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A História do Cristo de Ilhéus

 Gerson Marques

gerson marquesAos primeiros raios do dia a notícia varreu a cidade como um terremoto, em sua casa o prefeito foi acordado aos gritos, havia uma frenesi generalizada e uma histeria coletiva por todos os cantos, o Bispo, muito nervoso correu para igreja acompanhado por um grupo de padres e devotos, todos se perguntavam como isso tinha acontecido, por que? seria coisa de Deus? Ou daquele?

Para o prefeito, não havia dúvidas, era coisa da oposição, aqueles comunistas ateus, materialistas dos diabos interessados em combater seu governo, com golpes baixos e sabotagem.

Em pouco tempo uma multidão já se formava no local, as pessoas vinham de todos os lugares e se dirigiam em hordas para a ponta do Unhão (conhecida hoje como praia do Cristo), as ruas e a praia estavam apinhadas de gente assombradas com a notícia e completamente incrédulas com o que viam, assim começou o dia vinte e sete de junho de mil novecentos e quarenta e dois, em Ilhéus, véspera do aniversário da cidade.

cristo 2Nas proximidades do local, um conhecido estivador  morador do Outeiro, dos primeiros a ver o ocorrido, comentava em voz alta que nos últimos dias coisas estranhas estavam acontecendo em Ilhéus, para ele, tudo era sinal do fim dos tempos, disse lembrando o caso do fantasma alado que fora visto por muitos no povoado do Banco da Vitória, voando a noite entre o cemitério e a fazenda dos suíços, fazia um barulho tenebroso, disse o estivador,  soltando um grunhido macabro que assustou os presentes, lembrou também do padre holandês, que morreu afogado no Rio do Braço e dias depois foi visto por muitos rezando uma missa na capela da fazenda dos Catalão, e agora isso aqui uma coisa inexplicável e assustadora, era sem dúvida um sinal do fim dos tempos, insistiu o estivador.

Perto dali, em uma roda de fazendeiros de cacau e comerciantes o líder oposicionista Nelson Adami de Carvalho, apresentava sua tese para o acontecimento, baseado em uma teoria conspiratória, dizendo que o ocorrido fora sem dúvida uma invenção do próprio prefeito, só para caluniar a oposição, no que era apoiado por uns e refutado por outros.

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O Outeiro de São Sebastião: uma história de Ilhéus

Gerson Marques

 

gerson marquesO mar calmo do dia 20 de janeiro de 1536, permitiu a fácil navegação até o interior da baía, uma ancoragem tranquila marcou o fim de uma longa viagem que havia começado quatro meses antes em Portugal, era verão nos Ilhéus, já batizado de São Jorge, que recebia a primeira embarcação com colonos enviada pelo donatário da Capitania, Jorge Figueiredo Correia.

A exuberante colina tomada por uma densa floresta que dominava a entrada da baía, foi logo apontada como o ponto ideal para a construção das primeiras moradias e fortificações, a data deu o nome a colina, Outeiro de São Sebastião.

Nascido na cidade do Porto,  experiente em navegações pelos Açores e África, o marujo Manoel Antônio Gonzaga, foi encarregado de derrubar as primeiras árvores, abrir clareira e construir moradias, no dia seguinte acompanhado por mais três marujos subiu o Outeiro com grande dificuldade, trabalho duro, aberto a primeira clareira puderam se deslumbrar com a beleza da paisagem descortinada para o Atlântico, quando se preparavam para descer foram tomados de surpresa ao descobrirem uma família de macacos no alto de uma árvore, Manoel o único que possuía uma arma, não teve dúvidas,  apontou a velha besta carregada de pólvora e chumbo na direção dos bichos, notou que tratava-se de uma fêmea com filhote no colo e um macho forte pouco acima, com a mira feita em distância curta preparou para o disparo quando ouviu a macaca dizer em alto e bom som, “ou Inácio segura aqui Ignacio, vou ver se esse português é macho” descendo em balada carreira na direção ao português Manoel, assustado, tanto pela reação e mais ainda por ver bicho falar, fugiu em disparada desengonçado que escorregou na borda de um precipício e caiu de grande altura, falecendo imediatamente.

outeiro iosEm 1567, a Vila de São Jorge dos Ilhéus já se espalhava do Outeiro ao baixio plano e brejado que circundava o sopé do morro,  da beira mar até a enseada de dentro, onde o cais improvisado aportavam raras caravelas que bordeavam a costa, ligando os pequenos povoados a Salvador e Lisboa.

