{"id":106667,"date":"2020-09-28T19:00:50","date_gmt":"2020-09-28T22:00:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=106667"},"modified":"2020-09-28T16:53:27","modified_gmt":"2020-09-28T19:53:27","slug":"nada-sobre-nos-sem-nos-povos-indigenas-buscam-alternativas-as-midias-tradicionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2020\/09\/28\/nada-sobre-nos-sem-nos-povos-indigenas-buscam-alternativas-as-midias-tradicionais\/","title":{"rendered":"\u201cNada sobre n\u00f3s, sem n\u00f3s!\u201d: Povos ind\u00edgenas buscam alternativas \u00e0s m\u00eddias tradicionais"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106670\" style=\"width: 478px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-106670\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-106670\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pat-1.jpg\" alt=\"&quot;Televis\u00e3o&quot; da artista Mavi Morais - @moraismavi\" width=\"468\" height=\"248\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pat-1.jpg 770w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pat-1-300x159.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 468px) 100vw, 468px\" \/><p id=\"caption-attachment-106670\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Televis\u00e3o&#8221; da artista Mavi Morais &#8211; @moraismavi<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Por I\u2019sis Almeida*<\/em><\/p>\n<p>Era 25 de agosto, a assessoria da Associa\u00e7\u00e3o Bahiana de Imprensa (ABI), em sistema de home office em fun\u00e7\u00e3o da pandemia do coronav\u00edrus, recebeu um pedido de socorro atrav\u00e9s de um aplicativo de mensagens. A remetente Thyara Patax\u00f3, graduanda em Agroecologia pela Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), jovem lideran\u00e7a da Aldeia Novos Guerreiros, localizada no extremo sul da Bahia, Ponta Grande, em Porto Seguro, desejava repercutir a amea\u00e7a de despejo que sua Aldeia sofria com uma a\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a Federal de Eun\u00e1polis.<\/p>\n<div class=\"wp-block-group\">\n<div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-15406\" src=\"https:\/\/abi-bahia.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/box_pataxos-1.png\" sizes=\"(max-width: 329px) 100vw, 329px\" srcset=\"https:\/\/abi-bahia.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/box_pataxos-1.png 329w, https:\/\/abi-bahia.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/box_pataxos-1-161x300.png 161w\" alt=\"\" width=\"329\" height=\"613\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A not\u00edcia sobre a possibilidade de despejo de 40 fam\u00edlias da Aldeia Novos Guerreiros mobilizou as comunidades ind\u00edgenas da Bahia e do Brasil. A a\u00e7\u00e3o judicial em quest\u00e3o beneficiava a reintegra\u00e7\u00e3o de posse de um Clube de Avia\u00e7\u00e3o, em meio \u00e0 crise sanit\u00e1ria na est\u00e2ncia de Porto Seguro. (<a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2020\/09\/apos-intensa-mobilizacao-despejo-contra-aldeia-pataxo-suspenso\/\">Entenda aqui<\/a>).<\/p>\n<p>A atitude tomada pelo juiz foi considerada contradit\u00f3ria \u00e0 determina\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF). Quaisquer reintegra\u00e7\u00f5es de posse, enquanto durar a pandemia em \u00e2mbito nacional, foram suspensas pelo Ministro Edson Fachin. A decis\u00e3o foi tomada no dia 6 de maio, por meio do Recurso Extraordin\u00e1rio (RE) de n\u00famero 1.017.365\/SC. Ap\u00f3s intensa mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade, imprensa nacional, e at\u00e9 mesmo internacional, a a\u00e7\u00e3o foi revertida, mas Thyara conta que seu povo n\u00e3o tem dormido tranquilo. \u201cAinda haver\u00e1 um novo processo, votado pelo mesmo juiz. Ele ter\u00e1 tempo de analisar e\u00a0 decidir se continuar\u00e1 persistindo na reintegra\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o. Por conta disso, a gente ainda n\u00e3o tem sossego\u201d, relata.