Poema de jornalista grapiúna para o Diário de Itabuna vira música com o uso de IA
Após o curso de Inteligência Artificial (IA), realizado pela UESC, Escola Baiana de Comunicação, Sindicato dos Jornalistas da Bahia-Sinjorba e Governo do Estado, o jornalista e poeta grapiúna Joselito Reis transformou um de seus poemas em música.
O poema é dedicado ao jornal Diário de Itabuna, um dos mais longevos da cidade onde Joselito trabalhou de 1972 a 1995. “Até hoje tenho na lembrança, o trabalho dos velhos jornalistas e dos heróis das oficinas”, afirma.

Joselito Reis
Leia o poema que virou música com o auxílio da IA:
Impressos Divinos
Mãos sujas de tinta,
pela troca da fita da máquina de datilografia.
Texto surgindo na redação,
de coração, suor e razão.
Rumo à oficina para composição —
conserto aqui, remendo acolá…
No tic-tac da máquina datilográfica:
lá vai a boneca!
Mais um texto à oficina,
composto na máquina Linotipo:
cavalete, tipos, prelo e paquê…
Clichê pronto, aprovado!
Mais uma revisão.
Impressão rotoplana autorizada…
Offset chegando…
Mais um exemplar!
Mais um jornal a circular,
durante a noite…
Manhã: emoção, notícia,
com verdade em circulação.
Depois de milhares de opiniões e informações,
o jornal impresso deixou de circular,
com a sua última manchete:
“Jornal impresso em extinção!”
Lágrimas brotaram dos olhos cansados,
por trás dos óculos “fundo de garrafa”
do velho jornalista —
e, sem perdão,
rolaram pelo chão, em Itabuna,
na história contada de um tempo
que não volta mais:
notícias grapiúnas.
A tecnologia chegou com dor,
sem amor,
e o jornal,
pelos jornaleiros,
nunca mais circulou.













Muito bom.