hanna thame fisioterapia animal
camara municipal itabuna camara municipal itabuna prefeitura itabuna coronavirus 155 bom petiscos livros do thame

Posts Tagged ‘jorge amado’

Ilhéus – uma Cidade Literária

jorge a

Efson  Lima

efson limaNo ano passado, publiquei esse texto, mas não no Blog do Thame. Entretanto, volta e meia o assunto é retomando e muito tem se discutido a importância de Ilhéus no cenário literário nacional. Sem dúvida alguma, a cidade de Ilhéus e o sul da Bahia são um polo de produção literária. Temos alguns escritores consagrados, assim como também temos um grande contingente de novos escritores.

 
Recentemente, tenho acompanhado algumas lives mediadas por Luh Oliveira, membro da Academia de Letras de Ilhéus e escritora com oito livros publicados. Na live última, de quarta-feira, dia 22/07/2020, ela recebeu o professor Ramayana Varges, também membro da Academia de Letras de Ilhéus, um mestre da literatura do sul da Bahia. Afinal, quem não lembra dos aulões do estimado Rama, às vésperas do vestibular da UESC? Era motivo de romaria a Ilhéus e ao Instituto Nossa Senhora da Piedade.

 

 
Registrei algum tempo, que fui destacado para ajudar na Antologia Bardos Baianos, Litoral Sul, precisava-se identificar 50 poetas. Rapidamente, os cinquenta poetas foram alcançados. Alguns deles poetas consolidados e uma outra plêiade enorme de novos poetas, que publicaram em livros pela primeira vez. Que as bençãos literárias os guiem para portos seguros. O Bardos Baianos é um projeto da Cogito Editora, que cobrirá todos os territórios de identidade da Bahia. Salve, salve!

Read the rest of this entry »

No Dia do Escritor live debate Literatura e Meio Ambiente

Neste sábado, dia 25, é o Dia Nacional do Escritor e para marcar a data, ocorrerá a live “ Literatura e meio ambiente “, o objetivo da live é dialogar sobre meio ambiente e literatura. A live será medida por Pawlo Cidade e Efson Lima, às 17 horas.O escritor Pawlo Cidade é gestor cultural, educador ambiental, membro da Academia de Letras de Ilhéus, ocupando a cadeira 13, que pertenceu a Jorge Amado. Tem 18 livros publicados e já tem um livro no prelo a ser publicado ainda neste ano.

live

Por outro lado, Efson Lima é professor universitário e advogado. Tem pesquisado sobre a Academia de Letras de Ilhéus e os autores que nasceram na região. Efson nasceu em Itapé e foi morar em Ilhéus aos 11 anos de idade, atualmente, mora em Salvador, inclusive, trabalha no contexto da economia solidária. Nas palavras do escritor Pawlo Cidade a “Literatura e meio ambiente estão essencialmente imbricadas quando falamos da natureza. Difícil separar esta daquela”. Na sequência, Efson Lima complementa que o debate ambiental tem sido um tema instigante no Brasil, inclusive, teve recentemente forte repercussão em Ilhéus.

RAIO X DA LIVE:
DATA: 25/07/2020
Horário: 17 horas
Perfis no Instagram: @pawlocidade @efsonlima

Ferradas, um berço Amado

Os livros e seus fazedores – uma ode a liberdade

Efson Lima

 

efson limaDia 23 de abril se comemora o Dia Mundial do Livro e também dos Direitos do Autor.  Poderia ser mais uma data, mas lembrar o dia do livro se tornou uma data obrigatória para quem cultiva a liberdade. Para além da liberdade, também é uma data muito especial para a cadeia do livro, para o processo criativo, para a economia, para a cultura… A importância é enorme, desde quando Gutemberg inventou a imprensa, certamente, o fato possibilitou uma proliferação de informação sem precedente, então, os interessados podiam consultar as fontes.  Por óbvio, a oralidade continuou, mas os registros foram sendo feitos e difundidos na sociedade. O homem não seria o mesmo, encontrava outros ares. Os limites passaram a ser a  capacidade de imaginação.

