{"id":111814,"date":"2021-01-27T09:42:05","date_gmt":"2021-01-27T12:42:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=111814"},"modified":"2021-01-27T09:42:05","modified_gmt":"2021-01-27T12:42:05","slug":"mestre-da-reportagem-jose-silveira-morre-de-covid-aos-87-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2021\/01\/27\/mestre-da-reportagem-jose-silveira-morre-de-covid-aos-87-anos\/","title":{"rendered":"Mestre da reportagem, Jos\u00e9 Silveira morre de covid aos 87 anos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-111815\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/jos\u00e9-silveira-300x168.jpg\" alt=\"jos\u00e9 silveira\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/jos\u00e9-silveira-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/jos\u00e9-silveira.jpg 512w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Publicado originalmente no <a href=\"http:\/\/www.abi.org.br\/morre-mestre-da-reportagem-jose-silveira-de-covid-19\/\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A triste not\u00edcia se espalhou rapidamente e lotou, de imediato, as redes sociais, com mensagens de amizade, afeto e gratid\u00e3o a Jos\u00e9 Silveira, grande jornalista, mestre de uma gera\u00e7\u00e3o de tamb\u00e9m grandes jornalistas, que passou pelas mais importantes reda\u00e7\u00f5es do pa\u00eds. Foi secret\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o do Jornal do Brasil, chefe de reda\u00e7\u00e3o da sucursal da Folha de S. Paulo, no Rio, pilotou o projeto de renova\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o jornal Ultima Hora. Silveira, 87 anos, morreu nesta ter\u00e7a-feira, 26, de Covid-19, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Silveira deixou parte de sua hist\u00f3ria registrada no livro \u201cMem\u00f3rias da Imprensa Escrita\u201d, organizado pelo jornalista Aziz Ahmed, lan\u00e7ado em setembro de 2018. Em seu depoimento, o ga\u00facho de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, conta como come\u00e7ou no jornalismo, em 1\u00b0 de julho de 1954, no antigo seman\u00e1rio Hoje, de Porto Alegre. A mat\u00e9ria de estreia atendia \u00e0 pauta do dono do jornal, Ven\u00e2ncio Toscano Barbosa: \u201cMeu filho, voc\u00ea quer mesmo ser jornalista? Vai descobrir por que a manteiga desapareceu do mercado\u201d.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Livro e document\u00e1rio sobre \u2018Jornal do Brasil\u2019<\/strong><\/p>\n<div class=\"code-block code-block-1\">\u00a0Uma das edi\u00e7\u00f5es mais marcantes do\u00a0<em>Jornal do Brasil<\/em>\u00a0\u2013 a do dia seguinte \u00e0 promulga\u00e7\u00e3o do AI-5 \u2013 \u00e9 tema da entrevista de Jos\u00e9 Silveira, chefe do copydesk e secret\u00e1rio de Reda\u00e7\u00e3o do jornal durante d\u00e9cadas, \u00e0 jornalista Belisa Ribeiro. O v\u00eddeo est\u00e1 online, em\u00a0www.jbmemoria.com.br, e mostra como uma primeira p\u00e1gina teve influ\u00eancia marcante na Hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/div>\n<p>\u201cSeu\u201d Silveira foi definido assim por Paulo Francis: \u201c\u2026 Aquele Jos\u00e9 Silveira \u2013 o maior dos copydesks \u2013 pegou um artigo do Ant\u00f4nio Houaiss de oito laudas e transformou em duas. E n\u00e3o ficou faltando nada\u201d (em entrevista ao programa\u00a0<em>Roda Viva<\/em>, da TV Cultura, em 26\/8\/1996).