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Como se nasce e como se morre de fascismo, segundo Umberto Eco

Publicado no Unisinos

fascio

 

POR DE FURIO COLOMBO

O fascismo é como a tuberculose. A pessoa tem uma aparência saudável e, de repente, começa a expelir sangue. Isso é o que sabe e o que conta Umberto Eco em Il Fascismo eterno – La nave di Teseo, (O Fascismo Eterno, O Navio de Teseu), utilizando materiais de um evento que organizamos juntos na Columbia University.

 Naquela época (1995) eu estava ensinando na universidade e era o diretor do Instituto Italiano de Cultura. A intenção era celebrar pela primeira vez, publicamente, a data de 25 de abril nos Estados Unidos (Festa da Libertação, ndt).

Os protagonistas eram, além de Eco, Giorgio Strehler, o lendário diretor de Brecht no Piccolo Teatro de Milão e Lucianio Rebay, comandante da resistência na juventude e professor de poesia na Universidade de Columbia pelo resto de sua vida. Strehler e Rebayfalaram sobre resistência e prisões, traidores e heróis na Milão do último fascismo.

Eco escolheu um extraordinário fragmento de autobiografia que, no final, você percebe, torna-se toda a sua autobiografia, claro que do ponto de vista moral e intelectual: o que entende uma criança de fascismo? Que legado fica para um adulto depois de um encontro tão assustador? E como você pode se comprometer para sempre em defender a liberdade, quando percebe que o pesadelo não acaba?

Umberto Eco não viu os fascistas de Como, que entraram em uma casa particular, que circundaram um grupo de voluntários pró-migrantes para ler sua mensagem. Mas era escritor e filósofo, e sabia que aquele perigo estava por vir. “Na Itália, algumas pessoas se questionam se a resistência teve um impacto militar.

“Para a minha geração a questão era irrelevante: logo percebemos o significado moral e psicológico da Resistência”, Eco escreve em seu livro, que é imprescindível ter e difundir.

Essas poucas páginas são um dos livros mais belos e mais importantes de Eco. Ele termina com uma maravilhosa poesia de Fortini (“No parapeito da ponte / as cabeças dos enforcados ….”) e com sua advertência: “Que este seja o nosso lema: jamais esquecer”.

Umberto Eco e a mídia

eco zero

“Os jornais mentem, os historiadores mentem, a televisão hoje mente”.

“Não são as notícias que fazem o jornal, e sim o jornal que faz as notícias”.

“Os jornais ensinam como se deve pensar”.

“De uma ‘não-notícia’ cavamos uma notícia”.

“Existe uma palavra alemã, Schadenfreude, satisfação pessoal com a

infelicidade alheia. É esse sentimento que o jornal deve respeitar e

alimentar”.

“A indignação fica para os jornais de esquerda, que são especializados

nisso”.

“A questão é que os jornais não são feitos para divulgar, mas para encobrir

notícias”.

As pessoas de bem vão continuar votando nos canalhas porque não

acreditarão na BBC ou não verão programas como desta noite porque

estarão grudados em algo mais trash”.

Umberto Eco

(trecho do livro Numero Zero, de Umberto Eco, uma alegoria do que há de pior no jornalismo)

 

Morre o escritor Umberto Eco

ecoO escritor italiano Umberto Eco, autor de O Nome da Rosa, entre outros, morreu hoje (19), aos 84 anos. A informação foi confirmada pela família do escritor ao jornal italiano La Repubblica.

Semiólogo, filósofo, escritor e professor universitário, Umberto Eco nasceu em 5 de janeiro de 1932, na cidade de Alexandria, na região italiana do Piemonte.

Contrariando o desejo do pai de que se tornasse advogado, Eco estudou filosofia e literatura na Universidade de Turim, de onde se tornou professor. Também foi editor de cultura da RAI, emissora estatal italiana. Em 1956, lançou seu primeiro livro Il Problema Estetico di San Tommaso (não editado no Brasil).

Em 1988 fundou o Departamento de Comunicação da Universidade de San Marino.

Sua obra de maior sucesso, O Nome da Rosa, foi publicada em 1980 e adaptada para o cinema em 1986 por Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery no papel principal. O livro lhe rendeu o Prémio Strega, em 1981, e foi sua estreia na ficção. Entre outras obras de destaque de Eco estão títulos como O Pêndulo de FoucaultA Ilha do Dia AntesBaudolinoA Misteriosa Chama da Rainha Loana e O Cemitério de Praga.

Umberto Eco também é autor de importantes obras e ensaios acadêmicos, como Apocalípticos e Integrados (1964), que se tornou referência na literatura de cursos de comunicação. Seu último livro, Número Zero, foi lançado em 2015. Eco, que lecionou entre outras, nas universidades norte-americanas de Yale e Harvard, assim como no Collège de France, é autor de uma vasta bibliografia teórico e é autor, entre outros, de O SignoOs Limites da InterpretaçãoKant e o OrnitorrincoSeis Passeios no Bosque da Ficção e Como se Faz uma Tese em Ciências Humanas.

Desde 2008, Eco era professor emérito e presidente da Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha. Da Agência Brasil.

 

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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