<\/p>\n<p>\u201cNosso povo n\u00e3o dorme tranquilo desde cedo. Nossas crian\u00e7as j\u00e1 nascem na luta por conta disso. Hoje eu t\u00f4 aqui com meus filhos em casa, mas amanh\u00e3 pode haver uma reintegra\u00e7\u00e3o e eu tenha que sair com eles correndo\u201d, lamenta a lideran\u00e7a Patax\u00f3. Embora o caso da Aldeia Novos Guerreiros tenha recebido decis\u00e3o favor\u00e1vel da Desembargadora Federal Daniele Maranh\u00e3o Costa, que suspendeu a liminar do juiz de Eun\u00e1polis, a comunidade segue apreensiva. \u201cA gente v\u00ea muita coisa acontecendo com as minorias, nas comunidades ind\u00edgenas, quilombolas, nos assentamentos e sendo pouco divulgado, principalmente nas grandes m\u00eddias, sofremos muito com essa invisibilidade\u201d, alerta Thyara.<\/p>\n<p>\u00c9 em fun\u00e7\u00e3o da not\u00f3ria invisibilidade da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena nas m\u00eddias tradicionais, seja na televis\u00e3o, r\u00e1dio ou em ve\u00edculos impressos, que hoje surgem ve\u00edculos produzidos por e, principalmente, para popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Quando se forma uma m\u00eddia ind\u00edgena, as comunidades ribeirinhas e quilombolas aproximadas geograficamente dessa popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se beneficiam.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Para entender a l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o desses ve\u00edculos, o papel da imprensa no trato dos primeiros povos do Brasil, a Associa\u00e7\u00e3o Bahiana de Imprensa (ABI) conversou com idealizadores e colaboradores de m\u00eddias feitas por ou para pessoas ind\u00edgenas, e ainda com estudantes de comunica\u00e7\u00e3o, sobre a import\u00e2ncia da representatividade e ocupa\u00e7\u00e3o nesse setor.<\/p>\n<p><strong>M\u00eddia \u00cdndia<\/strong><\/p>\n<p>Lan\u00e7ada em 2017, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.midiaindia.com\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.midiaindia.com\/\">M\u00eddia \u00cdndia\u00a0<\/a>foi fundada por jovens Guajajaras no Acampamento Terra Livre, ocorrido em Bras\u00edlia. Ali, dentro de uma mobiliza\u00e7\u00e3o anual dos povos ind\u00edgenas, formou-se um grupo de 10 jovens. Essa rede de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 fundada como uma plataforma de comunica\u00e7\u00e3o oficial do movimento ind\u00edgena brasileiro. \u201cApresentamos o projeto dentro de um evento da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB), que fazia parte da programa\u00e7\u00e3o, e fomos abra\u00e7ados pelas lideran\u00e7as presentes\u201d, conta Emerson Patax\u00f3 (21).<\/p>\n<p>De acordo com Emerson, na M\u00eddia \u00cdndia, a maioria dos textos \u00e9 feita por comunicadores ind\u00edgenas de base. S\u00e3o geralmente pessoas que est\u00e3o dentro de suas aldeias ou de alguma organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e que contribuem com a M\u00eddia \u00cdndia. \u201cEles encaminham suas pautas, textos, fotos e n\u00f3s publicamos em nossas redes. Eu tamb\u00e9m fa\u00e7o alguns textos e quem edita somos n\u00f3s. Depois, Priscila Tapajoara corrige\u201d, explica o redator. O jovem comunicador \u00e9 colaborador do ve\u00edculo desde 2018. Nascido na cidade de Belmonte-Ba, hoje reside em Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabr\u00e1lia-Ba, de onde atua na reda\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>O principal objetivo do ve\u00edculo \u00e9 produzir conte\u00fados das pautas ind\u00edgenas e difundir informa\u00e7\u00e3o. Para Emerson, a m\u00eddia tradicional nunca representou os povos ind\u00edgenas. \u201cNem ontem, nem hoje e, provavelmente, amanh\u00e3 n\u00e3o representar\u00e1 as pautas ind\u00edgenas e das minorias de uma forma geral\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u201cA M\u00eddia \u00cdndia nasce justamente por causa disso. A gente n\u00e3o se v\u00ea representado. Sempre que falam de n\u00f3s, fazem de modo pejorativo, a partir da exotiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o mostram a verdade\u201d, reclama o jovem. Acreditamos no nosso protagonismo enquanto juventude ind\u00edgena. A grande m\u00eddia nos coloca como vil\u00f5es. Ela \u00e9 encabe\u00e7ada por grandes empres\u00e1rios ligados ao agroneg\u00f3cio, ao desmatamento na Amaz\u00f4nia e eles n\u00e3o querem nos dar espa\u00e7o para falar dentro dessas grandes m\u00eddias\u201d, explica Emerson.