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Literatura, acesso à leitura e gestão municipal

Efson Lima

 

efson limaEstamos em um ano eleitoral atípico, é verdade, mas é 2020. Os candidatos se lançam aos processos eleitorais e elaboram seus programas de governo. Muito bem! Nas democracias representativas os procedimentos são esses. O processo pode ser melhorado quando os candidatos dialogam com a sociedade civil organizada e os cidadãos e vão concretizando a soma dos interesses públicos no citado documento.

Muitos devem estar se perguntando, que diacho tem literatura com eleições, acesso à leitura? Tem muito a ver. Primeiro, as vitórias e as derrotas eleitorais são contadas sob as diferentes óticas.

 

Vamos falar muito da pandemia enquanto circunstância que definiu o resultado de muitas eleições. Anteriormente, em outro pequeno artiguete, tive a oportunidade de defender que a literatura nasce na imaginação e movimenta uma cadeia produtiva de uma sociedade ao possibilitar uma “fábrica criativa de escritores” ao serem publicados, tem -se os vídeos, os áudios. Temos também os diagramadores, os revisores, os designers… que vão aumentando o rol de trabalhadores no mundo da produção literária. Literatura é fator de desenvolvimento econômico em um país.

Mas para além do trabalho, literatura também é lazer. É meio civilizacional de uma sociedade, de um grupo. Portanto, a literatura deve ser compreendida como um processo possibilitador de reflexões sobre ontem, hoje e o amanhã. É meio para a libertação de um povo. É caminho para a afirmação de um Estado Democrático de Direito. É “o sonho acordado da civilização” como afirmou Antonio Candido.

Não é possível pensar uma gestão municipal sem colocar o campo da educação, especialmente, de parte do ensino infantil e fundamental na ordem do dia. Não alcançará uma qualidade no ensino sem a alfabetização das crianças e da juventude. Infelizmente, o jovem e o idoso precisam ser alfabetizados. O “infelizmente” adotado não é porque são jovens e idosos, mas porque a alfabetização deve ocorrer ainda na infância.

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Valdelice Pinheiro e Telmo Padilha – imortais pela poética, construtores de sonhos

Efson Lima

efson limaConfesso-lhes que, uma parte significativa dos escritores sul baianos, não tive a oportunidade de conhece-los fisicamente.  Mas o destino, sempre ele,  reservou algum grau de proximidade com os escritores nascidos no Litoral Sul. Ainda na minha adolescência, os jornais regionais, geralmente em face dos aniversários de Ilhéus e Itabuna, faziam cadernos especiais comemorativos. Neles estavam a história, a economia, os dados sobre a população, traziam também os aspectos sociais, literários…

As prefeituras locais colaboravam. Lembro-me dos 90 anos de Itabuna. Não sei onde conseguiram tantos temas,  mais o Jornal Agora estava recheado de cadernos. Ousadia pura de José Adervan. O Diário de Ilhéus com seu caderno de 28 de junho provocava. Era um recado ao Agora para o dia 28 de julho. Não me pergunte qual era o melhor. Não quero confusão. Só sei que havia uma forte valorização da cultura regional, da memória. Aos poucos formos perdendo. Assim, vamos desconhecendo os construtores da nossa gente, os que desbravaram nossas terras… Mas, logo em seguida, exigimos dos jovens que conheçam a nossa História. Eles não vão, pois, a eles negamos a história e o conhecimento de sua realidade.