Por essa época, travava-se no Rio de Janeiro, ainda um povoamento, uma ranzinza batalha entre os franceses liderados por Nicolau Durand de Villegagnon, contra os portugueses, por sua vez liderados por Estácio de Sá. Com dificuldades para vencer a batalha e expulsar os franceses da Guanabara,          o governador Geral do Brasil,  Mem de Sá, resolve formar uma tropa, e ajudar seu sobrinho, recrutou em Ilhéus um exército mambembe formado por índios, caboclos e uns poucos portugueses, partiram por terra para o Rio de Janeiro em outubro de 1567, entre os Ilheenses logo se destacou Felisberto Duvivier, filho de um francês deportado, com uma Índia nativa de Olivença,  catequisada pelos Jesuítas, aceitou casar com o francês, tiveram vários filhos, o mais velho, Duvivier, nasceu no Outeiro de São Sebastião em maio de 1545, recebendo a reencarnação do espírito do finado Manuel, aquele dos macacos.

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Os galos e os holandeses

 

Gerson Marques

gerson marquesO galo de Manoel Ascanio  cocoricou três vezes, era o arauto do Sol, o título mais imponente na hierarquia do mundo dos galos, era dele a primazia de inaugurar o dia, status conseguido ao longo de muitos anos, madrugada após madrugada, até ter o peito forte e a garganta afinada para impor seu carcarejar[g1] , e ser respeitado pela galaiada da Vila.

O galo da viúva Maria Dolores, alguns quintais depois, era sempre o segundo, fazia a contra resposta ao primeiro e chamava o seguinte, assim, galo após galo e cada vez mais distante  todos cumpriam seu papel de tecer o amanhã.

O arauto reinava de cima do galho mais alto do pé de araçá, no quintal de Manoel Ascanio, atento ouvia orgulhoso tempos depois a resposta do galo mais distante, lá pelos quintais da ilha dos sapos, ai então, começava tudo novamente.

Pronto, estava decretado o fim do silêncio da alta madrugada, agora já era  boca do amanhecer,  quando nossas vistas ainda ver tudo escuro  mas os galos, com olhos de galos já enxergam os primeiros raios do sol em um horizonte que ainda nem existe.

Contrariado, Manoel Ascanio levantou da tarimba meio cambaleante, arrastou os pés no chão frio de terra batida, caminhou com dificuldade no escuro em direção a porta do fundo que não passava e um pano velho, seguiu em meio do mato manso do quintal até debaixo do pé araçá, deu bom dia pro galo, baixou as calças e começou a mijar, lembrou do tenebroso sonho que teve há pouco, a morte lhe chegava sem avisar na forma de fogo e ferro, partia seu corpo em milhares de pedaços e sua alma atordoada não sabia para onde ir, tudo tão rápido como piscar dos olhos, teve medo e frio, com esforço afastou o pensamento ruim da cabeça e lembrou dos tempos de criança, nos anos da invasão dos sapos, quando mijava ali mesmo debaixo do pé de araçá, derrubando um por um com seu mijo de rapaz sadio, te tanto praticar desenvolveu uma técnica de lançar jatos intermitentes e fortes como uma bala de canhão, sorrio em silêncio quando comparou com seu mijo fraco e gotejando do homem velho que se tornou,  estava absorto nestes pensamentos urinários quando ouviu um barulho tão forte como o fim do mundo.

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A invasão dos Sapos

 Gerson Marques

gerson marquesQuando o castelhano Filipe de Guillem chegou aqui, fazia três anos que tinha começado a praga dos sapos, nestes tempos viviam em Ilhéus umas  oitenta almas, – índios e negros não contavam – em umas doze moradias quase todas no Outeiro de São Sebastião e em três engenhos de cana de açúcar, eram habitações muito rústicas feitas de madeira, pedra, barro e palhas. A pequena igreja de Nossa Senhora e a Casa dos padres eram as edificação mais importante da Vila, feitas em adobe ajuntados por uma espécie de cimento com areia, pó de conchas, e óleo de baleia, não existia nem um padre morando por aqui, já que não restou um vivo na cidade depois que começou a praga dos sapos, o ultimo, Manoel de Andrade, havia morrido queimado na Santa Fogueira da Inquisição, depois de enlouquecer atormentado com a invasão dos anfíbios batráquios, como explicou Tertulino Alvarenga o coroinha da Paróquia, que  naqueles tempos era única autoridade eclesial da comunidade.

Segundo o relatado na missiva mandada ou Rei D. João III em 1539  por Filipe Guillen, a Vila era o lugar mais parecido com o inferno que ele podia imaginar, se não fosse aqui o próprio Hades, Ilhéus nesta época vivia uma desolação completa, tomada por uma praga de sapos que invadiu todos os lugares, casas, ruas, igreja, plantações, e todo espaço possível, a perturbação era potencializada pelo enorme barulho do coaxar incessante dia e noite, capaz de enlouquecer até um monge tibetano, o único lugar da cidade que não tinha sapos era a praia.

