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O Festival Literário Sul da Bahia – um resposta ao contexto da pandemia e a afirmação da cidadania cultural

Efson Lima

 

efson lima Algumas pessoas desde o dia 31 de julho de 2020, cuja ligação é o nascimento ou ter morado no sul da Bahia, estão articulando a organização do Festival Literário Sul -Bahia ( FLISBA). O FLISBA surge como uma reposta ao contexto da pandemia, mas não só isto, ele nasce com um espírito de ser uma “ Primavera Literária”.  O evento vai ocorrer de forma virtual, com transmissão pelas redes sociais, especialmente, pelo Youtube e Facebook, nos dias 24, 25 e 26 de setembro de 2020.

Os organizadores advertem  que o  Flisba “surge com o cunho literário, mas não se fecha nesse campo, pelo contrário, é espaço que visa congregar as diferentes expressões artísticas sob uma perspectiva inclusiva. É uma primavera literária que possibilita o encontro do passado com o presente e projeta futuro. As gerações se encontraram para fazer a simbiose do bem viver literário, artístico. Idosos e jovens, homens e mulheres sob diferentes orientações e perspectivas veem nas artes a possibilidade de reconfigurar as caminhadas, sendo um espaço para a solidariedade e um fazer coletivo”.

O Festival presta uma homenagem a João Cabral de Melo Neto e a Clarice Lispector, ambos completam 100 anos de  nascimento em 2020, respectivamente, janeiro e novembro. O primeiro com sua produção cuja matriz é o nordeste, a segunda tem na instrospectividade uma característica perene. Clarice não é brasileira da gema, mas a acolhemos como se brasileira nata fosse. Ela sempre foi grata, pois, quando perguntada  sobre a origem, prontamente respondia: brasileira. O Festival também marca uma reflexão sobre as contribuições de Jorge Amado e Adonias Filho para a literatura. Sabemos que a região tem tantos outros escritores de gabarito elevado. Acreditamos que outros Festivais virão para homenagear nossos imortais conterrâneos.

O Festival será um espaço de intercâmbio para a promoção da literatura e dos processos criativos dos escritores regionais da região sul da Bahia, inclusive, dos novos. O FLISBA visa estimular a leitura e aproximar os agentes culturais, promovendo atividades que exercitem reflexões sobre a cultura, questões ambientais, questões ligadas à diversidade de gênero, uso das redes sociais e tecnologias. Temas que se tornaram emergentes seja pelo contexto da pandemia, seja pelo fenômeno político atual.

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Valdelice Pinheiro e Telmo Padilha – imortais pela poética, construtores de sonhos

Efson Lima

efson limaConfesso-lhes que, uma parte significativa dos escritores sul baianos, não tive a oportunidade de conhece-los fisicamente.  Mas o destino, sempre ele,  reservou algum grau de proximidade com os escritores nascidos no Litoral Sul. Ainda na minha adolescência, os jornais regionais, geralmente em face dos aniversários de Ilhéus e Itabuna, faziam cadernos especiais comemorativos. Neles estavam a história, a economia, os dados sobre a população, traziam também os aspectos sociais, literários…

As prefeituras locais colaboravam. Lembro-me dos 90 anos de Itabuna. Não sei onde conseguiram tantos temas,  mais o Jornal Agora estava recheado de cadernos. Ousadia pura de José Adervan. O Diário de Ilhéus com seu caderno de 28 de junho provocava. Era um recado ao Agora para o dia 28 de julho. Não me pergunte qual era o melhor. Não quero confusão. Só sei que havia uma forte valorização da cultura regional, da memória. Aos poucos formos perdendo. Assim, vamos desconhecendo os construtores da nossa gente, os que desbravaram nossas terras… Mas, logo em seguida, exigimos dos jovens que conheçam a nossa História. Eles não vão, pois, a eles negamos a história e o conhecimento de sua realidade.

valdeliceOs jornais locais possibilitavam leituras sobre Jorge Amado, Hélio Pólvora, Cyro de Mattos, Odilon Pinto, Valdelice Pinheiro, Telmo Padilha…No meu caso, na escola, fui tendo meu percurso adocicado com os livros… fui saindo da escuridão e, agora, tinha meu imaginário sendo levado às obras. Um namoro à primeira vista, que permanece. Tínhamos também o vestibular da UESC, aquele que nos submetia a dois tipos de provas. Além das objetivas, uma redação e uma prova sobre os livros de literatura, quase sempre no cardápio tinha um escritor regional. Lembro-me de “Vinte Poemas do Rio” de Cyro de Mattos. No Instituto Nossa Senhora da Piedade, o professor Ramayana Vargens nos ensinava a “gabaritar”, dava-nos uma aula magna a cada dia. A Universidade buscava cumprir com o seu papel. Certa vez, a prova discursiva de história questionava-nos sobre o patrimônio regional. Lembrei de Anarleide Menezes, que diuturnamente tem empreendido esforços para preservar o patrimônio da região.

