hanna thame fisioterapia animal
bahiagas livros do thame

Posts Tagged ‘João Carlos Haas Sobrinho’

João Carlos Haas Sobrinho, Presente!!

Busto em frente à prefeitura de São Leopoldo  (RS),  feito pelo escultor Frasson.(Foto by Suzi Whonghon.)

Busto em frente à prefeitura de São Leopoldo (RS), feito pelo escultor Frasson.(Foto by Suzi Whonghon.)

Estar ao lado do João, é me sentir mais forte e saber que estou no caminho certo.

 

 

A cada abraço, sorriso e palavra de cumplicidade que recebo, sinto que ele deixou marcas indeléveis por onde passou.

 

 
Hoje completaria 78 anos, nasceu no dia de São João, o que minha mãe sempre achou muito bonito.

 

 
Depois que tivemos certeza de seu desaparecimento e morte, ocorrida por volta do dia 30 de setembro de 1972, segundo relatos, todo dia 24 de junho ela mandava rezar uma missa, era um momento de conforto para aquele vazio que a cada ano fica maior.

 

 
Nossos pais faleceram sem poder sepultar dignamente o filho que tanto amaram, eles se foram sem ter respostas. E assim seguimos até hoje.
Escrevo sobre nossa dor porque ela se iguala a tantas outras dores de famílias que perdem filhos, filhas, pais, mães nas violências que nos rondam pela vida de hoje. É duro, meus amigos.

 

 
Escrevo para que todos lutem por mais igualdade, por justiça, por não preconceito, por não fobias, por não racismo!

 

 
Pela vida dos que já se foram lutando, lutemos também.

 

 
João Carlos Haas Sobrinho, Presente!!

Ditadura Militar: lembrar sempre, pra não esquecer nunca

Depoimento de Sonia Haas, irmã do médico João Carlos Haas Sobrinho, o Dr. Juca, desaparecido na Guerrilheira do Araguaia, durante a Ditadura Militar.

O corpo de Juca nunca foi encontrado.

Setenta e cinco noites frias: João Carlos Haas Sobrinho

Sonia Haas

Rio Grande do Sul, São Leopoldo, 1941. Noite fria de São João. Nossa mãe, ansiosa, enfrentava a madrugada à espera da chegada do segundo filho.

Na rua Primeiro de março, número 514, a janela se entreabria e os raios da lua banhavam a sala pequena do sobrado dos Haas. Nosso pai, Ildefonso, católico que sempre foi, rezava para que a esposa Ilma Linck tivesse uma boa hora do parto. Contou-me ele, nos idos de 1980, quando conseguiu expor seus sentimentos em relação à história do filho desaparecido na ditadura, que nos primeiros momentos do ecoar do choro de João Carlos, uma luz forte entrou pela vidraça embaçada do quarto alertando: “Cuida bem deste teu filho, pois ele é especial.”

jocaJoão Carlos foi um menino alegre, tinha no olhar o brilho da liderança. Jogava futebol, organizava festas, brincava com os animais, ajudava a mãe a cozinhar, escrevia poemas e artigos no jornal da escola – um aluno nota dez, cheio de medalhas no peito. Fez-se homem e seguiu firme em busca de seus ideais, atitude difícil para a família entender. João Carlos escolheu a Medicina e ao longo do curso percebeu que esta escolha poderia conduzi-lo a algo maior: dedicar sua vida ao próximo. E assim seguiu, se afastando das ruas de nossa cidade.

Ficamos nós, familiares e amigos, navegando em um vazio de obscuridade.

Em 1966 ele deixou o nosso convívio, rompeu os limites de seu horizonte e pisou firme nos trilhos de um novo mundo, onde o homem estaria no centro, como majestade, livre e forte. Assim ele quis, assim sonhou e lutou, até tombar em 1972, na região do Araguaia.

As noites de 24 de junho sempre foram frias, porém, para nossa família, após 1966, foram ficando gélidas, carregadas de saudade e tristeza.

Na infância da rua Primeiro de março, havia bandeirinhas e fogos na noite de São João: era a comemoração da vida. Recordo o profundo silêncio que ficou após termos ciência de seu desaparecimento, em 1979, 7 anos após a sua morte. Em cada canto da casa parecia haver uma oração a acalentar a esperança de que era tudo um sonho, não era verdade. Mas a realidade veio batendo à nossa porta aos poucos, a cada notícia: o reencontro não aconteceria.

Nossa mãe silenciava sua dor na tristeza do olhar, em todos estes aniversários passados. Até 2001, quando nos deixou, sempre fazia uma encomenda: “Já mandei rezar a missa para o João, vamos?”, com voz embargada me ligava sempre, a cada ano, numa nostalgia ritmada pelo vazio sem respostas.

24 de junho de 2016: 75 anos de nascimento de um amigo do povo que não mediu esforços para cumprir sua missão. Seu Ildefonso e Dona Ilma partiram sem poder sepultar o filho que tanto amaram. Talvez porque, na verdade, ele esteja mais vivo do que nunca, entre nós. Não só na memória dos que com ele conviveram, como também em tantas homenagens que vieram depois. João Carlos Haas Sobrinho: Presente!