valdeliceOs jornais locais possibilitavam leituras sobre Jorge Amado, Hélio Pólvora, Cyro de Mattos, Odilon Pinto, Valdelice Pinheiro, Telmo Padilha…No meu caso, na escola, fui tendo meu percurso adocicado com os livros… fui saindo da escuridão e, agora, tinha meu imaginário sendo levado às obras. Um namoro à primeira vista, que permanece. Tínhamos também o vestibular da UESC, aquele que nos submetia a dois tipos de provas. Além das objetivas, uma redação e uma prova sobre os livros de literatura, quase sempre no cardápio tinha um escritor regional. Lembro-me de “Vinte Poemas do Rio” de Cyro de Mattos. No Instituto Nossa Senhora da Piedade, o professor Ramayana Vargens nos ensinava a “gabaritar”, dava-nos uma aula magna a cada dia. A Universidade buscava cumprir com o seu papel. Certa vez, a prova discursiva de história questionava-nos sobre o patrimônio regional. Lembrei de Anarleide Menezes, que diuturnamente tem empreendido esforços para preservar o patrimônio da região.

Agora, voltando para Valdelice Pinheiro e Telmo Padilha, podemos considerar que foram imortalizados pela poética e pelos sonhos que construíam ações. Nesta semana, com o fim das inscrições para o projeto Bardos Baianos – Litoral Sul, sob a organização de Ivan Almeida e publicação pela Cogito Editora, fui forçado a definir qual poeta homenagearíamos na Antologia. Foi difícil a escolha. Fiquei ansioso e joguei para o pleno, fomos na direção de Valdelice Pinheiro. Dois grandes poetas regionais. Valdelice poetisa por excelência, além de  filósofa e professora. Telmo Padilha é um poeta com inserção em outros gêneros. Ambos, cada um ao seu modo, guardiões de bons sentimentos e responsáveis por semearem sentidos a uma geração.

telmoA poetisa Valdelice Pinheiro faleceu em 1992, a UESC produziu estudos sobre a professora Universitária, por sinal, uma das responsáveis por colaborar na implantação da Faculdade de Filosofia de Itabuna, que mais tarde se somaria a outras para formar a FESPI e, posteriormente, UESC.  Já Telmo Padilha faleceu  no ano de 1997 em um acidente de carro.  Consolidava ao tempo sua carreira de poeta  e com caráter nacional. Foi integrante da Academia de Letras de Ilhéus a convite de Adonias Filho. Telmo Padilha além de escritor foi um ativista cultural, movimentou a produção literária sul baiana. Valdelice Pinheiro estará conosco na Antologia Bardos Baianos – Litoral Sul. Telmo Padilha estará nos meus ensaios sobre a Academia de Letras de Ilhéus. Preservar a memória é um caminho para não sermos colonizados mais uma vez.

Com o processo de construção da Antologia Litoral Sul, fomos observando o quanto as terras sul baianas produzem poetas, escritores. Não é novidade. Adonias Filho já externalizava. Li pela primeira vez  essa assertiva no Diário de Ilhéus a partir dos textos da professora Maria Luiza Heine. Mas para isso, precisamos democratizar esses espaços. Precisamos estimular a escrita. Criar concursos literários. As instituições podem fomentar. Há espaços.

bardos

Cobramos muito e fazemos pouco. Enredos, imaginações e bons textos não faltam nas cabeças de nossos jovens.  Os equipamentos públicos precisam encontrar mecanismos de democratização do fazer literário. Eu consegui furar o bloqueio, mas quantos conseguem?  Até quando vamos contar com o destino? Os jovens não conhecem a História, não leem. Verdade. É verdade também que pouco faço para eles conhecerem e lerem as Histórias e suas histórias com estórias. Então, é difícil se apropriar daquilo que nego. Depois reclamo dos políticos que escolhem.

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Efson Lima escreve nas horas não vagas do dia. Doutor em direito/UFBA. Professor universitário.

 

 

João Mangabeira: um imortal dos quadros da Academia de Letras de Ilhéus

Efson Lima

efson lima Sempre que tenho algum tempo busco ler fatos associados a João Mangabeira. Por vezes, os feitos, os acontecimentos e as pessoas passam despercebidas por nossos olhos apressados ou cometemos a injustiça de não lembrar, afinal, são muitas as informações no nosso dia a dia. Já não processamos tudo. Entretanto, João Mangabeira se notabilizou como um grande jurista no País, integrando o conjunto de notáveis juristas baianos do século XX, como Rui Barbosa, Orlando Gomes, Aliomar Baleeiro e Josaphat Marinho.

