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Posts Tagged ‘produção de chocolate’

A festa e as dúvidas…

Gerson Marques

gerson marquesA nona edição do Chocolat Ilhéus, confirma o que já sabíamos; O conceito de chocolates de origem do Sul da Bahia está  consolidado, resta no entanto,  consolidar o modelo de negocio, ainda existe um grande hiato entre o conceito e o negocio de fato.

É inegável que o evento se tornou uma excelente  oportunidade de vendas para a incipiente indústria chocolateira regional, uma das poucas por sinal, é verdade também que o avanço na qualidade e na capacidade da produção vem crescendo ano a ano, resultado de muita dedicação, pesquisa, iniciativas e parcerias, isso ficou   evidente nas novas linhas de produtos, na beleza e qualidade estética das embalagens e nas definições de conceitos de marketing e narrativas inteligentes incorporadas pelas empresas.

É palpável o avanço no caminho do amadurecimento dos projetos, algumas questões no entanto ainda se colocam como desafios imensuráveis ou, quando mensurados quase inalcançáveis, tamanha a distância a ser percorrida.

São elas, o aumento na escala de produção e acesso ao mercado, que podem ser entendidos no sentido inverso também.

estrada chocolate 1No que se refere o ganho de escala para produção. O gargalo encontra-se na  produção de cacau de qualidade e na disponibilidade de plantas indústrias, um gargalo no campo e outro na indústria.

No campo o problema começa com a insolvência financeira da cacauicultura, gerando um consequente  baixo grau de investimentos na produção e nas soluções de questões técnicas diretamente ligadas à qualidade, como mão de obra capacitada, além é claro da infraestrutura interna das fazendas, em sua quase totalidade com equipamentos, (barcaças, cochos, secadouros, estradas, sistema elétrico e outros…), muito danificados, estes dois fatores, mão de obra e infraestrutura, são essenciais para os novos tempos do chocolate, que exige cacau fino produzido com técnicas específicas, seja nos processos de pós colheita ou na industrialização do chocolate.

Fazer cacau fino no nível que precisamos e na quantidade que permitirá um giro de escala, é um desafio imediato, se não for encarado, poderá limitar ou atrasar demasiadamente  o crescimento do negócio chocolate.

Em outra direção, já fora das fazendas, temos o gargalo da industrialização do cacau para o chocolate. Com exceção das marcas que tem sua própria planta industrial, as demais, noventa por cento, dependem de sistemas terceirizados que terminam por nivelar a qualidade e aumentar os custos. Nesta área em particular existe muito desenvolvimento tecnológico a ser realizado e incorporado, considerando que caminhamos para chocolates minimalistas feitos quase que exclusivamente de dois ou três produtos, o que implica em desenvolvimento e domínios de processos de fabricação mas sofisticados e exigentes, novamente serão os processos e os equipamentos que definirão a qualidade, por consequência o sucesso do nosso negócio.

E o terceiro gargalo está na comercialização, no acesso ao mercado, na construção do marketing correto, na criação e execução da marca coletiva regional, capaz de se comunicar com o consumidor, mostrando a ele valores agregados de forma intrínseca ao nosso chocolate e cacau, como a Mata Atlântica e sua biodiversidade, em parte protegida pelo Cacau, ou o conhecimento empírico de nossos trabalhadores e dos artesãos do cacau, como João Tavares, Diego Badaró e os Magalhães da Lajedo do Ouro.

Exatamente aí que está a necessidade do desenvolvimento das parcerias, desafio que a Chocosul, Associações dos Chocolateiros de Origem do Sul da Bahia, entende como fundamental para continuarmos avançando .

Os governos em particular devem ajustar seu olhar para esse setor, tamanho o potencial que apresenta, está na hora de tratarmos da estruturação de uma política pública para o cacau sob o foco do chocolate e da produção de cacau de qualidade, não cabe ao governo somente o apoio pontual a eventos ou a disponibilidade para ouvir, cabe o protagonismo em assumir a construção desta política, precisamos de respostas que venha das pesquisas, do acesso ao crédito, da promoção e do marketing.

Até aqui montamos uma rede de apoio que tem funcionado muito bem, atores que tem sido essenciais em nossa jornada, Sebrae, FIEB, UESC/CIC, Ceplac, Senai, Instituto Arapyau e outros, os próximos passos, no entanto, precisam ser coordenados em torno de uma política pública para o setor, por consequência geradora de  renda, emprego, capaz de fixar o homem no campo, valorizar as propriedades e utilizar todo potencial que temos a oferecer no sentido do desenvolvimento sustentável do Sul da Bahia.

Gerson Marques  é presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia

Grupo Chaves volta a produzir chocolate

Após quase dez anos, o Grupo Chaves voltará a investir na produção de chocolate. O empresário Helenilson Chaves disse que, “com mais experiência e maturidade estratégica bem definida”, chegou a hora de voltar ao segmento chocolate.

chocochavesSegundo ele, o chocolate será produzido a partir de cacau colhido em fazendas do próprio grupo em municípios sul-baianos. Numa entrevista ao Políticos do Sul da Bahia, Chaves disse que o grupo aprendeu com o passado.

