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Morro dos Canecos, Itabuna,  com as sedes da TV Santa Cruz e TV Cabrália. O Sul da Bahia na tela.  (foto José Nazal)

Morro dos Canecos, Itabuna, com as sedes da TV Santa Cruz e TV Cabrália. O Sul da Bahia na tela. (foto José Nazal)

TV Cabrália, 30 anos, porra!

Todas as cores no ar

Daniel Thame

 “Todas as cores no ar

Para anunciar uma nova estação…

Na vibração da Manchete o espaço

é da gente, uma nova emoção.

Sinta a cor da energia,

que se irradia na nova estação…

Chegou, chegou, chegou… a TV que você queria…

TV Cabrália – a imagem do Sul da Bahia.”

 

daniel thame FlicaTodas as cores estavam mesmo no ar, anunciando uma nova estação. O Sul da Bahia ainda vivia os tempos em que nas duas pontes do arco-íris havia um pote de ouro, em forma de um fruto dourado, capaz de produzir riquezas inimagináveis e até desafiar a geografia, fazendo com que o Sul da Bahia fosse, na prática, uma espécie de enclave Rio/São Paulo, um oásis em meio ao Nordeste empobrecido e atrasado.

Era a Civilização Cacaueira, abençoada por um deus dourado chamado Cacau.

Estávamos no final dos anos 80, 1987 para ser mais preciso, e já havia uma bruxa à espreita e poucos se deram conta disso. E ela viria tão forte e tão intensa que em meros cinco anos o Sul da Bahia se renderia a Geografia e seria recolocado, a  fórceps, no Mapa do Nordeste.

O deus não era tão divino assim, posto que sucumbiu a uma bruxaria que dizimou frutos, fortunas, vidas, empregos. Mas, isso é outro história, embora num certo momento vá se fundir e delinear uma história que começa com um sonoro:

“Porra!!!!!!!!”.

A TV Cabrália, a imagem do Sul da Bahia, estava no ar.

30 anos depois, o grito de Nestor Amazonas, naquele distante e inesquecível 12 de dezembro de 1987, ainda deve ecoar pelos corredores da TV Cabrália.

Certo, nossa história começa antes desse grito, mas ele significa o alivio de enfim, poder dizer que todas as cores estavam no ar.

—-

(trecho de abertura do livro sobre os 30 anos da TV Cabrália,  que comecei a escrever e que só esse trapaceiro chamado de destino, que me deu a chance de ser protagonista nesse história, se se vai ser concluído. Mas, escrito ou não, esse é uma história que ninguém apaga)

Encontros, desencontros. Reencontro.

Pioneiros celebram os 30 anos da TV Cabrália

Pioneiros celebram 30 anos da TV Cabrália

RELEASE-Pioneiros comemoraram 30 anos da Cabralia

Foi uma festa marcada pela emoção,  a confraternização  realizada por funcionários pioneiros da TV Cabrália no último dia 18, na sede da Associação dos Funcionários da Ceplac-AFC, para marcar os 30 anos de implantação da primeira emissora de televisão do interior do Norte/Nordeste.

los 3Mais de cem pessoas vieram de Salvador, Conquista, Itabuna, Ilhéus, Itacimirim, Arraiá d´Ajuda, Feira, Jequié, Eunápolis e as mais distantes de São Paulo e Brasília, para um reencontro histórico, para a maioria de pessoas que não se viam há quase 30 anos atrás.

O evento começou  com uma mensagem do fundador Enrique Marques, homenagem ao primeiro Superintendente Nestor Amazonas e continuou com mensagens em texto e vídeo de várias personalidades que já passaram pela Cabrália como Madalena Braga, diretamente de Feira, de Vilma Medina e Napo Fernandez, de Miami e Sonia Neres, de Roma. A cantora Selma Aguiar, ex-repórter da emissora, deu um show na apresentação musical.

Após o reencontro, parte do grupo assumiu o compromisso de um novo encontro na segunda quinzena de novembro de 2018.

 

selma

 

No ar, a TV Cabrália

Daniel Thame

 

Dt w6newsO mês era dezembro e o ano era 1987.