<\/p>\n<p>O papel de \u201cvil\u00e3o\u201d, como observa Emerson Patax\u00f3, tamb\u00e9m foi destinado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena na semana passada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em seu discurso na Assembleia Geral das Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), na \u00faltima ter\u00e7a (22), ele culpou popula\u00e7\u00f5es tradicionais por inc\u00eandios. \u201cNossa floresta \u00e9 \u00famida e n\u00e3o permite a propaga\u00e7\u00e3o do fogo em seu interior. Os inc\u00eandios acontecem praticamente nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o \u00edndio queimam seus ro\u00e7ados em busca de sua sobreviv\u00eancia, em \u00e1reas j\u00e1 desmatadas\u201d, declarou.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/planalto\/pt-br\/acompanhe-o-planalto\/discursos\/2020\/discurso-do-presidente-da-republica-jair-bolsonaro-na-abertura-da-75a-assembleia-geral-da-organizacao-das-nacoes-unidas-onu\">Leia o discurso aqui.<\/a>\u00a0Bolsonaro afirmou ainda que o Brasil \u00e9 \u201crefer\u00eancia em preserva\u00e7\u00e3o ambiental\u201d e repetiu, em uma live no Facebook na noite de quinta-feira (24), que parte das queimadas florestais que atingem Amaz\u00f4nia e Pantanal partem de \u201c\u00edndios e caboclos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Visibilidade Ind\u00edgena<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<a href=\"https:\/\/www.visibilidadeindigena.com\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.visibilidadeindigena.com\/\">Visibilidade Ind\u00edgena<\/a>\u201d foi uma p\u00e1gina fundada no ano de 2017 pela Kat\u00fa Mirim, rapper, compositora, ativista e atriz pertencente ao povo Boe Bororo. Kat\u00fa sempre esteve envolvida no movimento ind\u00edgena de S\u00e3o Paulo. Nascida e criada no ambiente urbano, somente aos 13 anos ela descobriu que descendia de pai biol\u00f3gico da etnia que hoje habita a regi\u00e3o do planalto central de Mato Grosso. \u201cKat\u00fa fundou o Visibilidade e convidou outros parentes\u201d, conta Isa Santana, criadora de conte\u00fado, artista, atriz e poeta. Isa \u00e9 co-fundadora e coordenadora do Visibilidade Ind\u00edgena e tamb\u00e9m idealizadora do CineNativo, iniciativas que dividem com a M\u00eddia \u00cdndia a insatisfa\u00e7\u00e3o com a cobertura dispensada \u00e0 quest\u00e3o ind\u00edgena e o desejo de mudar essa realidade.<\/p>\n<p>Isa diz que na \u00e9poca da funda\u00e7\u00e3o do \u201cVi\u201d \u2013 como se refere frequentemente ao Visibilidade Ind\u00edgena \u2013 sua companheira de trabalho, Kat\u00fa,\u00a0 sentiu uma aus\u00eancia de p\u00e1ginas que retratassem artistas, curiosidades e outros assuntos relacionados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no Brasil. No entanto, pela falta de cobertura representativa nas m\u00eddias tradicionais, o projeto passou a abordar tamb\u00e9m quest\u00f5es relacionadas \u00e0 terra, a viol\u00eancia \u00e0 qual a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena at\u00e9 os dias atuais \u00e9 submetida. \u201cOs grandes ve\u00edculos de m\u00eddia, eles n\u00e3o nos representam no sentido de fazer uma cobertura completa e que abrange todas as comunidades que a gente tem hoje. S\u00e3o 308 povos e acontecem muitos ataques que ningu\u00e9m sabe que t\u00e1 acontecendo\u201d, alerta a artista.<\/p>\n<p>Atualmente, o principal objetivo do ve\u00edculo \u00e9 potencializar a visibilidade ind\u00edgena atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o da arte contempor\u00e2nea, de projetos culturais e que buscam a autonomia comunit\u00e1ria. \u201cA gente v\u00ea como uma estrat\u00e9gia falar da arte ind\u00edgena contempor\u00e2nea. Quando voc\u00ea divulga um artista ind\u00edgena voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 falando de terra, voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 falando de um povo\u201d, explica Isa. \u201cHoje a gente tem filmes que falam em l\u00ednguas quase extintas, ou artistas que carregam a voz do seu povo por onde passa.