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Ilhéus vista do alto

A cidade eternizada por Jorge Amado, em foto de José Nazal

A cidade eternizada por Jorge Amado, em foto de José Nazal

As ´cores vivas` nas telas de Nadja Alves

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Com exposições já realizadas em Itabuna, Ilhéus e Salvador, a artista plástica Nadja Alves é um desses talentos em estado puro, com seu estilo naif (primitivista). A expressão artística de Nadja Alves salta das telas e ganha vida nos olhos de quem observa quadros que exprimem a alma baiana em todas as suas cores e nuances. E a Bahia é o universo da artista, embora sua arte tenha todo o potencial para romper fronteiras.

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Em sua coletânea `Coisas da Bahia´, Nadja Alves  revela habilidade de lidar com cores e temas, dando vida a personagens do dia a dia, como  baianas do aracajé, pescadores, capoeiristas, trabalhadores rurais, etc. Grapiuna que é, as telas de Nadja também trazem a Gabriela e o cacau, da inesgotável fonte de Jorge Amado.

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Nadja Alves pinta desde menina, mas só há pouco tempo passou a se dedicar exclusivamente às artes plásticas. Embora tenha trabalhos adquiridos por colecionadores de Salvador, Itacaré, Minas Gerais, São Paulo e Estados Unidos, está a merecer uma presença mais marcante no circuito regional de exposições.

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“Pintar é uma terapia, a coisa que mais gosto de fazer, porque através dos quadros, posso exprimir meus sentimentos”, afirma a artista, que também faz trabalhos em madeira, com as mesmas cores fortes e marcantes.

 

A próxima exposição de Nadja deve acontecer no Shopping Jequitibá, um espaço privilegiado em que circulam milhares de pessoas de todo o Sul da Bahia.

Jorge Amado: um eterno imortal para além de sulbaiano

Efson Lima

 

efson lima   O nosso autor sulbaiano mais destacado da literatura nacional completou 107 anos em 10 de agosto de 2019. Imortalizado na Academia de Letras de Ilhéus, Academia de Letras da Bahia e Academia Brasileira de Letras permanece vivo. Certamente continuará povoando nossas cabeças, nossos imaginários e seduzindo milhares de pessoas para a literatura, assim como eu fui atraído pela obra Capitães de Areia, Gabriela, Cravo e Canela entre outros clássicos. Em Ilhéus se somou a Abel Pereira e a Nelson Schaun, Wilde Oliveira Li8ma e Plínio de Almeida, os quatro últimos membros da Comissão de Iniciativa para fundarem a Academia de Letras de Ilhéus em 1959, que vivencia o ano diamante.

Na Academia de Letras de Ilhéus pertenceu a cadeira de n.°13, cujo patrono Castro Alves o influenciou na produção de suas obras. Por sinal, neste ano, a Literária Internacional do Pelourinho homenageou o poeta abolicionista, cuja FLIPELÔ organizada pela Fundação Jorge Amado presta homenagem ao escritor das terras do cacau, terras essas que conferem identidade a nação grapiúna e ao seu povo. A cadeira de n.°13 o acolheu sua esposa, Zélia Gattai e, agora, acolhe nosso escritor Pawlo Cidade que tem prestado significativos serviços ao campo da gestão cultural no Estado da Bahia, assim como tem construído significativamente uma vasta obra literária, cuja preocupação ambiental aparece em seus livros. Tema que se tornou hodiernamente tão emblemático, especialmente, com a atual gestão federal no país, que parece não ter preocupação com as gerações do presente e muito menos com as futuras.

jorge amado     Na Academia Brasileira de Letras foi eleito, em 6 de abril de 1961, para a cadeira n.° 23, que tem por patrono José de Alencar e por primeiro ocupante Machado de Assis. Jorge Amado, um crítico das academias, na fase adulta, reverá seus posicionamentos, como assinalou em seu discurso de posse na ABL: “Chego à vossa ilustre companhia com a tranqüila satisfação de ter sido intransigente adversário dessa instituição, naquela fase da vida, um que devemos ser, necessária e obrigatoriamente, contra o assentado e o definitivo, quando a nossa ânsia de construir encontra sua melhor aplicação na tentativa de liquidar, sem dó nem piedade, o que as gerações anteriores conceberam e construíram.” O tempo é senhor de nossas razões. E como é!

