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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

outubro 2022
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:: ‘João Carlos Haas Sobrinho’

Lançamento de revista “Dr. Araguaia” marca 50 anos do desaparecimento de João Carlos Haas Sobrinho

 

 

No dia 30 de setembro, às 20 horas, vai ocorrer a transmissão ao vivo: João Carlos Haas Sobrinho, 50 anos de saudades, 50 anos sem respostas. O evento marcar a data do desaparecimento do médico e guerrilheiro do Araguaia. Nesta data também será lançada a pré-venda da revista de história em quadrinhos “Dr Araguaia”, de Diego Moreira e Gabriel Kolbe, pela editora Alameda.

A live terá convidados especiais e poderá ser assistida no canal de Sonia Maria Haas e da TV Grabois, no Youtube.

A história do médico João Carlos Haas Sobrinho ou “Dr. Juca”, conta da coragem do jovem que integrou a guerrilha do Araguaia para combater a ditadura militar. Morto e desaparecido, sua história está viva na memória da região.

Os familiares de desaparecidos não esquecem seus parentes guerrilheiros e vivem esta ausência sem respostas e sem poder enterrar seus mortos. Eles protestam contra o desmantelamento dos órgãos e das iniciativas ligadas à justiça de transição e aos direitos humanos no atual governo.

O evento tem o apoio do PCdoB de São Leopoldo, da Fundação Maurício Grabois/RS, da Editora Alameda e da Associação de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD).

Vakinha virtual arrecada para revista em quadrinhos com a história do Dr. Juca

A trajetória do médico gaúcho João Carlos Haas Sobrinho será contada numa Revista em Quadrinhos com o nome de Dr. Araguaia. O projeto é de autoria de Diego Moreira, 38anos, nascido na mesma cidade em que o jovem médico, morto aos 31 anos pela ditadura militar, também mereceu um busto em praça pública.

A irmã de João Carlos, Dr Juca na Guerrilha do Araguaia, Sonia Haas está organizando uma arrecadação no site vakinha: ID 21 83 170, para viabilizar todo o projeto gráfico e acabamentos. Diego se inspirou na figura forte do médico e no seu papel comunitário exercido na região da Amazônia, e desde 2011 traça seu sonho.

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/projeto-revista-quadrinhos-dr-araguaia

De Sonia para João..

 

joao carlos

Meu irmão,

Teu olhar me transporta a um tempo que não vivi, a sonhos que não sonhei, a horizontes que não vislumbrei.

Teu sorriso me traz serenidade, me diz que cada passo teu deixou pegadas inesquecíveis e que jogaste as sementes no lugar mais fértil que havia.

Teu exemplo deixou para todos nós a lição do amor ao próximo e a esperança de um mundo melhor.

Tua história é vida e assim se multiplica. E segues vivo em cada um de nós.

Sônia Haas

João Carlos Haas Sobrinho, Presente!!

Busto em frente à prefeitura de São Leopoldo  (RS),  feito pelo escultor Frasson.(Foto by Suzi Whonghon.)

Busto em frente à prefeitura de São Leopoldo (RS), feito pelo escultor Frasson.(Foto by Suzi Whonghon.)

Estar ao lado do João, é me sentir mais forte e saber que estou no caminho certo.

 

 

A cada abraço, sorriso e palavra de cumplicidade que recebo, sinto que ele deixou marcas indeléveis por onde passou.

 

 
Hoje completaria 78 anos, nasceu no dia de São João, o que minha mãe sempre achou muito bonito.

 

 
Depois que tivemos certeza de seu desaparecimento e morte, ocorrida por volta do dia 30 de setembro de 1972, segundo relatos, todo dia 24 de junho ela mandava rezar uma missa, era um momento de conforto para aquele vazio que a cada ano fica maior.

 

 
Nossos pais faleceram sem poder sepultar dignamente o filho que tanto amaram, eles se foram sem ter respostas. E assim seguimos até hoje.
Escrevo sobre nossa dor porque ela se iguala a tantas outras dores de famílias que perdem filhos, filhas, pais, mães nas violências que nos rondam pela vida de hoje. É duro, meus amigos.