Em Itabuna, todas as cores no ar anunciavam a chegada de uma nova estação. Não era o verão.

Quem chegava -e lá se vão 30 anos- era a TV Cabrália, primeira emissora de televisão do interior do Norte/Nordeste, não apenas uma repetidora da programação da Rede Manchete, a quem era afiliada.

Mas uma emissora com programação própria, vida própria e, principalmente, com a alma do Sul da Bahia.

A chegada de TV Cabrália, como era de se esperar, gerou expectativa e euforia, numa civilização orgulhosa de seu fruto de ouro e de ter forjado o próprio desenvolvimento.

O fruto de ouro, dois anos depois, perderia seu brilho, esplendor e pujança por conta de uma doença com poderes de bruxa malvada.

A TV Cabrália, símbolo daquele tempo, atravessou sobressaltos, mas resistiu ao apocalipse econômico e social  que as bruxarias provocaram, fez história. E que história.

Começou como afiliada da Rede Manchete, depois SBT e, adquirida pela Igreja Universal do Reino de Deus, passou pela Rede Record, teve uma incipiente fase na Rede Mulher e hoje integra a Rede Record.

É possível dizer que mudou sem mudar, porque ao longo destas três décadas, continua sendo o que sempre se propôs a ser: uma televisão com a cara e as cores do Sul da Bahia, com uma profunda identidade regional.

Gestada pelo espírito empreendedor do Dr. Luiz Viana Neto e que ganhou forma nas mãos do visionário Nestor Amazonas, a TV Cabrália, além de acompanhar os principais acontecimentos e se envolver nas grandes causas sulbaianas nestes 30 anos, foi uma espécie de escola de profissionais de televisão, profissão até então inexistente por essas plagas amadianas e/ou pragas vassorianas, com o perdão do trocadilho irresistível.

Vilma Medina, Mauricio Maron, Claudia Barthel,  Paula Maciel, Eduardo Lins, Roger Sarmento, Napoleão Fernandez, Madalena Braga, Andrea Silva, Adriana Quadros, Valdenor Ferreira, Renata Smith, Antonio Junior, Iruman Contreiras, Junior Patente, Ramiro Aquino, Paulo Lavinsky, Cícero Dantas, Jota Borges, Barbosa Filho,  Adriana Dantas, Tom Ribeiro, Carlos Barbosa,  Auriana Bacelar. Uma seleção do melhor jornalismo, em qualidade e comprometimento com a profissão.

No comercial, Rui Carvalho , os saudosos  Rogélio Duran e Carlos Hellstrom;  Cristine Ribeiro. Gente que fez história neste que é um momento histórico para as telecomunicações baianas.

30 anos batendo à porta! E que venham os 50, os 75, os 100 anos dessa TV Cabrália que é e sempre será o nosso primeiro amor.

 

(*) Daniel Thame, paulista de Osasco, radicado há 30 anos em Itabuna, foi gerente de jornalismo da TV Cabrália  desde a sua fundação em 1987 até o ano 2000. É também o primeiro funcionário registrado da emissora, o que não é muita coisa, mas também é muita coisa.

 

TV Cabrália, 30 anos – `Seu` Diógenes e Fernando Gomes, um duelo na portaria

 

Daniel Thame

daniel thame FlicaNos primórdios da TV Cabrália, e deve ser assim até hoje,  a ordem era clara: sem se identificar, ninguém tinha acesso à emissora.

`Seu` Diogénes, o porteiro, era alguém para quem ordem não se discutia. Funcionário só entrava com crachá e visitante só com apresentação de documento  de identificação. Ponto final!

Eis que um belo dia, o prefeito de Itabuna,  Fernando Gomes, em seu segundo dos cinco mandatos, chega para conceder uma entrevista ao Repórter Regional , numa tentativa da direção da emissora de estreitar as relações com o alcaide, que não eram necessariamente amistosas, em função do jornalismo demasiadamente independente praticado pela Cabrália naqueles tempos de antanho.

