{"id":105774,"date":"2020-09-05T09:13:30","date_gmt":"2020-09-05T12:13:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=105774"},"modified":"2020-09-04T10:39:31","modified_gmt":"2020-09-04T13:39:31","slug":"ceplac-o-fim-melhor-tratar-da-sucessao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2020\/09\/05\/ceplac-o-fim-melhor-tratar-da-sucessao\/","title":{"rendered":"Ceplac, o fim. Melhor tratar da sucess\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00a0Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-77408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg\" alt=\"walmir\" width=\"284\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/walmir.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 284px) 100vw, 284px\" \/>Ao que tudo indica, a paciente est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o terminal, respirando por aparelhos e todos os medicamentos receitados n\u00e3o conseguem debelar a septicemia; morte na certa, apesar de todos os esfor\u00e7os. A enfermidade que acometeu a Ceplac desse mal de morte vem de muitos anos,\u00a0e as\u00a0interna\u00e7\u00f5es em enfermaria, Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e agora na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), n\u00e3o conseguiram\u00a0salv\u00e1-la.<\/p>\n<p>Como diagnosticada anteriormente, o mal era de morte e o tratamento nem sempre obedeceu a frequ\u00eancia recomendada pela equipe m\u00e9dica,\u00a0seja\u00a0por culpa pr\u00f3pria de n\u00e3o se submeter \u00e0 terapia, ou pela mendic\u00e2ncia do \u201csistema de sa\u00fade\u201d. O roto n\u00e3o pode falar do mal vestido, pois concorreram igualmente para que a paciente\u00a0chegasse\u00a0ao quadro irrevers\u00edvel de infec\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p>Muito se debateu sobre a independ\u00eancia ou autonomia administrativa e financeira da Ceplac, que sempre ostentou um nome principesco: Comiss\u00e3o Executiva do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o da Lavoura Cacaueira. Passada a primeira fase, a de recupera\u00e7\u00e3o financeira, sofre um corte no nome Recupera\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o foi suficiente para esconder suas mazelas, que sangram at\u00e9 o presente momento.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-54408\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/ceplac.jpg\" alt=\"ceplac\" width=\"276\" height=\"183\" \/>E n\u00e3o foi por falta de trabalho \u2013 apesar de manter alguns fantasmas e improdutivos \u2013, porque a maioria fez a diferen\u00e7a, transformando uma regi\u00e3o\u00a0que teve\u00a0sua principal matriz econ\u00f4mica em situa\u00e7\u00e3o gravosa em rica e produtiva. E a Ceplac de Carlos Brand\u00e3o e Jos\u00e9 Haroldo Castro Vieira cuidou n\u00e3o s\u00f3 do cacau, mas da economia como um todo, da cultura, e do social. Bons tempos aqueles!<\/p>\n<p>Hoje, quando falamos em Ceplac temos pouco a comemorar. H\u00e1 uns dias recebi de um velho colega ceplaqueano um bilhete, via whatsapp que, em tom f\u00fanebre, dizia: \u201cEst\u00e1 acontecendo o que esper\u00e1vamos quanto ao fechamento total da Ceplac.\u00a0O superintendente pediu que entrasse em contato contigo [outra pessoa] e te colocasse\u00a0a\u00a0par do que est\u00e1 acontecendo\u201d.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No par\u00e1grafo abaixo continuou: \u201cEis as quest\u00f5es: Os\u00a0escrit\u00f3rios\u00a0locais de Itapitanga, Itaju\u00edpe, Coaraci, Ibicara\u00ed, Buerarema, Ibicu\u00ed e Barro Preto ser\u00e3o fechados. Os funcion\u00e1rios remanescentes dessas unidades ter\u00e3o como op\u00e7\u00f5es: 1 \u2013 Ir para a\u00a0sede regional; 2- Solicitar transfer\u00eancia para qualquer \u00f3rg\u00e3o\u00a0federal dentro da Federa\u00e7\u00e3o ou em sua pr\u00f3pria cidade se houver vaga dispon\u00edvel; 3- Solicitar transfer\u00eancia para os\u00a0escrit\u00f3rios de: Floresta Azul e Itoror\u00f3; 4- Entrar com pedido de aposentadoria (aqueles que tiverem tempo suficiente)\u201d.