É  natural que as rupturas com o passado nem sempre acontecem com um passe de mágica. É um fazer, é um construir permanente com idas e vindas. As transformações decorrem dos valores  que são cotejados pela sociedade. Nem sempre a transfiguração é momentânea.  O bom (nem sempre) é que essas modificações nos atingiram com o passar do tempo, alcançaram também as terras sul baianas com o colonizador.

Uma mudança pode levar a outra. Assim, alcançamos o século XX, que foi fértil para as tipografias, para o surgimento de livros. E nas terras do cacau, elas ajudaram a  consolidar a expressão “nação grapiúna”. Deram vozes aos escritores regionais, permitiu que Adonias Filho informasse ao mundo que além de cacau, aquela civilização  dava frutos em forma de escritores. Afinal, a terra era fértil de escritores ( continua), mesmo os não nascidos eram/são contaminados pela fecunda literária. Portanto, sempre que posso insisto na terminologia da região literária e/ou em Ilhéus como uma cidade literária.

jorge tocaiaEstou a ler,  neste período,  “ Terras do sem -fim “  e “Tocaia Grande”  para desenvolver melhor essa ideia das terras da literatura, afinal, temos a literatura do cacau.  Estas são apenas duas obras de Jorge Amado, que sem dúvida, foi o nosso escritor maior. Mas temos tantos outros que moraram ou passaram por essa região:  Milton Santos, o já evidenciado Adonias Filho, Sosígenes Costa, Hélio Pólvora, Telmo Padilha, Valdelice Pinheiro e Euclides Neto – este com diversos livros sobre o homem do campo.  Fazedores de livros. Temos também os atuais: Cyro de Matos e Aleilton Fonseca, ambos pertencente à Academia de Letras de Ilhéus e da Academia de Letras da Bahia. Escritores que ultrapassam as barreiras desta região, possuem a capacidade de transportar nossas ideias, nossas identidades por meio dos livros. Somos gratos!  Eleva-nos a categoria de civilizados.

Temos escritores mais novos, tais como Geraldo Lavigne, Luh Oliveira, Pawlo Cidade, este por sinal, abrilhantou-nos com uma live no Facebook sobre processos criativos ao narrar sobre seus processos,  estimulando mais de uma dezena de pessoas a se lançarem ou aperfeiçoarem a escrita. Não só basta escrever, desperta a solidariedade mesmo que a escrita tenha um traço de produção individual. Pawlo tem 17 livros publicados e alguns no forno. Em breve, vamos saboreá-los. Afinal, ler é um ato gastronômico contínuo. Vão também nesta senda e brilhando: Marcus Vinicius Rodrigues que estar sempre a nos abraçar com o mar;  Tom S. Figueiredo – um escritor premiado e com uma produção diversificada; e Fabrício Brandão com  a Revista  Diversos Afins e com as  suas levas, ficamos curiosos, periodicamente, por elas. Certamente são muitos outros escritores. É uma mina constante o sul da Bahia.

noraSe o início do  Século XX possibilitou as nossas caminhadas com a literatura impressa, foi também no final daquele século que surgiu a Editus, no berço da UESC. Por vezes, essa editora pode  passar despercebida até mesmo entre os sul baianos. Não sei exatamente quantos escritores e autores regionais já foram publicados por ela, mas sem dúvida alguma, foi importantíssima, pois, mesmo diante da crise do cacau, ela conseguiu manter viva a  chama da escrita. Foram textos científicos, ensaios… literários, textos sobre a história regional, foi esse ambiente que permitiu a ideia circular. Estimulou a escrita. Lembremos que o acesso massivo à internet  só veio acontecer de forma tardia no Brasil e no sul da Bahia não foi diferente [sou um daqueles que só consegui pilotar um computador já em Salvador (2007), mesmo assim, coletivo, na Residência Universitária].

Portanto, reconhecer o trabalho da EDITUS é primordial. Sabemos também que as instituições podem surgir, mas pessoas precisam liderar, ser jeitosas, responsáveis e acreditar naquilo que estar a gerenciar sem deixar de olhar a bússola que, por vezes, parece não nos levar a lugar algum. Então, tem-se uma figura feminina, a senhora Maria Luiza Nora, conhecida como Baísa. Não a conheço e o que sei dela são pelos livros e por sua produção. Mas posso dizer que é a “fazedora de livros”, a fazedora de escritores regionais.