Essa tragédia teria começado quando o fidalgo português João de Tiba aportou na Vila vindo de Portugal em uma nau muito avariada depois de quatros meses e doze dias de navegação errante pelo Atlântico, seu destino era a Capitania de Porto Seguro, onde o donatário Pedro Tourinho, teria lhe ofertado uma enorme sesmaria, trazia na bagagem entre as coisas que pode salvar, ( já que metade dos pertences foram jogados ao mar para aliviar o peso e evitar naufrágio certo), uma gaiola onde mantinha um rebanho de sapos, trinta fêmeas e seis machos, que, segundo João de Tiba, seria muito útil para comer besouros e todo tipo de inseto que infestavam as terras ainda virgens do Brasil.

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A incrível historia de Che Guevara em Ilhéus

Gerson Marques

 gerson marquesO navio da Costeira havia chegado na madrugada, jogou âncora nas proximidades da entrada da barra, esperou o dia amanhecer, soltou cinco apitos longos e graves entrou na baía do Pontal  com a elegância de um cisne negro, ancorou pouco tempo depois no cais da companhia, o movimento frenético do desembarque começou imediatamente, uma multidão logo se formou na balbúrdia do cais, estivadores, marinheiros, passageiros, pessoas que esperavam parentes, vendedores de pastel, picolé e jornal, carregadores de bagagens oferecendo seus serviços em carrinhos de mãos, e toda fauna humana que habita beiras de cais em qualquer lugar do mundo, pescadores, marujos, prostitutas, meliantes amadores e profissionais. O ar estava tomado por um cheiro nauseante de maresia, misturado a peixes, perfumes caros e baratos, suor e charutos, inebriava os mais sensíveis e gerava reclamações dos mal humorados em geral, isso tudo debaixo de uma chuva fina e um calor abafado.

Passou sem ser notado, carregando uma pequena maleta de couro  marrom, vestido em um surrado terno de linho branco, apesar de alto e jovem, caminhou a passos lentos em direção ao Hotel Coelho, duas quadras de distância do porto, lá escreveu na ficha de hospedagem o nome de Ernesto G. de La Serna, natural da Argentina, 30 anos, médico de profissão.

Do mesmo navio, desembarcou com idêntica  discrição, o cidadão americano Porter J. Goss, nome que colocou na ficha de hospedagem do mesmo hotel, preenchida dezessete minutos após o argentino Ernesto.

A Ilhéus de 1956, era uma pequena mas cosmopolitana cidade, com grande presença de estrangeiros, tanto em sua população fixa como de visitantes, muitos deles atraídos pelos milhões gerados no próspero negócio do cacau.

Os hóspedes estrangeiros do Hotel Coelho, juntaram-se a outros tantos que iam e vinham nas ruas próximas ao cais, a cidade fervilhava logo cedo, o movimento dos poucos automóveis disputava o espaços das ruas com as tropas de mulas e burros carregando cacau para o cais, a estudantada passava fazendo algazarras, e as lojas começavam a abrir suas portas, já era quente e abafado o dia, com sol matinal e chuvas eventuais de verão, nesta época os libaneses e sírios dominavam o comércio, algumas firmas exportadoras de cacau eram de suíços e outras pertenciam a grandes empresários de Salvador, os ingleses eram os homens da ferrovia, e os sergipanos vindo de todo nordeste inclusive do sertão baiano, tocavam as bodegas, mercearias, vendas e o negocio de quinquilharias em geral, aos negros cabia o trabalho pesado da estiva e os serviços gerais das roças de cacau nas matas húmidas da região, tudo girava em torno do fruto dourado e do movimento de navios no cais do porto.

DOSSIER MATHIL COMMANDANTE CHE GUEVARA RAOUL CORRALESO argentino Ernesto, sempre muito discreto era por vezes visto em conversas sisudas com alguns conhecidos da cidade, diziam que eles conversavam sobre política e sindicatos, também se falava que o doutor argentino,  eventualmente fazia exames e aviava receitas de remédios manipulados na botica do sergipano Aldaségio. Já o americano Porter ou Mister Porter, como exigia ser chamado era sempre visto em mesas de bares, solitário e beberrão, mas tinha um olhar astuto, sabia observar a paisagem humana e tirar conclusões sociológica do universo em seu arredor, particularmente parecia ter interesse por tudo que o médico argentino fazia, apesar de sua descrição quase invisível.

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Kauã e Iacina, uma encantada história de amor

Gerson Marques

gerson marquesQuando o português Pero  Magalhães Gândavo chegou a Lagoa de Itaípe em fevereiro de 1570, ficou completamente extasiado com a beleza do lugar, chamou de “mar de dentro” tamanha eram as águas da lagoa, sua  extensão e beleza.

Gândavo estava com Felisberto Lisboa, seu imediato auxiliar, oficial do exército português encarregado de lhe acompanhar, a viagem de Gândavo era uma missão de prospecção a serviço da Coroa de Sebastião I, o objetivo era registrar e relatar a vossa alteza, tudo sobre as terras de Santa Cruz, a mais nova e mais desconhecida descoberta lusitana, o Novo Mundo português.

