{"id":108125,"date":"2020-10-31T07:35:24","date_gmt":"2020-10-31T10:35:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=108125"},"modified":"2020-10-31T09:00:44","modified_gmt":"2020-10-31T12:00:44","slug":"a-escolha-dos-homenageados-do-trofeu-galeota-de-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2020\/10\/31\/a-escolha-dos-homenageados-do-trofeu-galeota-de-ouro\/","title":{"rendered":"A escolha dos homenageados do Trof\u00e9u Galeota de Ouro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-108126\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Entrega-do-trof\u00e9u-1024x681.jpg\" alt=\"Entrega do trof\u00e9u\" width=\"442\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Entrega-do-trof\u00e9u-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Entrega-do-trof\u00e9u-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Entrega-do-trof\u00e9u.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg\" alt=\"walmir\" width=\"223\" height=\"167\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 223px) 100vw, 223px\" \/>Muitos s\u00e3o chamados, mas poucos escolhidos. Essa pequena passagem da B\u00edblia (Mateus 22:14) mostra claramente a forma da escolha da seleta lista de homenageados com o Trof\u00e9u Galeota de Ouro. Ao contr\u00e1rio do que se pensava \u2013 e ainda pensam alguns desavisados \u2013, que os distinguidos com a honraria pelos feitos et\u00edlicos se dava pela contum\u00e1cia ou o reles ato de beber e se embriagar diariamente, sem pompas ostenta\u00e7\u00e3o ou esplendor de dar inveja aos mais acatados abst\u00eamios.<\/p>\n<p><!--more-->A escolha precedia de um amplo ritual lit\u00fargico, com a finalidade de comprovar e mensurar o trabalho realizado pacientemente pelos olheiros da \u201cComiss\u00e3o de Observa\u00e7\u00e3o da Confraria d\u2019O Berimbau\u201d. A cada a\u00e7\u00e3o desastrada cometida pelo indigitado \u201ccachacista\u201d chegada ao conhecimento e ao dom\u00ednio p\u00fablico, o candidato recebia uma simples advert\u00eancia, um cart\u00e3o amarelo e, a depender do escandalizante ato, um cart\u00e3o vermelho. Dois cart\u00f5es vermelhos, ent\u00e3o se tornava um candidato dif\u00edcil de ser batido.<\/p>\n<p>Mas como n\u00e3o h\u00e1 nada t\u00e3o ruim que n\u00e3o possa piorar, a brilhante e implac\u00e1vel Lei de Murphy descia sobre as \u201ccabe\u00e7as coroadas\u201d como se fossem a verdadeira \u201cespada de D\u00e2mocles\u201d. Mas, pela seriedade e responsabilidade que caracterizava a isen\u00e7\u00e3o da escolha dos ganhadores do trof\u00e9u, a decis\u00e3o tinha que ser colegiada, ap\u00f3s a an\u00e1lise de pesos e medidas estabelecidos.<\/p>\n<p>Tal e qual praticavam as institui\u00e7\u00f5es medievais, os membros da Confraria do Berimbau \u2013 vestidos a car\u00e1ter \u2013 se reuniam numa salinha escura nos fundos do jornal Tabu, iluminada apenas por uma lamparina a vela, conferindo a escrita de cada verso do cart\u00e3o, analisando o grau de gravidade. Dois cart\u00f5es amarelos equivaliam a um vermelho&#8230;dois vermelhos ent\u00e3o&#8230;Mas tinham aqueles que bastava uma falta grav\u00edssima, como a de perder o endere\u00e7o de casa, trocando a estrada do mar para a da montanha&#8230;era bingo.<\/p>\n<p>Algumas faltas chegavam a ser consideradas impublic\u00e1veis, como as cometidas na pr\u00f3pria resid\u00eancia e que chegavam ao dom\u00ednio p\u00fablico ap\u00f3s alguma indiscri\u00e7\u00e3o de um vizinho ou parente mais chegado. Alguns outros, pela teimosia dos acometimentos, tiveram que ser considerados \u201chors concours\u201d pela falta de concorrentes \u00e0 altura das faltas cometidas e anotadas pelos olheiros do Posto de Observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse Posto de Observa\u00e7\u00e3o ganhou at\u00e9 placa e estandarte \u2013 no estilo do tradicional Ex\u00e9rcito da Salva\u00e7\u00e3o \u2013 e aterrorizava os bebedores desbragados em qualquer festa de largo, de rua. A Lavagem da Escadaria da Igreja Matriz de S\u00e3o Boaventura atemorizava os participantes, que nutriam verdadeiro pavor aos confrades, sempre em movimento nos quatro cantos da pra\u00e7a da Igreja.<\/p>\n<p>Embora o n\u00famero de beberr\u00f5es fosse um dos maiores de Canavieiras, pelas estat\u00edsticas anunciadas nenhum dos ganhadores foi escolhido por ter aprontado na festa, n\u00e3o se sabe se por respeito ao Santo Padroeiro ou dos confrades observadores. Muitos dos vencedores praticaram o ato insano digno de cart\u00f5es vermelhos no rec\u00f4ndito do lar, \u00e0 boca da madrugada, ainda zonzos do consumo de pouco antes.<\/p>\n<p>E n\u00e3o foram poucos denunciados pela incontin\u00eancia urin\u00e1ria na geladeira, local apropriado para gelar cerveja, transformar \u00e1gua em gelo para o whisky nosso do dia a dia e at\u00e9 mesmo a \u00e1gua para arrefecer a ressaca. E esses cart\u00f5es vermelhos eram aplicados logo ap\u00f3s ser o indigitado ser denunciado pela pr\u00f3pria \u201cpatroa\u201d, cansada desse comportamento inadequado para um pai de fam\u00edlia que se preza.<\/p>\n<p>Um patrocinador m\u00e1ster do Trof\u00e9u Galeota de Ouro, conhecido pela sua prodigalidade, sequer presenciou essas homenagens, divido ao receio de ser o homenageado central da festa. Somente aparecia quando sabedor da finaliza\u00e7\u00e3o da entrega dos trof\u00e9us e mesmo assim chegava todo desconfiado pelas \u201cculpas no cart\u00f3rio\u201d, mas sempre sa\u00eda inc\u00f3lume, pois a homenagem era presencial.<\/p>\n<p>Se existiam os medrosos, os afoitos chegavam cedo \u00e0 espera de ter seu nome chamado ao palanque para receber as honras pelas pr\u00e1ticas et\u00edlicas mal-ajambradas dignas de anotadas nos cart\u00f5es amarelos e vermelhos. Estes deixavam o evento tristes e cabisbaixos por terem sido desprezados pelos confrades; outros, quando menos esperavam, l\u00e1 estavam ostentando o trof\u00e9u, tal e qual Bellini ao levantar a ta\u00e7a Jules Rimet em 1958.<\/p>\n<p>E assim eram escolhidos os distintos honrados com o Trof\u00e9u Galeota de Ouro, sem privil\u00e9gios, tr\u00e1fico de influ\u00eancia ou compra de gal\u00f5es e patentes. E por muitos anos a Confraria d\u2019O Berimbau concedeu as honrarias com distin\u00e7\u00e3o e louvor aos bebedores que se notabilizaram pelos seus feitos nem t\u00e3o brilhantes. A premia\u00e7\u00e3o sempre foi igual ao que preceitua o conceituado Jogo de Bicho: vale o escrito.<\/p>\n<p>*Radialista, jornalista e advogado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio &nbsp; Muitos s\u00e3o chamados, mas poucos escolhidos. 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