Estava a ler sobre o professor Ruy Póvoas, eis que encontro o artigo “A Obra de  Ruy Póvoas: Percurso Editorial” da fazedora de livros sobre o papel que exerceu para que conhecêssemos as produções do professor Ruy, especialmente, a partir de 1996. Lendo o livro“ Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus”, de João da Silva Campos, na semana passada, verifiquei que lá estava como Diretora da Editus, Maria Luiza Nora; e  Maria Schaun, assessora na Editus e responsável por cuidar da 3ª edição do título em tela. Papéis importantes no processo de editoria.  A capa do livro é primorosa. Então, os livros também permitem resgatar nossas histórias. Refletir é uma das condições humanas. Assim, verificamos acertos e erros. Avancemos!

paulo cidadeA publicação de autores regionais e as temáticas da região contribuíram para consolidar a produção literária; a produção científica e a sua difusão. Tão cara aos dias atuais e tão exigível pelas as agências de pesquisa. Pouco se falava, mas já se cumpria a missão na UESC ao seguir as diretrizes da professora  Renée Albagli, reitora na época, quando criou a Editus e traçou como um dos objetivos: publicar e incentivar autores regionais e novos autores.

Assim sendo, temos a EDITUS que vai brilhando com outras lideranças e cumprindo com sua missão institucional, fomentando e apresentando novos escritores. A EDITUS com a Academia de Letras de Ilhéus promovem o concurso literário Sosígenes Costa, permitindo que os escritores baianos se inscrevam e passem pelo processo de editoração, sem falar na premiação em espécie e a promoção do Festival Literário de Ilhéus.

Vivam os fazedores de livros: os autores, as editoras, os revisores e toso o pessoal que trabalha com esse ofício. Temos  as livrarias e seus livreiros. Surgiram as plataformas virtuais que continuam a massificar e a aproximar mundos tão distantes e grandes, que parecem pequeno.

Os livros transportam ideias, pensamentos. Eles são feitos porque somos livres para pensar, para idealizar. Cultivar boas imaginações. Os livros carregam  ideias políticas, defendem igualdade, semeiam a fraternidade. Permitem florescer rosas, apesar de os espinhos nascerem também. Mas, vamos tomando os cuidados que não nos machucam. O libertário consegue conviver com os diferentes, com o que pensa o ditatorialmente. Mas aquele que pensa ditatorialmente não consegue conviver com o libertário e muito menos com o diferente.  Quando os libertários assim não fazem, recebem críticas e considerações irrepreensíveis são feitas. É o demarcador da democracia.  Afinal, no papel e nas artes podem caber tudo, mas os nossos atos e gestos não comportam atitudes intolerantes, não permitem o cultivo dos atos antidemocráticos. Os livros são luzes, mesmo que alguns insistam em pôr fim a claridade.

Penso que o excerto do discurso de posse de Adonias Filho, na Academia Brasileira de Letras, sintetiza o culto pela liberdade e pelos valores de um Estado Democrático de Direito: “Seria imperdoável não mover o tempo, fazendo-o recuar, retomando o passado como a demonstrar que a infância não morre. O menino está deitado na terra, sombras na roça de cacau, os homens cortam os frutos. O agreste de Ilhéus, Itabuna e Itajuípe, em todas as aventuras do povo do sul da Bahia, chega pelas vozes que narram. Heróis que se isolam, o sangue escorre na fala, o menino escuta. A saga é violenta, guerra e ódio, também piedade e amor, a carga humana pesa como o chão de árvores. Ouviu, o menino ouviu. E quando o romancista se debruça para escrever – sem reinventar a fábula regional, sem trair as vozes, sem esquecer as figuras – é o menino quem na verdade escreve. Esses livros, porém, tempo imóvel em minha vida, não se fariam em um país sem liberdade.”