Os mais moços, certamente, podem passar apressados pelas ruas da cidade de Ilhéus – estou a relembrar a música “Gentileza” de Marisa Monte -, verem algumas homenagens prestadas a João Mangabeira e nem se darem conta de que esse jurista iniciou sua carreira na zona do cacau, precisamente, na Princesa do Sul. E com uma característica marcante de sua atuação profissional, João Mangabeira esteve muito próximo dos trabalhadores rurais, buscou estar ao lado dos empregados e colaborando com a estruturação do direito do trabalho no Brasil.

João Mangabeira, aos 17 anos um adolescente advogado.

João Mangabeira, aos 17 anos um adolescente advogado.

Não sem razão, João Mangabeira tem seu nome sinalizado nas terras do cacau. Certa vez, eu passando no CEDOC/UESC, perguntei se havia algum arquivo sobre João Mangabeira. Tinham diversos processos, tinha uma cópia de tese escrita no Canadá. Não obstante, o Centro Acadêmico de Direito da UESC recebe o nome de João Mangabeira, o CAJAM, o Fórum do Trabalho em Ilhéus.

João Mangabeira não fez sua formação jurídica em terras baianas, mas a sua atuação profissional transcorreu de forma  significativa no coração da Bahia. O arquivo pessoal está guardado no Rio de Janeiro sob os cuidados da Fundação Getúlio Vargas. Por outro lado, restos mortais estão na Faculdade de Direito da UFBA, no bairro da Graça. Impossível chegar à Faculdade de Direito e não se deparar com um “sarcófago” de pedra com uma bola azul na parte superior em homenagem a João Mangabeira. Fez parte de meu dia a dia durante dez anos, da graduação ao doutorado.

João Mangabeira se forma em direito em 1897 e aos 17 anos foi morar em Ilhéus, onde iniciou a sua vida de advogado. Um jovem! Destacou-se na cidade, possibilitando sua chegada a condição de prefeito, assim como de deputado estadual.  Tornou-se também deputado federal pela Bahia entre 1909 e 1911 e entre 1914 e 1929 e senador em 1930, entretanto, acabou tendo seu mandato cassado com a Revolução de 1930 orquestrada por Getúlio Vargas.  Foi uma derrota, especialmente, os sulbaianos. Posteriormente, foi nomeado Ministro de Minas e Energia e ocupou também a função de Ministro da Justiça.  Foi também um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB).

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Milton Santos: um intelectual com passagem no Sul da Bahia

Efson Lima

 

efson limaMilton Santos não é ilheense de nascimento. Nem precisaria ser, pois, Ilhéus sendo uma cidade mãe acolhe com carinho. O geógrafo é de Brotas de Macaúbas, interior da Bahia. Milton Santos morou na Princesinha do Sul e alcançou o mundo seja fisicamente seja intelectualmente. Ele possui um vasto currículo, inúmeros livros publicados, entre eles: “Por uma outra Globalização” e recebeu diversas distinções de doctor honoris causa. Gigante para a Geografia e para o mundo das letras. Foi um pesquisador viajante, engajado e comprometido com um mundo melhor, promoveu teoria e vivenciou a prática.

 

O intelectual Milton Santos se tornou bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia em 1948 e se doutorou em Geografia pela Université de Strasbourg na França em 1958. Fez prova viva da interdisciplinaridade, quando essa corrente era pouco conhecida. Milton Santos já doutor se colocava à disposição para fundar a Academia de Letras de Ilhéus, carinhosamente chamada de ALI.  Na Academia de Letras de Ilhéus, Milton Santos ocupou a cadeira n.° 35, cujo patrono é Simões Filho. Atualmente, a cadeira é ocupada pela Senhora Maria Schaun, uma das mentes brilhantes do sul da Bahia. Ela foi responsável por acompanhar diversas produções de livros da nossa gente grapiúna através da Editus e, atualmente, secretaria a formação de diversos jovens via o Prodema/UESC.