Agora, voltando para Valdelice Pinheiro e Telmo Padilha, podemos considerar que foram imortalizados pela poética e pelos sonhos que construíam ações. Nesta semana, com o fim das inscrições para o projeto Bardos Baianos – Litoral Sul, sob a organização de Ivan Almeida e publicação pela Cogito Editora, fui forçado a definir qual poeta homenagearíamos na Antologia. Foi difícil a escolha. Fiquei ansioso e joguei para o pleno, fomos na direção de Valdelice Pinheiro. Dois grandes poetas regionais. Valdelice poetisa por excelência, além de  filósofa e professora. Telmo Padilha é um poeta com inserção em outros gêneros. Ambos, cada um ao seu modo, guardiões de bons sentimentos e responsáveis por semearem sentidos a uma geração.

telmoA poetisa Valdelice Pinheiro faleceu em 1992, a UESC produziu estudos sobre a professora Universitária, por sinal, uma das responsáveis por colaborar na implantação da Faculdade de Filosofia de Itabuna, que mais tarde se somaria a outras para formar a FESPI e, posteriormente, UESC.  Já Telmo Padilha faleceu  no ano de 1997 em um acidente de carro.  Consolidava ao tempo sua carreira de poeta  e com caráter nacional. Foi integrante da Academia de Letras de Ilhéus a convite de Adonias Filho. Telmo Padilha além de escritor foi um ativista cultural, movimentou a produção literária sul baiana. Valdelice Pinheiro estará conosco na Antologia Bardos Baianos – Litoral Sul. Telmo Padilha estará nos meus ensaios sobre a Academia de Letras de Ilhéus. Preservar a memória é um caminho para não sermos colonizados mais uma vez.

Com o processo de construção da Antologia Litoral Sul, fomos observando o quanto as terras sul baianas produzem poetas, escritores. Não é novidade. Adonias Filho já externalizava. Li pela primeira vez  essa assertiva no Diário de Ilhéus a partir dos textos da professora Maria Luiza Heine. Mas para isso, precisamos democratizar esses espaços. Precisamos estimular a escrita. Criar concursos literários. As instituições podem fomentar. Há espaços.

bardos

Cobramos muito e fazemos pouco. Enredos, imaginações e bons textos não faltam nas cabeças de nossos jovens.  Os equipamentos públicos precisam encontrar mecanismos de democratização do fazer literário. Eu consegui furar o bloqueio, mas quantos conseguem?  Até quando vamos contar com o destino? Os jovens não conhecem a História, não leem. Verdade. É verdade também que pouco faço para eles conhecerem e lerem as Histórias e suas histórias com estórias. Então, é difícil se apropriar daquilo que nego. Depois reclamo dos políticos que escolhem.

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Efson Lima escreve nas horas não vagas do dia. Doutor em direito/UFBA. Professor universitário.

 

 

A pandemia e a indústria 4.0: o desafio das novas relações de trabalho

Efson Lima

            efson limaAs relações de trabalho no Brasil não podem ser analisadas sem considerar o seu curso histórico, cujas marcas do escravagismo estruturaram consideravelmente as relações trabalhistas. Por sinal, o País foi o último a por fim ao escravagismo oficial nas Américas. Essa circunstância foi estruturando as relações de poder e de trabalho no Brasil, inclusive, concorrendo para uma administração pública que calcada na eficiência a partir de 1998, ver sobressaírem os traços do patrimonialismo.

 

A questão do trabalho, no século XX, esteve albergada nas Constituições da República brasileira e, especialmente, na Constituição de 1988, inclusive, integra os fundamentos da República no tocante aos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, sem prejuízo de estar no rol dos direitos sociais, evidenciando o compromisso do Estado e da sociedade com as relações de trabalho.

 

A Faculdade de Direito da UFBA, recentemente, realizou o “Congresso Internacional de Direito, Justiça e Literatura em Horas de Pandemia Global”, no modo virtual, coordenado pelos professores Antonio Sá da Silva e Wilson Alves de Souza, na  ocasião, durante a palestra, registrei que no bojo das Comemorações dos 100 anos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma das preocupações centrais estava o processo de automatização da sociedade com a crescente integração dos “mundos físico e virtual” por meio das máquinas, da inteligência artificial e dos robôs.

robot hands and conveyor belt, controlled by engineer

É nesse sentido que Klaus Schwab, uma das grandes referências mundiais no estudo da denominada Quarta Revolução Industrial, aponta como uma das peculiaridades da transformação social em curso, pois, a fusão e interação entre os domínios físicos, digitais e biológicos é uma constante.

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Faculdade 2 de Julho abre curso de extensão gratuito em Jornalismo Cultural e Crítica

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A Faculdade 2 de Julho (F2J) está com inscrições abertas até o dia 19 de agosto, para o Laboratório em Jornalismo Cultural e Crítica, um curso de extensão que irá tratar do jornalismo cultural. Os selecionados para as 40 vagas disponíveis serão informados através de uma lista que será divulgada até o dia 21 de agosto. O curso acontecerá nos dias 24, 26 e 32 de agosto e 1º, 3 e 8 de setembro, das 20h às 22h, com aulas que acontecerão através da plataforma Teams da Microsoft.

efsonPara o professor Efson Lima (foto), coordenador-geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão e responsável pela construção da proposta do curso,  o Laboratório visa colocar em discussão o papel do jornalismo cultural e da crítica, campos significativos para as atividades culturais e o fomento às reflexões, sem prejuízo de aproximar as pessoas que atuam na área.