A Vila de São Jorge dos Ilhéus já era habitada por duas dúzias de portugueses, uns oito padres e cinquenta e dois índios catequizados, foram eles que levaram Gandâvo e Felisberto até a Lagoa que os portugueses já chamavam de Encantada.

A viagem foi em parte a pé e depois em canoa, a lagoa era terra dos índios Tupinambás de comportamento imprevisível, no entanto, amigos dos padres jesuítas, que já andavam por aquelas paragens catequizando os ribeirinhos. Situada ao norte de Ilhéus umas três léguas, existiam na lagoa duas pequenas aldeias, uma com oito ocas e uns cem índios, contando as crianças, que se chamava  Patiti, e outra um pouco menor, chamada de Aldeia Pequena, viviam todos da pesca e caça, além dos roçados. Junto aos índios vivia também uma família mestiça, formada por um francês já idoso, que fora deportado e abandonado na costa por um navio corsário, trinta anos antes da chegada de Gândavo, casado com uma índia da nação Botocudo, tinham oito filhos entre eles um cego de nascença de nome Çaaci, moravam em uma choupana fora do núcleo da aldeia, também na margem da Lagoa, eram no entanto, integrados ao cotidiano dos demais índios da Aldeia Patiti.

A história que vou contar não está no livro “Tratado da Terra do Brasil, História da Província de Santa Cruz” que Pero Gândavo publicou depois que voltou a Portugal, trata-se do casamento da filha do Cacique da Aldeia Patiti com o filho do Cacique da Aldeia Pequena, me foi contada ao pé de ouvido por gente antiga que morou e morreu na Lagoa, que por sua vez ouviu de outros ainda mais antigos, uma história oral que será escrita pela primeira vez.

lagoa encantada (2)Desde criança o índio  Çaaci, já apresentava um comportamento diferente,  apesar de cego enxergava mais que qualquer um da aldeia, tinha a capacidade de saber onde estavam as pessoas e os bichos mesmo muito distante ou na escuridão da noite, dizia onde estavam os peixes no fundo da lagoa, conversava com as árvores de quem, dizia ele, recebia informações sobre o tempo e a saúde das pessoas, também falava com animais, que em sua presença tinha um comportamento dócil e manso, chamava qualquer ave do céu até sua mão, fui iniciado por um velho pajé ainda muito novo no complexo mundo espiritual dos Tupinambás, apesar de jovem era um curador reconhecido e procurado até pelos brancos, teria espantado os padres jesuítas ao curar um deles, em estado leproso que vivia isolado dos demais há muitos anos, usando somente água.

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A invenção do Chocolate da Mata Atlântica

Gerson Marques

 

gerson marquesFazer chocolates é uma atividade muito nova para nos do Sul da Bahia, o antigo modelo exportador de matéria prima, com base monocultural, ficou congelado por mais de um século, travando alternativas e oferecendo um certo conforto, que mais tarde se mostraria insustentável.

Neste sentido, existe um fator positivo com a crise da vassoura, como ensina os orientais, as crises são o fim e início ao mesmo tempo, depende de seu ponto de vista, ou como se comporta perante a adversidade.

A busca por alternativas que viabilizasse saídas para um quadro de insustentabilidade econômica da atividade agrícola do cacau, foi sem dúvidas o fator motivador e indutor para o surgimento da chocolataria no Sul da Bahia.

Mas, como se faz chocolates? Está era a pergunta a ser respondida anos noventa, no mundo até então, prevalecia a escola Suíça, com forte tradição no chocolate ao leite, traduzido para o Brasil, em chocolates com baixo teor de cacau, baixa qualidade e muitos aditivos suspeitos, fidelizando consumidores de doces, com o nome chocolate entrando como fantasia.

A falta de tradição e conhecimento sobre a produção de chocolates, era uma dificuldade que parecia intransponível apontando para um mar de desafios pela frente.

chocolateTambém nos anos noventa, surge na Califórnia-EUA, um movimento de inovação do chocolate, comandado por chefs de culinária que resolveram reinventar o chocolate com base na seleção de amêndoas de alta qualidade e diminuição ou eliminação do leite na fórmula de seus inventos, este movimento ficou logo conhecido como “been tô bar”, foram fundamentais no desenvolvimento de uma linha de máquinas e equipamentos, de pequeno porte que viabilizaria o surgimento da micro e pequena fábrica de chocolate, coisa impensável pouco tempo antes.