 

milton santosAinda em Ilhéus, Milton Santos lecionou no Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne, famoso IME, lugar responsável por instrumentalizar a formação de centenas de pessoas da região. Um patrimônio da educação no Estado da Bahia. Milton Santos aproveitou sua incursão na região para vivenciar uma realidade territorial urbana e rural, certamente, pode constatar o cacau como a principal fonte de renda do período na região. E mais que isto, como todo intelectual costuma fazer, foi registrando as vivências e aprendizagens, sintetizando e oportunizando novas reflexões. Não sem razão o primeiro livro de Milton Santos teve por objeto a Bahia, cujo título é “O povoamento da Bahia: suas causas econômicas.” Milton Santos foi correspondente do jornal “A Tarde” na zona cacaueira do Estado da Bahia entre 1949- 1953.

 

Registra-se que Milton Santos chegou a Ilhéus nos fins dos anos quarenta, certamente, após sua formação universitária.  A vocação de Milton Santos estava na área do ensino e após retornar para Salvador, ele foi lecionar na Universidade Católica de Salvador no período de 1956-1960, posteriormente, em 1961 ingressou na Universidade Federal da Bahia.

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Euclides Neto: um exercício profissional a serviço do direito agrário e da literatura

Efson Lima

 

efson lima   A Bahia é o estado mais agrário do país. Possui o maior número de áreas agropecuárias, tendo os estabelecimentos agropecuários ocupando 49,18% da área total do estado. Mas nem sempre o direito agrário teve o seu devido tratamento em terras baianas. Na Faculdade de Direito da UFBA, por exemplo, entre os anos 2007 e 2012, período em que estudei, a disciplina era optativa e não foi disponibilizada para os estudantes da graduação. Com a criação do curso noturno, boas ventanias sopraram e o projeto pedagógico contemplou obrigatoriamente a disciplina.

Um dos ilustres estudantes da centenária Faculdade de Direito/UFBA, Euclides Neto, enveredou-se pela seara do direito agrário, tornando-se um farol não só para a advocacia, mas também como gestor e literato ao estabelecer uma simbiose para o mister profissional.  O exercício da advocacia para Euclides Neto foi instrumento de combate às desigualdades e preocupação constante com o homem do campo.

euclides 2O pensamento de homem público levou Euclides Neto a alcançar a gestão pública. Tornou-se prefeito da cidade de Ipiaú em 1961 e uma de suas ações foi promover reforma agrária ao implantar a “Fazenda do Povo”.  Talvez, ele tenha sido o primeiro gestor público a fazer no modelo proposto.  Ele também se tornou secretário do governo do Estado da Bahia na gestão de Waldir Pires ao ocupar a pasta da Secretaria de Agricultura, Reforma Agrária e Cooperativismo.

A escrita de Euclides Neto reúne treze obras, entre elas, Porque o homem não veio do macaco, 1942; Vida Morta, 1947; O Patrão, 1978; 64: um prefeito, a revolução e os jumentos, 1983; A enxada e a mulher que venceu o próprio destino, 1986; Dicionareco das roças de cacau e arredores, 1997; Trilhas da Reforma Agrária, 1999; e O tempo é chegado – publicação póstuma, 2002.  Manter vivo o pensamento literário de Euclides Neto é promover reflexões, especialmente, sob o homem do campo, a reforma agrária e o real sentido do direito agrário.

