{"id":109074,"date":"2020-11-21T06:30:39","date_gmt":"2020-11-21T09:30:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=109074"},"modified":"2020-11-19T09:08:29","modified_gmt":"2020-11-19T12:08:29","slug":"sumico-do-badalo-na-confraria-do-berimbau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2020\/11\/21\/sumico-do-badalo-na-confraria-do-berimbau\/","title":{"rendered":"Sumi\u00e7o do badalo na confraria d`O Berimbau"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-109078\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/w-r1-300x169.jpg\" alt=\"w r\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/w-r1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/w-r1.jpg 820w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg\" alt=\"walmir\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Ap\u00f3s todas as mudan\u00e7as poss\u00edveis e imagin\u00e1rias, finalmente O Berimbau estaciona para n\u00e3o mais sair do famoso Beco d\u2019O Berimbau, tamb\u00e9m apelidado de rua Dr. Jo\u00e3o S\u00e1 Rodrigues. E esse \u00e2nimo definitivo passou a influenciar na escolha das bebidas e comidas, nos frequentadores ass\u00edduos, bem chegados, tolerados e indesej\u00e1veis, com direito a figurar no livro de atas escrevinhadas pelo Secret\u00e1rio Plenipotenci\u00e1rio Tolentino (Tol\u00e9).<\/p>\n<p>De uma tacada s\u00f3 foram escolhidos os s\u00edmbolos para reverenciar a festejar o rec\u00e9m-chegado \u2013 desde que bem chegado \u2013, e o sino foi um deles, que \u00e9 tocado incessantemente at\u00e9 que tomasse assento junto aos amigos. Da\u00ed para a cria\u00e7\u00e3o da Confraria d\u2019O Berimbau foi um pulo, bastando lavrar na ata a funda\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o dos confrades e as exig\u00eancias para que pudesse pertencer aos quadros da entidade.<\/p>\n<p>De acordo com a consist\u00eancia do balan\u00e7ar do sino \u00e9 conhecido o n\u00edvel de prest\u00edgio do chegante junto aos confrades. Se o toque alegre duradouro, bom sinal; sem grandes folguedos, o chegante n\u00e3o fede nem cheira; se adentrava ao recinto e o sino continuava em seu canto e mudo, v\u00e1 procurar outra freguesia. E assim o sino passou a configurar entre os bens e propriedades f\u00edsicas e imateriais da Confraria d\u2019O Berimbau.<\/p>\n<p>N\u00e3o custa relembrar que o sino da Confraria d\u2019O Berimbau \u00e9 uma pe\u00e7a de trabalho e estima\u00e7\u00e3o, introduzido pelo fundador da entidade, Nen\u00e9m de Argemiro, para dar um procedimento festivo mais adequado ao anunciar aos presentes a chegada dos confrades. Dentre os s\u00edmbolos da Confraria d\u2019O Berimbau, est\u00e3o o sino, o trombone e a caneca de esmalte, na qual Nen\u00e9m de Argemiro sorvia preciosos goles das boas cacha\u00e7as servidas com generosidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Com o passar do tempo, volta e meia o sino era retirado furtivamente por um indesej\u00e1vel, quem sabe insatisfeito com o tratamento nada receptivo. Do mesmo jeito em que o sino sumia, semanas depois aparecia, misteriosamente. S\u00f3 poderia ser um mau feito de algum engra\u00e7adinho especializado no sumi\u00e7o do sino, deixando os confrades sem a t\u00e3o festiva recep\u00e7\u00e3o nas assembleias de s\u00e1bado.<\/p>\n<p>Cerca de uns dois anos depois, o furtivo lar\u00e1pio mudou o modus operandi ao deixar o sino \u00e0 vista dos confrades, por\u00e9m completamente mudo, sem o badalo, retirado com maestria, \u00e9 bom que se diga. E n\u00e3o houve investiga\u00e7\u00e3o que conseguisse descobrir o meliante inimigo do badalar do sino, cujo ritual seria imprescind\u00edvel para dar as boas-vindas aos confrades e os visitantes mais chegados.<\/p>\n<p>Foi preciso o Secret\u00e1rio Plenipotenci\u00e1rio da Confraria d\u2019O Berimbau, Gilbert\u00e3o Mineiro, decidir instalar uma CPI para apurar o sumi\u00e7o do badalo do conceituado sino v\u00edtima constante de sumi\u00e7o. Prometendo apurar com rigor, concedeu o prazo de uma semana para que os membros da CPI encarregados das investiga\u00e7\u00f5es de um dos equipamentos mais importantes da Confraria desse in\u00edcio ao competente inqu\u00e9rito.<\/p>\n<p>De acordo com as primeiras sindic\u00e2ncias, o badalo do festejado sino teria sido surrupiado por um dos confrades que n\u00e3o tem no toque do sino a festejada celebra\u00e7\u00e3o no recebimento dos confrades. Pelo sim, pelo n\u00e3o, a comiss\u00e3o de sindic\u00e2ncia resolveu ampliar a investiga\u00e7\u00e3o a novos confrades, notadamente os que se enquadravam na conduta de condi\u00e7\u00e3o de \u201cinimigos do sino\u201d.<\/p>\n<p>Ouvidos pelos membros da comiss\u00e3o de sindic\u00e2ncia no expediente de s\u00e1bado, os confrades negaram com veem\u00eancia qualquer liga\u00e7\u00e3o com o sumi\u00e7o do badalo. Tamb\u00e9m foram ouvidos pessoas consideradas suspeitas que trabalham na \u00e1rea, com a finalidade de saber quem esteve no ambiente, mesmo fora do hor\u00e1rio, e sorrateiramente, desviou o badalo.<\/p>\n<p>Diante da inutilidade do poder de investiga\u00e7\u00e3o dos membros da CPI, foi publicado um edital para adquirir um novo badalo para o famoso s\u00edmbolo d\u2019O Berimbau, no sentido de conclamar os artes\u00e3os canavieirenses a se candidatem a fabricar um badalo para o descomposto sino. Pelo sim, pelo n\u00e3o, o presidente Z\u00e9 do G\u00e1s resolveu instalar uma rede de c\u00e2meras para espionar quem seria respons\u00e1vel pelo tresloucado gesto de esconder o badalo.<\/p>\n<p>Como corriqueiramente acontece em Bras\u00edlia, a CPI d\u2019O Berimbau foi desfeita por n\u00e3o concluir coisa alguma, embora produzisse um relat\u00f3rio altamente consubstanciado dando conta que n\u00e3o poderia indiciar nenhum dos confrades ou visitantes, por absoluta falta de provas. E de acordo com as leis, nem mesmo poderia declinar os nomes dos suspeitos para n\u00e3o incorrerem nos rigores da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o sistema de c\u00e2meras n\u00e3o funcionar s\u00f3 recorrendo ao FBI.<\/p>\n<p>*Radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio Ap\u00f3s todas as mudan\u00e7as poss\u00edveis e imagin\u00e1rias, finalmente O Berimbau estaciona para n\u00e3o mais sair do famoso Beco d\u2019O Berimbau, tamb\u00e9m apelidado de rua Dr. Jo\u00e3o S\u00e1 Rodrigues. 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