{"id":110224,"date":"2020-12-19T06:39:03","date_gmt":"2020-12-19T09:39:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=110224"},"modified":"2020-12-18T09:44:43","modified_gmt":"2020-12-18T12:44:43","slug":"o-negocio-cacau-e-guilhotina-dos-bancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2020\/12\/19\/o-negocio-cacau-e-guilhotina-dos-bancos\/","title":{"rendered":"O neg\u00f3cio cacau e a guilhotina dos bancos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Walmir Ros\u00e1rio<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg\" alt=\"walmir\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>De vez em quando a m\u00eddia regional concede um espa\u00e7o para a cacauicultura, nem sempre com a generosidade que merece a principal matriz econ\u00f4mica do Sul da Bahia, que h\u00e1 muito tenta se reerguer do golpe sofrido na segunda metade da d\u00e9cada de 1980, causado pela introdu\u00e7\u00e3o criminosa da vassoura de bruxa. Uma mat\u00e9ria aqui, outra ali, sempre abordando bons exemplos individuais, nunca tratando do sistema por inteiro.<\/p>\n<p>Antes, quando a Ceplac ainda tinha \u201cbala na agulha\u201d, ganhava manchetes principais com frequ\u00eancia maior ao divulgar resultados positivos de pesquisas, recorde ou queda de produ\u00e7\u00e3o, melhoria na qualidade da am\u00eandoa. Por v\u00e1rias vezes essas manchetes tamb\u00e9m ocupavam as primeiras p\u00e1ginas dos ve\u00edculos de circula\u00e7\u00e3o nacional estampando a presen\u00e7a de presidentes, ministros, governadores e parlamentares com promessas.<\/p>\n<p>Promessas v\u00e3s, \u00e9 bom que se diga. Chegam, visitam a Ceplac, uma fazenda de cacau, consideram injusto o tratamento dado ao cacauicultor, fecham o discurso com duas frases de efeito e voltam a Bras\u00edlia. O tempo passa e as promessas se revelam simples e corriqueiros contos de fadas, haja vista a falta de representatividade pol\u00edtica a regi\u00e3o que outrora se orgulhava de produzir os frutos de ouro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-110225\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Delega\u00e7\u00e3o-de-cacau-com-a-ministra-da-Agricultra-1-300x225.jpg\" alt=\"Delega\u00e7\u00e3o de cacau com a ministra da Agricultra (1)\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Delega\u00e7\u00e3o-de-cacau-com-a-ministra-da-Agricultra-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Delega\u00e7\u00e3o-de-cacau-com-a-ministra-da-Agricultra-1.jpg 515w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>N\u00e3o seria verdadeiro colocar toda a culpa dos problemas do cacau nas costas dos pol\u00edticos, pois parte dela deve ser creditada \u00e0s lideran\u00e7as regionais e aos eleitores, acostumados a dar o seu voto a pol\u00edticos totalmente alheios \u00e0 economia regional. H\u00e1 muito que prego um basta nesse at\u00e1vico estranho comportamento, justific\u00e1vel antes, quando ainda \u00e9ramos ricos e desprez\u00e1vamos a pol\u00edtica. Hoje, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Me causou surpresa \u2013 nesta \u00e9poca em que se fala muito no fim das institui\u00e7\u00f5es de pesquisas e extens\u00e3o \u2013 o caminho em outra dire\u00e7\u00e3o tomado pelo empres\u00e1rio Valderico J\u00fanior, presidente do Democratas de Ilh\u00e9us. Acompanhado dos deputados federais Leur Lomanto J\u00fanior e Efraim Morais Filho, ele participou quarta-feira (16), em Bras\u00edlia, de reuni\u00e3o com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.<\/p>\n<p>E o tema do encontro era justamente o neg\u00f3cio cacau e os penduricalhos que dificultam o desenvolvimento dessa tradicional cultura, que ainda hoje se destaca pela liquidez em sua comercializa\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o acontece com outras culturas. Se temos esse handicap favor\u00e1vel, estamos aprisionados a pesados grilh\u00f5es como a d\u00edvida dos produtores junto aos bancos, grande parte oriunda de recursos do Tesouro ou bancos p\u00fablicos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O esfor\u00e7o que vem sendo empreendido por Valderico J\u00fanior n\u00e3o se prende a dar vantagens gratuitas ao produtor de cacau, e sim a equaliza\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas contra\u00eddas durante planos de recupera\u00e7\u00e3o da lavoura cacaueira, praticados com recursos caros e tecnologia incipiente para o combate ao fungo da vassoura de bruxa. O cacauicultor n\u00e3o pode ser condenado \u00e0 guilhotina certeira dos juros extorsivos ainda cobrados.<\/p>\n<p>Na economia n\u00e3o h\u00e1 milagres e sim propostas, estudos de solu\u00e7\u00e3o dos problemas, centrados no di\u00e1logo e viabilidade. Disposi\u00e7\u00e3o para tanto a ministra Tereza Cristina tem de sobra, pois \u00e9 acostumada a esse tipo de debate com o Banco do Brasil e com o Minist\u00e9rio da Economia, na busca de solu\u00e7\u00e3o para os problemas da agricultura. Numa composi\u00e7\u00e3o justa, ganham bancos, a Uni\u00e3o e milhares de cacauicultores retomam a plena produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Propostas vi\u00e1veis para a recomposi\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas dos cacauicultores s\u00e3o bastante conhecidas do governo federal, defendidas pela C\u00e2mara Setorial do Cacau, por meio do presidente Milton Andrade J\u00fanior. Receptiva \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o, a ministra prometeu estudar com os t\u00e9cnicos uma sa\u00edda que agrade as partes, em curto prazo, para tornar poss\u00edveis novos investimentos.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio Valderico J\u00fanior vai al\u00e9m de beneficiar o setor cacaueiro, haja vista que trar\u00e1 reflexos positivos em toda a economia de uma regi\u00e3o que compreende parte do Rec\u00f4ncavo, e todo o Sul e extremo sul da Bahia. Se antes \u2013 de modo equivocado \u2013 o cacau era considerado uma cultura de poderosos, hoje tamb\u00e9m \u00e9 o carro-chefe da agricultura familiar, que tamb\u00e9m poder\u00e1 investir mais na cacauicultura e outros cultivos.<\/p>\n<p>Incentivar o retorno pleno da produ\u00e7\u00e3o de cacau com a moderna tecnologia dispon\u00edvel \u00e9 hoje a medida mais eficaz para produzir um chocolate de primeira qualidade, comercializados a pre\u00e7os superiores. A nova cacauicultura poder\u00e1, ainda, contribuir para que o campo receba de volta parte dos migrantes que atualmente mora \u2013 sem qualquer dignidade \u2013 a inchada periferia das grandes cidades.<\/p>\n<p>Que o exemplo dado pelo empres\u00e1rio Valderico J\u00fanior se torne uma nova op\u00e7\u00e3o no tratamento da pol\u00edtica e da economia com a seriedade que merecem, pois produzir\u00e3o resultados altamente ben\u00e9ficos para toda a sociedade. A pol\u00edtica e a economia precisam caminhar lado a lado, ainda mais quando se trata de equacionar problemas que travam a distribui\u00e7\u00e3o de riquezas oriundas da agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>*Radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio De vez em quando a m\u00eddia regional concede um espa\u00e7o para a cacauicultura, nem sempre com a generosidade que merece a principal matriz econ\u00f4mica do Sul da Bahia, que h\u00e1 muito tenta se reerguer do golpe sofrido na segunda metade da d\u00e9cada de 1980, causado pela introdu\u00e7\u00e3o criminosa da vassoura de bruxa. 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