No início deste texto, disse “nosso autor”, só mesmo para ressaltar mesmo a origem. O escritor pertence ao mundo. É símbolo de nossa terra, nascido em Ferradas, em Itabuna, não só se imortalizou, mas imortalizou-nos na literatura universal. As suas obras de cunho regionalistas conseguiram ter sentido no Chile, na França, em Portugal, na Itália, na antiga URSS. Conseguiu-nos orgulhar. Jorge Amado que recebeu diversas críticas, marginalizado pela crítica do sul, continua vivo em nossas memórias e provocando críticas de diversos movimentos. Sempre que posso pergunto-me, será que o escritor deve agradar ao seu leitor? Eu como sou aprendiz ainda não consigo ter clareza, mas o tempo será senhor das futuras razões.

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Efson Lima é Doutor em Direito/UFBA. Coordenador – geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho. Das terras de Itapé/BA e eterno ilheense adotivo. Contato: efsonlima@gmail.com

Jorge Amado, Menino Sergipano?

Daniel Thame

livro DT 1A seca de 1909 dizimou a pequena cidade de Estância, no sertão sergipano. A seca e suas consequências – fome, miséria e morte – não eram novidade para os sertanejos, conformados com os desígnios de Deus naquela natureza morta que sugava gente viva, ano a ano, como se castigo divino fosse.

E era castigo mesmo, não necessariamente divino, mas os homens e mulheres humildes se apegavam à fé, à crença inabalável de um mundo melhor, depois da morte, lá bem acima do céu.

E, no céu, o que eles enxergavam a olhar para o alto não eram os santos, anjos, arcanjos e querubins da fé cega, mas o sol a queimar como chama do inferno. Ironia e heresia.

O sertanejo sempre foi, antes de tudo, um forte, diz o adágio popular.

Mas como não fraquejar vendo a plantação minguar, o gado mirrar, o solo se transformar numa massa disforme e sem vida?

Como não entrar em desespero vendo a fome se aproximar, os filhos pequenos a clamar por um pouco de farinha, um feijão ralo, um copo de água?

Jorge.Amado_Como não sentir uma dor no peito vendo a mulher, antes formosa, se transformar num fiapo de gente, agarrada à Bíblia e à devoção aos santos que, apesar de tantas orações, tanta penitência, não mandavam uma mísera gota de água do céu? Ao contrário, empurravam as nuvens e a chuva para bem longe, lá pro mar distante, onde uma água a mais, uma água a menos não faria falta.

-Não dá mais, a gente vai morrer aqui, vendo tudo se acabar, disse o marido à esposa…

-Deus vai prover na hora certa. Temos que ter fé, respondeu a esposa, como se nascer, sofrer e morrer fosse a ordem natural das coisas.

No colo da mulher, o filho do casal, de um ano de idade, mais um na loteria de vida e morte, com imensas chances de morrer antes de dar os primeiros passos na terra arrasada.

-Não adianta esperar por Deus. A gente tem que ir embora daqui. Chega de tanto sofrimento. A fala do marido agora era de resolução.

-E a gente vai pra onde? Pobre é pobre aqui ou em qualquer lugar do mundo, a mulher era pura resignação.

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Jorge  contempla o Teatro Municipal, o Vesuvio e a Catedral. Três símbolos da Ilhéus Amadiana...