E eis que ao se dirigir à porta de entrada, Fernando Gomes é abordado por `seu` Diógenes:

-Documentos, por favor…

Fernando achou que só poderia ser  uma  brincadeira:

-Mas que documento, rapaz? Sou Fernando Gomes, o prefeito…

Não era uma brincadeira:

-Sem apresentar a identificação o senhor não entra…

Fernando começou a ficar impaciente, aquilo não estava no script.

E foi ai que ´seu` Diógenes perpetrou:

-Como é que o senhor quer entrar sem se identificar? Eu já pedi documento de identificação  até pra Waldir Pires…

(Abre parêntese: Waldir Pires era à época ninguém menos que o governador da Bahia e conta a lenda que, com aquela simplicidade de monge beneditino, se identificou e entrou. Fecha parêntese).

A citação a Waldir Pires, com quem Fernando já estava rompido, foi a gota d´água. O prefeito simplesmente  virou as costas e foi embora sem dar a entrevista.

Fernando Gomes retornou dias depois, após as devidas escusas da direção, que providencialmente escalou um outro porteiro para recebe-lo.

Porque para  ´seu` Diogenes, hoje gozando a merecida aposentadoria,  sem documento não entrava, fosse ele Fernando Gomes, Waldir Pires ou Papa, posto que ainda eram tempos em que um Papa, caso se aventurasse nas terras do cacau, seria recebido de braços abertos na emissora.

Depois de se identificar para  ´seu`  Diógenes, per supuesto.

 

 

TV Cabrália, uma história de 30 anos

RELEASE-Uma historia de 30 anos-Grupo OrganizadorEste ano, a 12 de dezembro, a primeira emissora de televisão do interior nordestino, a TV Cabrália, completa 30 anos de inaugurada. Ubaldo Porto Dantas era o Prefeito de Itabuna, Waldir Pires era o Governador da Bahia e na Presidência da República estava José Sarney.   O então Senador Luiz Viana Filho deu nome ao complexo televisivo, uma iniciativa do filho Luiz Viana Neto, associado a Enrique Marques Barros e outros companheiros que já comandavam a TV Aratu, em Salvador. A obra foi edificada em menos de seis meses, atuou inicialmente como afiliada da Rede Manchete, sendo mais tarde vinculada ao SBT, Rede Família e Record News e, como sendo autorizada a atuar como emissora geradora por pouco tempo atuou como emissora independente.

Hoje fazendo parte da Rede Record, a primeira televisão do interior nordestino é parte integrante da história recente das comunicações nas regiões sul, sudoeste e extremo-sul da Bahia, num ano rico para a imprensa regional onde nasceram também o Jornal A Região, em abril e a Rádio Morena FM, em dezembro.

A saga dos pioneiros

RELEASE-Uma historia de 30 anos-Ilheus Nos seus primeiros seis anos sob o controle da família Viana, tendo como diretor geral o jornalista Nestor Amazonas, a emissora é ainda hoje considerada um marco nessa história, revolucionando as comunicações no sul da Bahia com a iniciativa da criação de novas agências publicitárias e a fomentação de novos profissionais, que mais tarde viriam a sair também do cursos acadêmicos que surgiram.

Em dezembro de 2016 almoçaram no Bataclan, em Ilhéus, o primeiro Superintendente, Nestor Amazonas, o primeiro Chefe de Jornalismo, Daniel Thame, o primeiro Repórter, Maurício Maron, o primeiro Apresentador, Ramiro Aquino e o primeiro Diretor Comercial, Rui Carvalho. Desse encontro de pioneiros saiu a decisão de comemorar os 30 anos da emissora, reunindo em novembro, para não conflitar com os festejos oficiais da emissora, todos aqueles que quisessem o reencontro.

Já está próxima a data escolhida, 18 de novembro, um sábado, na Associação dos Funcionários da Ceplac, a partir das 9 hs, o que os organizadores estão chamando de Grande Encontro. Os contatos, através das redes sociais, e-mails e telefones, confirmaram mais de 100 presenças, que com os familiares, alcançam 130 pessoas.