 

 
Escrevo para que todos lutem por mais igualdade, por justiça, por não preconceito, por não fobias, por não racismo!

 

 
Pela vida dos que já se foram lutando, lutemos também.

 

 
João Carlos Haas Sobrinho, Presente!!

Ditadura Militar: lembrar sempre, pra não esquecer nunca

Depoimento de Sonia Haas, irmã do médico João Carlos Haas Sobrinho, o Dr. Juca, desaparecido na Guerrilheira do Araguaia, durante a Ditadura Militar.

O corpo de Juca nunca foi encontrado.

Setenta e cinco noites frias: João Carlos Haas Sobrinho

Sonia Haas

Rio Grande do Sul, São Leopoldo, 1941. Noite fria de São João. Nossa mãe, ansiosa, enfrentava a madrugada à espera da chegada do segundo filho.

Na rua Primeiro de março, número 514, a janela se entreabria e os raios da lua banhavam a sala pequena do sobrado dos Haas. Nosso pai, Ildefonso, católico que sempre foi, rezava para que a esposa Ilma Linck tivesse uma boa hora do parto. Contou-me ele, nos idos de 1980, quando conseguiu expor seus sentimentos em relação à história do filho desaparecido na ditadura, que nos primeiros momentos do ecoar do choro de João Carlos, uma luz forte entrou pela vidraça embaçada do quarto alertando: “Cuida bem deste teu filho, pois ele é especial.”

jocaJoão Carlos foi um menino alegre, tinha no olhar o brilho da liderança. Jogava futebol, organizava festas, brincava com os animais, ajudava a mãe a cozinhar, escrevia poemas e artigos no jornal da escola – um aluno nota dez, cheio de medalhas no peito. Fez-se homem e seguiu firme em busca de seus ideais, atitude difícil para a família entender. João Carlos escolheu a Medicina e ao longo do curso percebeu que esta escolha poderia conduzi-lo a algo maior: dedicar sua vida ao próximo. E assim seguiu, se afastando das ruas de nossa cidade.

Ficamos nós, familiares e amigos, navegando em um vazio de obscuridade.

Em 1966 ele deixou o nosso convívio, rompeu os limites de seu horizonte e pisou firme nos trilhos de um novo mundo, onde o homem estaria no centro, como majestade, livre e forte. Assim ele quis, assim sonhou e lutou, até tombar em 1972, na região do Araguaia.

As noites de 24 de junho sempre foram frias, porém, para nossa família, após 1966, foram ficando gélidas, carregadas de saudade e tristeza.

Na infância da rua Primeiro de março, havia bandeirinhas e fogos na noite de São João: era a comemoração da vida. Recordo o profundo silêncio que ficou após termos ciência de seu desaparecimento, em 1979, 7 anos após a sua morte. Em cada canto da casa parecia haver uma oração a acalentar a esperança de que era tudo um sonho, não era verdade. Mas a realidade veio batendo à nossa porta aos poucos, a cada notícia: o reencontro não aconteceria.

Nossa mãe silenciava sua dor na tristeza do olhar, em todos estes aniversários passados. Até 2001, quando nos deixou, sempre fazia uma encomenda: “Já mandei rezar a missa para o João, vamos?”, com voz embargada me ligava sempre, a cada ano, numa nostalgia ritmada pelo vazio sem respostas.

24 de junho de 2016: 75 anos de nascimento de um amigo do povo que não mediu esforços para cumprir sua missão. Seu Ildefonso e Dona Ilma partiram sem poder sepultar o filho que tanto amaram. Talvez porque, na verdade, ele esteja mais vivo do que nunca, entre nós. Não só na memória dos que com ele conviveram, como também em tantas homenagens que vieram depois. João Carlos Haas Sobrinho: Presente!

 Sônia Maria Haas  é  publicitária e  irmã de João Carlos

Para João Carlos

joao chão

Por Sonia Haas

joão“43 anos de desaparecimento

Este lugar carrega a tua história no seu próprio silencio, nas folhas paralisadas e nas raízes que invadem a terra.

O pó que vem do chão parece querer falar comigo, dizer o que não foi dito.

O Rio Araguaia baila com suas margens ao redor do tempo, e não nos deixa esquecer cada pedaço de vida que por ali ficou.

