Gilza Pacheco

“O meu amor por você é como o mar!
Grande
Bonito
E não acaba nunca!”

Dizem por aí que o que todos buscam é o amor. É uma procura por anos e em muitas faces…

Que bom que você está aqui ao meu lado e que eu possa sentir você de tão variadas fontes e não aquela que um dia eu julguei ser a sua única expressão.

É uma tendência natural da alma humana sentir-se voltada a se agregar a outra através de um relacionamento, seja ele qual for.

É através do contato com o outro que a alma é possibilitada o encontro consigo mesmo. Não se conhece o Divino a não ser pelo o humano, Sua obra!

Sem um relacionamento íntimo com o outro não é possível descobrir as projeções da psiquê, que aparecem como pano de fundo das complicações afetivas e das dificuldades relacionais.

Nem mesmo nós aquilatamos suficientemente o quanto nos contradizemos e fazemos escolhas diversas daquilo que achávamos que queríamos. Somos tomados por decisões e acabamos levando a resultados bem diferentes do planejado e não podemos culpar a vida por isso.

Não fosse assim, essa falta de coerência não culminaria em tantos desencantos.

A separação entre corpo e alma, sentimentos e razão, enfim, como se queira denominar, acaba deixando o homem em uma encruzilhada, ou ele se depara com sua natureza ou será por ela dominado, ainda que não queira.

Saber separar quem sou eu e quem é você não significa apenas que somos diferentes.

Assim, questionamos: quais são mesmos os critérios que usamos para escolher alguém?

Até que ponto eles têm coerência com o nosso discurso e até onde podemos saber se eles são frutos de nossas reatividade, medos, inseguranças ou modelos parentais. Por outro lado , quantas vezes nos atraímos exatamente por alguém que não condiz com esses critérios. O que essas escolhas incoerentes com a consciência querem nos apontar sobre nós, além da ausência de um discernimento mais amadurecido?

É, sem sombra de dúvida, a escolha dessa jornada a descoberta de si mesmo e a superação nas relações que nos levará mais próximos ao encontro realmente maduro e pleno, mais apto a separar quem somos nós e quem é o outro, sem que seja necessária a destruição da relação, transformando a dimensão do amor de um pelo outro ao ponto de espalhar tanta beleza quanto nos apresenta o mar!