No mundo cada vez mais virtual o suporte para o livro tem mudado bastante. Temos sido seduzidos pelo ebook, mas os processos de criação  continuam com traços assemelhados. Não se busca o papel, mas carecemos de suportes como notebooks, desktops, smartphones. Além dos autores entram em ação outras pessoas que são importantíssimas pela qualidade e estética do livro: o designer, os diagramadores, os revisores… é uma cadeia de profissionais que vai se somando.

O cultivo aos livros em uma sociedade pode dispor sobre o grau de evolução desta civilização. Pode se verificar o acesso desta nação aos recursos culturais. Meu amigo e minha amiga, pode também dizer a respeito de como valoramos o Estado Democrático de Direito. Defender a existência de livros, a circulação e o acesso deles é assegurar a vida humana na sua completude de liberdade. É possibilitar o pleno funcionamento da República de Cidadãos. Vivam os fazedores de livros! Viva a liberdade! Nenhum livro a menos!

OBS: A ideia para escrever esse texto partiu da live feita por Pawlo Cidade, escritor, realizada no domingo, 19/04/2020, iniciada às 15 horas, com duração de uma hora

 

Efson Lima – doutor em direito/UFBA. Coordenador-geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho e do Laboratório de Empreendedorismo, Criatividade e Inovação ( LABECI).  Escritor. Das terras de Itapé/Ilhéus. efsonlima@gmail.com

 

baia do pontal (2)

 Baia do Pontal, em Ilhéus. Um cenário amadiano na cidade de encantos sem fim. (fotos José Nazal)


Baia do Pontal, em Ilhéus. Um cenário amadiano na cidade de encantos sem fim. (fotos José Nazal)

Ilhéus vista do alto

A cidade eternizada por Jorge Amado, em foto de José Nazal

A cidade eternizada por Jorge Amado, em foto de José Nazal

As ´cores vivas` nas telas de Nadja Alves

nadja e jorge zelia (2)

Com exposições já realizadas em Itabuna, Ilhéus e Salvador, a artista plástica Nadja Alves é um desses talentos em estado puro, com seu estilo naif (primitivista). A expressão artística de Nadja Alves salta das telas e ganha vida nos olhos de quem observa quadros que exprimem a alma baiana em todas as suas cores e nuances. E a Bahia é o universo da artista, embora sua arte tenha todo o potencial para romper fronteiras.

nadja q

Em sua coletânea `Coisas da Bahia´, Nadja Alves  revela habilidade de lidar com cores e temas, dando vida a personagens do dia a dia, como  baianas do aracajé, pescadores, capoeiristas, trabalhadores rurais, etc. Grapiuna que é, as telas de Nadja também trazem a Gabriela e o cacau, da inesgotável fonte de Jorge Amado.

nadja baiana

Nadja Alves pinta desde menina, mas só há pouco tempo passou a se dedicar exclusivamente às artes plásticas. Embora tenha trabalhos adquiridos por colecionadores de Salvador, Itacaré, Minas Gerais, São Paulo e Estados Unidos, está a merecer uma presença mais marcante no circuito regional de exposições.

PHOTO-2019-09-23-20-32-30

“Pintar é uma terapia, a coisa que mais gosto de fazer, porque através dos quadros, posso exprimir meus sentimentos”, afirma a artista, que também faz trabalhos em madeira, com as mesmas cores fortes e marcantes.

 

A próxima exposição de Nadja deve acontecer no Shopping Jequitibá, um espaço privilegiado em que circulam milhares de pessoas de todo o Sul da Bahia.

Jorge Amado: um eterno imortal para além de sulbaiano

Efson Lima

 

efson lima   O nosso autor sulbaiano mais destacado da literatura nacional completou 107 anos em 10 de agosto de 2019. Imortalizado na Academia de Letras de Ilhéus, Academia de Letras da Bahia e Academia Brasileira de Letras permanece vivo. Certamente continuará povoando nossas cabeças, nossos imaginários e seduzindo milhares de pessoas para a literatura, assim como eu fui atraído pela obra Capitães de Areia, Gabriela, Cravo e Canela entre outros clássicos. Em Ilhéus se somou a Abel Pereira e a Nelson Schaun, Wilde Oliveira Li8ma e Plínio de Almeida, os quatro últimos membros da Comissão de Iniciativa para fundarem a Academia de Letras de Ilhéus em 1959, que vivencia o ano diamante.