\u00a0 O \u201cVi\u201d vem com esse objetivo. Comunicar e, de alguma forma, trazer visibilidade aos artistas e toda essa pot\u00eancia que existe na cria\u00e7\u00e3o dos artistas ind\u00edgenas, dos artistas nativos de Pindorama\u201d.<\/p>\n<ul>\n<li>De acordo com Theodoro Sampaio, o termo \u201cPindorama\u201d (pind\u00f3-rama ou pind\u00f3-retama), da l\u00edngua tupi, pode ser traduzido como \u201cpa\u00eds das palmeiras\u201d. A denomina\u00e7\u00e3o continuou sendo usada pelos nativos, por muito tempo. (Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.historia-brasil.com\/nomes-brasil.htm\">Guia Geogr\u00e1fico Hist\u00f3ria do Brasil<\/a>)<\/li>\n<\/ul>\n<p>Segundo ela, a triagem do que vai para o site acontece de forma bem intuitiva. \u201cA gente sempre busca not\u00edcias que dialoguem com arte contempor\u00e2nea, com visibilidade, o que saiu em uma capa de revista a exemplo\u201d, detalha Isa. Hoje, ela e o colaborador Karkar\u00e1 Tunga, artista visual e realizador audiovisual, est\u00e3o mais \u00e0 frente do processo de publica\u00e7\u00e3o no site e nas redes sociais. Os textos, mat\u00e9rias e conte\u00fados publicados nas plataformas do Visibilidade, no entanto, s\u00e3o de responsabilidade de seus autores e n\u00e3o necessariamente refletem a opini\u00e3o de toda a equipe do VI.<\/p>\n<p><strong>Podcast Copi\u00f4, Parente?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_106669\" style=\"width: 456px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-106669\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-106669\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pat-2-1024x542.jpg\" alt=\"\u201cPiloto de Avi\u00e3o\u201d, de Morais Mavi\" width=\"446\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pat-2.jpg 1024w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pat-2-300x159.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><p id=\"caption-attachment-106669\" class=\"wp-caption-text\">\u201cPiloto de Avi\u00e3o\u201d, de Morais Mavi<\/p><\/div>\n<p>Realizado pelo Instituto Socioambiental (<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\">ISA<\/a>),\u00a0 o podcast \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/6AaTJaUXByqGC0A9FYwXeR\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/6AaTJaUXByqGC0A9FYwXeR\">Copi\u00f4, Parente?<\/a>\u201d \u00e9 o primeiro realizado para povos ind\u00edgenas e da floresta do Brasil, foi criado em 2017 e tem objetivo de levar a essas pessoas os destaques de Bras\u00edlia \u00e0 respeito de suas vidas. Desde sua cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 apresentado por Let\u00edcia Leite, assessora de comunica\u00e7\u00e3o do Instituto. Let\u00edcia fez mestrado num curso chamado \u201cSustentabilidade Junto a Povos e Terras Tradicionais\u201d, na Universidade de Bras\u00edlia (UNB) e foi esse mestrado que lhe suscitou a ideia de fazer um produto de comunica\u00e7\u00e3o especificamente pensado para esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um mestrado pensado para povos ind\u00edgenas, super precursor dentro das universidades p\u00fablicas. Ele provoca um encontro entre ind\u00edgenas, povos da florestas e pessoas que trabalham com essas popula\u00e7\u00f5es\u201d, conta Leite. \u201cEu tive o privil\u00e9gio de estudar com geraizeiros, quilombolas, ind\u00edgenas de diversas partes do Brasil, pessoas que atuam no judici\u00e1rio, na antropologia e outras \u00e1reas\u201d, completa. Na \u00e9poca, ela j\u00e1 atuava na assessoria do ISA.<\/p>\n<p>Inicialmente, o podcast era somente um boletim de \u00e1udio. \u201cA gente n\u00e3o chamava podcast porque desconhecia a linguagem. Depois de produzir muitos boletins \u00e9 que fomos reconhecer que o que a gente tava fazendo era podcast\u201d, observa a assessora. Hoje o \u201cCopi\u00f4, Parente?