Entre os vários comentários emitidos por conta da sugestão, feita neste espaço, no sentido de que, dada a profusão de caras de pau no mundo político, Brasília deveria sediar um ainda hipotético Festival Nacional do Óleo de Peroba, destaco a opinião do empresário Helenilson Chaves, cuja história familiar de empreendedorismo se confunde com a própria história de Itabuna.

Escreveu Helenilson:

“Não seria uma boa atividade plantar peroba? A demanda é extremamente forte. A continuar o relego com a educação, é negar qualquer chance do exercício da cidadania, teremos sempre como representantes consumidores em potencial para tão famoso óleo”.

O empresário está coberto de razão.

Deixemos de lado o PAC do Cacau e vamos partir para o PAC da Peroba.
Em vez de insistir com esse negócio de cacau, inundemos nossas fazendas com pés de peroba.

E, já que não aprendemos mesmo a industrializar o nosso principal produto, limitando-nos a meros fornecedores de matéria-prima para que os outros ganhem dinheiro com a produção de chocolate, que aprendamos a produzir óleo de peroba, aproveitando esse mercado em franca expansão e, pelo que tem se visto ao longo dos séculos, de consumo infinito e ilimitado.

Se alguém ainda tem dúvidas de que o mercado é promissor, vamos ao mais recente exemplo, que não será obviamente o último.

Os jornais de final de semana divulgaram que Amaury de Jesus Machado, que trabalha como mordomo da casa da ex-senadora e atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney, guindada ao cargo por conta da cassação de Jackson Lago; é funcionário do Senado.

Pronto. Tinha que aparecer um mordomo na história e ainda por cima com um salário de 12 mil reais. Isso mesmo: mordomo com salário de 12 mil reais por mês.

E a gente ainda fica insistindo com nossos filhos que eles precisam estudar, fazer um curso superior, pós-graduação, mestrado, doutorado, etc.

Voltando ao festival de cara de pau que assola o pais (versão atual do Febeapá, do imortal Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo que consagrou Sérgio Porto), Rosena não se deu por vencida. Eis o que ela afirmou:

“Ele é meu afilhado. Fui eu que o trouxe do Maranhão. Ele vai à casa quando preciso, uma duas ou três vezes por semana. É motorista noturno e é do Senado. E lá até ganha bem.”

O “e lá até ganha bem…”, que no contexto pode ser traduzido por tem um salariozinho razoável merece hectolitros de peroba. Se é que ainda se encontra o produto nas prateleiras das melhores casas do ramo em Brasília.

Digamos que, imensamente grato por receber um salário de 12 mil reais por mês, o tal mordomo decidiu prestar serviço voluntário na casa de Roseana Sarney..

Como se sabe, esses nossos políticos fazem um sacrifício danado para sobreviver e o mordomo, solidário com a situação, exerceu um ato de benemerência, concedendo à agora governadora maranhense uma pequena mordomia.

Que não se inclua entre essas mordomias, entretanto, deixar os móveis brilhantes e lustrosos.

Por que o óleo de peroba mal dá para suprir a legião de caras de pau!