Cada raio de sol vem querer afagar meu rosto e dar o conforto que tanto espero.

E com esta saudade vou seguindo, carregando as histórias e juntando forças para lutar em honra aos nossos heróis, pela verdade e pela justiça.

JOÃO CARLOS HAAS SOBRINHO
* 24/06/1941 São Leopoldo-RS +30/09/1972 Xambioá Tocantins”

(*) Sonia é irmã de João, o Dr. Juca, um dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, assassinado pela ditadura militar. O corpo do médico-guerrilheiro nunca foi encontrado.

Guerrilha do Araguaia: lições de João Carlos Haas Sobrinho

Por Osvaldo Bertolino, na revista Grabois

joão 6

Porto Franco, no Sul do Estado do Maranhão, é uma cidade singular. Foi essa a impressão que tive ao chegar lá na tarde ensolarada do domingo (30/05/2011) para acompanhar as homenagens ao guerrilheiro do Araguaia João Carlos Haas Sobrinho, o médico que morou ali por quase dois anos no final da década de 1960. Situada a mais de cem quilômetros de Imperatriz, a cidade pólo da região, Porto Franco impressiona pela organização, limpeza e hospitalidade.

Instalado em um modesto hotel — onde já estavam Sônia Haas, irmã de João Carlos, e Nelson Sales, presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em São Leopoldo (RS), a cidade natal do médico —, fui recepcionado pelo secretário de Cultura, Vaner Marinho. A primeira visita foi à rua onde o “doutor João Carlos” — como é conhecido em Porto Franco e região — morou, em frente à antiga residência de Maurício Grabois (seu Mário), Elza Monnerat (dona Lúcia), Gilberto Olímpio (Gilberto) e André Grabois (Zé Carlos).

A vizinhança logo começou a descrever passagens em que o “doutor João Carlos” se destacou pela solidariedade e dedicação ao povo da região. Os relatos deram conta de um jovem desprendido, ousado e educado, que rapidamente conquistou a confiança de todos. Em duas residências que visitamos, os vizinhos se revezam para responder às perguntas do ansioso repórter e dos demais visitantes que queriam saber detalhes da convivência com os que seriam guerrilheiros do Araguaia.

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Um Golpe, 50 OIlhares

Um Golpe, 50 Olhares é uma produção colaborativa, que busca retratar o olhar da sociedade brasileira sobre os anos de chumbo no Brasil passados 50 anos de golpe civil militar. O projeto reúne 50 vídeos de 1 minuto de duração produzidos por realizadores de diferentes estados do país. O resultado é um painel de reflexões diversas sobre o período da ditadura e seu legado negativo para a sociedade brasileira.

O projeto é apoiado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, através do Projeto Marcas da Memória, e organizado pela ONG CRIAR BRASIL – Centro de Imprensa, Assessoria e Rádio. Uma das participantes do documentário é a publicitária Sonia Haas, irmã do médico João Carlos Haas Sobrinho, o Dr. Juca, um dos desaparecidos da Guerrilha do Araguaia.

” O resgate da historia do Brasil é de grande relevância e nada pode ser esquecido ou escondido. Esta iniciativa oportuniza que socializemos historias não contadas ainda e expressemos o sentimento de dor e vazio que marca o emblema dos anos de chumbo. Para mim foi muito importante participar e poder colaborar”, afirma Sonia Haas.

Emissoras de tevê interessadas em receber o material em HD devem entrar em contato pelo email: 50olhares@criarbrasil.org.br

Dr. Juca, um herói brasileiro

Estudantes da Universidade Católica de Brasília produziram um documentário-depoimento com a jornalista Sonia Haas, irmã do médico e militante do PC do B, João Carlos Haas Sobrinho, o Dr. Juca, que participou da Guerrilha do Araguaia e foi assassinado durante a repressão da Ditadura Militar.

O corpo do Dr. Juca nunca foi encontrado. No vídeo, realizado pela equipe do CRTV do Curso de Comunicação da UCB , Sonia Haas relembra a trajetória do irmão e conta como a ditadura afetou sua família e a de milhares de brasiiros.

Um depoimento para a História. Confira:





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