Foi bebendo nessa fonte, e buscando ao mesmo tempo uma identidade própria, que no final daquela década o tema chocolate começou a fazer parte das rodas de conversas de alguns produtores que souberam interpretar a crise como oportunidade, em 1898 a Ceplac, sob inspiração de Raimundo Moro, faz a primeira planta industrial de fabricação de chocolates da região, dando início a uma série de pesquisas que resultaria na base de nossa atual chocolataria.

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O complexo de Gabriela

Gerson Marques

 gerson marquesNa bela música de Dorival Caymmi, feita para trilha sonora da novela Gabriela, de Jorge Amado, chamada Modinha para Gabriela, tem um trecho que diz assim “Eu nasci assim, eu cresci assim, Eu sou mesmo assim, Vou ser sempre assim Gabriela, sempre Gabriela…”

O Sul da Bahia talvez seja uma das regiões do Brasil, em que mais podemos sentir claramente viva uma identidade cultural própria e um certo sentimento de unidade social distinto, manifestado a partir de uma noção de pertencimento histórico a um local que detém uma dinâmica geográfica muito bem delineada.

O elemento social humano, morador e ator do Sul da Bahia, muitas vezes identificados como Grapiúna, assume, por assim dizer, uma identidade unitária diferenciada dos demais baianos, formando uma unidade geográfica e sociocultural reconhecida como Região Cacaueira, detentora de valores culturais, de história secular, de infraestrutura física e significativa oferta de serviços e equipamentos públicos.

Apesar deste sentimento de pertencimento regional e a clara noção de identificação cultural, temos ainda de forma latente a ausência explícita de um projeto de desenvolvimento regional que reflita e se sustente nas muitas variáveis econômicas e sociais que temos, sejam as naturais, sejam as criadas pelo homem.

gabriela cravoEm um simples exercício de reflexão, sobre esta realidade, podemos observar a existência de uma significativa oferta de equipamentos e infraestrutura, contrapondo-se a ausência quase completa de articulações produtivas entre os muitos atores institucionais existente, sejam estatais ou privados.

Sobressai portanto, uma realidade formada por ilhas, individualismo e desarticulações, incapaz de romper com o estigma de uma cultura refratária a construção associativista, e capaz de delinear um projeto comum, indutor de mudanças regionais e promotor de um desenvolvimento social e econômico sustentável.

O custo disso é a persistência da pobreza, do desperdício dos poucos recursos existente e da consolidação de um sentimento de impotência e descrédito, por parte da população, refletindo em uma baixa estima e desabonadores dados sociais.

Seria a ausência de um modelo de desenvolvimento regional uma ação política deliberada, por parte da elite política baiana com seu olhar fixo no umbigo soteropolitano?

Como entender o tanto e o tão pouco ao mesmo tempo?

Ou ao contrário, a inércia explícita dos atores regionais,  seria vistas a partir do olhar governamental e político, como uma incapacidade de articulação inerente aos sul baianos, apesar da riqueza de opções?

O Sul da Bahia, como ademais todo Nordeste, experimentou na última década mudanças significativas nos índices relativos às condições sociais dos seus habitantes, melhorou a renda média, o acesso a escola, reduziu a mortandade infantil e ampliou-se a expectativa de vida, entre outros.

Isso porém não é fruto de ações locais, reflete tão e somente as macro políticas do governo central, possivelmente até, não seria surpresa, que se, observadas com lupa, encontraremos uma baixa eficiência destas ações, uma vez colocadas em contraposição com outros territórios do Nordeste.

Como romper a inercia e construir um consenso?

Desculpem o excesso de dúvidas, melhor dizendo, o excesso de questionamentos, mas o fato é, apesar da evidente riqueza de ofertas, não conseguimos por exemplo responder adequadamente os desafios apresentados pela crise da cacauicultura, já são vinte e sete anos de decadência, ineficiência e ausência de um olhar estratégico, pior, sem mesmo se quer conseguir pautar um debate construtivo e inovador sobre a crise.

Tento aqui, chamar atenção para este tema, sem ainda considerar meus próprios pontos de vista, ainda que os tenha, confesso que não os tenho de forma conclusiva, se colocando mais no campo das dúvidas e questionamentos do que dos diagnósticos.

Vejo porém a necessidade urgente deste debate, até porque ele está aí nos desafiando e nos pedindo respostas, cabe aos que se propõem a coragem de enfrenta-lo, e reunir as condições para construção urgente de uma articulação e implantação de um plano de desenvolvimento regional pautado na inovação e na criatividade, capaz de fato de responder as necessidades da população e transformar essa realidade, sem abrir mão do que temos já conquistado.

A síndrome de Gabriela é fato, sem desmerecer Caymmi, não podemos portanto aceitar o fatalismo proposto em sua bela canção.

 

Gerson Marques  é Diretor Presidente da Chocosul – Associação dos Produtores de Chocolates do Sul da Bahia.

