:: 31/ago/2025 . 9:05
Crônica de Domingo: Luís Fernando, o Joãozinho

Paloma Amado
Que notícia tão triste a deste sábado. Morreu Luís Fernando Veríssimo. Como tantos admiradores, fiquei desconsolada. Na verdade, me sinto mais do que uma simples admiradora, não tendo convivido com Lucia e Luís Fernando como desejaria, a imensa amizade de nossos pais nos unia de uma maneira quase familiar.
Papai e Érico foram amigos desde a juventude. Entre a Bahia, o Rio, a Europa do exílio e o Rio Grande do Sul não existia distância que o correio não atravessasse com a rapidez necessária para que os amigos soubessem de casamentos e nascimentos de filhos, conversassem sobre o fazer literário de ambos e dos de sua geração, se juntassem para combater as injustiças e as ditaduras (tantas) que viveram. Graças à dupla de escritores não foi concretizada a censura aos livros quase levada a cabo pelos militares de 64.
Hoje passei meu dia lendo as cartas trocadas por papai e Érico por mais de 50 anos. Foi um dia especial na minha vida, onde pude encontrar Luís Fernando, Lucia, e Fernanda, Clarissa como personagens de cartas de puro amor. Foi difícil respirar fundo e parar para escrever esta crônica, pois a emoção era intensa e quando pensava me sentar na frente do computador, a vontade era de fechar os olhos e sonhar. Assim fiz. Como escrever o que eu sinto? O melhor é seguir as cartas — que em breve virarão livro — e contar o que os missivistas falavam de Luís Fernando, o Joãozinho.
Joãozinho? Pois! Uma carta de 1936 desvenda essa charada. Papai foi visitar o recém-nascido, esteve com o menino, olhou bem sua carinha e decretou: “O Luís Fernando, Érico, tem cara de João, você não acha?” A partir daí, quando falavam do menino, o tratavam por Joãozinho. Quando, dez anos depois, nasceu meu irmão João Jorge, passaram a dizer: seu Joãozinho, meu Joãozinho… Como posso não me sentir da família?
Numa carta anterior, de 35, papai dava notícias de minha irmã Lila. ” Eulalia – Engorda e ri. Ri que parece meu pai (um sujeito risonho e gordo). Herdou o nariz chato do avô e a risada.” Lila se chamava Eulália Dalila Jorge, coitadinha, mas tinha um lindo apelido e se parecia com nosso avô João Amado. O João estava presente na vida de meu pai: era a cara de sua primeira filha, foi o nome de seu primeiro filho, e assim nomeou Luiz Fernado, filho de seu grande amigo. Preciso dizer que reler este trecho de carta me deixou muito emocionada. Papai sofria muito por sua morte pré-matura por Lupus, aos 15 anos, pouco antes de meu nascimento. Saber que ela também era uma “João” me trouxe ainda mais para perto de Luís Fernando.
Venezuela doa mais de seis mil toneladas de alimentos a Cuba
Com uma cerimônia oficial na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel, foi recebida a carga de 6.100 toneladas de alimentos e outros produtos doados pela República Bolivariana da Venezuela a Cuba. Esta importante entrega chegou a bordo da primeira viagem do navio da ALBA-TCP “Manuel Gual”, que partiu do porto de La Guaira com o objetivo de fortalecer a soberania alimentar e a cooperação solidária entre os países membros.
O evento foi liderado pelo primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero Cruz, e pelo embaixador venezuelano Orlando Maneiro, representante da pátria de Chávez na ilha. A iniciativa faz parte dos compromissos assumidos na XXIV Cúpula da ALBA-TCP e abre uma nova etapa do transporte marítimo regional baseado na complementaridade, no comércio justo e no benefício mútuo.
Esta primeira viagem do “Manuel Gual”, um navio recuperado pela classe trabalhadora venezuelana com capacidade para 15.000 toneladas, simboliza a vontade política e a aliança estratégica que unem os povos da região para avançar no desenvolvimento econômico sustentável e enfrentar o impacto do bloqueio econômico imposto a Cuba.
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