{"id":111117,"date":"2021-01-16T07:15:28","date_gmt":"2021-01-16T10:15:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=111117"},"modified":"2021-01-15T10:26:10","modified_gmt":"2021-01-15T13:26:10","slug":"vida-na-roca-vida-no-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2021\/01\/16\/vida-na-roca-vida-no-ceu\/","title":{"rendered":"Vida na Ro\u00e7a,  Vida no C\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-111109\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/odilon-pinto.jpg\" alt=\"odilon pinto\" width=\"259\" height=\"194\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Daniel Thame (para Odilon Pinto)<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-111129\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/dt-chapeu-150x150.jpg\" alt=\"dt chapeu\" width=\"150\" height=\"150\" \/>\u201cQuerido Odilon, essa carta chega at\u00e9 voc\u00ea molhada pelas l\u00e1grimas de saudade, mas tamb\u00e9m de gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>Ah, Odilon. Voc\u00ea nem imagina quantas e quantas vezes n\u00f3s sentava em torno do r\u00e1dio, tomando o caf\u00e9, pra ouvir seu programa e principalmente o quadro Vida na Ro\u00e7a.<\/p>\n<p>Eram hist\u00f3rias de amor, de tristeza, da vida dura no campo, mas tamb\u00e9m de momentos felizes que s\u00f3 voc\u00ea sabia contar. Porque voc\u00ea era um de n\u00f3s, Odilon.<\/p>\n<p>N\u00f3s s\u00f3 ia pras ro\u00e7as de cacau depois que seu programa terminava e j\u00e1 ficava esperando o dia seguinte.<\/p>\n<p>A vida na ro\u00e7a nunca foi f\u00e1cil para o trabalhador, mas n\u00f3s vivia com dignidade, fome ningu\u00e9m passava. E tinha as festas, de Reis, de S\u00e3o Jo\u00e3o, de Natal, o povo todo das fazendas se reunia e era uma alegria de dar gosto&#8230;<\/p>\n<p>Uma vez no Natal eu levei um leit\u00e3ozinho pra voc\u00ea l\u00e1 na R\u00e1dio Jornal, voc\u00ea me recebeu na maior simplicidade e ainda me agradeceu na r\u00e1dio.<\/p>\n<p>E todo mundo ouviu, Odilon, porque n\u00e3o tinha fazenda nesse mund\u00e3o de Deus que n\u00e3o tivesse um r\u00e1dio s\u00f3 pra ouvir voc\u00ea.<\/p>\n<p>Ah Odilon, que saudade desse tempo.<\/p>\n<p>Depois veio essa desgra\u00e7ada da vassoura de bruxa e tudo mudou pra pior. O cacau praticamente acabou, n\u00f3s ficou perdido porque pra n\u00f3s o cacau nunca iria acabar.<\/p>\n<p>Odilon, muitos companheiros perderam o emprego, fam\u00edlias inteiras ficaram sem rumo. Teve at\u00e9 Tonho, pai de cinco filhos, trabalhador retado, que mergulhou na cacha\u00e7a e um dia se atirou no Rio Pardo, pra nunca mais voltar.<\/p>\n<p>Teve Zeca, que pegou a fam\u00edlia e foi pra S\u00e3o Paulo com quase nenhum dinheiro e n\u00e3o mandou mais not\u00edcias. Teve Maria, que foi abandonada pelo marido, se trancou em casa com os tr\u00eas filhos pequenos e passou a viver do pouco que n\u00f3s conseguia levar.<\/p>\n<p>Tanta gente que partiu, Odilon.<\/p>\n<p>Odilon, eu fiquei na ro\u00e7a. De teimoso, porque aqui \u00e9 meu ch\u00e3o. Virei meeiro, trabalho muito e divido os ganhos com o dono da fazenda. Pra voc\u00ea eu posso contar; dois filhos meus foram pra Itabuna. Um trabalha no com\u00e9rcio, casou, leva uma vida simples, mas \u00e9 uma pessoa de bem.<\/p>\n<p>O outro, Odilon, se meteu com uma tal de droga, j\u00e1 foi preso, vive em confus\u00e3o e s\u00f3 de falar d\u00e1 um aperto no cora\u00e7\u00e3o. Minha v\u00e9ia \u00e9 s\u00f3 que chora e ora o tempo todo pra Deus tirar ele desse caminho.<\/p>\n<p>Odilon, acho que t\u00f4 me alongando demais.<\/p>\n<p>Quero encerrar essa carta dizendo uma coisa do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea nos deixou, a vida na ro\u00e7a t\u00e1 em sil\u00eancio, mas n\u00f3s tem certeza de que a partir de agora os anjos, santos e at\u00e9 Deus v\u00e3o parar todas as manh\u00e3s pra ouvir voc\u00ea contando causos da Vida no C\u00e9u.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Thame (para Odilon Pinto) \u201cQuerido Odilon, essa carta chega at\u00e9 voc\u00ea molhada pelas l\u00e1grimas de saudade, mas tamb\u00e9m de gratid\u00e3o. Ah, Odilon. Voc\u00ea nem imagina quantas e quantas vezes n\u00f3s sentava em torno do r\u00e1dio, tomando o caf\u00e9, pra ouvir seu programa e principalmente o quadro Vida na Ro\u00e7a. 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