 

 

 

A festa e as dúvidas…

Gerson Marques

gerson marquesA nona edição do Chocolat Ilhéus, confirma o que já sabíamos; O conceito de chocolates de origem do Sul da Bahia está  consolidado, resta no entanto,  consolidar o modelo de negocio, ainda existe um grande hiato entre o conceito e o negocio de fato.

É inegável que o evento se tornou uma excelente  oportunidade de vendas para a incipiente indústria chocolateira regional, uma das poucas por sinal, é verdade também que o avanço na qualidade e na capacidade da produção vem crescendo ano a ano, resultado de muita dedicação, pesquisa, iniciativas e parcerias, isso ficou   evidente nas novas linhas de produtos, na beleza e qualidade estética das embalagens e nas definições de conceitos de marketing e narrativas inteligentes incorporadas pelas empresas.

É palpável o avanço no caminho do amadurecimento dos projetos, algumas questões no entanto ainda se colocam como desafios imensuráveis ou, quando mensurados quase inalcançáveis, tamanha a distância a ser percorrida.

São elas, o aumento na escala de produção e acesso ao mercado, que podem ser entendidos no sentido inverso também.

estrada chocolate 1No que se refere o ganho de escala para produção. O gargalo encontra-se na  produção de cacau de qualidade e na disponibilidade de plantas indústrias, um gargalo no campo e outro na indústria.

No campo o problema começa com a insolvência financeira da cacauicultura, gerando um consequente  baixo grau de investimentos na produção e nas soluções de questões técnicas diretamente ligadas à qualidade, como mão de obra capacitada, além é claro da infraestrutura interna das fazendas, em sua quase totalidade com equipamentos, (barcaças, cochos, secadouros, estradas, sistema elétrico e outros…), muito danificados, estes dois fatores, mão de obra e infraestrutura, são essenciais para os novos tempos do chocolate, que exige cacau fino produzido com técnicas específicas, seja nos processos de pós colheita ou na industrialização do chocolate.

Fazer cacau fino no nível que precisamos e na quantidade que permitirá um giro de escala, é um desafio imediato, se não for encarado, poderá limitar ou atrasar demasiadamente  o crescimento do negócio chocolate.

Em outra direção, já fora das fazendas, temos o gargalo da industrialização do cacau para o chocolate. Com exceção das marcas que tem sua própria planta industrial, as demais, noventa por cento, dependem de sistemas terceirizados que terminam por nivelar a qualidade e aumentar os custos. Nesta área em particular existe muito desenvolvimento tecnológico a ser realizado e incorporado, considerando que caminhamos para chocolates minimalistas feitos quase que exclusivamente de dois ou três produtos, o que implica em desenvolvimento e domínios de processos de fabricação mas sofisticados e exigentes, novamente serão os processos e os equipamentos que definirão a qualidade, por consequência o sucesso do nosso negócio.

E o terceiro gargalo está na comercialização, no acesso ao mercado, na construção do marketing correto, na criação e execução da marca coletiva regional, capaz de se comunicar com o consumidor, mostrando a ele valores agregados de forma intrínseca ao nosso chocolate e cacau, como a Mata Atlântica e sua biodiversidade, em parte protegida pelo Cacau, ou o conhecimento empírico de nossos trabalhadores e dos artesãos do cacau, como João Tavares, Diego Badaró e os Magalhães da Lajedo do Ouro.

Exatamente aí que está a necessidade do desenvolvimento das parcerias, desafio que a Chocosul, Associações dos Chocolateiros de Origem do Sul da Bahia, entende como fundamental para continuarmos avançando .

Os governos em particular devem ajustar seu olhar para esse setor, tamanho o potencial que apresenta, está na hora de tratarmos da estruturação de uma política pública para o cacau sob o foco do chocolate e da produção de cacau de qualidade, não cabe ao governo somente o apoio pontual a eventos ou a disponibilidade para ouvir, cabe o protagonismo em assumir a construção desta política, precisamos de respostas que venha das pesquisas, do acesso ao crédito, da promoção e do marketing.

Até aqui montamos uma rede de apoio que tem funcionado muito bem, atores que tem sido essenciais em nossa jornada, Sebrae, FIEB, UESC/CIC, Ceplac, Senai, Instituto Arapyau e outros, os próximos passos, no entanto, precisam ser coordenados em torno de uma política pública para o setor, por consequência geradora de  renda, emprego, capaz de fixar o homem no campo, valorizar as propriedades e utilizar todo potencial que temos a oferecer no sentido do desenvolvimento sustentável do Sul da Bahia.

Gerson Marques  é presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia

Variações sobre o mesmo tema

 Gerson Marques

gerson marquesExiste um povo privilegiado, que vive ali, mas existe outro ainda mais privilegiado que vive aqui.