Na Academia de Letras de Ilhéus pertenceu a cadeira de n.°13, cujo patrono Castro Alves o influenciou na produção de suas obras. Por sinal, neste ano, a Literária Internacional do Pelourinho homenageou o poeta abolicionista, cuja FLIPELÔ organizada pela Fundação Jorge Amado presta homenagem ao escritor das terras do cacau, terras essas que conferem identidade a nação grapiúna e ao seu povo. A cadeira de n.°13 o acolheu sua esposa, Zélia Gattai e, agora, acolhe nosso escritor Pawlo Cidade que tem prestado significativos serviços ao campo da gestão cultural no Estado da Bahia, assim como tem construído significativamente uma vasta obra literária, cuja preocupação ambiental aparece em seus livros. Tema que se tornou hodiernamente tão emblemático, especialmente, com a atual gestão federal no país, que parece não ter preocupação com as gerações do presente e muito menos com as futuras.

jorge amado     Na Academia Brasileira de Letras foi eleito, em 6 de abril de 1961, para a cadeira n.° 23, que tem por patrono José de Alencar e por primeiro ocupante Machado de Assis. Jorge Amado, um crítico das academias, na fase adulta, reverá seus posicionamentos, como assinalou em seu discurso de posse na ABL: “Chego à vossa ilustre companhia com a tranqüila satisfação de ter sido intransigente adversário dessa instituição, naquela fase da vida, um que devemos ser, necessária e obrigatoriamente, contra o assentado e o definitivo, quando a nossa ânsia de construir encontra sua melhor aplicação na tentativa de liquidar, sem dó nem piedade, o que as gerações anteriores conceberam e construíram.” O tempo é senhor de nossas razões. E como é!

No início deste texto, disse “nosso autor”, só mesmo para ressaltar mesmo a origem. O escritor pertence ao mundo. É símbolo de nossa terra, nascido em Ferradas, em Itabuna, não só se imortalizou, mas imortalizou-nos na literatura universal. As suas obras de cunho regionalistas conseguiram ter sentido no Chile, na França, em Portugal, na Itália, na antiga URSS. Conseguiu-nos orgulhar. Jorge Amado que recebeu diversas críticas, marginalizado pela crítica do sul, continua vivo em nossas memórias e provocando críticas de diversos movimentos. Sempre que posso pergunto-me, será que o escritor deve agradar ao seu leitor? Eu como sou aprendiz ainda não consigo ter clareza, mas o tempo será senhor das futuras razões.

————–

Efson Lima é Doutor em Direito/UFBA. Coordenador – geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho. Das terras de Itapé/BA e eterno ilheense adotivo. Contato: efsonlima@gmail.com

Jorge Amado, Menino Sergipano?

Daniel Thame

livro DT 1A seca de 1909 dizimou a pequena cidade de Estância, no sertão sergipano. A seca e suas consequências – fome, miséria e morte – não eram novidade para os sertanejos, conformados com os desígnios de Deus naquela natureza morta que sugava gente viva, ano a ano, como se castigo divino fosse.

E era castigo mesmo, não necessariamente divino, mas os homens e mulheres humildes se apegavam à fé, à crença inabalável de um mundo melhor, depois da morte, lá bem acima do céu.

E, no céu, o que eles enxergavam a olhar para o alto não eram os santos, anjos, arcanjos e querubins da fé cega, mas o sol a queimar como chama do inferno. Ironia e heresia.

O sertanejo sempre foi, antes de tudo, um forte, diz o adágio popular.

Mas como não fraquejar vendo a plantação minguar, o gado mirrar, o solo se transformar numa massa disforme e sem vida?

Como não entrar em desespero vendo a fome se aproximar, os filhos pequenos a clamar por um pouco de farinha, um feijão ralo, um copo de água?

