{"id":106045,"date":"2020-09-12T05:40:18","date_gmt":"2020-09-12T08:40:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=106045"},"modified":"2020-09-12T06:33:46","modified_gmt":"2020-09-12T09:33:46","slug":"106045","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2020\/09\/12\/106045\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que nosso futuro est\u00e1 na lama?"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"right\"><i>Por<b> Walmir Ros\u00e1rio*<\/b><\/i><\/p>\n<p class=\"western\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg\" alt=\"walmir\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>N\u00e3o estranho mais nenhuma inven\u00e7\u00e3o neste mundo corrido de hoje, em que as tecnologias passam mais r\u00e1pidos do que os dias da semana, do m\u00eas, e em que o ano passado parece que foi ontem. Mas n\u00e3o discordo que tenha l\u00e1 suas vantagens para sabermos o que est\u00e1 se passando. Se antes t\u00ednhamos que ir a uma biblioteca para consultar a Enciclop\u00e9dia Delta-Larousse, hoje basta uma espiada no Google.<\/p>\n<p class=\"western\">Depois dessa pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o aos animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o ou coisa que o valha, nossos campos est\u00e3o mais verdes e nossos mangues mais povoados de caranguejos. Ainda bem, pois a hist\u00f3ria que vou contar me causou calafrios por simplesmente pensar que deixaria o velho h\u00e1bito de comer meu caranguejo-u\u00e7\u00e1, quebrando as patinhas (pu\u00e3) nos dentes.<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-106046\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6B705D02-725A-4D77-BDE3-43D1F4AFB3FB-300x164.jpeg\" alt=\"6B705D02-725A-4D77-BDE3-43D1F4AFB3FB\" width=\"300\" height=\"164\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6B705D02-725A-4D77-BDE3-43D1F4AFB3FB-300x164.jpeg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6B705D02-725A-4D77-BDE3-43D1F4AFB3FB.jpeg 992w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p class=\"western\">\u00c9 que eu <span lang=\"pt-BR\">soube<\/span> que a designer sul-coreana Jeongwon Ji deslumbrou o mundo ao apresentar uma inven\u00e7\u00e3o inusitada: transformar caranguejos chineses em pl\u00e1sticos. <span lang=\"pt-BR\">Olhe que a<\/span>credito piamente nas novas tecnologias, mas, aqui pra n\u00f3s, tenho minhas d\u00favidas sobre a efic\u00e1cia dessa transforma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o entendo nada de qu\u00edmica, e poucas s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es que disponho para travar um debate sobre essa estranha inven\u00e7\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p class=\"western\">Mesmo assim, fosse o contr\u00e1rio, minhas d\u00favidas por certo seriam infundadas, haja vista parecer mais eficaz que transformemos produtos inorg\u00e2nicos em org\u00e2nicos. N\u00e3o \u00e9 de agora que nos chegam aos ouvidos not\u00edcias alarmantes sobre a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente e fiquei deveras atordoado com a possibilidade de ter o caranguejo apenas nas boas lembran\u00e7as do passado.<\/p>\n<p class=\"western\"><span lang=\"pt-BR\">A<\/span>o que pude perceber ap\u00f3s muita pesquisa, essa inven\u00e7\u00e3o d\u00e1 a entender que este \u00e9 um caminho aberto para alargar essa possibilidade invencionice. Imagino eu a corrida aos mangues para a captura desenfreada dos nossos caranguejos-u\u00e7\u00e1s, guaiamuns, aratus e outros crust\u00e1ceos nem t\u00e3o abundantes em nossos manguezais, para transform\u00e1-los em brinquedos de pl\u00e1stico. Um verdadeiro absurdo.