{"id":102647,"date":"2020-06-10T10:00:44","date_gmt":"2020-06-10T13:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=102647"},"modified":"2020-06-10T15:02:08","modified_gmt":"2020-06-10T18:02:08","slug":"carlinhos-brown-lanca-a-bota-musica-com-seu-novo-parceiro-guilherme-menezes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2020\/06\/10\/carlinhos-brown-lanca-a-bota-musica-com-seu-novo-parceiro-guilherme-menezes\/","title":{"rendered":"Carlinhos Brown lan\u00e7a &#8220;A bota&#8221;, m\u00fasica com seu novo parceiro, Guilherme Menezes"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tXwfEp_RgZ4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ernesto Marques<\/p>\n<p>A can\u00e7\u00e3o \u201cA bota\u201d, lan\u00e7ada por Carlinhos Brown ontem \u00e0 noite, se encaixa t\u00e3o perfeitamente no infort\u00fanio do afro-americado morto dias atr\u00e1s por um policial branco. Pode ser interpretada como uma rea\u00e7\u00e3o criativa inspirada no caso que incendiou os Estados Unidos e provocou rea\u00e7\u00f5es no mundo inteiro. Mas s\u00f3 os \u00faltimos versos foram acrescentados por Brown, depois da morte de George Floyd, \u00e0 composi\u00e7\u00e3o do seu novo parceiro.<br \/>\nAl\u00e9m de inserir refer\u00eancias ao epis\u00f3dio de Minneapolis, como algumas das \u00faltimas palavras de Floyd, Brown comp\u00f4s um arranjo que confere for\u00e7a suficiente para a m\u00fasica esquentar ainda mais o debate sobre racismo pelo caminho da arte. O clipe de lan\u00e7amento mescla cenas do cantor no est\u00fadio, imagens de escravos em senzalas brasileiras e cenas dos protestos recentes nas cidades norte-americanas, num ritmo sincopado que lembra rodas de capoeira.<br \/>\nDe quebra, Carlinhos Brown devolve \u00e0 m\u00fasica baiana, um compositor que, numa dessas encruzilhadas da vida, interrompeu a carreira art\u00edstica para entrar na pol\u00edtica. Guilherme Menezes era mais um cabeludo dos anos 1960, rebelde \u00e0 sua maneira ensimesmada, quando resolveu deixar sua Iguai para tentar a sorte no eixo Rio-Sampa. Fez o mesmo caminho de outros baianos daquela \u00e9poca. Andando pelas ruas de S\u00e3o Paulo, observando o vai-e-vem fren\u00e9tico das pessoas no Centro, converteu em m\u00fasica o que bem poderia ser uma cr\u00f4nica de cotidiano sobre as m\u00faltiplas personagens que cruzam o conhecido Viaduto do Ch\u00e1.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u201cViaduto do Ch\u00e1\u201d \u00e9 uma das can\u00e7\u00f5es reunidas no disco Velhas Hist\u00f3rias, produzido e organizado por um amigo e tamb\u00e9m m\u00fasico. Nagib Barroso, amigo de inf\u00e2ncia e parceiro de Luiz Caldas, foi sequestrado por Guilherme da m\u00fasica para a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Por timidez ou obra do acaso, Guilherme voltou do sul sem ainda alcan\u00e7ar o sucesso de outros compositores da sua gera\u00e7\u00e3o. Embrenhou-se no interior de Conquista como professor e foi colecionando mais imagens e personagens nas suas viv\u00eancias. Formou-se m\u00e9dico e s\u00f3 aos 49 anos encarou as urnas pela primeira vez. E na pol\u00edtica, assim como na m\u00fasica, conservou uma timidez ensimesmada como marca. \u201c\u00c9 o jeito dele\u201d, atesta Nagib.<br \/>\nNo disco j\u00e1 dispon\u00edvel em todas as plataformas digitais, h\u00e1 outras composi\u00e7\u00f5es com a mesma verve do compositor-observador de pessoas e lugares, tradutor de racioc\u00ednios complexos em versos aparentemente simples. Em \u201cZ\u00e9 Pul\u00fa\u201d, interpretada no disco por Xangai, conta a hist\u00f3ria de um doido que reage violentamente \u00e0 viol\u00eancia de um coronel, quando essas figuras mandavam e desmandavam no Sert\u00e3o da Ressaca, regi\u00e3o onde est\u00e1 Vit\u00f3ria da Conquista. \u201cAquilo n\u00e3o \u00e9 m\u00fasica de prefeito, \u00e9 composi\u00e7\u00e3o de compositor de verdade\u201d, comentou Elomar, quando ouviu \u201cZ\u00e9 Pul\u00fa\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVelhas hist\u00f3rias\u201d foi produzido quase \u00e0s escondidas, com a ajuda da esposa Josete Menezes, c\u00famplice de Nagib no projeto. Secret\u00e1rio de Cultura no \u00faltimo dos quatro mandatos de Guilherme como prefeito da terceira maior cidade baiana, Nagib terminou congelando a pr\u00f3pria carreira de cantor e compositor quando foi trabalhar na Prefeitura.<\/p>\n<p>Apesar da concentra\u00e7\u00e3o quase absoluta nos quatro mandatos de prefeito e dois de deputado estadual e federal, Guilherme continuou compondo solitariamente e sem divulgar. \u201cO artista quando mostra sua arte, \u00e9 por vaidade, quando esconde, tamb\u00e9m\u201d, ati\u00e7ava Nagib, diante da resist\u00eancia de Guilherme em dar vaz\u00e3o ao compositor.<br \/>\nDepois de encerrar a carreira pol\u00edtica, Guilherme Menezes se reencontra com a m\u00fasica, ao lado de Nagib Barroso, que o aproximou de Carlinhos Brown e Luiz Caldas. Luiz se encantou com a poesia de Menezes, admirador e conhecedor da obra do poeta Manoel de Barros e incluiu \u201cA chave\u201d no seu pr\u00f3ximo disco.<br \/>\nAntes disso, no calor de uma semana em que duas mortes de negros, Floyd em Minneapolis e o menino Miguel, no Recife, Brown, com \u201cA bota\u201d, abre esse ba\u00fa, de onde certamente sair\u00e3o muitas obras de um compositor de 77 anos que a Bahia ainda n\u00e3o conheceu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ernesto Marques A can\u00e7\u00e3o \u201cA bota\u201d, lan\u00e7ada por Carlinhos Brown ontem \u00e0 noite, se encaixa t\u00e3o perfeitamente no infort\u00fanio do afro-americado morto dias atr\u00e1s por um policial branco. Pode ser interpretada como uma rea\u00e7\u00e3o criativa inspirada no caso que incendiou os Estados Unidos e provocou rea\u00e7\u00f5es no mundo inteiro. 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