As atividades do laboratório abordarão os conceitos e ferramentas utilizadas pelos campos da crítica e do jornalismo cultural, com o apoio de professores, jornalistas, atores escritores e gestores culturais, como:  Carmen Vasconcellos, Cleidiana Ramos, Daniele Avila Samall, Efson Lima, Gilson Jorge, Marcus Vinicius Rodrigues, Ricardo Duarte, Thiago Carvalho, Fabrício Brandão e Ivan Almeida, Paulo Ricardo Nascimento. Inclusive, terá a participação especial do ator Amaurih Oliveira.

Para o professor Thiago Carvalho, um dos formuladores da proposta do curso e que vai participar ministrando aula, “faz-se necessário a adoção de uma estratégia de formação que possibilite alcançar não apenas benefícios relacionados ao desenvolvimento técnico, mas do perfil social, econômico e cultural de cada indivíduo, este pensamento decorre para gerar benefícios que estimulem a cooperação, assim este curso de extensão só acentuará o pensamento sobre a necessidade de se fazer”.

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Ilhéus – uma Cidade Literária

jorge a

Efson  Lima

efson limaNo ano passado, publiquei esse texto, mas não no Blog do Thame. Entretanto, volta e meia o assunto é retomando e muito tem se discutido a importância de Ilhéus no cenário literário nacional. Sem dúvida alguma, a cidade de Ilhéus e o sul da Bahia são um polo de produção literária. Temos alguns escritores consagrados, assim como também temos um grande contingente de novos escritores.

 
Recentemente, tenho acompanhado algumas lives mediadas por Luh Oliveira, membro da Academia de Letras de Ilhéus e escritora com oito livros publicados. Na live última, de quarta-feira, dia 22/07/2020, ela recebeu o professor Ramayana Varges, também membro da Academia de Letras de Ilhéus, um mestre da literatura do sul da Bahia. Afinal, quem não lembra dos aulões do estimado Rama, às vésperas do vestibular da UESC? Era motivo de romaria a Ilhéus e ao Instituto Nossa Senhora da Piedade.

 

 
Registrei algum tempo, que fui destacado para ajudar na Antologia Bardos Baianos, Litoral Sul, precisava-se identificar 50 poetas. Rapidamente, os cinquenta poetas foram alcançados. Alguns deles poetas consolidados e uma outra plêiade enorme de novos poetas, que publicaram em livros pela primeira vez. Que as bençãos literárias os guiem para portos seguros. O Bardos Baianos é um projeto da Cogito Editora, que cobrirá todos os territórios de identidade da Bahia. Salve, salve!

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No Dia do Escritor live debate Literatura e Meio Ambiente

Neste sábado, dia 25, é o Dia Nacional do Escritor e para marcar a data, ocorrerá a live “ Literatura e meio ambiente “, o objetivo da live é dialogar sobre meio ambiente e literatura. A live será medida por Pawlo Cidade e Efson Lima, às 17 horas.O escritor Pawlo Cidade é gestor cultural, educador ambiental, membro da Academia de Letras de Ilhéus, ocupando a cadeira 13, que pertenceu a Jorge Amado. Tem 18 livros publicados e já tem um livro no prelo a ser publicado ainda neste ano.

live

Por outro lado, Efson Lima é professor universitário e advogado. Tem pesquisado sobre a Academia de Letras de Ilhéus e os autores que nasceram na região. Efson nasceu em Itapé e foi morar em Ilhéus aos 11 anos de idade, atualmente, mora em Salvador, inclusive, trabalha no contexto da economia solidária. Nas palavras do escritor Pawlo Cidade a “Literatura e meio ambiente estão essencialmente imbricadas quando falamos da natureza. Difícil separar esta daquela”. Na sequência, Efson Lima complementa que o debate ambiental tem sido um tema instigante no Brasil, inclusive, teve recentemente forte repercussão em Ilhéus.

RAIO X DA LIVE:
DATA: 25/07/2020
Horário: 17 horas
Perfis no Instagram: @pawlocidade @efsonlima

Ilhéus, o meio ambiente e o professor Soane Nazaré

Efson Lima

efson limaAs notícias que partem de Ilhéus em relação ao meio ambiente não são animadoras. A prefeitura municipal, por meio de seu aparato institucionalizado, cortou algumas amendoeiras da Avenida Soares Lopes, cartão postal da Princesinha do Sul. As pessoas devem estar se perguntado por qual razão coloquei o professor Soane Nazaré nesse emaranhado. Seguimos. É para frente que andamos e é refletindo que podemos melhorar a nossa caminhada.