Jorge.Amado_Como não sentir uma dor no peito vendo a mulher, antes formosa, se transformar num fiapo de gente, agarrada à Bíblia e à devoção aos santos que, apesar de tantas orações, tanta penitência, não mandavam uma mísera gota de água do céu? Ao contrário, empurravam as nuvens e a chuva para bem longe, lá pro mar distante, onde uma água a mais, uma água a menos não faria falta.

-Não dá mais, a gente vai morrer aqui, vendo tudo se acabar, disse o marido à esposa…

-Deus vai prover na hora certa. Temos que ter fé, respondeu a esposa, como se nascer, sofrer e morrer fosse a ordem natural das coisas.

No colo da mulher, o filho do casal, de um ano de idade, mais um na loteria de vida e morte, com imensas chances de morrer antes de dar os primeiros passos na terra arrasada.

-Não adianta esperar por Deus. A gente tem que ir embora daqui. Chega de tanto sofrimento. A fala do marido agora era de resolução.

-E a gente vai pra onde? Pobre é pobre aqui ou em qualquer lugar do mundo, a mulher era pura resignação.

Read the rest of this entry »

Jorge  contempla o Teatro Municipal, o Vesuvio e a Catedral. Três símbolos da Ilhéus Amadiana...

Jorge contempla o Teatro Municipal, o Vesuvio e a Catedral. Três símbolos da Ilhéus Amadiana…

Janete Lainha expõe no Teatro Municipal de Ilhéus

Exposição de Janete. Foto - Rodrigo Macedo-SECOM 2No mês em que Jorge Amado completaria 107 anos no dia 10, data em que Ilhéus insere na sua programação uma série de acontecimentos que relembra a vida e as obras do escritor, uma exposição de xilogravuras, produzidas pela artista plástica Janete Lainha homenageia o escritor com criatividade e grande estilo. A mostra está aberta à visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 18h e nos finais de semana, na Galeria do Teatro Municipal (TMI), onde as obras estarão à venda.

As Xilogravuras, montadas em 25 quadros de 30 por 40 centímetros, fazem uma verdadeira viagem no tempo, e traduz em um documento histórico, a referência das obras do escritor baiano e seu encontro com as obras de Ilhéus para o mundo. A mostra é uma realização da Secretaria Municipal da Cultura e do Turismo (Secult) e do Museu Casa Jorge Amado, e conta com o apoio da Casa da Cultura Popular.

“Meus trabalhos são marcados por minha trajetória pessoal”, define Janete Lainha, Mestra pela Cultura Popular, que traz a obra “Logra e Logro” para a capa de agosto do catálogo do Teatro Gamboa Nova, em Salvador. A publicação integra o projeto “Se Mostra Interior”, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). “Eu comecei a ilustrar as capas de meus cordéis, foi aí que me chamaram atenção que eu deveria valorizar mais meu trabalho”, revela.

Read the rest of this entry »

Chocolate de origem incrementa turismo gastronômico e histórico em Ilhéus

chocolateA Costa do Cacau tem sol e praia, cultura valorizada pela obra do escritor Jorge Amado, turismo de negócios e ecoturismo, opções para um público diversificado. O destaque dessa região no mapa turístico da Bahia não para por aí. Deve-se também à rica tradição e produção de cacau, que alcança visibilidade internacional esta semana, com a realização da 11ª edição do Chocolat Bahia Festival, entre os dias 18 e 21 de junho.

Com público estimado em mais de 60 mil pessoas durante os quatro dias, o evento é aberto ao público, que será recepcionado por baianas tipicamente vestidas. Mais de 70 produtores de chocolate de origem e de 170 expositores estarão no pavilhão de feiras do Centro de Convenções de Ilhéus. Realizado em parceria com o Governo da Bahia, o festival fortalece o calendário turístico do Estado.

Além da degustação da iguaria, o evento oferece aos investidores cursos de capacitação, debates, rodadas de negócios e palestras ministradas por especialistas internacionais. A programação do Chocolat Bahia inclui ainda workshops gratuitos de receitas com renomados chefs do país, visitas a fazendas produtoras de cacau e exposição de esculturas de chocolate.

Read the rest of this entry »

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

Busca por data
agosto 2020
D S T Q Q S S
« jul    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031