{"id":103058,"date":"2020-06-24T19:11:29","date_gmt":"2020-06-24T22:11:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=103058"},"modified":"2020-06-24T18:18:57","modified_gmt":"2020-06-24T21:18:57","slug":"ufsb-ciencia-artigo-analisa-a-resiliencia-da-mata-atlantica-e-destaca-necessidade-de-projetos-de-restauracao-ativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2020\/06\/24\/ufsb-ciencia-artigo-analisa-a-resiliencia-da-mata-atlantica-e-destaca-necessidade-de-projetos-de-restauracao-ativa\/","title":{"rendered":"UFSB Ci\u00eancia: Artigo analisa a resili\u00eancia da Mata Atl\u00e2ntica e destaca necessidade de projetos de restaura\u00e7\u00e3o ativa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Com informa\u00e7\u00f5es e imagens por Nath\u00e1lia Vieira Hissa Safar,<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>Carlos Ernesto Gon\u00e7alves Reynaud Schaefer e Luiz Fernando Silva Magnago<\/em><\/strong><\/p>\n<p>As metas ambientais nacionais e globais de recupera\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica dificilmente ser\u00e3o cumpridas se n\u00e3o houver interven\u00e7\u00e3o inteligente e constante, com projetos de restaura\u00e7\u00e3o ativa que se agreguem aos processos de regenera\u00e7\u00e3o natural das florestas. Essa conclus\u00e3o \u00e9 um dos resultados de estudo descrito no artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0378112719319267?via%3Dihub\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0378112719319267?via%253Dihub&amp;source=gmail&amp;ust=1593118625545000&amp;usg=AFQjCNF0lK8g5XwSQwd1bc62GXr-q9y9pw\"><strong>Resilience of lowland Atlantic forests in a highly fragmented landscape: insights on the temporal scale of landscape restoration<\/strong><\/a><strong>,\u00a0<\/strong>publicado na revista\u00a0<em>Forest Ecology and Management<\/em>\u00a0e assinado pela\u00a0doutoranda Nath\u00e1lia Vieira Hissa Safar (PPG-BOT\/UFV) e pelos professores Carlos Ernesto Gon\u00e7alves Reynaud Schaefer (DPS\/UFV) e Luiz Fernando Silva Magnago (CFCAF\/UFSB). Na pesquisa realizada, a equipe de cientistas trata da capacidade de regenera\u00e7\u00e3o natural, ou resili\u00eancia, de remanescentes de florestas de tabuleiro, num contexto de paisagem altamente fragmentada como a do bioma Mata Atl\u00e2ntica, e discute as implica\u00e7\u00f5es dos resultados no cumprimento de metas globais e nacionais para restaura\u00e7\u00e3o florestal, conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e mitiga\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Conforme os autores, o objetivo era avaliar os efeitos da idade da floresta no n\u00famero total de esp\u00e9cies arb\u00f3reas e de esp\u00e9cies com alto valor de conserva\u00e7\u00e3o (end\u00eamicas e amea\u00e7adas), na composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies arb\u00f3reas e no estoque de carbono. Com isso, se queria saber se esses par\u00e2metros est\u00e3o se recuperando naturalmente ao longo do tempo e qual o prazo aproximado para que atinjam valores encontrados em florestas maduras pr\u00f3ximas. Como nem todos os ecossistemas s\u00e3o capazes de se recuperar pelos seus pr\u00f3prios meios, compreender a capacidade e o tempo necess\u00e1rio para as florestas se recuperarem de um dist\u00farbio contribui para estabelecer previs\u00f5es seguras sobre o que aconteceria com essas florestas em diferentes cen\u00e1rios de impactos ambientais, al\u00e9m de auxiliar na cria\u00e7\u00e3o de iniciativas e investimentos eficazes para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e carbono.<\/p>\n<p>Impactos ambientais desencadeiam o processo de regenera\u00e7\u00e3o natural que envolve mudan\u00e7as na diversidade e estrutura da comunidade vegetal. Para avaliar se essas florestas est\u00e3o recuperando esses par\u00e2metros ao longo da sucess\u00e3o, os pesquisadores amostraram florestas maduras, utilizadas como ecossistemas de refer\u00eancia, e tamb\u00e9m florestas em regenera\u00e7\u00e3o localizadas no norte do Esp\u00edrito Santo e sul da Bahia. Mais especificamente, dentro e no entorno de duas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, a Reserva Biol\u00f3gica do C\u00f3rrego Grande (RBCG) e a Floresta Nacional do Rio Preto (FNRP). Em cada floresta foram medidas e identificadas as esp\u00e9cies arb\u00f3reas dentro de um crit\u00e9rio pr\u00e9-estabelecido. Para cada esp\u00e9cie amostrada foram obtidos seus status de endemismo da Mata Atl\u00e2ntica e de amea\u00e7ada, de acordo com a lista vermelha da IUCN, e determinada sua capacidade de armazenamento de carbono.