Não nos esqueçamos que a cidade de Ilhéus, com o maior litoral da Bahia, certamente, encontra dificuldades para ter nos parques, nas praças uma atenção especial das pessoas, mas isso é cultural e pode ser melhor orquestrado com a inclusão do debate das questões ambientais na vida social. A educação formal e não formal são caminhos para a preservação ambiental. Não é razoável comparar Ilhéus com Curitiba, cujos parques são tomados pelos curitibanos e seus visitantes ou estabelecer relação com Belo Horizonte, onde seus parques lotam nos fins de semana, mas é necessário construir outros percursos.

Estamos cientes de que cada cidade desenvolve seus hábitos mediante as suas necessidades e possibilidades. Entretanto, a cidade de Ilhéus precisa mediar uma educação ambiental permanente. Não é possível encontrar as praias e as praças sujas e a Avenida Soares Lopes, lindo cartão postal, maltratada e tendo as suas amendoeiras arrancadas e as maritacas expulsas, como se visitantes ingratas fossem.

ilheusPor sinal, as amendoeiras são largamente adotadas nas arborizações das cidades brasileiras. Para termos uma ideia, na cidade do Rio de Janeiro, a espécie amendoeira lidera a lista de árvores mais vistas na Cidade Maravilhosa; ela também lidera a lista da mais problemática. Entretanto, a sua retirada depois de um longo tempo exige um manejo adequado. A prefeitura de Ilhéus poderia ter feito, inclusive, dialogado com a população. Não basta fazer a previsão e o debate técnico entre os pares, precisa convencer os cidadãos da proposta. Houve falha no processo da comunicação. O velho Habermas está rindo.

Aqui, não é forçoso trazer à baila o professor Soane Nazaré, que ao lado de outros pioneiros, fundaram a Faculdade de Direito de Ilhéus, berço do processo educacional superior na região, cuja matriz educacional nos levou a Fespi e, consequentemente, a UESC. A região não precisa recorrer a experiências estrangeiras, ela tem na UESC um dos maiores centros de estudos sobre a questão ambiental no país com um Programa de Pós-graduação consolidadíssimo que aborda essa temática muito bem, o Prodema. Não me digam que prata da casa não faz milagre, pois, esse chavão não nos convence e não nos eleva enquanto nação grapiúna.

É também em Ilhéus, que durante um tempo tivemos a Universidade Livre do Mar e da Mata (MARAMATA) pujante, talvez, muitos dos jovens nem saibam da sua existência. Eu tive o prazer de ir para alguns seminários organizados pela instituição , talvez, uma das minhas primeiras “iniciações acadêmicas”, eu ainda estava no ensino médio. Simplesmente era um jovem do morro. Precisamente, do alto do Basílio, onde da minha casa via o Terreiro de Pai Pedro, um espaço tombado e que muitos ilheenses não sabem. Lá tem uma matinha. Os gaviões que fazem a festa.

A MARAMATA foi uma sacada do então prefeito Jabes Ribeiro e não poderia ter indicação melhor para dirigi-la no seu nascedouro senão o professor Soane Nazaré. Na caminhada pude observar algumas discussões sobre a famosa Agenda 21. Vi relembrar a Expedição do Príncipe Maximiliano numa perspectiva da preservação ambiental. Visitei o Museu do Mar. Pensava-se a sobrevivência do Rio Cachoeira. De imediato, a preservação do Rio Cachoeira interessa aos sul baianos e ainda mais aos Ilheenses, não podemos ter o rio como esgoto a chegar à Baía do Pontal. Portanto, relembrar e saudar o histórico do professor Soane é nossa obrigação. Ele foi à Faculdade de Direito da UFBA, formou-se e voltou à região do cacau para levar o ensino superior. Ele nos propiciou uma consciência crítica.

A cidade de Ilhéus foi abençoada pela natureza. Temos o Parque da Esperança. Temos rios, as praias nos embelezam com sua água; o patrimônio cultural integrante desse ambiente nos apresenta um Centro Histórico rico; as fazendas de cacau, uma parte mesmo que degradada pela crise do cacau, ainda guardam uma parte da Mata Atlântica. Temos que oferecer outro destino para a cidade de Ilhéus. Será que Ilhéus foi abençoada pela natureza e amaldiçoada pelos que nela nasceram, circulam, moram? Tenho certeza que não, pois, até hoje protesto quando ouço a música “Bye, Bye Brasil” de Chico Buarque, ousadamente, ele disse que pegou uma doença em Ilhéus. Só tem perdão devida à licença poética. Vamos concedê-lo, por favor. Mas deve pagar prenda.

