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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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:: ‘Nega Pataxó’

Pau Brasil: Câmara homenageia mulheres em sessão solene com o tema “Nega Pataxó presente!”

No último dia 21 de janeiro, a   indígena Maria de Fátima Muniz, a “Nega Pataxó”  foi assassinada num conflito de terras no município de Potiraguá.

Ela era  Doutora Honoris Causa pela UFMG e pajé A  aldeia Caramuru Catarina Paraguaçu e sua morte escancarou de vez a conivência de setores da PM com fazendeiros do Grupo Invasão Zero.

No próximo 8 de março em sessão solene a Câmara de Vereadores de Pau Brasil  homenageará com a comenda Gileno Virginio de Jesus além da Pajé Nega Pataxó “in memorian” várias mulheres por relevantes serviços ao município.

 

“ Vamos não só homenagear a Pajé nega Pataxó e seus familiares como também iremos solicitar das autoridades competentes o fim do extermínio contra os povos do campo e da floresta, além de exaltar a força das mulheres indígenas, negras, sem terras, da periferia, combater a violência contra mulher e num ambiente de muita consagração e luta”, afirma Nego Elder, presidente da Câmara de Pau Brasil.

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Pataxós bloqueiam rodovia e cobram apuração rigorosa de violência em conflito agrário

Pataxós hã hã hãe  de diversas aldeias do Sul da Bahia  promoveram na tarde de ontem um protesto na BR 101, próximo a Camacã. A rodovia foi bloqueada por cerca de duas horas. Eles  solicitam a apuração rigorosa do conflito agrário que resultou na morte da líder Maria de Fátima Muniz,  a Nega Pataxó e ferimentos em vários indígenas, entre eles o Cacique Nailton Pataxó.

´Durante o protesto os pataxós exigiram celeridade na apuração da violência cometida por integrantes do grupo Invasão Zero e apresentaram uma pauta de reinvindicações aos governos estadual e federal que também foi encaminhada à Defensoria Pública do Estado-DPE Núcleo Itabuna.

AS REIVINDICAÇÕES

1)Apuração de má prestação do serviço/omissão de socorro por parte do hospital de Pau Brasil, notadamente do motorista da ambulância, que trataram os indígenas com desdém e demoraram para prestar o atendimento e transportar os feridos para o Hospital Costa do Cacau;

2)Viabilizar a ida dos indígenas ao local do conflito (fazenda), para recuperação de seus pertences e/ou de seus familiares;

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Pataxós realizam ato público em Pau Brasil e pedem Justiça

Caciques pataxós hã hã hãe e integrantes da comunidade indígena realizam um ato público hoje às 15;30 horas em Pau Brasil. Eles pretendem cobrar mais segurança na área por conta dos constantes conflitos com fazendeiros e pedir justiça para os responsáveis pelo ataque numa propriedade rural em Potiraguá, que resultou no assassinato Maria de Fátima Muniz, a Nega Pataxó e ferimentos em outros indígenas entre eles o Cacique Nailton Pataxó.

 

Entre as reivindicações dos pataxós estão o fim da violência contra mulheres indígenas e jovens lideranças e um policiamento que atue com neutralidade. “Neste momento, não queremos mais polícias que nos ameacem em vez de nos proteger, queremos é justiça”, afirma o Cacique Manuel Muniz.

Galdino, Nega Pataxó e a chama que não se apaga

 

Daniel Thame

 

“Como esquecer  daquela madrugada gelada em Brasília? Eu estava numa terra estranha, cercada de gente estranha, uns homens bem vestidos, que se diziam autoridades, mas eu sabia, aqueles sorrisos todos eram falsos, porque eles prometiam demarcar terras que eram nossas e que foram invadidas por fazendeiros, mas assim que a gente voltava para o Sul da Bahia, eles até esqueciam que a gente esteve lá.

 

As nossas terras em Pau Brasil e Itajú do Colônia tinham sido doadas a fazendeiros em troca de apoio político e o governador  da Bahia naquela época que eu fui a Brasília  era dono de tudo, acho que até da Justiça. E nada de sair a demarcação.

 

 

Mas a gente era de luta, uma força que vinha dos nossos ancestrais e que eu sabia, iria ser mantida pelos nossos descendentes.

 

O que eu não sabia é que a maldade dos homens poderia ser tão  grande,  e olha que ao longo dos séculos nós sempre sofremos com a maldade daqueles que invadiram as nossas terras e tentaram matar a nossa identidade.

 

Como eu disse, fazia muito frio naquela madrugada em Brasília e eu estava dormindo na rua, porque a gente não tinha dinheiro nem pra pagar hotel, quando  de repente, eu senti um calor no corpo, achei que alguma alma boa tinha me oferecido um cobertor.

 

Mas não era um cobertor, era fogo. Isso mesmo, quatro meninos ricos para se divertir haviam ateado fogo no meu corpo. Eu senti uma dor imensa, até ver a lua se tingir de vermelho e ai eu não senti mais nada.

 

Quando meu espírito chegou aqui no ybaca, eu sabia que a  nossa luta não iria parar.

 

De certa forma, minhas chamas seriam o fogo da esperança de que a gente pudesse produzir e viver em paz nas terras que, por direito, eram nossas”.

 

Índio pataxó Galdino de Jesus, queimado vivo no dia 19 de abril de 1997.

 

´Eu sou guerreira, mas meu trabalho é pra combater, eu entrego meu peito à lança, nossa batalha temos que vencer´.