 Sônia Maria Haas  é  publicitária e  irmã de João Carlos

Para João Carlos

joao chão

Por Sonia Haas

joão“43 anos de desaparecimento

Este lugar carrega a tua história no seu próprio silencio, nas folhas paralisadas e nas raízes que invadem a terra.

O pó que vem do chão parece querer falar comigo, dizer o que não foi dito.

O Rio Araguaia baila com suas margens ao redor do tempo, e não nos deixa esquecer cada pedaço de vida que por ali ficou.

Cada raio de sol vem querer afagar meu rosto e dar o conforto que tanto espero.

E com esta saudade vou seguindo, carregando as histórias e juntando forças para lutar em honra aos nossos heróis, pela verdade e pela justiça.

JOÃO CARLOS HAAS SOBRINHO
* 24/06/1941 São Leopoldo-RS +30/09/1972 Xambioá Tocantins”

(*) Sonia é irmã de João, o Dr. Juca, um dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, assassinado pela ditadura militar. O corpo do médico-guerrilheiro nunca foi encontrado.

Guerrilha do Araguaia: lições de João Carlos Haas Sobrinho

Por Osvaldo Bertolino, na revista Grabois

joão 6

Porto Franco, no Sul do Estado do Maranhão, é uma cidade singular. Foi essa a impressão que tive ao chegar lá na tarde ensolarada do domingo (30/05/2011) para acompanhar as homenagens ao guerrilheiro do Araguaia João Carlos Haas Sobrinho, o médico que morou ali por quase dois anos no final da década de 1960. Situada a mais de cem quilômetros de Imperatriz, a cidade pólo da região, Porto Franco impressiona pela organização, limpeza e hospitalidade.

Instalado em um modesto hotel — onde já estavam Sônia Haas, irmã de João Carlos, e Nelson Sales, presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em São Leopoldo (RS), a cidade natal do médico —, fui recepcionado pelo secretário de Cultura, Vaner Marinho. A primeira visita foi à rua onde o “doutor João Carlos” — como é conhecido em Porto Franco e região — morou, em frente à antiga residência de Maurício Grabois (seu Mário), Elza Monnerat (dona Lúcia), Gilberto Olímpio (Gilberto) e André Grabois (Zé Carlos).

A vizinhança logo começou a descrever passagens em que o “doutor João Carlos” se destacou pela solidariedade e dedicação ao povo da região. Os relatos deram conta de um jovem desprendido, ousado e educado, que rapidamente conquistou a confiança de todos. Em duas residências que visitamos, os vizinhos se revezam para responder às perguntas do ansioso repórter e dos demais visitantes que queriam saber detalhes da convivência com os que seriam guerrilheiros do Araguaia.

Read the rest of this entry »

Um Golpe, 50 OIlhares

Um Golpe, 50 Olhares é uma produção colaborativa, que busca retratar o olhar da sociedade brasileira sobre os anos de chumbo no Brasil passados 50 anos de golpe civil militar. O projeto reúne 50 vídeos de 1 minuto de duração produzidos por realizadores de diferentes estados do país. O resultado é um painel de reflexões diversas sobre o período da ditadura e seu legado negativo para a sociedade brasileira.

O projeto é apoiado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, através do Projeto Marcas da Memória, e organizado pela ONG CRIAR BRASIL – Centro de Imprensa, Assessoria e Rádio. Uma das participantes do documentário é a publicitária Sonia Haas, irmã do médico João Carlos Haas Sobrinho, o Dr. Juca, um dos desaparecidos da Guerrilha do Araguaia.

” O resgate da historia do Brasil é de grande relevância e nada pode ser esquecido ou escondido. Esta iniciativa oportuniza que socializemos historias não contadas ainda e expressemos o sentimento de dor e vazio que marca o emblema dos anos de chumbo. Para mim foi muito importante participar e poder colaborar”, afirma Sonia Haas.

Emissoras de tevê interessadas em receber o material em HD devem entrar em contato pelo email: 50olhares@criarbrasil.org.br

Dr. Juca, um herói brasileiro

Estudantes da Universidade Católica de Brasília produziram um documentário-depoimento com a jornalista Sonia Haas, irmã do médico e militante do PC do B, João Carlos Haas Sobrinho, o Dr. Juca, que participou da Guerrilha do Araguaia e foi assassinado durante a repressão da Ditadura Militar.

O corpo do Dr. Juca nunca foi encontrado. No vídeo, realizado pela equipe do CRTV do Curso de Comunicação da UCB , Sonia Haas relembra a trajetória do irmão e conta como a ditadura afetou sua família e a de milhares de brasiiros.

Um depoimento para a História. Confira:

“Ausências Brasil” mostra os mártires invisíveis da Ditadura Militar

lembrar sempre, para não esquecer nunca

Está aberta ao público a mostra Ausências Brasil, em exposição no Arquivo Público do Estado de São Paulo, que reúne fotografias de famílias brasileiras que sofreram com a perda de um parente durante a ditadura militar. A exposição traz fotos das famílias feitas durante o regime, ao lado de uma recriação atual da cena, feita pelo fotógrafo argentino Gustavo Germano. No novo clique, Germano tenta reconstruir o momento da primeira imagem, mas agora sem o parente morto ou desaparecido.

