hanna thame fisioterapia animal
prefeitura itabuna coronavirus 155 livros do thame

Posts Tagged ‘vassoura’

Irmão Sol, Irmã Lua

Daniel Thame

dthameEle era trabalhador rural numa fazenda em Canavieiras, cidade que era o limite de seu mundo e para onde ia, todos os finais de semana, fazer a feira, composta de arroz, feijão, farinha, óleo, açúcar, sal e, de vez em quando, jabá, fato e chupa-molho.

Além, é claro, da garrafa de cachaça.

Ela era mulher de um trabalhador rural em Ipiaú, cidade que era o limite de seu mundo e para onde ia, todos os finais de semana, orar no culto na igreja evangélica que lhe oferecia o céu como compensação para a vida dura na terra.

Orava pela saúde do marido, cujo trabalho garantia o sustento da família, e por um futuro melhor para os três filhos.

Se essa fosse a vontade de Deus…

Quando vieram os sinais de que a crise provocada pela vassoura-de-bruxa era pior do que se imaginava, ele foi despedido da fazenda e mudou-se para Camacan, onde conseguiu um emprego de gari na prefeitura.

Como a bruxa não tinha limites e se alastrava por toda a região, o marido dela também perdeu o emprego. Tão logo chegaram a Ubaitaba, para onde se mudaram, ela conseguiu um emprego de doméstica. Meses depois, o marido a abandonou e sumiu no mundo, deixando-a sozinha com três crianças para cuidar.

Quando a prefeitura de Camacan, abalada pela decadência da cidade e com a arrecadação despencando, teve que demitir funcionários, os apadrinhados foram mantidos, ele, pobre gari, perdeu o emprego.

 

Foi tentar a vida em Itabuna, onde passou a viver de pequenos bicos e morar num barraco no Maria Pinheiro, bairro paupérrimo nas fraldas da periferia da cidade.

Em Ubaitaba, a patroa, empobrecida pela crise, não teve como manter a empregada. Penalizada, ainda deu o dinheiro para a viagem até Itabuna, o máximo aonde aquela pobre mulher poderia ir.

No mesmo bairro Maria Pinheiro, montou um barraco, misto de papelão e restos de madeira, e passou a trabalhar como lavadeira, ganhando o pão com o suor do seu rosto banhando as águas do Rio Cachoeira.

Os dois se cruzaram quando ele voltava do centro da cidade, onde acabara de ganhar 15 reais para limpar um terreno, e ela levava na cabeça uma imensa trouxa de roupas.

Ele se ofereceu para ajudar, ela aceitou.

No barraco, ele aceitou o café ralo que ela ofereceu.

Sorriram, escancarando os poucos dentes daquelas bocas que, na sequência, trocaram o primeiro beijo.

Dias depois, estavam morando juntos, dividindo a mesma cama sob um teto cheio de buracos em que, nas lindas noites de verão, podiam contemplar estrelas, distraídos.

A bruxa, que tantas vidas havia tragado, tantas tragédias pessoais e coletivas havia causado, abençoou o encontro mais do que improvável.

Virou, ainda que por linhas tortas, uma fada.

E eles, que nunca tiveram nada, juntaram o pouco que agora tinham e foram felizes para sempre!

———————

Conto extraído do livro “Vassoura”, apogeu e ocaso da Região Cacaueira, Editora Via Literarum

`Vassoura` e ‘Jorge100anosAmado` nos salões do livro de Berlim e Lisboa

Os livros `Vassoura` e ‘Jorge100anosAmado-Tributo a um Eterno Menino Grapiuna`, do jornalista e escritor sulbaiano Daniel Thame estão sendo expostos nos Salões Internacionais do Livro em Berlim (Alemanha) e Lisboa (Portugal).

As obras estão expostas no estande da ZL Editora, do Rio de Janeiro, com a coordenação da escritora e produtora cultural Jô Ramos, ao lado de outros autores brasileiros.