Os donatários de uma terra matizada em verdes e azuis,  mil tons e semitons, de florestas encantadas, rasgada por vales e  rios, habitada por fauna e flora onde a exuberância tem seu labor, e a chuva brinca de esculpir vales entre colinas verdejosas, não conhece extremos, tudo é ameno e sereno, o mar lambe praias infinitas, em sua  generosidade de azul celestial nos oferece frutos vivos, torrentes de nutrientes  sabores de mesas ricas.

Outros frutos também vicejam, em dezenas de variedades, entre eles um pingo de ouro, onde Theus fez Broma, a beber em rituais sagrados de ascendência Maia, que aqui virou riqueza de por comida na mesa, multiplicou-se em fartura e beleza.

A terra prometida dos pindorameiros ou seria pindomorenses, sei lá, qual o nome dessa gente nascidos aqui em Pindorama? Seriam  Grapiunas? ou nada disso, somente Pataxos, Tupinabás, Camacans e Mongoiós.

Uma ilha, outra ilha, um Ilhéus, e muitos itas, herdado da língua gostosa dos Tupis e tapuias, e suas pedras brancas, pretas, azuis, a pedra torta a pedra que ruge a pedra furada.

Terra das águas, de Iasã, dos muitos rios, riachos, boqueirões, corgo, nascentes, caudais e riachões, fluidos de vida, torrentes de nutrientes em forma de víveres aquáticos, onde a colheita se faz na ponta do anzol, no malho das redes, no jiqui e no jererê.

ilheusOré noun desta terra, comedores de raízes, mandioca, aipim, macaxeira, inhame e cará, gente acolhedora, e também  colhedora, extrativistas dos frutos arbóreos, onde no erguer da mão se encontra o cajá, as pitangas, jambos, jabuticabas, araçás, jenipapos e carambolas e tudo que de mais há.

Na criação de mundo, o que poucos sabem, segredo de sete chaves é que nesta terra de Pindorama, quis Deus, que aqui se fizesse uma espécie de almoxarifado de suas matérias essenciais, deposito da criação, estocava aqui o que usaria em sua sanha criativa por todo lugar.

Do madeira-me, plantou os jacarandás,  jequitibás, Ipés, pau  ferro, jatobá, angelins e mil outras espécies, em tamanha profusão que a tudo florestou.

Nada pode ser muito bem explicado, essa magia da essência, esse clima hidrófilo, essa profusão de cores, essa gente plurirracial, os descaminhos, as delongas os amores irascíveis e as glórias nunca vindas, mas vividas.

Ora, ora sei lá como, sobe o menino na Serra do Jequitibá, faz de lá uma canção, um canto de louvor, um hino a tamanha beleza, a esse estupor de infinita grandeza, e de lá um tambor ecoa na mata, e a magia tá explicada, tentada, cantada.

Queiram os Deuses de todos nós, mortais de terras imortais, habitantes passageiros desse paraíso, que sejamos dignos dessa eco, nossa Gaia essencial, e que de nossos ventres floresçam quem de fato as mereçam, tamanha glória existencial.

 

Gerson Marques  é Diretor Presidente da Chocosul – Associação dos Produtores de Chocolates do Sul da Bahia

Assim Caminha a Cacauicultura (parte 2)

Gerson Marques

gerson marquesPosta então a nova realidade e constatado o cenário de inovações que a introdução da chocolataria vem trazer, nos cabe agora a construção  das estratégias de desenvolvimento e consolidação do novo modelo de negócio do velho e bom cacau.

A principal característica deste novo momento será a diversidade de oportunidades de negócios, existem agora inúmeras formas de agregar valor ao cacau, sempre é bom lembrar que o mercado tradicional de comódite ainda será a principal parte do negocio por um bom tempo, a transição para o novo não significa o abandono do velho, mesmo neste segmento, no entanto, a inovação já se impõe, a grande indústria de moagem acusada de práticas sociais injustas em suas atividades na África,  começa a ver no Brasil o futuro de seus negócios, a introdução de mecanismos de certificação de qualidade e novas tecnologias de produção já são testadas em várias fazendas da região.

É neste cenário que está surgindo a adoção da indicação geográfica “IG Cacau Sul Bahia” a partir de uma articulação iniciada há seis anos envolvendo uma dúzia de entidades de produtores de cacau, muitas delas da agricultura familiar, agregadas na Associação Cacau Sul Bahia, que agora chegou a reta final no INPI – Instituto Nacional de  Propriedade Industrial, se confirmada as expectativas, até o fim deste ano o cacau do Sul da Bahia será o segundo produto do estado a ter este selo, depois da Cachaça de Abaíra.

cacau frutoEm outra frente assistimos um incipiente mercado de cacau “of road” não comódite, que vem crescendo de forma significativa, o chamado Mercado de Cacau Fino, em que o produtor consegue bonificações de até trezentos por cento sobre o preço de seus produtos, neste mercado os concursos da Icco, Prêmio Internacional de Cacau (ICA) e Prêmio Cacau de Excelência (CoE), são uma excelente referência, produtores premiados como João Tavares, Pedro Magalhães, M Líbano e Vale da Juliana já estão bem posicionados neste mercado, que no entanto, é dominado por países de pequenas más tradicionais produções, como Equador, Colômbia, Guatemala e outros  inclusive da Ásia,

A desorganização institucional do setor cacaueiro n Brasil, no entanto, não permite uma dimensão real do tamanho deste seguimento, ainda não é passível seu real tamanho em relação ao total da cadeia, apesar de sua importância e crescimento evidentes nos últimos anos.