euclides 1A vasta produção literária de Euclides Neto o credenciou para fazer parte do quadro de membros da Academia de Letras de Ilhéus, tendo posse em 18 de maio de 1990  e permaneceu até 05 de abril de 2000, quando faleceu em Salvador. Como sabido, a Academia de Letras foi fundada em 1959, talvez, tenha sido primeiro embrião intelectual surgido no século XX em Ilhéus, chegou tardiamente. A região já ostentava riqueza e correspondia sobremaneira pelas finanças do Estado da Bahia.  É interessante registrar que alguns membros  que participaram da  formulação da ALI serão também os formuladores da Faculdade de Direito de Ilhéus, entre eles, Francolino Neto.            Geraldo Lavigne, escritor sulbaiano, em seu discurso de posse na Academia de Letras de Ilhéus, cuja cadeira n.º 23 já havia sido ocupada por Euclides Neto, sintetizou que “A obra de Euclides Neto é essencialmente debruçada sobre o homem. Por meio da literatura, fez contundentes denúncias sociais, expôs a luta de classes, e manteve-se firme na ideologia socialista. O campo e, inevitavelmente, o cacau foram cenários importantes da obra que revelou a identidade regional pelo viés do realismo. Os enredos transitaram entre a violência, os latifúndios e as diferenças socioeconômicas.”

 

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Pelas mãos da literatura – o ficcional e o real

Efson Lima

efsonÉ pelas mãos da literatura que transformamos a realidade em ficção ou possibilitamos a ficção adentrar em nosso universo e, assim sendo, cuidamos de mesclá-la para o real, configurando o imaginário em “verdade” até onde for possível.  Os mitos povoam nossas cabeças, assim como os cabelos, neste caso até quando a calvície chega e começa a cair cabelo a cabelo, assim também acontecem com os mitos, vamos crescendo e eles vão desaparecendo. No passado, os mitos insistiam em permanecer conosco. Eram nossas formas primeiras de conceber a literatura.  Agora, desaparecem logo com o avançar da idade. O cotidiano cuidou de ceifar o imaginário, impondo à dura realidade, vamos matando a ficção ou corremos à ficção para nos refugiar. Acho que estou seguindo essa última assertiva.

Os mitos parecem que perderam densidade. Refiro-me aos mitos de cunho literário. Quanto aos mitos que estão em voga no Brasil, a estes prefiro dispensar comentário. Não estou à altura. Gosto mesmo é das crônicas que são publicadas no Blog do Thame, especialmente, as do Barão de Pau –d` Alho, uma obra prima, que  nos faz sair do lugar e refletir sobre onde chegamos. Pessoas assim nos elevam, orientam-nos. É bússola para nos guiar. Dois sulbaianos, que se conheceram na posse de Marcus Vinicius Rodrigues na Academia de Letras da Bahia. Eu que há anos já era leitor dele, cronista de melhor qualidade na região, fiquei surpreso pela simplicidade humana e pela generosidade, fui conduzido pelo professor e imortal Aleilton Fonseca, membro das Casas de Fragoso e de Abel. Neste mesmo dia, conhecia também André Rosa, presidente da Academia de Letras de Ilhéus, que tão bem sintetizou sobre a nação grapiúna em “Memória e Literatura: a invenção dos grapiúnas” no artigo publicado em Especiaria – Cadernos de Ciências Humanas. A literatura aproxima seus filhos. Tem a capacidade de abrir caminhos, superar distâncias e inventar sentido.

efsonNão sei exatamente quando os mitos deixaram de povoar minha cabeça. Informo que ainda não estou careca, por enquanto, a calvície não me atingiu. Espero que ela continue distante.  Assim, não perco tempo com ela e sobra tempo para tratar de questões do mundo literário.