Jorge contempla o Teatro Municipal, o Vesuvio e a Catedral. Três símbolos da Ilhéus Amadiana…

Janete Lainha expõe no Teatro Municipal de Ilhéus

Exposição de Janete. Foto - Rodrigo Macedo-SECOM 2No mês em que Jorge Amado completaria 107 anos no dia 10, data em que Ilhéus insere na sua programação uma série de acontecimentos que relembra a vida e as obras do escritor, uma exposição de xilogravuras, produzidas pela artista plástica Janete Lainha homenageia o escritor com criatividade e grande estilo. A mostra está aberta à visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 18h e nos finais de semana, na Galeria do Teatro Municipal (TMI), onde as obras estarão à venda.

As Xilogravuras, montadas em 25 quadros de 30 por 40 centímetros, fazem uma verdadeira viagem no tempo, e traduz em um documento histórico, a referência das obras do escritor baiano e seu encontro com as obras de Ilhéus para o mundo. A mostra é uma realização da Secretaria Municipal da Cultura e do Turismo (Secult) e do Museu Casa Jorge Amado, e conta com o apoio da Casa da Cultura Popular.

“Meus trabalhos são marcados por minha trajetória pessoal”, define Janete Lainha, Mestra pela Cultura Popular, que traz a obra “Logra e Logro” para a capa de agosto do catálogo do Teatro Gamboa Nova, em Salvador. A publicação integra o projeto “Se Mostra Interior”, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). “Eu comecei a ilustrar as capas de meus cordéis, foi aí que me chamaram atenção que eu deveria valorizar mais meu trabalho”, revela.

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Chocolate de origem incrementa turismo gastronômico e histórico em Ilhéus

chocolateA Costa do Cacau tem sol e praia, cultura valorizada pela obra do escritor Jorge Amado, turismo de negócios e ecoturismo, opções para um público diversificado. O destaque dessa região no mapa turístico da Bahia não para por aí. Deve-se também à rica tradição e produção de cacau, que alcança visibilidade internacional esta semana, com a realização da 11ª edição do Chocolat Bahia Festival, entre os dias 18 e 21 de junho.

Com público estimado em mais de 60 mil pessoas durante os quatro dias, o evento é aberto ao público, que será recepcionado por baianas tipicamente vestidas. Mais de 70 produtores de chocolate de origem e de 170 expositores estarão no pavilhão de feiras do Centro de Convenções de Ilhéus. Realizado em parceria com o Governo da Bahia, o festival fortalece o calendário turístico do Estado.

Além da degustação da iguaria, o evento oferece aos investidores cursos de capacitação, debates, rodadas de negócios e palestras ministradas por especialistas internacionais. A programação do Chocolat Bahia inclui ainda workshops gratuitos de receitas com renomados chefs do país, visitas a fazendas produtoras de cacau e exposição de esculturas de chocolate.

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Produção de chocolates de origem impulsiona turismo no Sul da Bahia

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Uma região celebrizada em todo o mundo pelas obras magistrais do escritor Jorge Amado com seus coronéis, jagunços, trabalhadores, etc. e cenários de fantasia como o Vesúvio de Nacib e Gabriela, o Bataclan de Maria Machadão e suas moçoilas dadivosas e o universo único das fazendas de cacau. A esse universo, que faz do Sul da Bahia um local que encanta pessoas do Brasil e do Exterior, soma-se um emergente polo de produção de chocolates de origem, com mais de 40 marcas apresentadas e comercializadas no Chocolat Festival, realizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

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Um pouco desse cenário mágico está sendo mostrado no estande do Governo da Bahia no evento, que inclui modelos de barcaça e fermentação de cacau, mudas de cacaueiros produzidos pela Biofábrica e uma exposição fotográfica com a história do chamado fruto de ouro, desde os maias até sua chegada ao Sul da Bahia.

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O secretário estadual de Turismo, Fausto Franco afirma que “a criação do polo chocolateiro vai potencializar o setor, agregando um produto de excelência, com a rica história do cacau, às belezas naturais, com praias exuberantes, Mata Atlântica preservada e um grande patrimônio cultural e arquitetônico, que já fazem de Ilhéus e Itacaré destinos turísticos que atraem pessoas do Brasil e do Exterior”.