<\/p>\n<p>E para arrematar: \u201cOs bens permanentes de cada unidade dever\u00e3o\u00a0ser transportados para a sede regional t\u00e3o logo se disponibilize ve\u00edculo para tal. As unidades locais (os pr\u00e9dios), dever\u00e3o ficar fechados e ser\u00e3o entregues \u00e0 Uni\u00e3o para dar o devido destino. Gostaria portanto, que voc\u00ea me diga hoje, qual ser\u00e1 sua op\u00e7\u00e3o para que eu possa informar ao\u00a0superintendente\u00a0regional\u201d. E\u00a0mais umas duas frases chorosas desse colega.<\/p>\n<p>Sabemos que tudo tem o seu ciclo: nasce cresce e morre, mas que, pelo menos, morra com dec\u00eancia e tenha um sepultamento digno. Costumo dizer que uma institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser menor que um indiv\u00edduo, e foi o que aconteceu. Se perdeu nos corredores de Bras\u00edlia ao ser loteada conforme a ideologia, como previa Jos\u00e9 Haroldo com a ascens\u00e3o dos chamados progressistas (esquerda) ao poder.<\/p>\n<p>Testemunhamos uma luta de gigantes cientistas buscando oferecer um cacaueiro mais produtivo, com as boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas recomendadas, um processo de secagem natural para tornar a am\u00eandoa sem cheiro de fuma\u00e7a: chocolate de primeira, como os gringos gostam. E a Ceplac conseguiu. Em troca, os cacauicultores chegaram a vender uma tonelada de am\u00eandoas secas por cerca de US$ 4,5 mil. Era o esplendor.<\/p>\n<p>O dinheiro do cacau sempre foi pr\u00f3digo, e no privado construiu as velhas mans\u00f5es do Barris, do Corredor da Vit\u00f3ria, da Barra, em Salvador; suntuosos apartamentos em Copacabana, Ipanema e Leblon. Tamb\u00e9m nunca se recusou a investir, no p\u00fablico, na implanta\u00e7\u00e3o do Centro Industrial de Aratu, posteriormente no Copec e Copene, nos \u00e1ureos anos de 1960 e 70. \u00c9ramos ricos e n\u00e3o quer\u00edamos entender de pol\u00edtica, deu no que deu.<\/p>\n<p>Se a pesquisa continua fazendo sua parte em menor escala, por falta de pesquisadores, que a cada dia se aposentam, a extens\u00e3o rural vai pelo mesmo caminho, com o agravante de ter perdido o foco, haja vista os m\u00e9todos hoje empregados. N\u00e3o rep\u00f4s o quadro de funcion\u00e1rios e o \u00faltimo concurso foi realizado na metade da d\u00e9cada de 1980. A institui\u00e7\u00e3o envelheceu ap\u00f3s ensinar\u00a0aos cacauicultores\u00a0como\u00a0conviver com a vassoura de bruxa.<\/p>\n<p>H\u00e1\u00a0mais\u00a0de 40 anos, a Divis\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o (Dicom) da Ceplac, na qual tive a honra de trabalhar, criou o slogan \u201cS\u00f3 cresce quem renova\u201d. Essa campanha representava o rompimento com os velhos e decadentes p\u00e9s de cacau, trocando-os por novas plantas, estas altamente produtivas e resistentes \u00e0s pragas e intemp\u00e9ries, numa campanha publicit\u00e1ria que apostava no marketing para transformar a decr\u00e9pita lavoura cacaueira em produtiva e capaz de gerar lucro para o cacauicultor e desenvolvimento para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A Ceplac, cujo cabedal de conhecimento era de fazer inveja aos grandes centros de pesquisas\u00a0e universidades no mundo inteiro, n\u00e3o soube fazer a li\u00e7\u00e3o de casa e come\u00e7ou a morrer de inani\u00e7\u00e3o. O quadro foi se agravando, a institui\u00e7\u00e3o morrendo \u00e0 m\u00edngua, e poucos a reconhecem por tudo que representou para a economia do Sul da Bahia.<\/p>\n<p>Nem mesmo os herdeiros se apresentam para o reconhecimento do corpo e o funeral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Walmir Ros\u00e1rio Ao que tudo indica, a paciente est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o terminal, respirando por aparelhos e todos os medicamentos receitados n\u00e3o conseguem debelar a septicemia; morte na certa, apesar de todos os esfor\u00e7os. 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