A paisagem da Soares Lopes, apesar das significativas alterações, tem presente a ideia de ser uma “avenida parque” conforme sinalizado pelo então prefeito Ariston Cardoso por volta de 1975. Não obstante, na primeira gestão do prefeito Jabes Ribeiro foi apresentado um projeto de urbanização liderado pelo paisagista Roberto Burle Marx, entretanto, não foi finalizado. Posteriormente, no segundo mandato de Antônio Olímpio, a Avenida Soares Lopes teve suas obras finalizadas, permitindo a artéria ter a atual paisagem mesmo sofrendo modificações no projeto do paisagista.

maritacasPortanto, o prefeito Mário Alexandre tem o desafio de atuar para minimizar os impactos causados à cidade e a imagem, inclusive, a dele com essa destruição das amendoeiras e o sofrimento imposto as maritacas. No processo eleitoral deste ano, o tema ambiental estará na pauta com bastante intensidade. Ele precisa se cercar de propostas alvissareiras e plausíveis ao meio ambiente. Ele não pode se furtar a ouvir os engenheiros ambientais, biólogos e outros profissionais que costumam se encarregar do tema. É necessário convencer a população e continuar reposicionando a Maramata.

De fato, o professor Soane Nazaré não merecia qualquer associação com a retirada das amendoeiras em Ilhéus, mas foi uma oportunidade encontrada para reverenciar a quem devemos a nossa formação e a formatação do ideário de nação grapiúna. Soane Nazaré merece muito mais que o nome de um campus universitário. Por óbvio não é pouca coisa, mas costumamos esquecer quando não reverenciamos a memória. Ele ainda vivo, merece nossa atenção. Não é problema homenagear as pessoas vivas e que atuaram comprometidas com o progresso regional, o despropósito é cultuar quem não merece ou nada fez.

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Efson Lima – Doutor em Direito/Ufba. Professor universitário. Escritor. Advogado. Das terras grapiúnas.

Polêmicas à brasileira: Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio

Efson Lima

efson limaO Brasil tem sido um aventureiro nas relações exteriores para não considerar um desastre durante o atual Governo. Em 2019, o aventado Acordo Mercosul – União Europeia representou um fôlego, mas a sua implementação ficou incerta pois, ainda durante o anúncio e nos dias que se seguiram o comportamento da gestão bolsonarista com o meio ambiente não agradou os países europeus. Veio também a notícia do ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), cuja entrada é duvidosa.

Para além dessas ações, nos últimos meses, a postura brasileira diante da Organização Mundial do Comércio (OMC), cuja direção-geral do órgão está a cargo do baiano Roberto Azevêdo, que é diplomata de carreira e a recente indicação do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, para o Banco Mundial evidenciam que o Brasil não conseguiu estabelecer uma estratégia clara no plano internacional, exceto, se entendermos à subserviência aos EUA como estratégico.
roberto azevedoNa OMC, Roberto Azevêdo comunicou a sua renúncia da direção -geral da entidade. É difícil liderar acordos de livre comércio e defender uma economia de mercado quando o governo brasileiro não se movimenta para apoiar e legitimar as decisões. Tornou-se um tremendo desafio se manter na função. A renúncia do brasileiro não necessariamente é um abalo pessoal, mas ofusca a diplomacia brasileira e a elite do funcionalismo público. Atrapalha as estratégias futuras do Brasil no cenário internacional. Os governos passam, o Brasil queremos que fique e que seja muito melhor para a atual geração e as futuras.

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As letras e as mulheres na presidência de suas Casas Acadêmicas.

Efson Lima

 

efson lima 2
efson limaMulheres, mágicas para o bem viver humano. Em outra oportunidade, escrevi sobre a presença das mulheres nas Academias de Letras. Hoje, lembrei-me de escrever e pensei nessa temática. Eu nem estava associando ao mês, mas  caiu minha  ficha ao traçar a primeira linha:  maio é o mês das mães (deve ser sempre todos os meses). Vamos lá!

Sabemos que a primeira  Casa Literária a surgir no Brasil com esse espirito de congregar pessoas interessadas nas letras, artes e se mantém atuante é a Academia Brasileira de Letras. É verdade que tivemos outras agremiações antes, mas elas não se mantiveram. Coube a Machado de Assis puxar as rédeas para a criação do sodalício nacional.  No nascimento, temos a primeira injustiça: Júlia Lopes. Ela não pode fazer parte do quadro de fundadores, pois, era mulher e no seu no lugar foi indicado o esposo.

O machismo é tão perverso que muitas mulheres são forçadas a esconder o feminino. Os homens são humilhados quando os traços sobressaem. Uma pena:  mulheres são a razão da reprodução humana; a alma feminina é razão de parte de nossas emoções. Mulheres para além da função biológica, são competentes no que fazem, naquilo que ocupam, naquilo que lideram. Inteligentes por excelência! O nosso machismo de cada dia é que ousa as aniquilá-las e as invisibilizá-las.  Mas elas brotam como rosas, não desistem. A existência feminina é ato político diário.

efson lia 1Temos uma plêiade de mulheres na literatura, na produção do conhecimento, nas artes: Cecília Meirelles, Clarice Lispector, Rachel de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Gláucia Lemos, Conceição Evaristo, Zélia Gattai, Carolina Maria de Jesus…. São muitas. “Ler mulheres” é uma oportunidade de redescobrir caminhos. É fazer novos percursos. É oportunidade de aprender.