 

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Além de incentivar a produção de cacau de qualidade e chocolates de origem, o Governo da Bahia implantou a Estrada do Chocolate, a primeira rota temática do Estado. São 44 quilômetros entre a primeira fábrica do chocolate caseiro, localizada no Distrito Industrial de Ilhéus, e o entroncamento com a BR 101, no município de Uruçuca, num trajeto que inclui fazendas de cacau e as belezas naturais como rios, cachoeiras e áreas de preservação ambiental. A rota também passa pelas fábricas do parque moageiro de cacau, no Distrito Industrial de Ilhéus, fazendas/fábrica de chocolate gourmet, a Estação Rio do Braço, sede do antigo distrito de Ilhéus e a Biofábrica do Cacau.

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Para Marco Lessa, coordenador do Chocolat Festival, que produz chocolates premium em Ilhéus, destaca que “o Sul da Bahia tem de grande diferencial em relação a outras regiões do mundo, porque depois que as pessoas conhecem o chocolate feito com cacau baiano, ele vivencia um pouco da nossa rica história, o compromisso com a conservação ambiental”. “O chocolate associado ao turismo, oferece experiências únicas, num pacote completo que vai da gastronomia ao convívio com a natureza. A agroindústria e o turismo são alternativas efetivamente viáveis para o desenvolvimento regional”, afirma Lessa.

 

“Jorge Amado: uma biografia”, o menino grapiúna que virou cidadão do mundo

capa livro jorge amado

Com acesso exclusivo a documentos de família e cartas de parentes, amigos e outros escritores, além de exaustivas entrevistas e pesquisas no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos, a jornalista e escritora Josélia Aguiar, está lançando o livro “Jorge Amado: uma biografia”. A obra, lançada pela Editora Todavia,  o retraça a história de um dos mais populares escritores do século XX. Um homem que, saído das terras do cacau do Sul da Bahia, tornou-se cidadão do mundo, amigo de personalidades como Sartre e Saramago, traduzido para dezenas de idiomas.

Autor de clássicos brasileiros como Capitães da Areia, Jubiabá e Gabriela Cravo e Canela, com livros que se tornaram sucesso do cinema e da TV,  Jorge Amado tem  sua vida – de homem, celebridade – recontada com elegância, precisão e fluência quase romanesca.

A autora
Joselia Aguiar nasceu em Salvador, na Bahia, em 1978. Jornalista, e? mestre em Histo?ria pela Universidade de Sa?o Paulo. Trabalhou na Folha de S.Paulo e foi curadora da Festa Litera?ria Internacional de Paraty (Flip) nas edições de 2017 e 2018.

Trecho do livro

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José Delmo, coronel do cacau

A interpretação magistral de um grande artista sul baiano

Ilhéus homenageia Jorge Amado com programação artística

Casa de Cultura de Jorge Amado - Foto Secom(1)

A Secretaria da Cultura de Ilhéus (Secult) anuncia abertura da exposição em homenagem a Jorge Amado, na próxima segunda-feira (6), a partir das 18h30min, na galeria do Teatro Municipal. O evento, em parceria com a Academia Letras, destaca a releitura das obras do escritor através do trabalho da artista plástica Manu Pessoa.

Casa de Cultura de Jorge Amado - SecomA exposição integra a Semana de Cultura Jorge Amado, e fica aberta à visitação até 10 de agosto, data de nascimento do escritor. O espaço destinado à exposição terá música, apresentação de artistas e manifestações culturais. A participação é gratuita e indicada para todos os públicos.

O secretário municipal de Cultura, Pawlo Cidade, disse que será montado um ambiente que simule o espaço do escritor, na mesma data, a partir das 9 horas, em frente à Casa de Jorge Amado. “As obras de Jorge são referência para a literatura brasileira. Seu legado é um resgate e valorização da cultura baiana. Através da exposição buscaremos estreitar o vínculo com o público por meio da leitura das obras do escritor, um dos expoentes da literatura brasileira”, destacou.