<\/p>\n<p>O site integra o projeto\u00a0<em>Jornal do Brasil<\/em>\u00a0\u2013\u00a0<em>Hist\u00f3ria e mem\u00f3ria<\/em>, que vai gerar um livro, a ser lan\u00e7ado pela Editora Record, e um document\u00e1rio em v\u00eddeo com entrevistas de jornalistas not\u00e1veis como Walter Fontoura, Janio de Freitas, Carlos Lemos, j\u00e1 gravados, e outros que, como Silveira, tornaram o\u00a0<em>JB<\/em>\u00a0um jornal inesquec\u00edvel pela influ\u00eancia que teve nas grandes transforma\u00e7\u00f5es do jornalismo brasileiro e na vida social e pol\u00edtica do Brasil. A cada m\u00eas o site exibir\u00e1 trechos destas entrevista em um total de doze \u201chomens de ouro\u201d do jornalismo, at\u00e9 a data de lan\u00e7amento do livro.<\/p>\n<p>No site tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel ler relatos de profissionais que relembram seus melhores momentos vividos no jornal e ver as mat\u00e9rias a que se referem, com links diretos para a hemeroteca da Biblioteca Nacional, que digitalizou todos os exemplares do\u00a0<em>Jornal do Brasil<\/em>, desde o primeiro, em 1891, at\u00e9 o final do jornal impresso, em agosto de 2010.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-2\"><\/div>\n<p><strong>Fonte: Observat\u00f3rio da Imprensa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Depoimentos:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cComplica\u00e7\u00f5es decorrentes da Covid-19 levaram de n\u00f3s h\u00e1 dois dias o amigo jornalista Jos\u00e9 Silveira. O corpo vai ser cremado, me informou a filha adotiva, a fot\u00f3grafa Isabela Kassov, que nos vai adiantar mais informa\u00e7\u00f5es t\u00e3o logo seja poss\u00edvel. Z\u00e9 e sua mulher, Vera, estavam vivendo h\u00e1 alguns anos na casa de repouso da Funda\u00e7\u00e3o Humboldt, em Jacarepagu\u00e1. Foi um exemplo de jornalista para todos n\u00f3s que tivemos a chance de conviver com ele. Que sua alma tome o caminho da Luz. A foto tem uns dois anos, num dos nossos encontros na casa de repouso, ele e Vera.\u201d\u00a0 Romildo Guerrante<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cMais um grande jornalista se vai, mas deixa importante legado sobre a fundamental import\u00e2ncia da profiss\u00e3o do bem informar\u201d. Paulo Jeronimo Sousa<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cSilveira era imbat\u00edvel em tantas coisas, entre elas dar os apelidos mais criativos! Ningu\u00e9m escapava. Saudades, Silveira.\u201d\u00a0 Kristina Michaellis<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cGrande jornalista e grande mestre meu e de minha gera\u00e7\u00e3o no Jornal do Brasil.\u201d\u00a0 Jo\u00e3o Batista Abreu<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cJos\u00e9 Silveira era sin\u00f4nimo de compet\u00eancia, car\u00e1ter e humildade. Um craque na hist\u00f3ria do JB que o Romildo enalteceu e assino embaixo.\u00a0<\/em><em>Ele, como secret\u00e1rio da Reda\u00e7\u00e3o e virtual chefe do copy (bons tempos) gostava de sacanear a economia. Vinha tantas mat\u00e9rias marretadas de SP com lobbies dos diversos setores (e as mat\u00e9rias abusavam do termo \u201co setor\u201d, que quando virei pauteiro da Economia (75_76) ele sempre brincava \u201ccomo est\u00e1 o setor hoje\u201d. Quando o saudoso Paulo Henrique Amorim veio editar a Economia, em fins de 76, ele trouxe dois copys (Joaquim Campelo, mestre da l\u00edngua, e Jos\u00e9 Carlos de Assis, que foi consolidar o material sobre as greves no ABC, trazido para as p\u00e1ginas da Economia pelo PHA). Adorava conversar com o Z\u00e9. O \u00faltimo papo, tem mais de dois anos, foi num banco a porta da It\u00e1lia, na N. Sra da Paz, antes de ele se mudar.\u201d\u00a0 Gilbeto Menezes Corte.