<\/p>\n<p class=\"western\">Pelos meus nem t\u00e3o precisos c\u00e1lculos, nossos novos catadores promoveriam o exterm\u00ednio desses crust\u00e1ceos num piscar de olhos, antes mesmo qualquer rea\u00e7\u00e3o do Ibama, Instituto Chico Mendes ou qualquer outra organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental rec\u00e9m-criada com a finalidade de coibir a ca\u00e7a desenfreada aos nossos saborosos artr\u00f3podes. Afinal, Deus deixou as coisas boas do mundo para seus filhos se deliciarem.<\/p>\n<p class=\"western\">De logo, vou colocando minhas barbas de molho com receio das medidas governamentais que poder\u00e3o ser tomadas para a cria\u00e7\u00e3o da Caranguejobras, aparelhada por companheiros e coligados. Devido a import\u00e2ncia do empreendimento, por certo tamb\u00e9m ser\u00e3o acomodadas algumas centenas de ambientalistas, de prefer\u00eancia caranguej\u00f3logos, dada a especialidade nos produtos do mangue.<\/p>\n<p class=\"western\">Daqui de Canavieiras, onde mantenho minha sossegada trincheira, antevejo um futuro incerto para os manguezais lavados pelos rios Pardo, Salsa e Patipe, Cip\u00f3 e outro menos votados que formam esse imenso delta, ber\u00e7\u00e1rio dessa colossal fauna marinha. Sem os crust\u00e1ceos circulando na \u00e1rea, o mangue perderia seu grande conceito de ber\u00e7\u00e1rio espl\u00eandido dos rios e mares.<\/p>\n<p class=\"western\"><span lang=\"pt-BR\">Em terras canavieirenses o<\/span>caranguejo \u00e9 t\u00e3o importante que \u00e9 quem d\u00e1 as boas-vindas aos turistas e visitantes mais ami\u00fades, numa c\u00f3pia majestosa em fibra de vidro, sempre pronto para posar para fotos. Ao ler sobre a designer sul-coreana Jeongwon Ji fiquei com a pulga atr\u00e1s da orelha e me lembrei de um atentado que o caranguejo sofreu em pleno Carnaval do Coronav\u00edrus e me pus a puxar o fio da meada para apurar responsabilidades.<\/p>\n<p class=\"western\">Para minha tristeza, serei testemunha ocular do sumi\u00e7o da gostosa \u201ccabe\u00e7a de robalo\u201d, uma das iguarias mais famosas da gastronomia canavieirense. Se fosse s\u00f3 por isso me contentaria, mas ainda n\u00e3o somos conhecedores dos terr\u00edveis efeitos causados pelas devasta\u00e7\u00f5es provocadas <span lang=\"pt-BR\">pela<\/span>captura desenfreada d<span lang=\"pt-BR\">o<\/span> t\u00e3o gostoso crust\u00e1ceo.<\/p>\n<p class=\"western\">Mas n\u00e3o pensem os senhores que estou advogando em causa pr\u00f3pria com o egoismo t\u00e3o peculiar dos <span lang=\"pt-BR\">viciados no primeiro dos sete pecados capitais: a gula, assim definida como tal pelo Papa Greg\u00f3rio Magno. Lembro aqui do grande n\u00famero de fam\u00edlias que laboram na enorme cadeia produtiva e que ficar\u00e3o desprovidas do ganha p\u00e3o. Ainda bem que os seiscentos reais ao aux\u00edlio aliviam, por enquanto, mas&#8230;<\/span><\/p>\n<p class=\"western\">Brincadeiras \u00e0 parte, como Deus ainda n\u00e3o me concedeu o dom de prever o futuro, n\u00e3o vislumbro qualquer possibilidade de vantagem nessa inven\u00e7\u00e3o, com todo o respeito que devemos aos orientais. De minha parte, guardo reservas at\u00e9 que minhas conjecturas se confirmem infundadas e possamos sentar \u00e0 mesa <span lang=\"pt-BR\">em<\/span> um bar nos fins de semana e pedir ao gar\u00e7om meia d\u00fazia de caranguejos grandes e gordos, acompanhado de uma cerveja bem gelada.<\/p>\n<p class=\"western\">Mas caso a inven\u00e7\u00e3o seja verdade, no m\u00ednimo, decretaremos o fim do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Walmir Ros\u00e1rio* N\u00e3o estranho mais nenhuma inven\u00e7\u00e3o neste mundo corrido de hoje, em que as tecnologias passam mais r\u00e1pidos do que os dias da semana, do m\u00eas, e em que o ano passado parece que foi ontem. Mas n\u00e3o discordo que tenha l\u00e1 suas vantagens para sabermos o que est\u00e1 se passando. 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