Pergunto-me até hoje qual é a finalidade da literatura?  Respondo vagamente que a literatura permite refrigerar a alma, contar estórias e histórias. Possibilita registrar fatos, acontecimentos. É meio de juntar textos e criar relatos… Literatura é meio de contar o mundo de coisas, fatos, animais, pessoas, de inventar o inventável. É instrumento de criação e de inovação. É terapia de oferecer sentido ao que parece não ter sentido. É assim que posso dizer que se a infância foi cruel comigo, pois, passei quase toda ela sem saber ler, foi na adolescência que a leitura me fez surgir como sujeito e a palavra jarra foi a minha libertação.  Eis que lia minha primeira palavra. Ufa! Foi tarde. Agora não só lia o mundo com os olhos, a leitura possibilitava melhorar a leitura do mundo. Foi nas terras de Entroncamento de Itapé que me fiz menino e aos 11 anos partia como se partem tantas famílias à procura de viver bem. Isto é verdade? Pode ser, pode ser não. A literatura tem essa capacidade de transformar o imaginado em fato e o fato em imaginação. Emancipa-nos.

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Projeto leva música e arte para alunos das creches de Itacaré

itac 1Cerca de 180 estudantes da Creche Municipal do Bairro Santo Antônio, em Itacaré, participaram durante esse semestre do projeto integrado de arte, música e literatura, que busca motivar as crianças através dos sons, desenvolver a oralidade através das canções, explorar a musicalidade, o ritmo, o movimento e possibilitar a integração das crianças para tornar o ambiente escolar ainda mais atrativo. O projeto também está sendo desenvolvido com os estudantes do bairro da Passagem.

O projeto está sendo realizado pela Prefeitura de Itacaré, através da Secretaria Municipal de Educação, e culminância dos trabalhos na Creche do Bairro Santo Antônio foi na última sexta-feira, nos dois turnos, com direito a apresentação dos alunos. Esta semana será a vez do encerramento do projeto na Creche da Passagem. No palco a alegria e a empolgação das crianças, que entoaram músicas sobre os valores sociais. Na plateia o orgulho dos educadores, diretores da creche e dos idealizadores e realizadores do projeto.

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O sucesso é cumulativo

Miriam de Sales

miriam 1Uma grande revista feminina internacional queria comemorar seus dois anos de sucesso como a mais vendida no seu país.Então,começou a vasculhar os arquivos procurando “aquele” texto ,um artigo arrasador que fizesse a edição esgotar em pouco tempo.Não encontrou nenhum. Todos os artigos comparavam-se uns com os outros como água no chocolate.

Isto vale para nós, também, os escritores que mourejam todo dia ,como operários ,batendo nas teclas do computador e sonhando com a fama e o sucesso. A gente não precisa escrever nada de espetacular que faça os leitores abrir a boca e dizer -Que Maravilha!” -o que a gente precisa é escrever. Pois o sucesso depende da continuidade e da qualidade do que fazemos dia – a – dia. Quanto mais se faz, melhor se faz.

O sucesso como já foi dito e muito repisado é 90% de transpiração e 10% de inspiração.

Fique certo que esse sucesso cumulativo um dia chegará e se você fizer direitinho o dever de casa, escrever e publicar regularmente ele não demorará a lhe surpreender. Ele chegará em passos macios como os de um gato, simplesmente porque você está dando o melhor de si mesmo, dia após dia, semana após semana ano a ano. Como o Jacó, da Bíblia que serviu sete anos e depois mais sete até ter nos braços a sua amada.

miriam 2Meu livro mais vendido foi “A Bahia de Outrora”, mas, não foi o meu maior impulso. Nem a única coisa grande que já fiz. Meus artigos nos blogs, nos jornais virtuais, nas redes sociais me trazem muito mais leitores do que ele. Por conta deles fui reconhecida em Turim sem nunca ter ido lá, procurada em Lisboa e tenho meus livros vendidos em todo o Brasil surpreendendo meus amigos que por lá andaram em festas literárias. E, olha que nunca busquei fama nem sucesso que considero muito incomodativos. Quero escrever e só!

A história é que amo Salvador, conheço muito da sua história ,vivo aqui há 73 anos e cada dia fico mais apaixonada. Por isto escrevi o livro ,já havia sido picada pelo hábito de trabalhar todo dia no PC e, mais dia menos dia a gente faz um gol. Talvez nem de placa ou de bicicleta, mas, como a folha seca de Didi que vai levando a bola displicentemente, sorrateiro, como quem não quer nada e pimba!  Ela ,a bola entra na rede.