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cJamais trabalhei diretamente com Silveira, mas tinha uma grande amizade por ele. Em 1980, quando cheguei em S\u00e3o Paulo, ele \u2013 ent\u00e3o chefiando a sucursal da Folha no Rio \u2013 foi um dos que indicou meu nome ao Boris Casoy. Gra\u00e7as a isso trabalhei bons momentos na Folha e fiz ali \u00f3timas amizades. A minha com ele cresceu mais ainda. Visitei-o, anos atr\u00e1s, no Retiro onde ele morava com a mulher\u2026.. Est\u00e1 ai um nome para a nossa Cristina Serra promover com plantio de uma \u00e1rvore na Mata Atl\u00e2ntica.\u201d\u00a0 \u00a0Marcelo Auler<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cQue tristeza. Silveira era um \u00edcone, mem\u00f3ria do jornalismo, um papo inteligente e sempre ir\u00f4nico. Al\u00e9m disso, era um foli\u00e3o de primeira hora. Sempre o encontrava nos blocos, que ele frequentou at\u00e9 onde teve energia. Que v\u00e1 em paz e sua fam\u00edlia fique bem.\u201d Regina Zappa<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cAprendi tudo com Silveira quando entrei no JB, em 1969, na sede da Av. Rio Branco. Certa vez, coloquei um \u201d via de regra\u201d em meu texto. Ele me chamou e rindo, disse: Vera,, via de regra \u00e9\u2026.( Impublic\u00e1vel). Nunca mais usei o termo. Ele tinha um humor muito especial. E sempre perguntava quem tinha interesse na mat\u00e9ria que o rep\u00f3rter fazia.\u00a0<\/em><em>\u2013 Olha, quando algu\u00e9m lhe der entrevista, fique esperto e veja qual o interesse por tr\u00e1s<\/em>\u00a0\u2013 dizia.\u201d\u00a0<em>Vera Perfeito<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cSilveira era um \u00edcone, mem\u00f3ria do jornalismo, um papo inteligente e sempre ir\u00f4nico. Al\u00e9m disso, era um foli\u00e3o de primeira hora. Sempre o encontrava nos blocos, que ele frequentou at\u00e9 onde teve energia. Que v\u00e1 em paz e sua fam\u00edlia fique bem.\u201d<\/em>\u00a0<em>Cristina Piazeck<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cJos\u00e9 Silveira foi um dia melhores amigos que eu tive desde que entrei para o Jornal do Brasil. Grande incentivador, fazia quest\u00e3o de assinar minhas mat\u00e9rias, ainda que contrariando o chefe de reportagem, Lutero Soares, que veio a ser meu primeiro marido e achava que eu n\u00e3o podia assinar mat\u00e9rias, sob pena de o acusarem de protecionismo. Nunca em minha vida profissional recebi tanto apoio, tanta for\u00e7a e incentivo como desse querido e inesquec\u00edvel amigo Z\u00e9, MUITO querido por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es que tiveram o orgulho e a honra de trabalhar a seu lado e sugar tanta sabedoria e lucidez. VIVA JOS\u00c9 SILVEIRA, MOTIVO DE ORGULHO PARA OS VERDADEIROS PROFISSIONAIS DO JORNALISMO! Descanse em PAZ!<\/em> \u201c <em>Cristine Ajuz<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO Jos\u00e9 Silveira foi um dos grandes jornalistas de uma gera\u00e7\u00e3o de grandes jornalistas, de uma gera\u00e7\u00e3o que viveu a renova\u00e7\u00e3o do jornalismo brasileiro nos anos 1950 e 1960, sofreu os horrores da ditadura militar sem abandonar a ess\u00eancia do jornalismo e nos ajudou na transi\u00e7\u00e3o para a democracia, sempre do lado do bom jornalismo\u201d<\/em>.\u00a0<em>Marcelo Beraba<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cA \u00faltima vez que encontrei com Jos\u00e9 Silveira foi em mar\u00e7o de 2015, no Fiorentina, em homenagem organizada pelos amigos do antigo JB, em mem\u00f3ria a Sergio Fleury e Jos\u00e9 Luiz Alcantara, que ali\u00e1s, este \u00faltimo faz, exatamente no dia de hoje, seis anos de falecimento.