\u201d alcan\u00e7a mais de 4 mil pessoas. Esse n\u00famero \u00e9 somente a quantidade de contatos via WhatsApp que recebem os arquivos de \u00e1udio do podcast em formato MP3. Os arquivos tamb\u00e9m s\u00e3o reproduzidos em r\u00e1dios comunit\u00e1rias onde est\u00e3o localizadas comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cA gente continua mandando \u2018na unha\u2019. Come\u00e7amos enviando para 30 parceiros de v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil e hoje a gente manda pra 4 mil pessoas em todos os estados. N\u00e3o mando para grupo, mando individualmente. Isso fez o grande diferencial do Copi\u00f4, que \u00e9 a sua distribui\u00e7\u00e3o\u201d, destaca Let\u00edcia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser divulgado atrav\u00e9s do aplicativo de mensagens mais usado em todo o mundo, esse modelo de distribui\u00e7\u00e3o possui uma particularidade. Durante a especializa\u00e7\u00e3o e ao longo de sua trajet\u00f3ria, e contato com popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, a comunicadora notou que em \u00e1reas remotas \u2013 onde o acesso \u00e0 Internet \u00e9 limitado -, jovens e lideran\u00e7as ind\u00edgenas baixam o Copi\u00f4 quando se deslocam \u00e0 cidade, retornam para suas terras e compartilham o material \u201coffline\u201d. O compartilhamento \u00e9 feito via bluetooth ou atrav\u00e9s do aplicativo ShareIt, muito utilizado na regi\u00e3o do Rio Negro, que entra no Brasil pela localidade de Cucu\u00ed, um distrito de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, onde o ISA possu\u00ed forte atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu fa\u00e7o isso primeiro porque identifiquei que grande parte de ind\u00edgenas que eu conversava acessa a Internet pelo celular mas n\u00e3o baixam muitos aplicativos. Percebi tamb\u00e9m que o WhatsApp \u00e9 o aplicativo mais baixado, mais usado, ent\u00e3o, o produto de comunica\u00e7\u00e3o deveria ser um produto feito tamb\u00e9m pelo mesmo sistema. A gente faz quase todas as entrevistas, todas interven\u00e7\u00f5es pelo WhatsApp\u201d, conta Leite.<\/p>\n<p>\u201cFazemos poucas entrevistas por telefone, a n\u00e3o ser quando os ind\u00edgenas est\u00e3o em Bras\u00edlia. A gente tem um caso muito bonito para lembrar da cobertura das elei\u00e7\u00f5es de 2018, quando a gente fez o \u201cCopi\u00f4, Candidato?\u201d e a\u00ed os ind\u00edgenas encaminharam perguntas para os presidenci\u00e1veis\u201d, recorda. Foi o caso do seu Herculano, um extrativista da regi\u00e3o da Terra do Meio que ficou sabendo do \u201cCopi\u00f4, Candidato?\u201d por radiofonia. \u201cA central de r\u00e1dio Altamira gravou e mandou a pergunta para n\u00f3s pelo WhatsApp\u201d, relembra Let\u00edcia, em tom de alegria. \u201cReceber um de um extrativista, direto da Terra do Meio (PA), na \u00e9poca onde a regi\u00e3o n\u00e3o tinha Internet, nem telefone, mostra o alcance que o Copi\u00f4 tem e a responsabilidade disso\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Uma novidade do ISA \u00e9 que recentemente foram contratadas duas pessoas ind\u00edgenas para atuar na equipe de comunica\u00e7\u00e3o. \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=unkNJF_mlNQ\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=unkNJF_mlNQ\">Cristian Wariu<\/a>, youtuber e estudante de organiza\u00e7\u00e3o comunicacional da UNB, e Gilmar Terena, cineasta ind\u00edgena, comunicador da Associa\u00e7\u00e3o Cultural de Realizadores \u00cdndigenas (ASCURI) e colega de mestrado de Let\u00edcia. A gente passou a contar com uma equipe ind\u00edgena, o Copi\u00f4 agora n\u00e3o \u00e9 feito s\u00f3 para pessoas ind\u00edgenas, \u00e9 feito por pessoas ind\u00edgenas\u201d, relata Let\u00edcia.<\/p>\n<p><strong>Representa\u00e7\u00e3o e representatividade nos meios de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Apesar das incertezas diante das frequentes amea\u00e7as de reintegra\u00e7\u00e3o de posse que pode afetar a vida de sua comunidade e fam\u00edlia, Thyara Patax\u00f3 diz ter esperan\u00e7as na comunica\u00e7\u00e3o como ferramenta de dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. \u201cA gente acredita e confia em voc\u00eas que trabalham com a m\u00eddia, a imprensa. Queremos que continuem, porque \u00e9 um trabalho honrado, apesar de perseguido por grupos fascistas e ditadores. Sem informa\u00e7\u00e3o, hoje em dia a gente n\u00e3o \u00e9 nada. Sofremos muitas vezes calados\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Isa Santana, do Visibilidade Ind\u00edgena, pontua seus principais desconfortos com a representa\u00e7\u00e3o na grande m\u00eddia: A aus\u00eancia de cobertura e a linguagem. \u201cA cobertura \u00e9 cheia de estere\u00f3tipos, paradigmas e preconceitos. H\u00e1 dois pontos fortes: O primeiro \u00e9 que n\u00e3o produzem tantas not\u00edcias que nos deem visibilidade. E outro ponto \u00e9 a linguagem. Geralmente v\u00e3o falar de uma pessoa ind\u00edgena, falam \u2018\u00edndigena\u2019, mas nunca falam o povo. Falar \u2018\u00edndio\u2019 \u00e9 pior ainda. A pr\u00f3pria palavra \u2018ind\u00edgena\u2019 \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o colonial. N\u00e3o somos ind\u00edgenas, somos povos\u201d, alerta Isa. \u201cEu n\u00e3o sou ind\u00edgena, eu sou Patax\u00f3, entendeu?\u201d, completa.<\/p>\n<p>Rayhat\u00e3 Patax\u00f3 cursa Comunica\u00e7\u00e3o Social com \u00eanfase em Produ\u00e7\u00e3o Cultural da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia (Facom\/UFBA). Ele \u00e9 vizinho da Aldeia Novos Guerreiros onde ocorreu toda mobiliza\u00e7\u00e3o em prol da perman\u00eancia dos \u00edndios patax\u00f3s nas terras do extremo sul da Bahia. De acordo com o estudante, demarcar a sua presen\u00e7a e a presen\u00e7a de outros povos ind\u00edgenas nas universidades, em especial nas universidades p\u00fablicas, \u00e9 importante. \u201cMuita gente ainda olha para os ind\u00edgenas como povos que vivem dentro do mato, ou que s\u00f3 vivem trajados, sem levar em considera\u00e7\u00e3o que houve um processo de coloniza\u00e7\u00e3o\u201d, explica Rayhat\u00e3.<\/p>\n<p>Beatriz Tux\u00e1, cantora e colega graduanda do mesmo curso de Rayhat\u00e3, diz que a forma\u00e7\u00e3o de estudantes ind\u00edgenas na comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia para as comunidades. \u201c\u00c9 diferente quando \u00e9 um ind\u00edgena trabalhando com comunica\u00e7\u00e3o, falo em compara\u00e7\u00e3o com um branco, assim como \u00e9 ter um m\u00e9dico ind\u00edgena trabalhando dentro de sua comunidade. A gente sente a diferen\u00e7a, o ind\u00edgena conhece seu povo, sabe da realidade, sabe como\u00a0 tratar. Acho que \u00e9 o mesmo caso referente \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, a gente sabe o que precisa ser mostrado, divulgado ao contr\u00e1rio do que realmente acontece, onde a imprensa s\u00f3 coloca que quer\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Apesar dos desafios, Let\u00edcia Leite, assessora do Instituto Socioambiental (ISA) e apresentadora do podcast \u201cCopi\u00f4, Parente?\u201d, pondera os avan\u00e7os. \u201cA grande imprensa, os ve\u00edculos tradicionais, profissionais, eles t\u00eam melhorado na cobertura das pautas ind\u00edgenas. Eu trabalho no ISA como assessora de imprensa h\u00e1 8 anos e percebo algumas melhoras\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Segundo ela, um exemplo disso \u00e9 que a Rede Globo passou a usar o termo \u201cterras ind\u00edgenas\u201d no lugar de \u201creservas ind\u00edgenas\u201d. Let\u00edcia destaca que, \u201cmesmo a constitui\u00e7\u00e3o trazendo de forma clara a nomea\u00e7\u00e3o \u2018terras ind\u00edgenas\u2019, a gente ainda encontrava dificuldade em fazer com que a principal emissora de televis\u00e3o falasse \u201cterras ind\u00edgenas\u2019 e n\u00e3o \u2018reservas\u2019, alegando que era o manual de reda\u00e7\u00e3o\u201d, disse. O jornalismo, neste momento de forte ataque aos povos ind\u00edgenas, tem import\u00e2ncia e vem desempenhado um papel bastante relevante\u201d, reconhece a comunicadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*<em>Sob a supervis\u00e3o de Joseanne Guedes.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por I\u2019sis Almeida* Era 25 de agosto, a assessoria da Associa\u00e7\u00e3o Bahiana de Imprensa (ABI), em sistema de home office em fun\u00e7\u00e3o da pandemia do coronav\u00edrus, recebeu um pedido de socorro atrav\u00e9s de um aplicativo de mensagens. 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