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De Itabuna, para Jorge, com amor?

Daniel Thame

 daniel flicaItabuna celebra 108 anos de emancipação neste 28 de Julho e está mais do que na hora de ´fazer as pazes` com seu filho mais ilustre, Jorge Amado, algo que infelizmente não pôde ser feito enquanto o escritor estava vivo.

O descaso (desprezo talvez seja a palavra mais correta) de Itabuna para com Jorge é algo palpável, embora não faça qualquer sentido.

Se é verdade que boa parte da fase cacau da literatura de Jorge Amado esteja centrada em Ilhéus, onde ele passou parte da infância e da adolescência, e que  na sua semi-autobiografia “Navegação de Cabotagem”, tenha se referido ao local em que nasceu, Ferradas (mais por molecagem típica de suas brincadeiras do que por ofensa) como o “cú do mundo”, não é menos verdade que em qualquer parte do planeta em que se faça uma busca pelo nome do escritor, lá está Itabuna como sua cidade natal.
Jorge Amado é, portanto, um grapiúna de Itabuna, por mais do que os ilheenses lhe dediquem zelo, amor e devoção.

jorge amadoSe Ilhéus soube capitalizar a figura de Jorge, a ponto de tê-lo como referência turística e ´embaixador informal` da recém descoberta indústria chocolateira, mérito dos ilheenses.

Lembro-me que quando o escritor morreu, na então gestão de Geraldo Simões, cheguei a sugerir que o nome de Jorge Amado fosse dado à atual avenida do Cinquentenário, que  cá pra nós já não fazia e faz menos sentido hoje numa cidade com quase chegando nos 110 anos.

 

Antes que a proposta chegasse a cruzar o gabinete do prefeito, tocaias grandes, pequenas e (não tão) invisíveis, fizeram com que a idéia morresse antes de chegar na página dois.

Jorge se quisesse que se contentasse com o nome de um bairro popular (de gente honesta, batalhadora, diga-se) nos confins da periferia e um busto na entrada de Ferradas que, alvejado por tiros, foi repousar seguro e semiescondido na Universidade Federal do Sul da Bahia- UFSB, que só pra confirmar a exceção à regra, deu a seu campus em Itabuna o nome do escritor.

capa Jorge100anosAmadoJorge Amado ignorou Itabuna e priorizou Ilhéus em seus livros? Leiam Tocaia Grande. Ou melhor, leiam e se deleitem com o livro “A Descoberta da América pelos Turcos” escrito especialmente para as comemorações dos 500 anos do descobrimento (ocupação?) da América, que  foi considerado pelo autor, Jorge Amado, como um romancinho.

O diminutivo deve ser visto como algo carinhoso, porque o livro mantém a genialidade, e escrita leve e a ironia fina de Jorge. As aventuras e desventuras dos árabes (na época chamados genericamente de turcos) Raduan Murad, Jamil Bichara e  Ibrahim Jafet, este último viúvo e pai de três lindas filhas (Samira, Jamile e Fárida), mas que não consegue desencalhar a feiosa Adma,  compõem um cenário delicioso dos primeiros anos da Itabuna do início do século passado, uma cidade aberta, hospitaleira, empreendedora, características que formam base de sua identidade.

Igualmente deliciosa é a solução para o drama de Ibrahim, poupando Jamil da tentação do diabo, mas revelando em Adma  um encanto divino, a que Jorge se refere com a língua afiada de sempre. Um tal b… de anjo, ou de b… chupeta.

O resgate do livro, que na época em que foi lançado não  teve a devida repercussão por essas plagas, bem que poderia marcar o reencontro da cidade com Jorge Amado, pondo fim (ah, Gabo, perdão pelo trocadilho infame), a mais de 100 anos de solidão.

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Daniel Thame é paulista por acidente, baiano por opção, itabunense de coração; jornalista e autor do livro “Jorge100anosAmado, tributo a um eterno Menino Grapiúna”

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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