<\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" class=\"CToWUd a6T\" tabindex=\"0\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/v8aqs_XEB733mHcDi5VyViXdCbZZjVZ2mvOMP9aChuEIK37dvuugR-2gmh-Ni8IWzVJwwLVIVm9ys0hmHGXISA-cPg-0hpYcGrKU7UANjv491tBh2YOHP6anLtV1zkpE0Ia2Gc8miCsajOF4-fNWQm7t=s0-d-e1-ft#https:\/\/www.ufsb.edu.br\/images\/imagens_noticias\/2020\/junho\/ufsb_ciencia_luiz_magnago\/fig_01.jpg\" alt=\"fig 01\" width=\"400\" height=\"300\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Figura 1. Floresta em regenera\u00e7\u00e3o (cerca de 20 anos) p\u00f3s fogo amostrada nesse estudo, Concei\u00e7\u00e3o da Barra, Esp\u00edrito Santo, Brasil. Foto: Nath\u00e1lia Safar.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo observou uma r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o da riqueza de esp\u00e9cies arb\u00f3reas nessas florestas (aproximadamente 80 anos para recuperar completamente), o que indica que a regenera\u00e7\u00e3o passiva (natural) pode ser uma ferramenta vi\u00e1vel para recuperar o n\u00famero de esp\u00e9cies. Os resultados sugerem que, na hip\u00f3tese de se cessar o desmatamento e permitir que ecossistemas se regenerem naturalmente, as metas nacionais para a restaura\u00e7\u00e3o da biodiversidade podem ser alcan\u00e7adas. Por outro lado, as esp\u00e9cies com alto valor de conserva\u00e7\u00e3o, como as end\u00eamicas e as amea\u00e7adas, n\u00e3o est\u00e3o se recuperando ao longo da sucess\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 alarmante a lenta recupera\u00e7\u00e3o dos estoques de carbono e da composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies arb\u00f3reas, que levariam cerca de centenas a milhares de anos para recuperar valores similares aos das florestas maduras pr\u00f3ximas, conforme\u00a0as previs\u00f5es feitas pelo estudo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"CToWUd a6T\" tabindex=\"0\" src=\"https:\/\/ci4.googleusercontent.com\/proxy\/TYXMStB8jMCBGVGnFo9ebi5FIysYqI9tA-77r4c4EUFnU2GNMIRa3RnBkFUFBKpvj54aYuiQuvHY5v8KEgHBkJ1SkKYpw_QmFE99kJRhBqXibJbYiay6BJ9q4Cql0vRp9xETQxvHOH3fOGbrCnykdniH=s0-d-e1-ft#https:\/\/www.ufsb.edu.br\/images\/imagens_noticias\/2020\/junho\/ufsb_ciencia_luiz_magnago\/fig_02.jpg\" alt=\"fig 02\" width=\"400\" height=\"266\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 2. Floresta Madura amostrada nesse estudo, REBIO do C\u00f3rrego Grande, Concei\u00e7\u00e3o da Barra, Esp\u00edrito Santo, Brasil. Foto: Nath\u00e1lia Safar<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isto significa que essas florestas podem nunca se recuperar completamente. As previs\u00f5es indicam que metas estabelecidas pelos acordos de conserva\u00e7\u00e3o vigentes que tem como objetivo restaurar \u00e1reas desmatadas (ex. Metas Nacionais de Biodiversidade 2013-2020; Bonn Challenge 2016-2030; ENREDD+ nacional 2015-2030; Pacto de Restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica 2009-2050) s\u00e3o demasiadamente otimistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"CToWUd a6T\" tabindex=\"0\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/CSsM8zjmYF9mrYyMrW1uNqnYhdyB-B8u4EymIPJkRlZePhgJJc8jERN6MW05P8D3BAeZY-O17BITbFsNuzJdUWC3v50wsRm_oeGp6iCgbiqcOR578jgqsLV_KA9rFOXdSoBqYR2PaDGtSfCx45OHiV3U=s0-d-e1-ft#https:\/\/www.ufsb.edu.br\/images\/imagens_noticias\/2020\/junho\/ufsb_ciencia_luiz_magnago\/fig_03.png\" alt=\"fig 03\" width=\"412\" height=\"127\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 3. Efeitos da idade da floresta na riqueza total de esp\u00e9cies arb\u00f3reas (A), na composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies arb\u00f3reas (B) e no estoque de carbono acima do solo (C). As curvas em verde mostram a tend\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o absoluta desses par\u00e2metros ao longo do tempo e a linha tracejada laranja indica a m\u00e9dia dos valores encontrados nas florestas maduras.