Brasil e exterior

Vem gente de várias regiões do Brasil e até de outros países. Tem profissionais morando na Alemanha, na Itália, nos Estados Unidos, em Portugal e outros na Bahia, Brasília, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio e São Paulo. A maioria permanece em Itabuna, Ilhéus.

Para a programação, além da feijoada com entrada de acarajé, está prevista música com os artistas da casa, interpretação de textos históricos, exposição de fotos de época e de artigos jornalísticos.

 

Tá demitido!

Daniel Thame

Essa quem me contou foi o insuspeito Nestor Amazonas, “pai” da TV Cabrália, que completa 30 anos (a TV não o Nestor!) neste 2017, e  que freqüentava muito a Rede Manchete, nos tempos em que a Cabrália era afiliada à emissora carioca.

Adolfo Bloch, já em fase outonal e vendo a televisão sugar todos os recursos do Grupo Manchete (que incluía gráfica, emissoras de rádio e uma revista de variedades/reportagens), andava pelos corredores do suntuoso prédio da tevê, implicando com Deus e o mundo.

Certo dia, ao deparar-se com o limpador de vidros com as roupas desalinhadas, não cortou conversa:

-Você está demitido, pode passar no departamento pessoal.

O rapaz foi se lamentar com seu chefe imediato, que foi logo dando um jeitinho:

-Seu Bloch anda meio estressado. Vá para outro andar e continue trabalhando…

Minutos depois, eis que seu Bloch aparece no tal “outro andar” e se depara com o mesmo rapaz limpando os vidros.

A cena que se seguiu é de puro nonsense:

-Ô meu rapaz, veja se arruma melhor suas roupas. Eu acabei de demitir um rapaz no andar de cima justamente porque ele estava mal vestido…

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Nestor Amazonas e os pioneiros da TV Cabrália fazem parte de uma história ainda a ser devidamente contada e reconhecida. O palpite de quem começou essa história é de que não, dado o imobilismo dos nossos cursos de comunicação social e sua propensão em fabricar heróis artificiais. As vezes nem isso… 

Profissão Repórter

Entre as várias reportagens que diz ao longo desses quase 30 anos de estrada, 30 deles no Sul da Bahia, nenhuma foi mais estressante do que a cobertura dos 500 anos do Brasil em Porto Seguro. O que seria uma comemoração, organizada a caráter para incensar Fernando Henrique Cardoso e ACM, se transformou num festival de pancadaria, perpetrada pela polícia baiana contra índios, sem-terras e estudantes.

 
Na véspera do fatídico 22 de abril, tive que optar entre ficar em Porto Seguro, onde a festa estava preparada, ou seguir para Coroa Vermelha, onde o clima estava pesado porque os movimentos sociais não se contentavam em fazer figuração no teatrinho armado pelo governo.

 
Não tive dúvidas: fui a Coroa Vermelha e ao lado da equipe da TV Cabrália, testemunhei uma demonstração de truculência e insanidade que repercutiu em todo mundo. Não perdi nenhuma festa, até porque festa não houve, para desalento do então Rei da Bahia, que ali viu desmoronar o seu sonho de se tornar o Rei do Brasil.

 
A reportagem foi publicada no jornal A Região. A foto é de Lula Marques.
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Polícia barra povo e FHC
faz festa vip dos 500 anos

Dois episódios ocorridos na tarde-noite de sexta-feira, dia 21, ajudam a entender o festival de selvageria em que se transformou a festa dos 500 anos do Brasil, exaustivamente preparada para coroar o Governo da Bahia e, principalmente, catapultar o senador Antonio Carlos Magalhães para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso.
Por volta das 16 horas, policiais militares fortemente armados bloquearam a rodovia que liga Eunápolis a Porto Seguro. Eles alegavam cumprir ordens da Defesa Civil, já que a cidade não comportava mais ninguém. Tudo perfeito, à exceção de um mero detalhe: Porto Seguro não possui Defesa Civil. O objetivo era evitar que os sem-terra, acampados em Eunápolis, entrassem em Porto. O bloqueio foi estendido a turistas e até aos moradores das duas cidades. Um turista que veio de João Pessoa, na Paraíba, exibiu as reservas de hotel e afirmou que seu direito de ir e vir, garantido pela Constituição, estava sendo desrespeitado.