\u00a0<\/em><em>Conversamos muito, felizes de nos rever. Lembramos dos tempos em que ele dirigiu a assessoria de imprensa da Vale do Rio Doce e que, com seu eterno dom de bom jornalista, sempre arranjava maneira de descolar entrevistas com os executivos da mineradora, que rendiam manchetes para editoria de Economia.\u00a0<\/em><em>Lembramos tamb\u00e9m da nossa origem ga\u00facha e dos encontros casuais nos domingos, no cal\u00e7ad\u00e3o da praia de Ipanema, quando ele ainda morava no bairro. Sentado \u00e0 mesa do quiosque no posto 10, cigarrinho acesso na m\u00e3o, mesmo depois da cirurgia de safena, cuja cicatriz era aparente, Silveira dizia brincando : \u201cTomando o remedinho\u201d, apontando, com humor, para o cigarro indevido.<\/em><br \/>\n<em>Grande Jos\u00e9 Silveira! V\u00e1 em paz\u201d.\u00a0\u00a0<\/em><em>L\u00edvia Ferrari<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cJos\u00e9 Silveira, grande jornalista, foi mestre de uma gera\u00e7\u00e3o de grandes rep\u00f3rteres, profiss\u00e3o fundamental para a sociedade. O jornalismo est\u00e1 de luto.\u201d\u00a0<\/em><em>Vitor Iorio<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cTristeza. Soube que morreu o Jos\u00e9 Silveira, o melhor de todos os jornalistas que conheci numa reda\u00e7\u00e3o. Sabia fazer, ensinava e gostava paca de colocar na rua um jornal bem feito respeitando o leitor. Tudo com seu humor c\u00e1ustico e sua vis\u00e3o dos detalhes. Vai seu Z\u00e9, mas sua mem\u00f3ria fica.\u201d \u00c1lvaro Caldas<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cMinha tristeza \u00e9 imensa. Convivi com Seu Z\u00e9 por quatro anos na sucursal da Folha, depois nos reencontramos no JB. Minha admira\u00e7\u00e3o por ele \u00e9 imensur\u00e1vel. Sabia tudo de jornalismo, era cr\u00edtico, exigente. Aprendi muito com ele, comentava os erros da imprensa com humor sarc\u00e1stico. Tanto assim que fez um guia de poucas folhas orientando a equipe sobre o que n\u00e3o se deve escrever. Lembro-me ainda do \u201cquem aborda \u00e9 pirata\u201d, \u201cmorreu ao dar entrada no hospital porque tinha uma guilhotina na porta\u201d, \u201cvia de regra, as mulheres sabem\u201d, e por a\u00ed ia. Foi o precursor dos manuais de reda\u00e7\u00e3o. Era rigoroso, mandou o Perin medir a avenida Presidente Vargas e adjac\u00eancias e verificar quantas pessoas cabiam em um metro quadrado para n\u00e3o errar a estimativa de p\u00fablico no Com\u00edcio das Diretas, na Candel\u00e1ria. Ele gostava de ensinar, devo muito a ele, que me burilou como jornalista. Ele ensinava a pensar. A equipe era pequena e unida. Levava todo mundo pra casa dele, frequentada por gente alegre e inteligente. A mulher Vera e a filha Isabela sempre receptivas com tanta gente dentro de casa, muitas festas, muitos churrascos com carne que vinha do sul. Era muito querido e respeitado. Inesquec\u00edvel. Meu querido Z\u00e9 Silveira, voc\u00ea mora no meu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Teca Lobo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente no Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa A triste not\u00edcia se espalhou rapidamente e lotou, de imediato, as redes sociais, com mensagens de amizade, afeto e gratid\u00e3o a Jos\u00e9 Silveira, grande jornalista, mestre de uma gera\u00e7\u00e3o de tamb\u00e9m grandes jornalistas, que passou pelas mais importantes reda\u00e7\u00f5es do pa\u00eds. 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