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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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:: 24/ago/2025 . 11:30

A Misericórdia da Justiça: Uma Homenagem ao Juiz Frank Caprio e ao Juiz Mohamed Kharraz

 

Embaixador Professor Karim Errouaki

 

Um Farol de Humanidade: A Vida e o Legado do Juiz Frank Caprio

O mundo perdeu mais do que um homem; perdeu uma consciência moral, um farol de clareza ética nos tribunais e um raro exemplar luminoso de como a justiça e a misericórdia podem coexistir em equilíbrio harmonioso. Aos oitenta e oito anos, faleceu o Juiz Frank Caprio, levando consigo um fragmento da alma da América.

O Juiz Caprio era muito mais do que um jurista. Era um pai para os marginalizados, uma voz de compaixão para os acusados e uma testemunha viva de que o amor e a compreensão podem ter o seu lugar legítimo mesmo nas mais solenes câmaras do Direito. Numa era em que a autoridade frequentemente carrega o peso frio do distanciamento, a sua presença irradiava calor humano. Ele brandia o seu martelo não como uma arma de rigidez dogmática, mas como um instrumento temperado pela humanidade. Ao fazê-lo, demonstrou que a misericórdia não precisa de ser um apêndice da justiça – é a sua expressão mais verdadeira.

 

O legado que deixa não é meramente judicial; é profundamente ético. O Juiz Caprio tornou-se uma bússola moral, guiando a sociedade em direção à sua melhor versão. A sua crença inabalável de que a justiça pode ser firme e yet humana, corretiva e yet restaurativa, permanece como um lembrete perene de que a lei atinge o seu propósito mais elevado quando é infundida de compaixão. Com a sua partida, essa bússola cala-se, deixando não apenas pesar, mas uma reflexão premente: terão os nossos sistemas legais se tornado demasiado rígidos, impessoais e mecânicos para nutrir o surgimento de outro como ele?

Juiz Mohamed Kharraz: A Bússola Moral Endurente de Marrocos

Enquanto a América chora o Juiz Caprio, Marrocos testemunhou uma transição paralela com a aposentadoria do Juiz Mohamed Kharraz, distinto membro do Supremo Tribunal marroquino. Embora aposentado, o Juiz Kharraz permanece uma luz orientadora, direcionando o panorama jurídico marroquino para a equidade, a dignidade e a compaixão.

 

O seu mandato no mais alto tribunal de Marrocos não foi uma mera profissão—foi uma missão para restaurar a humanidade à lei. Tal como Caprio, compreendeu que a justiça transcende a punição; trata-se de compreensão, reabilitação e proteção da dignidade humana. Os seus julgamentos fundiam consistentemente a imparcialidade com a empatia, afirmando que o tribunal pode ser um lugar de restauração moral e legal.

Se a morte do Juiz Caprio deixa um vazio na consciência americana, a aposentadoria do Juiz Kharraz marca o encerramento de um capítulo de sabedoria judicial em Marrocos. No entanto, a sua influência perdura, inspirando juristas, advogados e estudantes. Ambos os juízes demonstram que a visão moral de um único indivíduo pode recalibrar a bússola ética de todo um sistema legal.

A Justiça como Aspiração Humana Universal

As vidas dos Juízes Caprio e Kharraz iluminam uma verdade intemporal: a justiça no seu mais alto nível transcende geografia, cultura e tradição. A justiça despida de misericórdia torna-se estéril; a misericórdia sem justiça degenera em sentimentalismo. A grandeza destes juízes residiu na sua capacidade de equilibrar estas forças, afirmando a autoridade da lei enquanto preservavam a sua humanidade.

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O cemitério de meu pai

Paloma Amado

Foi nos anos 90, ia ser concedido o Prêmio Camões em Lisboa, onde eu estava com meus pais, hospedados no hotel Tivoli. Havia muito rebuliço no dia da reunião do júri para a premiação. Estavam, vindos do Brasil, três membros da Academia Brasileira de Letras. Vinham com cartas já marcadas, precisavam derrotar Jorge Amado, candidato que os portugueses tinham escolhido. A reunião foi feia, foram os jurados portugueses que contaram o quanto aquela troika (no linguajar deles) fora determinada, a reunião não teria um final feliz, caso insistissem no nome do baiano. Outra pessoa ganhou. Logo depois, estávamos andando pelo saguão do hotel, quando o líder do grupo brasileiro veio em nossa direção de braços abertos, gritando:

— Jorge querido, que prazer encontrá-lo aqui!

Eu, que também o tinha na minha frente, desguiei para a esquerda e subi para o meu quarto, deixando seu Jorge sozinho para acolher a mão estendida do cidadão. Daqui a pouco papai chegou rindo, me perguntou se eu tinha saído de fininho porque ficava feio negar cumprimento. Confirmei e ele riu mais ainda. Virou para mamãe e disse:

— Paloma é igualzinha a mim…

Rebati que não era, eu nunca mais cumprimentaria aquele pulha, que sempre se fizera de tão amigo. Foi então que ele me falou pela primeira vez de seu cemitério. Disse mais ou menos assim:

— Minha filha, quando eu tinha a sua idade também saía de perto e negava cumprimento. Nunca fui de dizer desaforos, pois cada um age por sua cabeça, e se a criatura quer ser um safado sem carácter, é direito dele. Você está assim agora, eu já evolui, criei meu cemitério particular.

— Cemitério, pai?

— Sim, quando o amigo se mostra um filho da puta, injusto, sem carácter, eu simplesmente o enterro no meu cemitério particular e junto com ele todo o rancor, a raiva e os maus sentimentos que um canalha desses pode fazer brotar na gente. Assim fico livre dele e do mal que pensa que me está fazendo. Eu o encontro, vem sorridente, eu o cumprimento, mas ele não sabe que estou falando com um fantasma, alguém que já não existe, que não pode me fazer mais nenhum mal.

Desde então, já se passaram mais de 30 anos, eu tento colocar as pessoas que me ferem, os falsos amigos, num cemitério meu, mas o rancor é maior, e eu fico remoendo as coisas, sofrendo, doída. Fico não, ficava!
Semana passada tive muito aperreio, muita tristeza, via a aproximação de um desfecho triste para mim devido a pessoas a quem já amei com meu sangue. Chorei um dia inteiro, daqueles choros que a gente não controla, as lágrimas pulam longe, depois escorrem, a gente funga e se pergunta porque fizeram aquilo. Dormi. Meu pai veio. Nesses 24 anos de sua ausência física, ele sempre me socorreu nos momentos mais difíceis. Pois ele veio. No sonho sentamos em torno de uma mesa colocada no jardim do Rio Vermelho, bem junto ao muro que separa sua casa da casa que foi de João, meu irmão. De mãos dadas, desabei sobre ele todas as tristezas. Ele me disse em tom sério, de quem vem do lugar em que se consolida a sabedoria da vida:

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Ilhéus terá Vigília Cultural em defesa das mulheres

Nesta segunda-feira (25), será realizada em Ilhéus a “Vigília Cultural – Ato de Resistência Contra a Violência às Mulheres”, a partir das 17h, na Praça Pedro Matos. O evento, gratuito e organizado por grupos de mulheres e coletivos locais, contará com espaço aberto para manifestações artísticas.

A iniciativa acontece em meio à escalada de violência contra mulheres no município e busca reafirmar a luta coletiva pelo fim da violência de gênero.





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