00e1 no Sul,<\/p>\n<p>Festejemos \u201cas pratas\u201d do Tabu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dez anos ap\u00f3s a virada do s\u00e9culo, ele me encaminhou um coment\u00e1rio sobre o meu anivers\u00e1rio dizendo que \u201cenvelhecer \u00e9 o \u00fanico meio que se encontrou at\u00e9 hoje de se viver muito\u201d, conforme diziam por a\u00ed&#8230;. E afirmava que n\u00e3o tinha \u201cnem um pinguinho de inveja\u201d dos meus 65 anos, porque os dele ocorreram um pouco antes. . \u201cComo se v\u00ea,\u201d \u2013 dizia ele \u2013 \u201cestamos em marcha batida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 eternidade (&#8230;), comemorando com os leitores daqui e alhures a nova idade do estimado professor, historiador, colaborador e amigo, via o oportuno artigo sobre a efem\u00e9ride da lavra do professor Paulo Aguiar\u201d.<\/p>\n<p>Quando a ALAC \u2013 Academia de Letras e Artes de Canavieiras foi criada em 02 de setembro de 2003, numa reuni\u00e3o da Assembleia, indiquei o nome de Tyrone Perrucho para integrar o quadro efetivo do sodal\u00edcio. Foi aprovado por unanimidade. Ap\u00f3s os procedimentos de praxe, fui levar a not\u00edcia. Ent\u00e3o ele me disse:<\/p>\n<p>\u2013 Durval, sinto-me muito agradecido pela indica\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o aceito o convite. Fazer parte da Academia \u00e9 uma honra, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma grande responsabilidade, e o que eu quero, agora, al\u00e9m de fazer o Tabu, o que eu quero mesmo \u00e9 \u201cvagabundear\u201d.<\/p>\n<p>O Tabu encerrou suas atividades em papel em 2018 e ent\u00e3o a ALAC \u2013 Academia de Letras e Artes de Canavieiras prestou sua homenagem ao fundador e mantenedor do jornal atrav\u00e9s de 50 anos. Eu fui escolhido para fazer a homenagem, mas ele n\u00e3o compareceu e se fez representar pela filha Tain\u00e1. Dia seguinte, fui saber dele porque n\u00e3o comparecera ao evento, e ele respondeu:<\/p>\n<p>\u2013 Fiquei muito feliz pela homenagem, mas eu sabia que voc\u00ea ia aprontar pra cima de mim. Voc\u00ea queria que eu chorasse \u00e0 vista de todo mundo?<\/p>\n<p>Quando do falecimento dele em 12 de janeiro de 2021, me comoveram as palavras de sua filha Tain\u00e1: \u201cMeu pai se foi, professor. Meu amigo, meu pai, meu mestre\u201d. Tomado pela emo\u00e7\u00e3o, recordei as palavras de Brunilde Aureli Brito, quando da morte de seu pai, o jornalista Willy Aureli, em 1968, ano da cria\u00e7\u00e3o do Tabu: \u201cdesaparecia o meu amigo mais querido, o meu conselheiro mais sensato, o meu confessor mais paciente (&#8230;), meu pai\u201d.<\/p>\n<p>Tyrone se foi ainda cedo nessa grande viagem sem volta, mas sempre ser\u00e1 lembrado pelo legado que deixou. M\u00faltiplo e singular. Saudades.<\/p>\n<p>*Historiador<\/p>\n<p><strong style=\"text-align: right;\">\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durval Pereira da Fran\u00e7a Filho Meu primeiro contato com Tyrone foi no Grupo Escolar Quinze de Outubro, em 1959, quando \u00e9ramos estudantes na 5\u00aa s\u00e9rie prim\u00e1ria e candidatos \u00e0 segunda turma do GOB \u2013 Gin\u00e1sio Osm\u00e1rio Batista, inaugurado em 27 de setembro de 1958, e com aulas iniciadas em mar\u00e7o de 1959. 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