Ainda antes de chegar no chocolate, outra inovação observada está no negócio do nibs de cacau, que simplesmente não existia há alguns anos e que hoje já se impõe como um produto de prestígio e valor, consumido por um público havido por saúde e alimentos funcionais, tenho acompanhado diversos negócios de nibs, alguns já na casa da centenas de quilos por valores bastante significativos.

Ainda dentro da cadeia, outro seguimento que começa a esquentar são os de derivados de cacau, que não chocolates, pessoas inovadoras e muito criativas tem feitos produtos de excelente qualidade e bela apresentação, amêndoas caramelizadas, rapadura de cacau, geleias e nibs com açúcar, sal e ervas finas, já são produtos consolidados em embalagens elaboradas com boa recepção no mercado.

Por fim temos o chocolate, este produto universal, amado e desejado em todo planeta, conhecido como alimento dos deuses e reconhecidamente saudável, historicamente  importante para a humanidade.

(na terceira parte deste artigo, avançaremos sobre os chocolates…)

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate, proprietário da Fazenda Yrerê, onde trabalha com turismo rural, e atual presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia. 

Assim caminha a cacauicultura (parte 1)

Gerson Marques

gerson marquesPerde tempo quem busca uma saída para a cacauicultura olhando para trás, jamais retornaremos ao que já fomos um dia, não só porque o tempo não volta, mas principalmente porque a realidade é uma força  imperativa.

Deixo o debate sobre causas para os que querem olhar pra trás, faço coro com os que trabalham sobre os efeitos e encontram  nestes as oportunidades de futuro.

Passado o passado,  nos deparamos com um cenário, até então pouco conhecido por nós, e ainda incipiente no mundo, neste cenário o cacau é mais que comódite, é a engrenagem de uma máquina poderosa geradora de negócios na indústria de alimentos especializados de alto valor agregado como os chocolates intensos, de origem e nibs de cacau por exemplo, estrelas de destaque, apontando para um perfil inovador desta indústria.

Estas inovações refletem mudanças de comportamento e hábitos que estão acontecendo há algum tempo na sociedade, e vem acentuando ultimamente, apontam na consolidação de uma poderosa nova classe de consumo, formada por pessoas que valorizam a qualidade orgânica e a funcionalidade física dos alimentos, a segmentação entre categorías como orgânicos, fitness, veganos, slow food, oferecem oportunidades para o cacau que jamais imaginamos.

cacau (6)Nossa tradição de vendedores de mercadoria primária em forma de amêndoas, nos distanciou da compreensão de que o cacau, se situa entre os três mais importantes alimentos da humanidade, que sua composição organoléptica e suas qualidades nutricional, fazem dele uma estrela em ascensão neste novo mundo de consumo consciente.

Exatamente aí, que se situa as novas fronteiras para a nossa cacauicultura,  são nestas fronteiras que se coloca nossos novos desafios e nestes, estão o desafios de fazermos os melhores chocolates do mundo,  ainda mais que isso, de vendermos cacau e nibs de alta qualidade e funcionalidade para indústrias de transformação ou mesmo para o consumidor final.

chocolateExiste uma cena regional formada por uma centena ou mais de produtores que já buscam se posicionar nesta perspectiva, são a vanguarda desta nova era, nos últimos anos temos acumulado uma significativa experiência neste tema, a consolidação da cena chocolateira, por exemplo, é uma prova de nossa competência, hoje temos cadastrado mais de quarenta marcas de chocolates de origem regional, alguns já alcançando qualidades excepcionais e reconhecimento do consumidor, assistimos a institucionalização deste seguimento, via a criação da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem, em paralelo o forte e organizado movimento da Associação Cacau Sul Bahia que avança para consolidar o selo de denominação de origem – IG Cacau Sul Bahia, existem também ações vitoriosas como as Cooperativas  Cabruca em Ilhéus e Coopag em Gandu, que vendem cacau de valor agregado fora do mercado de comódite.

Estamos no início deste processo, e o tema exige um aprofundamento deste olhar que continuarei fazendo nos próximos artigos.

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate, proprietário da Fazenda Yrerê, onde trabalha com turismo rural, e atual presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia. 

 

 

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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