“Já participamos deste mercado, com a marca Duffy, produzindo chocolates em nossa indústria localizada em Salvador. Partimos para uma competição direta com os grandes do setor e, estrategicamente, isso foi um erro. Sofremos muito e perdemos muito dinheiro para introduzir a marca no mercado, chegando a fazer marca própria para Carrefour”. Segundo ele, este segmento é de escala e baixíssimas margens, o que afetou os resultados.

O chocolate de origem deverá ser comercializado em sistema de franquias. “Dependerá muito da variedade de produtos”, afirmou. A produção virá de fazendas como Lagoa Pequena, em Ilhéus, Cachoeira, de Itamaraju, e Barra do Cedro, de Floresta Azul. “Queremos ter o Cacau Origem Bahia de cada extremo da nossa região”.

O presidente do Grupo Chaves também fez elogiou ao Festival Internacional do Chocolate como transformador cultural da região. (do Pimenta)

Agricultores familiares conhecem produção de chocolate

cac 1Agricultores familiares do Sul da Bahia participaram de um curso ministrado pela coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Cabruca, Adriana Reis, que abordou   os aspectos do cacau fino e de commodities , a qualidade, mercado, o processo da colheita e o armazenamento. A agricultura familiar vem se consolidando como modelo de produção no cacau cabruca, a alternativa viável para alcançar nichos de mercado que exigem respeito pelo meio ambiente, responsabilidade social  e qualidade do cacau para produção de chocolate,

cac 2O curso, realizado na fábrica modelo de chocolate da Ceplac,  abrangeu o processamento do cacau até a produção e comercialização do chocolate.  De acordo com Sândalo Barreto, engenheiro agrônomo da Bahiater, que participou do curso, “a Bahiater tem papel fundamental nesse processo de desenvolvimento territorial, e o curso permitiu socializar o aprendizado e multiplicar as técnicas de produção de chocolate com os agricultores familiares”.

Indústria dos EUA apresenta tecnologia para produção artesanal de chocolate em Ilhéus

choco 1Durante o VII Festival Internacional do Chocolate e Cacau, os indianos radicados nos Estados Unidos, Andal Balu e Mannarsamy Balasubramanian, apresentarão uma tecnologia supercompacta para processamento do cacau e produção de chocolate artesanal a partir da amêndoa. O casal é proprietário da indústria CocoaTown, em Atlanta, que projeta, fabrica e distribui uma linha de equipamentos compactos para ajudar pequenos produtores a fazer chocolate gourmet bean to bar (do grão à barra, em tradução livre).

choco 2A ideia é aliar a conveniência da modernidade com a maneira mais autêntica de se produzir chocolate fino. No portfólio da CocoaTown estão máquinas pequenas e leves – de até 15 quilos – para moer, torrar e misturar os ingredientes, e com capacidade de processamento de aproximadamente 4 quilos de sementes de cacau.

Andal Balu e Mannarsamy Balasubramanian participarão do Chocoday, encontro de grandes especialistas internacionais do mundo do chocolate, sábado, 13 de junho, no Centro de Convenções de Ilhéus. Sob o tema “Declare seu Amor ao Chocolate”, a sétima edição do Festival Internacional do Chocolate e Cacau acontece de 11 a 14 de junho e reúne negócios e gastronomia no Sul do Estado.

 

Cacauicultores de assentamento baiano produzem Chocolate Artesanal

O Assentamento Terra Vista, localizado no município de Arataca, Sul da Bahia, tem sido destaque na produção de cacau orgânico. Esse cultivo dá origem ao chocolate artesanal, confeccionado no próprio assentamento, com o intuito de aumentar a renda das famílias. Com a produção do cacau, os assentados confeccionam uma média de 150 kg de chocolate artesanal por mês, há pelo menos 6 meses. O chocolate que tem 50% de cacau orgânico está em fase de experimentação e divulgação.

O produto está sendo mostrado em órgãos do Governo e em Universidades. Ailton Mendonça que faz parte da coordenação da Cooperativa de Produção Agropecuária Construindo o Sul (Cooprasul) esteve no ano passado na feira Salon du Chocolat na França para apresentar o produto, elevando a importância na qualidade do chocolate artesanal.

Produção
Segundo o coordenador Cooprasul do Terra Vista, Joelson Ferreira Oliveira, a produção do chocolate começa com o cultivo do cacau orgânico que eles desenvolvem no assentamento há 6 anos.No processo de fabricação do cacau fino, eles deixam as sementes da fruta em processo de fermentação no período de 7 a 8 dias, e em seguida são expostas ao sol durante aproximadamente 13 dias. Com o cacau fino pronto, ele é mandado para a fábrica de Ibicaraí, onde passam pelo processo de industrialização e finalização do Chocolate Artesanal Cooprasul. Oliveira destaca que todo o procedimento da cadeia produtiva do cacau é desenvolvido no assentamento Terra Vista.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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