{"id":1005,"date":"2011-01-29T17:36:00","date_gmt":"2011-01-29T20:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2011\/01\/29\/hotel-5-estrelas\/"},"modified":"2011-01-29T17:36:00","modified_gmt":"2011-01-29T20:36:00","slug":"hotel-5-estrelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2011\/01\/29\/hotel-5-estrelas\/","title":{"rendered":"Hotel 5 estrelas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TUR6ysFwAGI\/AAAAAAAAB6I\/pnwt-VPVUIo\/s1600\/pobre%2B5%2Bestrelas.JPG\"><img style=\"display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 222px;\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TUR6ysFwAGI\/AAAAAAAAB6I\/pnwt-VPVUIo\/s320\/pobre%2B5%2Bestrelas.JPG\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5567710050584100962\" \/><\/a><br \/>Existe coisa mais impressionante do que propaganda de banco?<\/p>\n<p>N\u00e3o importa o banco, \u00e9 tudo de uma plasticidade espetacular, gente bonita e sorridente, servi\u00e7os que parecem de gra\u00e7a e tecnologia de ponta, como se a felicidade e a fortuna estivessem ao alcance de um toque de m\u00e3o.<\/p>\n<p> D\u00e1 at\u00e9 vontade de sair abrindo conta em tudo quanto \u00e9 banco (n\u00e3o fosse o detalhe de que a maioria deles n\u00e3o faz a m\u00ednima quest\u00e3o, tamanha a quantidade de exig\u00eancias) e sair adquirindo cart\u00f5es de cr\u00e9dito a torto e a direito, verdadeiras chaves que abrem as portas dos bens de consumo (n\u00e3o fossem as taxas e os juros extorsivos quando voc\u00ea atrasa o pagamento).<\/p>\n<p> Saindo da propaganda encantadora para o mundo real, aquelas maravilhas de conforto, praticidade, atendimento de excel\u00eancia trombam com a realidade das filas monumentais, dos caixas eletr\u00f4nicos que d\u00e3o pane e de um atendimento mulambento, a menos que voc\u00ea seja dono de uma conta banc\u00e1ria com saldo de v\u00e1rios d\u00edgitos. <\/p>\n<p> Bancos, como se sabe, n\u00e3o apenas tem o dinheiro como for\u00e7a motriz, mas s\u00e3o, literalmente, m\u00e1quinas de fazer dinheiro.<\/p>\n<p> Basta, conferir, nas p\u00e1ginas de economia, os lucros estratosf\u00e9ricos das institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, independente de quem seja o governante de plant\u00e3o. E, quando eventualmente enfrentam dificuldades, h\u00e1 sempre um Proer para salva-los e jogar a conta para o contribuinte, que nesse caso contribui compulsoriamente. <\/p>\n<p>\u00c9 Bolsa Banco, vers\u00e3o rica do Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>E o que acontece quando a pujan\u00e7a das montanhas de dinheiro, do lucro pelo lucro, do s\u00edmbolo do capitalismo, cruza com a imagem com algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 igualmente s\u00edmbolo, mas um subproduto desse tipo de capitalismo?<\/p>\n<p> Aquele instante em que a constru\u00e7\u00e3o de ferro, cimento, vidro e seguran\u00e7a que simboliza um banco, tromba com a fragilidade, o desamparo e a desesperan\u00e7a de algu\u00e9m a quem a exclus\u00e3o social reduz \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-cidad\u00e3o. <\/p>\n<p> \u00c9 o que revela a imagem, captada na Ilh\u00e9us de Jorge Amado, o escritor imortal que t\u00e3o bem sobre romancear a realidade de um mundo de poucos muito ricos e muitos muito pobres.<\/p>\n<p> Uma moradora de rua, sem nome nem sobrenome, que perambula pelas ruas e dorme o sono dos justos e injusti\u00e7ados na porta de um banco, do qual ela nunca, jamais e em tempo algum ter\u00e1 conta. <\/p>\n<p> O pouco que se sabe dessa mulher sem nome e sem sobrenome \u00e9 que tem problemas mentais, recentemente engravidou e deu a luz a um menino que possivelmente algu\u00e9m pegou para criar.<\/p>\n<p> Se \u00e9 poss\u00edvel captar ironia onde s\u00f3 se observa desalento, as cinco estrelas do banco estrelado remetem \u00e0s cinco estrelas, classifica\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de hot\u00e9is estrelados. <\/p>\n<p> Mas a mulher em quest\u00e3o \u00e9 apenas h\u00f3spede da rua, sem  conta em banco, sem cart\u00e3o de cr\u00e9dito, sem Bolsa Fam\u00edlia e muito menos len\u00e7o ou documento.<\/p>\n<p> Ah, a resposta para a pergunta sobre o que acontece quando o s\u00edmbolo da pujan\u00e7a tromba com o s\u00edmbolo na exclus\u00e3o social:<\/p>\n<p> -N\u00e3o acontece nada, absolutamente nada.<\/p>\n<p>Os bancos continuar\u00e3o lucrando. E os desesperan\u00e7ados continuar\u00e3o sem esperan\u00e7a alguma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe coisa mais impressionante do que propaganda de banco? N\u00e3o importa o banco, \u00e9 tudo de uma plasticidade espetacular, gente bonita e sorridente, servi\u00e7os que parecem de gra\u00e7a e tecnologia de ponta, como se a felicidade e a fortuna estivessem ao alcance de um toque de m\u00e3o. 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