“Essas famílias sabem que há um sentimento permanente de presença nas ausências de seus familiares”, explica Germano. “O objetivo é falar do tempo em que elas viveram com essas ausências e do tempo que as vítimas não puderam viver.” O projeto começou com o retrato das famílias de vítimas da ditadura na Argentina (1976-1984), mas logo se expandiu aos países do cone sul, palco da operação Condor – uma ação conjunta das ditaduras dos países da América Latina para prender seus opositores.

João Carlos Haas Sobrinhos, o Dr. Juca

Um dos seus irmãos, Eduardo, foi um dos 30 mil mortos durante o regime. “No fundo, o que qualquer familiar de um desaparecido gostaria é de tê-lo visto envelhecer”, diz o fotógrafo. Entre os casos brasileiros, Germano retrata a família de Fernando Santa Cruz Oliveira, líder estudantil durante a ditadura e membro da APML (Ação Popular Marxista-Leninista). Nascido em Recife, Santa Cruz desapareceu em 1974, depois de ter sido preso pelo DOI-CODI no Rio.

Em maio do ano passado, o ex-delegado Cláudio Guerra disse, em depoimento ao livro “Memórias de uma Guerra Suja”, que teria incinerado o corpo de Santa Cruz, e de outros 10 mortos pela ditadura, em um forno de uma usina de açúcar em Campos (RJ). A Polícia Federal abriu uma investigação sobre as declarações de Guerra.

Além de Santa Cruz, também foram retratadas as famílias dos brasileiros Ana Rosa Kucinski Silva, Alex de Paula Xavier Pereira, João Carlos Haas Sobrinho, entre outros. Promovida pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e organizada pela Ong Alice (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação), a exposição permanece no Arquivo Público do Estado de São Paulo até abril. (da Folha de São Paulo)

 

Rio Grande do Sul homenageia os 40 anos da morte de João Carlos Haas Sobrinho

O domingo (30/9) marcou os 40 anos da morte de João Carlos Haas Sobrinho, médico leopoldense que integrou a Guerrilha do Araguaia durante o Regime Militar e foi morto em combate. No novo Centro Administrativo do Município, em frente ao busto do Dr. Juca, apelido do médico leopoldense, o Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH) prestou uma homenagem na manhã de sábado que reuniu parentes e amigos de João Carlos, além de militantes de seu partido e dos direitos humanos. “Eu via ele como uma pessoa incapaz de matar uma formiga. Mas ele já achava que a solução viável para combater a ditadura era a guerra civil”, conta Marco Aurélio Bemvenuti, 69 anos, amigo de juventude do guerrilheiro.

“A lembrança que tenho dele é de uma criança muito tímida, mas também muito inteligente”, recorda a prima Maria Luíza Linck. Também no sábado pela manhã, o médico foi homenageado no Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, quando o diretor, Márcio Linck, recebeu de Sônia Maria Haas, irmã, um álbum digital com fotos, documentos e curiosidades de João Carlos. Na sexta-feira, a homenagem ocorreu no Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM).

BIOGRAFIA

Em 1963, enquanto cursava Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), João Carlos Haas Sobrinho foi eleito presidente do Centro Acadêmico Sarmento Leite. Após o golpe militar, teve a matrícula cassada ao ser preso pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) por ser militante de esquerda. Após liberado, a Ufrgs voltou atrás e Haas se formou. Em 1966, fez treinamento de guerrilha na China. No ano seguinte, abriu um hospital em Porto Franco, Maranhão. Em 30 de dezembro de 1972, morreu em combate contra fuzileiros navais do Exército Brasileiro no Pará. Até hoje, é dado como desaparecido pelo Exército. (do jornal  Vale dos Sinos)

JUSTA HOMENAGEM A UM GRANDE BRASILEIRO

Se  vivo  fosse, João  Carlos Haas Sobrinho  teria hoje  71 anos.  Mas, além  de médico,   o dr.  João Carlos era um idealista.  E  lutando  por um  ideal, a democracia, João Carlos tombou na Guerrilha do  Araguaia, trucidado pela ditadura militar  que ele combateu  com destemor.

Após 40  anos de seu desaparecimento, João continua vivo no coração de quem o conheceu e recebe homenagens que preservam  sua memória. Nesta quinta-feira, ele será homenageado  no  Rio  Grande do Sul,  seu estado natal, com a presença de familiares e amigos.

Sobre João Carlos, escreveu Maurício Grabois em seu diário no dia em que soube de  sua morte em combate: “Desprendido, modesto, corajoso, inteligente, capaz, tinha muito a dar à revolução. No futuro, o povo brasileiro reverenciará sua memória como um dos seus melhores filhos”.

Está reverenciando, num  justo  reconhecimento a  um grande brasileiro.

 

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

Busca por data
novembro 2019
D S T Q Q S S
« out    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930