Retomando o percurso, o nosso bate-papo é sobre mulheres na liderança desses espaços acadêmicos coletivos, que ocupados por homens, coube a elas liderarem em um determinado período. Penso que não foi fácil. Tomando como referências a Academia Brasileira de Letras (ABL), a  Academia de Letras da Bahia (ALB)   e a Academia de Letras de Ilhéus (ALI), nas três já tivemos presidências femininas. Interessante que tanto na Academia brasileira e quanto na Baiana coube às mulheres o exercício da presidência no transcurso de seus respectivos centenários.

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Os livros e seus fazedores – uma ode a liberdade

Efson Lima

 

efson limaDia 23 de abril se comemora o Dia Mundial do Livro e também dos Direitos do Autor.  Poderia ser mais uma data, mas lembrar o dia do livro se tornou uma data obrigatória para quem cultiva a liberdade. Para além da liberdade, também é uma data muito especial para a cadeia do livro, para o processo criativo, para a economia, para a cultura… A importância é enorme, desde quando Gutemberg inventou a imprensa, certamente, o fato possibilitou uma proliferação de informação sem precedente, então, os interessados podiam consultar as fontes.  Por óbvio, a oralidade continuou, mas os registros foram sendo feitos e difundidos na sociedade. O homem não seria o mesmo, encontrava outros ares. Os limites passaram a ser a  capacidade de imaginação.

É  natural que as rupturas com o passado nem sempre acontecem com um passe de mágica. É um fazer, é um construir permanente com idas e vindas. As transformações decorrem dos valores  que são cotejados pela sociedade. Nem sempre a transfiguração é momentânea.  O bom (nem sempre) é que essas modificações nos atingiram com o passar do tempo, alcançaram também as terras sul baianas com o colonizador.

Uma mudança pode levar a outra. Assim, alcançamos o século XX, que foi fértil para as tipografias, para o surgimento de livros. E nas terras do cacau, elas ajudaram a  consolidar a expressão “nação grapiúna”. Deram vozes aos escritores regionais, permitiu que Adonias Filho informasse ao mundo que além de cacau, aquela civilização  dava frutos em forma de escritores. Afinal, a terra era fértil de escritores ( continua), mesmo os não nascidos eram/são contaminados pela fecunda literária. Portanto, sempre que posso insisto na terminologia da região literária e/ou em Ilhéus como uma cidade literária.

jorge tocaiaEstou a ler,  neste período,  “ Terras do sem -fim “  e “Tocaia Grande”  para desenvolver melhor essa ideia das terras da literatura, afinal, temos a literatura do cacau.  Estas são apenas duas obras de Jorge Amado, que sem dúvida, foi o nosso escritor maior. Mas temos tantos outros que moraram ou passaram por essa região:  Milton Santos, o já evidenciado Adonias Filho, Sosígenes Costa, Hélio Pólvora, Telmo Padilha, Valdelice Pinheiro e Euclides Neto – este com diversos livros sobre o homem do campo.  Fazedores de livros. Temos também os atuais: Cyro de Matos e Aleilton Fonseca, ambos pertencente à Academia de Letras de Ilhéus e da Academia de Letras da Bahia. Escritores que ultrapassam as barreiras desta região, possuem a capacidade de transportar nossas ideias, nossas identidades por meio dos livros. Somos gratos!  Eleva-nos a categoria de civilizados.

Temos escritores mais novos, tais como Geraldo Lavigne, Luh Oliveira, Pawlo Cidade, este por sinal, abrilhantou-nos com uma live no Facebook sobre processos criativos ao narrar sobre seus processos,  estimulando mais de uma dezena de pessoas a se lançarem ou aperfeiçoarem a escrita. Não só basta escrever, desperta a solidariedade mesmo que a escrita tenha um traço de produção individual. Pawlo tem 17 livros publicados e alguns no forno. Em breve, vamos saboreá-los. Afinal, ler é um ato gastronômico contínuo. Vão também nesta senda e brilhando: Marcus Vinicius Rodrigues que estar sempre a nos abraçar com o mar;  Tom S. Figueiredo – um escritor premiado e com uma produção diversificada; e Fabrício Brandão com  a Revista  Diversos Afins e com as  suas levas, ficamos curiosos, periodicamente, por elas. Certamente são muitos outros escritores. É uma mina constante o sul da Bahia.

noraSe o início do  Século XX possibilitou as nossas caminhadas com a literatura impressa, foi também no final daquele século que surgiu a Editus, no berço da UESC. Por vezes, essa editora pode  passar despercebida até mesmo entre os sul baianos. Não sei exatamente quantos escritores e autores regionais já foram publicados por ela, mas sem dúvida alguma, foi importantíssima, pois, mesmo diante da crise do cacau, ela conseguiu manter viva a  chama da escrita. Foram textos científicos, ensaios… literários, textos sobre a história regional, foi esse ambiente que permitiu a ideia circular. Estimulou a escrita. Lembremos que o acesso massivo à internet  só veio acontecer de forma tardia no Brasil e no sul da Bahia não foi diferente [sou um daqueles que só consegui pilotar um computador já em Salvador (2007), mesmo assim, coletivo, na Residência Universitária].