`Vassoura`, que acaba de ganhar uma edição revista e ampliada, bebe na fonte bíblica em uma  contos sobre os impactos da vassoura de bruxa, doença que devastou a lavoura cacaueira, na vida da população sul-baiana;  e  “Jorge100anosAmado”, traz uma série de contos que fazem uma releitura contextualizada dos principais romances do escritor grapiuna que fascinou o mundo, como Gabriela Cravo e Canela, Terras do Sem Fim, Capitães da Areia, Mar Morto, Cavaleiro da Esperança, Tocaia Grande, Tieta do Agreste, etc.

Daniel Thame lança “Vassoura” e “Jorge100anosAmado” na Bienal do Livro

capa Jorge100anosAmadoO jornalista e escritor Daniel Thame participa nesta quarta-feira, dia 13, às 19 horas,  da apresentação de seus livros “Vassoura” e “Jorge100anosAmado-tributo e um eterno menino grapiuna”, na Bienal do Livro da Bahia, que está acontecendo até o dia 15 no Centro de Convenções, em Salvador. Os livros estão expostos no estande da Via Litterarum, ao lado do Café Literário.

O livro “Vassoura”, já em sua quinta reimpressão, traz uma série de contos narrando, através da ficção, tragédias pessoas provocada pela vassoura-de-bruxa, doença que dizimou os cacaueiros do Sul da Bahia. Bebendo na fonte de narrativas da Biblia, “Vassoura” traz para a literatura o apocalipse de uma região que saiu do apogeu para a decadência num curto espaço de tempo e que só agora começa a se reerguer.

capa do livro Vassoura Daniel Thame  2 - Cópia“Jorge100anosAmado”, homenagem ao centenário de nascimento do escritor grapiuna, traz uma releitura contextualizada dos principais romances de Jorge Amado, como “Gabriela Cravo e Canela”, “Tocaia Grande”, “Capitães da Areia”, “Tieta”, “Mar Morto”, “O Cavaleiro da Esperança” e “Quincas Berro Dágua. Daniel Thame também é autor de “A  Mulher do Lobisomem”, uma série de contos sobre o universo masculino. Em breve, ele lançará o livro “Manual de Baixo Ajuda”, que  faz um contraponto bem humorado aos manuais de autoajuda que dominam o mercado editorial e que segundo o autor “só melhoram mesmo é a vida de quem escreve esses livros”

 

UMA CACHACINHA, UM PURO HABANO E UMA CHOUPANA

Este blog ficará sem atualização nos próximos três  dias. O blogueiro,  escritor extemporâneo, aproveita o feriado e vai se refugiar numa choupana,  sem net e sem celular, e finalizar seu próximo livro, uma homenagem ao centenário de Jorge Amado.

“Vassoura” vai bem obrigado, “A Mulher do Lobisomem” segue na mesma balada e agora é
cuidar da gestação de  “Jorge100anosAmado”, contextualização em forma de contos dos principais romances do escritor grapiuna.

Boa notítcia, não necessariamente para a  meia dúzia de quatro ou cinco leitores dos meus livros, mas para a uma dúzia de dez ou onze leitores deste blog, poupados que estarão por alguns dias das aleivosias desse velho lobo da imprensa.

Mas eu volto.

Entendam como uma ameaça.

PRESENTE DE NATAL: MÃE LEVA VASSOURA RECHEADA DE MACONHA PARA OS FILHOS NA CADEIA

o cabo era pra fumar

Um cabo de vassoura recheado com maconha foi o presente de Natal que a comerciante Denivalda Mascarenhas Santana, 45 anos, tentou entregar aos filhos Wesley Santana da Silva e Laiatiara Santana Rasteli, ambos presos s por roubo, mas acabou sendo detida em flagrante. Autuada por tráfico de drogas pelo delegado titular Flávio Augusto de Andrade Góis, ela declarou ter recebido a “encomenda” de um amigo dos filhos assaltantes, que está sendo procurado.    

Ao revistarem objetos levados por familiares aos presos da 1ª DT, em mais um dia de visita, os policiais encontraram cerca de 100 gramas de maconha dentro de um cabo de vassoura oco trazido pela comerciante, que assim como os dois filhos está custodiada à disposição da Justiça na delegacia. Recentemente, a nora de Denivalda, de prenome Taís, deixou a prisão para dar a luz um neto da comerciante.

 

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

Busca por data
maio 2020
D S T Q Q S S
« abr    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31