O trabalho de escrever requer paciência ,não comporta ansiedade nem pressa. Mas, requer um pouco de ousadia e muita coragem.

O dedo vai ao teclado descompromissadamente, como se batia nas teclas da máquina de escrever ou na pena de ganso dos antigos escritores. E la nave va …
Lawrence chamava a literatura de “deusa cadela”, caprichosa, infiel, sonsa como toda mulher, dizia ele.
Mas, um dia ,quem sabe o sucesso bate na sua porta. Se acontecer, vale estar preparado para ele.

Miriam de Sales  é e autora de vários livros, com participação em eventos literários no Brasil e no Exterior.

3ª Festa Literária de Itabuna começa com palestra e show

jacsonItabuna vai se dedicar de amanhã, dia 30, até sábado, dia 2, à literatura e a uma programação cultural diversificada com a realização pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) da 3ª edição da maior festa literária do Sul da Bahia. A partir das 19 horas, no Centro de Cultura Adonias Filho, haverá a abertura oficial da “Festa Literária de Itabuna – FELITA: A Festa do Livro na Terra de Jorge Amado”. A entrada é gratuita.

A seguir haverá a apresentação da Valsa dos 15anos com a participação especial da Banda Municipal Os Falcões e homenagem aos ex-presidentes da FICC como parte das comemorações dos 15 anos da fundação, que serão completados no próximo mês de dezembro.

Com o tema “A Literatura Como um Rito de Passagem”, a palestra de abertura contará com a presença do ator e apresentador de televisão Jackson Costa, que também estará no Sarau do Poeta. Nesta edição já estão confirmadas também a participação de personalidades marcantes da literatura regional, como o escritor e professor universitário Ruy Póvoas, da Banda Manzuá e do ator e escritor Benvindo Sequeira.

benvindo  A programação ainda prevê um grande baile com jovens e adolescentes que já completaram ou que ainda completarão 15 anos de idade em 2016. “A nossa intenção é a de mostrar que a literatura provoca no ser humano uma mudança importante, tão importante como aquelas que se sentem no corpo e na mente quando atravessamos essa idade”, explicou a professora Nilmecy Santos Gonçalves, presidente da FICC.

As informações completas sobre a FELITA podem ser conseguidas no site da FICC (www.ficc.com.br) ou no site oficial do evento (www.festaliterariadeitabuna.com.br).

Seminário “Literatura, Sons e Sabores” em Ilhéus

jorge semanaA Semana Jorge Amado de Cultura e Arte, que homenageia o aniversário de nascimento de um dos escritores mais populares do país, prossegue nesta quinta-feira, dia 7, a partir das 19 horas, com a abertura do Seminário “Literatura, Sons e Sabores”. Realizado na Academia de Letras de Ilhéus, o encontro será aberto pela palestra “Africanias na Obra de Jorge Amado”, proferida pela escritora e professora Yeda Pessoa.

O evento terá continuidade na sexta-feira (8), nos mesmo horário, com a participação do professor Marielson Carvalho. No sábado (9), às 16 horas, haverá um debate sobre “Literatura e Chocolate”, conduzido pela escritora mexicana Laura Esquivel, autora do romance “Como água para chocolate”, adaptado para o cinema em 1993. A obra conta a história de Tita de La Garza, e cuja ação decorre no princípio do século XX, no Norte do México, à beira da revolução.

Para valorizar o talento e a criatividade, também serão abertas na quinta-feira (7), a partir das 9 horas, as oficinas orientadas pelo artesão ilheense e especialista na arte com papel, Joferson Oliveira. Previstas para acontecer na própria sede da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), no centro da cidade, as oficinas prosseguirão até o próximo sábado, dia 9.

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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