A resposta do policial merece entrar para os anais da história do Brasil:

-Aqui na Bahia quem manda é o Antonio Carlos Magalhães.

Ou seja, pega a Constituição e…

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A TV Cabrália e a ´fumaça preta´

Daniel Thame

Essa história de fumaça preta e fumaça branca para a escolha do novo Papa me fez lembrar de uma história nos primórdios da TV Cabralia, comandada por Nestor Amazonas, lá pelo final dos anos 80.

Um cinegrafista e seu auxiliar, cujos nomes não vêm ao caso, foram vistos à noite na torre da emissora, em Itabuna, expelindo uma inconfundível fumacinha de aroma igualmente inconfundível.

Nestor não era fiscal do Ibama, mas ao saber que estavam ´queimando mato` no horário de trabalho, chamou os dois à sua sala. Bastava confirmar e o máximo que receberiam era uma bronca.

Mas ambos negaram e ainda se disseram indignados com aquela acusação injusta.

Nestor Amazonas, a quem a comunicação sulbaiana ainda  deve o merecido reconhecimento, não era dado a lero lero. Foi direto ao ponto:

-Se vocês não estavam fumando maconha tarde da noite na torre da tevê, então estavam trocando c…

E perguntou, didaticamente:

-Vocês preferem sair dessa sala como viados ou como maconheiros?

Ambos optaram pela fumaça preta.

O homem samambaia (rico come cada coisa)

Daniel Thame

 

daniel charge cuba zapTV Cabrália, início da década de 90. O recém inaugurado Hotel Transamérica, na paradisíaca (que certa feita um repórter da emissora confundiu com afrodisíaca, sabe-se lá porque) Ilha de Comandatuba, recebia famosos e endinheirados de São Paulo, Rio e Brasília.,

A gente tinha um esquema lá, que sempre que chegava alguém famoso era avisado. Para uma tevê regional, era uma festa entrevistar personalidades que só apareciam na então monopolista Rede Globo.

Os vips sentiam a nossa empolgação e quase sempre colaboravam, dando entrevistas para a Cabrália como se estivessem falando para o mundo. A gente fazia a gravação e ia almoçar no continente, porque a grana da diária não dava pra encarar um copo de água mineral no hotel, quanto mais um almoço.

Até que certa feita, fomos entrevistar o então governador de São Paulo, Orestes Quércia, que descansava no hotel com a família.

Político não pode ver um microfone, seja ele a BBC, seja ele do serviço de alto falante de Potiraguá.

E deu uma longa entrevista, que a gente poderia usar durante uma semana nos telejornais. Encerrada a gravação, Quércia convidou a equipe para almoçar.

Para quem iria pegar um rango mulambento, aquilo era o que se pode chamar de convite irrecusável.

Não recusamos. O almoço, como se previa, era um banquete. Todo tipo de saladas, pratos frios, pratos quentes, sobremesas. De se lamber os beiços.

Na equipe, havia um auxiliar de cinegrafista (função que hoje nem existe mais), sujeito simples, gente boa, que ficou observando como as pessoas se serviam, pra não passar vergonha.

O excesso de cuidados não evitou que ele, na hora de colocar a salada no prato, pegasse um vistoso pedaço de samambaia, que obviamente foi colocada na mesa como decoração. A gente percebeu, mas ninguém teve coragem de falar nada. Foi um milagre conter o riso.

O almoço estava uma delícia e todo mundo se fartou. Quércia foi muito simpático e fez questão de convidar a gente pra voltar outro dia, o que era apenas gentileza, não era pra valer.

Quando a equipe entrou na balsa pra pegar o carro e voltar pra Itabuna, o auxiliar de cinegrafista, exibindo o ar de felicidade de quem acabara de ser apresentado ao paraíso, saiu-se com essa:

-Almoço bom da porra! Só não gostei daquela salada. Rico tem cada gosto estranho.

Quase trinta trinta anos depois, tem gente que dá um braço para comer uma tal de Mulher Samambaia.

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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