Portanto, reconhecer o trabalho da EDITUS é primordial. Sabemos também que as instituições podem surgir, mas pessoas precisam liderar, ser jeitosas, responsáveis e acreditar naquilo que estar a gerenciar sem deixar de olhar a bússola que, por vezes, parece não nos levar a lugar algum. Então, tem-se uma figura feminina, a senhora Maria Luiza Nora, conhecida como Baísa. Não a conheço e o que sei dela são pelos livros e por sua produção. Mas posso dizer que é a “fazedora de livros”, a fazedora de escritores regionais.

Estava a ler sobre o professor Ruy Póvoas, eis que encontro o artigo “A Obra de  Ruy Póvoas: Percurso Editorial” da fazedora de livros sobre o papel que exerceu para que conhecêssemos as produções do professor Ruy, especialmente, a partir de 1996. Lendo o livro“ Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus”, de João da Silva Campos, na semana passada, verifiquei que lá estava como Diretora da Editus, Maria Luiza Nora; e  Maria Schaun, assessora na Editus e responsável por cuidar da 3ª edição do título em tela. Papéis importantes no processo de editoria.  A capa do livro é primorosa. Então, os livros também permitem resgatar nossas histórias. Refletir é uma das condições humanas. Assim, verificamos acertos e erros. Avancemos!

paulo cidadeA publicação de autores regionais e as temáticas da região contribuíram para consolidar a produção literária; a produção científica e a sua difusão. Tão cara aos dias atuais e tão exigível pelas as agências de pesquisa. Pouco se falava, mas já se cumpria a missão na UESC ao seguir as diretrizes da professora  Renée Albagli, reitora na época, quando criou a Editus e traçou como um dos objetivos: publicar e incentivar autores regionais e novos autores.

Assim sendo, temos a EDITUS que vai brilhando com outras lideranças e cumprindo com sua missão institucional, fomentando e apresentando novos escritores. A EDITUS com a Academia de Letras de Ilhéus promovem o concurso literário Sosígenes Costa, permitindo que os escritores baianos se inscrevam e passem pelo processo de editoração, sem falar na premiação em espécie e a promoção do Festival Literário de Ilhéus.

Vivam os fazedores de livros: os autores, as editoras, os revisores e toso o pessoal que trabalha com esse ofício. Temos  as livrarias e seus livreiros. Surgiram as plataformas virtuais que continuam a massificar e a aproximar mundos tão distantes e grandes, que parecem pequeno.

Os livros transportam ideias, pensamentos. Eles são feitos porque somos livres para pensar, para idealizar. Cultivar boas imaginações. Os livros carregam  ideias políticas, defendem igualdade, semeiam a fraternidade. Permitem florescer rosas, apesar de os espinhos nascerem também. Mas, vamos tomando os cuidados que não nos machucam. O libertário consegue conviver com os diferentes, com o que pensa o ditatorialmente. Mas aquele que pensa ditatorialmente não consegue conviver com o libertário e muito menos com o diferente.  Quando os libertários assim não fazem, recebem críticas e considerações irrepreensíveis são feitas. É o demarcador da democracia.  Afinal, no papel e nas artes podem caber tudo, mas os nossos atos e gestos não comportam atitudes intolerantes, não permitem o cultivo dos atos antidemocráticos. Os livros são luzes, mesmo que alguns insistam em pôr fim a claridade.

Penso que o excerto do discurso de posse de Adonias Filho, na Academia Brasileira de Letras, sintetiza o culto pela liberdade e pelos valores de um Estado Democrático de Direito: “Seria imperdoável não mover o tempo, fazendo-o recuar, retomando o passado como a demonstrar que a infância não morre. O menino está deitado na terra, sombras na roça de cacau, os homens cortam os frutos. O agreste de Ilhéus, Itabuna e Itajuípe, em todas as aventuras do povo do sul da Bahia, chega pelas vozes que narram. Heróis que se isolam, o sangue escorre na fala, o menino escuta. A saga é violenta, guerra e ódio, também piedade e amor, a carga humana pesa como o chão de árvores. Ouviu, o menino ouviu. E quando o romancista se debruça para escrever – sem reinventar a fábula regional, sem trair as vozes, sem esquecer as figuras – é o menino quem na verdade escreve. Esses livros, porém, tempo imóvel em minha vida, não se fariam em um país sem liberdade.”

No mundo cada vez mais virtual o suporte para o livro tem mudado bastante. Temos sido seduzidos pelo ebook, mas os processos de criação  continuam com traços assemelhados. Não se busca o papel, mas carecemos de suportes como notebooks, desktops, smartphones. Além dos autores entram em ação outras pessoas que são importantíssimas pela qualidade e estética do livro: o designer, os diagramadores, os revisores… é uma cadeia de profissionais que vai se somando.

