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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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:: 18/ago/2009 . 18:15

Pipas no céu, meninos mortos no chão


No romance “O caçador de pipas”, de Khaled Hosseini, os amigos Amir e Hassan, que na verdade são irmãos por parte de pai e não sabem, tem como principal diversão soltar e caçar pipas numa Cabul que aos poucos vai deixando de ser a bucólica capital do Afeganistão, para se transformar num barril de pólvora, que explode primeiro com a invasão dos russos e depois com o fundamentalismo islâmico do Talibã.

Amir e Hassan, enquanto isso é possível, ignoram as bombas, os soldados cada vez mais violentos e as gangues que começam a surgir no caos que se instala em Cabul.

Mais tarde, quando a violência atingir níveis insuportáveis, Amir, o amigo-irmão rico vai emigrar para os Estados Unidos, onde se submeterá ao trabalho destinado aos habitantes do terceiro mundo até se tornar um escritor de relativo sucesso.

Hassan, o amigo-irmão pobre, permanecerá no Afeganistão, vivendo na miséria, até ser executado pelos Talibãs.

Nesses tempos duros, as bombas já terão substituído as pipas nos céus de Cabul.

Na vida real, duas pipas cruzavam os céus do bairro São Pedro, na paupérrima periferia de Itabuna.

Eram empinadas pelos irmãos Walace Rocha dos Santos, de 16 anos, e Weslei Rocha dos Santos, de 15 anos. Uma brincadeira inocente, de dois irmãos adolescentes com uma vida inteira pela frente.

Walace estudava numa escola pública e Weslei havia chegado no dia anterior de São Paulo para visitar a família. Aprovado num teste da equipe juvenil da Portuguesa de Desportos, estava prestes a realizar o sonho de ser jogador de futebol.

Quem sabe, fazer fortuna no mundo da bola e, feito uma pipa bafejada pela fortuna, voar para bem longe da pobreza.

Repetindo a saga de romários, ronaldos, robinhos, todos oriundos da mesma vida humilde, Weslei desejava oferecer uma vida melhor para a família.

Enquanto não iniciava o longo caminho que poderia levá-lo a um time de ponta do Brasil ou do Exterior, soltava pipas com o irmão Wallace.

Itabuna não é o Afeganistão, o bairro São Pedro não é Cabul. A vida nem sempre imita a arte e se repete como tragédia.

Não mesmo?

Tentem dizer isso aos os pais, familiares e amigos de Wallace e Weslei.

Se inexistem os russos e os talibãs violentos, sobram os traficantes e os marginais igualmente violentos.

Sobra a violência que não faz distinção entre culpados e inocentes..

No São Pedro/Cabul, Wallace e Weslei, caçadores de pipas, viraram caça.

Ambos acabaram assassinados com tiros na cabeça, no campinho de futebol, ainda carregando as pipas que antes riscavam os céus.

Descobriu-se depois, que os amigos-irmãos foram mortos por engano.

Os assassinos estavam em busca de dois adolescentes, suspeitos de assassinar um homem envolvido com o tráfico de drogas.

E atiraram friamente, sem saber (nem se importar) que estavam matando os meninos errados.

Nesse imenso Haiti de miséria, exclusão e violência em que se transformaram as periferias das grandes e médias cidades brasileiras, Cabul também é aqui.

Sem pipas no céu, com meninos mortos no chão!

NOSSOS COMERCIAIS DE ANTIGANTE

Nota de 3 reais


Pesquisas de intenção de votos, faltando mais de um ano para a eleição, servem para alimentar o noticiário e, no máximo, para sinalizar uma tendência que pode se confirmar ou não.

Na prática, tem tanto valor quanto uma nota de três reais ou a palavra de certos políticos.

Daí que, as recentes pesquisas divulgadas sobre a sucessão estadual na Bahia e a sucessão nacional permitem leituras para todas as conveniências.

Na Bahia, a pesquisa Vox Populi aponta um empate técnico entre Jaques Wagner e Paulo Souto no questionamento estimulado e uma liderança tranqüila de Wagner na resposta espontânea.

O candidato do PMDB, Geddel Vieira Lima, aparece em terceiro, ainda longe dos líderes, mas que fatalmente irá se configurar como o fiel da balança.

A ruptura recente -e ainda não devidamente digerida por ambas as partes- entre PT e PMDB torna aparentemente difícil uma composição entre Wagner e Geddel num eventual segundo turno, contra Paulo Souto.

A troca de farpas entre petistas e peemedebistas só faltou incluir a sacrossanta mãezinha no meio, mas isso pode ser creditado ao calor do momento, embora o próprio Geddel, embora sinalize que a tendência é apoiar Wagner caso fique pelo meio do caminho, não chega a fechar totalmente as portas para a dupla DEM-PSDB.

Mantida a polarização Wagner-Paulo Souto, algo absolutamente natural, já que o carlismo embora combalido não pode ser considerado morto, o PMDB de Geddel pode decidir o pleito em favor de um ou de outro. A que preço, só Deus sabe, se é que sabe.

No caso de Wagner, resta aproveitar esse momento de recomposição do governo para imprimir um novo ritmo à administração, agilizando setores que não estavam funcionamento a contento.

O que fica mais fácil a partir da formação de uma base aliada que seja, efetivamente, aliada, com o perdão da necessária redundância.

No plano nacional, a liderança de José Serra aparentemente parece folgada, já que ele tem praticamente o dobro das intenções de votos de Dilma Roussef e Ciro Gomes.
Numa demonstração de que números podem ser lidos ao gosto do freguês, o que parece folga, pode parecer complicação.

Governando o estado mais rico e poderoso do país, saído de eleição presidencial, eleição para prefeito e governador de São Paulo, presença constante na mídia, Serra está num patamar, digamos, modesto para quem sempre despontou como franco favorito à sucessão de Lula.

E Lula, com sua espantosa popularidade, imune a crises econômicos e aos sarneys da vida, terá um peso ainda não devidamente avaliado quando aparecer ao lado de Dilma, apontando-a como sua candidata.

Há ainda o fator Ciro Gomes e o fator Marina Silva, que entram para a categoria do imponderável de toda a eleição.

Isso se Ciro for mesmo candidato a presidente e não a governador de São Paulo, como quer Lula, em mais uma de suas manobras clássicas, em que ao PT só restará reclamar internamente e aplaudir publicamente.

Enfim, eleição e pesquisas são como nuvens: cada vez que a gente olha, estão de um jeito e a imaginação dá asas aos mais variados formatos.

Às vezes, elas se abrem para os raios de sol.

Outras, se convertem em chuvas e trovoadas

Mas, esta aí uma previsão não depende da meteorologia, mas do eleitor.

Pelo sim, pelo não, é de bom alvitre incluir o guarda-chuva nos apetrechos de uso diário.





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