<\/em><\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, os dados encontrados permitem concluir que ser\u00e1 um desafio alcan\u00e7ar as metas nacionais de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e restaura\u00e7\u00e3o da paisagem por meio da restaura\u00e7\u00e3o passiva, sendo necess\u00e1rio algum tipo de interven\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas. Da\u00ed a import\u00e2ncia, segundo os autores, do comprometimento do governo em investir esfor\u00e7os em planos de conserva\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o por um per\u00edodo muito mais longo do que o tem sido determinado pelas metas ambientais vigentes, bem como em criar estrat\u00e9gias de regenera\u00e7\u00e3o assistidas em \u00e1reas de m\u00e9dia a baixa resili\u00eancia e altos valores de conserva\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O professor Luiz Fernando Magnago falou sobre os resultados apresentados no artigo em entrevista por e-mail.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ACS: Que fatores impedem ou tornam mais lenta a recupera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas e de esp\u00e9cies end\u00eamicas? Que consequ\u00eancias temos com a extin\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie arb\u00f3rea, por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Professor Luiz Fernando Magnago:<\/strong>\u00a0A recupera\u00e7\u00e3o lenta de esp\u00e9cies amea\u00e7adas e end\u00eamicas se deve a diversos fatores (ecol\u00f3gicos e uso humano), mas o principal se deve a raridade natural (baixo n\u00famero de indiv\u00edduos) nas paisagens em que ocorrem, o que torna sua probabilidade de coloniza\u00e7\u00e3o de novas florestas mais baixa.\u00a0A extin\u00e7\u00e3o destas esp\u00e9cies em paisagens pode causar: (i) perda de linhagens evolutivas raras; (ii) perda de uma fun\u00e7\u00e3o ecossist\u00eamica importante (ex. recursos alimentares para fauna, sequestro e estocagem de carbono, etc) e (iii) reduzir a import\u00e2ncia para conserva\u00e7\u00e3o de uma paisagem, j\u00e1 que a presen\u00e7a destas esp\u00e9cies \u00e9 um importante indicador para a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias de pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ACS: A recupera\u00e7\u00e3o dos estoques de carbono tamb\u00e9m \u00e9 mais lenta que a recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade de esp\u00e9cies, conforme os resultados. Por que esse resultado \u00e9 importante?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Professor Luiz Fernando Magnago:<\/strong>\u00a0Porque ele indica que temos que nos preocupar de formas separadas para atingir metas de conserva\u00e7\u00e3o, ou seja, a biodiversidade tem mais resili\u00eancia do que alguns servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como o sequestro e estoque de carbono atmosf\u00e9rico na biomassa florestal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ACS: Para que a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o ativa sejam eficientes, quais prazos e medidas deveriam ser colocados no debate dessas pol\u00edticas p\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Professor Luiz Fernando Magnago:<\/strong>\u00a0Os prazos ainda s\u00e3o complicados, pois temos poucos estudos sobre isso em n\u00edveis de paisagem, mas como medida, o reconhecimento de paisagens florestais mais resilientes deve ser um forte indicador para priorizar \u00e1reas para implanta\u00e7\u00e3o de projetos de restaura\u00e7\u00e3o florestal, pois o sucesso nessas paisagens deve ser maior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com informa\u00e7\u00f5es e imagens por Nath\u00e1lia Vieira Hissa Safar, Carlos Ernesto Gon\u00e7alves Reynaud Schaefer e Luiz Fernando Silva Magnago As metas ambientais nacionais e globais de recupera\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica dificilmente ser\u00e3o cumpridas se n\u00e3o houver interven\u00e7\u00e3o inteligente e constante, com projetos de restaura\u00e7\u00e3o ativa que se agreguem aos processos de regenera\u00e7\u00e3o natural das florestas. 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