{"id":1041,"date":"2011-03-19T08:44:00","date_gmt":"2011-03-19T11:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2011\/03\/19\/atras-do-trio-eletrico-so-nao-vai-quem-nao-pode-pagar\/"},"modified":"2011-03-19T08:44:00","modified_gmt":"2011-03-19T11:44:00","slug":"atras-do-trio-eletrico-so-nao-vai-quem-nao-pode-pagar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2011\/03\/19\/atras-do-trio-eletrico-so-nao-vai-quem-nao-pode-pagar\/","title":{"rendered":"Atr\u00e1s do trio el\u00e9trico s\u00f3 n\u00e3o vai quem n\u00e3o pode pagar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-lswad5Q3bew\/TYSXhLkI1VI\/AAAAAAAAB_E\/MqOwlGaZvD8\/s1600\/cordeiros.bmp\"><img style=\"float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 295px;\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-lswad5Q3bew\/TYSXhLkI1VI\/AAAAAAAAB_E\/MqOwlGaZvD8\/s320\/cordeiros.bmp\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5585756034142098770\" \/><\/a><br \/>Nem bem os \u00faltimos acordes dos trios el\u00e9tricos haviam silenciado e j\u00e1 brotavam discuss\u00f5es sobre o Carnaval de Salvador, considerado por muitos a maior festa popular do planeta.<\/p>\n<p>H\u00e1 um consenso de que, apesar dos n\u00fameros grandiosos de p\u00fablico e de recursos movimentados, o carnaval da capital baiana n\u00e3o teve a devida exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia nacional, leia-se Rede Globo de Televis\u00e3o, que \u00e9 o que efetivamente o que interessa aos patrocinadores, que investem milh\u00f5es de reais nos blocos e camarotes e n\u00e3o o fazem nem por caridade nem por esp\u00edrito festeiro.<\/p>\n<p> N\u00e3o precisa ser soci\u00f3logo, turism\u00f3logo, futur\u00f3logo ou \u201caxe\u00f3logo\u201d (esses \u00b4g\u00eanios\u00b4 da m\u00fasica), para perceber que o Carnaval de Salvador precisa encontrar um novo modelo, reciclar-se, dar uma repaginada. <\/p>\n<p> O modelo atual, que j\u00e1 atravessa duas d\u00e9cadas, definitivamente cansou. \u00c9 a repeti\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o, da repeti\u00e7\u00e3o, da repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que come\u00e7ou como lazer e entretenimento e depois virou neg\u00f3cio, inverteu-se a passou a priorizar o neg\u00f3cio, deixando o lazer e o entretenimento como subprodutos caros, pra quem pode pagar. <\/p>\n<p>Esse talvez tenha sido o primeiro e maior equ\u00edvoco.<\/p>\n<p>A propalada maior festa popular do planeta aos poucos foi se transformando num evento onde a exclus\u00e3o social salta aos olhos.<\/p>\n<p>Os blocos, transformados em empresas altamente rent\u00e1veis, fizeram a sele\u00e7\u00e3o natural, n\u00e3o pela cor, mas pelo poder aquisitivo. Para quem tem dinheiro, abad\u00e1s e uma relativa seguran\u00e7a, com a prote\u00e7\u00e3o dos cordeiros, muros de berlim humanos, a separar a elite dos sem fantasia. <\/p>\n<p> Do lado de fora, espremidos num espa\u00e7o ex\u00edguo, a patul\u00e9ia denominada pipoca, sorvendo as sobras da festa, numa vers\u00e3o carnavalesca da Casa Grande e Senzala. <\/p>\n<p> Como os blocos se tornaram um espa\u00e7o de turistas e nativos dispostos a pagar caro pelos abad\u00e1s, perdeu-se aquela espontaneidade t\u00edpica do baiano. Produz-se um clima de alegria, mas \u00e9 uma alegria artificial.<\/p>\n<p> Blocos e trios se repetem na mesmice, com as  coreografias id\u00eanticas e reverberando os sucessos instant\u00e2neos.<\/p>\n<p>Tudo se resume Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Claudia Leitte e a banda e\/ou o cantor do momento, cuja fama mal ultrapassa de um ano a outro, e uma mistura de dinossauros do ax\u00e9 com bandas que nunca passaram do patamar mediano. Uma coisa mec\u00e2nica, sem contar que a qualidade das m\u00fasicas \u00e9 sofr\u00edvel, mas isso \u00e9 uma quest\u00e3o de gosto. E gosto n\u00e3o se discute.<\/p>\n<p> O que tem que se discutir \u00e9 a f\u00f3rmula do Carnaval Baiano e encontrar alternativas para que ele volte a ser menos neg\u00f3cio e mais lazer e entretenimento. <\/p>\n<p> O exemplo pode ser dado pelo Rio de Janeiro, que faz seu carnaval para turista ver (e pagar bem por isso) na Marques de Sapuca\u00ed, mas nos \u00faltimos anos redescobriu os blocos que surgem espontaneamente em toda a cidade. Festa popular na acep\u00e7\u00e3o da palavra, reunindo milh\u00f5es de pessoas, cada qual fantasiado \u00e0 sua maneira.<\/p>\n<p> At\u00e9 mesmo Pernambuco, com seu frevo meio mecanizado, \u00e9 um exemplo de que d\u00e1 pra manter a festa como neg\u00f3cio, mas sem escancarar na exclus\u00e3o social, como na Bahia.<\/p>\n<p> \u00c9 preciso voltar aos tempos em que atr\u00e1s do trio el\u00e9trico s\u00f3 n\u00e3o ia que j\u00e1 havia morrido.<\/p>\n<p> Hoje, ao menos nos grandes trios e atr\u00e1s nos grandes artistas, s\u00f3 vai quem pode pagar.<\/p>\n<p> Ou tem voca\u00e7\u00e3o para pipoca, segregado pela corda e pelo muro.<\/p>\n<p> Definitivamente, esse \u00e9 o tipo de carnaval que n\u00e3o combina com essa terra que aos poucos vai sendo de todos n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem bem os \u00faltimos acordes dos trios el\u00e9tricos haviam silenciado e j\u00e1 brotavam discuss\u00f5es sobre o Carnaval de Salvador, considerado por muitos a maior festa popular do planeta. 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