 

“Quando eu cantei essa música num encontro de povos indígenas em  Brasília em 2023 não imaginei que era uma premonição.

 

A gente avançou muito nos últimos anos, conseguimos a demarcação de várias áreas, nosso irmãos tupinambás hoje tem suas terras ainda que vivam sofrendo ameaças, mas mesmo assim é preciso lutar, porque   existem muitas áreas indígenas que são ocupadas irregularmente pelos fazendeiros.

Dizem que Brasil nasceu aqui no Sul da Bahia em 1500. As vezes penso que quando o tal de Brasil nasceu o nosso povo começou a morrer.

 

E que só não fomos dizimados porque somos forjados na luta, não temos  medo da batalha  e porque nossa causa é justa.

 

Quando meu irmão  Cacique Nailton Pataxó me chamou pra gente retomar uma área que por direito é nossa, lá perto do imenso Rio Pardo, eu aceitei, porque nunca fugi da luta e como eu mesmo já contei aqui, não tenho medo das lanças.

 

Eu só não esperava, nem contava com as balas.

 

A brutalidade dos homens não tem mesmo limite. Em vez do diálogo, eles dispararam tiros.

 

Muitos tiros. E naquela explosão de violência, em meio aos gritos de medo, só lembro de uma coisa me atingindo, uma dor no corpo e o sol se tingindo de vermelho de sangue.

 

E me lembro que quando meu espírito chegou aqui no ybaca   o companheiro Galdino veio me receber.

 

Lá embaixo, na terra, nesse solo que pra nós é sagrado,  eu sei que nem o fogo nem as balas  vão calar a nossa voz.

 

Porque nós somos e seremos semente e sempre vamos germinar  em cada indígena e em cada pessoa que ainda consegue se indignar e combater as injustiças”.

 

Maria de Fátima Muniz, a Nega Pataxó, foi assassinada no dia 21 de janeiro de 2024 num conflito com fazendeiros em Potiraguá, no Sudoeste da Bahia

Após conflito com morte e feridos, pataxós pedem mais segurança e cobram Justiça

Caciques pataxós hã hã hãe se reuniram na Aldeia Caramuru Paraguassú, em Pau Brasil, para debater sobre o conflito agrário que resultou no assassinato Maria de Fátima Muniz. a Nega Pataxó e ferimentos em outros indígenas numa fazenda em Potiraguá, entre eles o Cacique Nailton Pataxó. O Cacique Manoel Muniz lembrou o histórico de lutas pela posse das terras e disse que é preciso estabelecer a paz na região.

Cacique Manoel Muniz

O Cacique Manoel afirma que  diante do clima de intranquilidade da região “é preciso que as autoridades se mobilizem para evitar mais violência e novas mortes. Nós estamos lutando por nossos direitos, porque essa é a terra dos nossos ancestrais. Essa é uma guerra que não interessa a ninguém e a gente só quer viver em paz”.

Aline Muller

Além de lideranças indígenas, o encontro contou com a presença de representantes de direitos humanos, órgãos municipais e estaduais e a Defensoria Pública Estadual. A promotora Aline Muller disse que no momento a prioridade é evitar que o conflito se amplie. “Estamos aqui para saber o que efetivamente aconteceu durante o conflito, ouvir as demandas dos indígenas, estabelecendo um diálogo entre a comunidade e as autoridades, que tem responsabilidade de garantir a segurança nessa área, já que o clima é de muita tensão”

Tainá Muniz

Emocionada, Tainá Muniz, filha de Nega Pataxo, lembrou que antes de ser assassinada, a mãe foi espancada e pediu Justiça para que essa morte não fique impune. “É  impossível descrever a dor que nossa família está sentindo. Minha mãe foi assassinada não só com um tiro, mas foi brutalmente torturada. Não é apenas uma indígena, mas uma mulher e tem que valer a Lei Maria da Penha”. “Essa morte não pude ficar impune. Minha mãe foi uma grande guerreira e não vamos desistir dessa luta”.

O Governo Federal e o Governo do Estado criaram um grupo de mediação do conflito e ações que garantam a segurança na área. Em conversa com o presidente Lula, o governador Jerónimo Rodrigues garantiu o apoio do Ministério dos Povos Indígenas e uma apuração rigorosa do homicídio e dos casos de violência, com a punição dos responsáveis.

 

Perícia aponta que tiro que matou liderança indígena partiu de arma de filho de fazendeiro

A perícia técnica confirmou que o tiro que matou a líder indígena Maria de Fátima Muniz, a Nega Pataxó, em Itapetinga, foi deflagrado por um jovem de 19 anos, filho de um dos fazendeiros que estava no confronto no último domingo (21). O resultado do laudo de microcomparação balística foi divulgado nesta terça-feira (23).

O jovem, suspeito de ter matado a líder indígena, já estava preso junto com um militar da reserva. Eles foram detidos em flagrante no mesmo dia do confronto e agora vão ser submetidos a uma audiência de custódia na Justiça Federal.

O conflito foi articulado por meio de um grupo no WhatsApp chamado ‘Invasão Zero’, que contava com 200 fazendeiros e ruralistas da região.

A Polícia Civil investiga os crimes de homicídio, tentativa de homicídio e associação criminosa armada. Mais quatro pessoas já receberam intimação para prestar depoimento sobre a organização do grupo e o dia do conflito.

O Ministério Público Federal e defensorias públicas suspeitam de que há envolvimento de milicianos em mortes de indígenas no estado. A tese segue sendo investigada pelos órgãos. (do Ipolítica)





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