O cultivo aos livros em uma sociedade pode dispor sobre o grau de evolução desta civilização. Pode se verificar o acesso desta nação aos recursos culturais. Meu amigo e minha amiga, pode também dizer a respeito de como valoramos o Estado Democrático de Direito. Defender a existência de livros, a circulação e o acesso deles é assegurar a vida humana na sua completude de liberdade. É possibilitar o pleno funcionamento da República de Cidadãos. Vivam os fazedores de livros! Viva a liberdade! Nenhum livro a menos!

OBS: A ideia para escrever esse texto partiu da live feita por Pawlo Cidade, escritor, realizada no domingo, 19/04/2020, iniciada às 15 horas, com duração de uma hora

 

Efson Lima – doutor em direito/UFBA. Coordenador-geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho e do Laboratório de Empreendedorismo, Criatividade e Inovação ( LABECI).  Escritor. Das terras de Itapé/Ilhéus. efsonlima@gmail.com

 

Ruy Póvoas, um pai, um acadêmico, uma instituição sulbaiana

Efson Lima

 

efson limaTive a oportunidade, em 2013, de ser destacado para oferecer suporte jurídico a uma equipe da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, que estava cuidando de um edital, que mais tarde seria conhecido por Edital de Matriz Africana no contexto da economia solidária.  Foi uma oportunidade ímpar para voltar ao Sul da Bahia, agora, como profissional formado, melhor ainda encontrar os povos de terreiros com suas diversas lideranças entre elas, um pai, um acadêmico – Ruy Póvoas, constituindo-se em uma autoridade e responsável por colaborar com parte da identidade sul baiana.

 

Ruy Póvoas, generosamente e de forma acolhedora, abriu a porta do Terreiro Ilê Axé Ijexá Orixá Olufon, para nos receber, cuja sugestão de local para reunião partiu do professor Wenceslau Júnior. Abençoada sugestão. Foi uma rica escuta com várias pessoas presentes. Para além de nos receber, Pai Ruy exalava seu sorriso e a simplicidade, mesmo com sua vasta formação e tradição, ouvia atentamente aquelas pessoas que mal balbuciavam. Eu era uma delas.

 

rpovoasCertamente discorrer sobre a identidade sul baiana vem à nossa memória a figura humana Ruy Póvoas, que há mais de cinquenta anos, tem fincado contribuições para o pensamento sul baiano no fazer educacional. Não obstante, de forma significativa tem contribuído para a consolidação da religião de matriz africana, assim como buscado a proteção do direito de cada um professar a sua fé, cuja recompensa não podemos oferecer. Estes aportes possibilitaram que grupos se organizassem e defendessem seus valores, permitiu o culto ao sagrado e que as pessoas pudessem apresentar a sua identidade.

 

É perceptível que o professor Ruy Póvoas se municiou de uma das maiores arma – a sabedoria, aquilo que a academia, por vezes, prefere chamar de educação/escolarização, guardadas suas devidas particularidades. Sendo assim, ainda na década de setenta (1972) pela Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna concluiu a Graduação em Letras, posteriormente, cursou mestrado em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, titulando-se em 1983. No mestrado com sua dissertação fincava ainda mais seus estudos sobre o candomblé cuja dissertação teve o seguinte título: “A Linguagem do Candomblé: níveis sócio-lingúísticos de integração afro-portuguesa.”

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Coronavírus e as artes

Efson Lima

 

efson limaSenhores e senhoras, somos uma geração que pouco conheceu o sofrimento coletivo. Poucas vezes paramos diante da televisão para acompanhar os acontecimentos. Lembro-me do 11 de setembro de 2001 nos EUA, que minha geração ficou vidrada diante da TV. Naquele dia e nos outros que sucederam, tivemos nossas rotinas alteradas, mas nada igual a este momento. Nada!

Somos pequenos diante da realidade que ousa a nos impor.  A palavra de ordem é: ficar em casa, preferencialmente, a 2 metros de cada pessoa. Para nós baianos, que adoramos os apertos de mãos, os beijos – não basta um, tem que ser dois, tem sido difícil.  O tocas respeitosamente é marca de nossa identidade. Tão identificador que surge logo a pergunta: você é baiano? É muito pegar. É muito se aproximar.

Agora, nossos medos, nossos pessimismos ou nossa histeria, caso se aproxime do (não) presidente Bolsonaro são vivenciadas na TV, pelas redes sociais, pelos computadores. Tudo tem sido instantâneo. A pessoa morre e a família sabe pela TV.

Quem diria, está tudo paralisado! O futebol, o vôlei, Formula 1 seguem tudo parado! Vozes do mundo todo surgem para solicitar a mudança de data das Olimpíadas de Tóquio, cujo evento só três vezes foi cancelado, justamente, quando das duas grandes guerras. A COVID-19 paralisou os esportes. Certamente, vão surgir os campeonatos virtuais. O contato físico e a aproximação nem pensar nesse momento trágico. Tem sido um ano que parece ter ensinado a sermos pequenos.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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