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Os festivais literários no mundo virtual

Efson Lima

efson limaAlguns festivais literários nasceram online como o Flisba (Festival Literário Sul-Bahia), outros diante da pandemia e superada a resistência foram realizados por meio das plataformas digitais, tais como a  Flipelô (Festa Literária do Pelourinho), a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), o Flios (Festival Literário de Ilhéus) entre outros.  As redes sociais se tornaram uma arena para que os sonhos e a força da poética não desaparecessem em tempo pandêmico. A arte se reinventou, como as nossas vidas.

 

Os festivais literários, feiras literárias e as bienais tornaram-se fenômenos presentes no cenário cultural brasileiro nos últimos anos. Na Bahia, tem-se uma boa pulverização.  Além de movimentarem as cidades, estimulam economicamente os setores da produção do livro. Essas atividades permitem uma ampliação do fluxo turístico nas cidades onde ocorrem.

 

flisba 3As bienais do Rio de Janeiro e de São Paulo sempre estiveram consolidadas. A Feira do Livro em Porto Alegre segue o mesmo caminho. Certa vez, eu no Rio Grande do Sul, deparei-me com a Feira ocorrendo em uma praça da cidade. Vi várias editoras. A estrutura não era nada gourmet, mas estava presente a força de uma feira tradicional. Na Bahia, desde o desabamento de parte do Centro de Convenções do Estado, a Bienal do Livro deixou de ocorrer. A Bienal da Bahia até chegou a ser anunciada no ano passado, mas a pandemia não deixou ocorrer.

 

Ainda em terras baianas,  na Princesa do Sertão, em 2020, o  Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs) foi o primeiro a romper a desconfiança e foi realizado com suporte da plataforma virtual. O Flifs, que  alcançou a 13ª edição no ano passado, teve que ser reprogramado para o ambiente virtual. O festival integra uma das ações da Universidade Estadual de Feira de Santana e ocorreu entre os dias 22 e 26 de setembro.

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A literatura de cordel – o reino da cultura popular. Uma prática pedagógica

Efson Lima

 efson lima                A literatura de cordel pode ser meio para a síntese da oralidade, da escrita e da xilogravura. A rima é consequência da realidade. É prova viva do encontro entre o real e o imaginário, do presente com o futuro; do ontem com a esperança. Fatos que, a depender da ótica, são registrados como histórias, estórias, causos, orientações, mitos, adivinhações… Sejam desígnios da natureza, do sobrenatural, dos fatos sociais todos vão ou foram sendo narrados. É assim que as nossas cabeças são povoadas, fertilizadas e aradas para a plantação da cultura.

Recorro a minha pobre memória de menino, que, quando criança, caminhava do povoado de Entroncamento, às margens da BR 4015, ao local da feira na cidade de Itapé, quatro quilômetros de distância. Todos os sábados eram motivo de festa – parte de meu lazer. Tão logo alcançasse às 5 horas da matina, eu levado por minha mãe com outras mulheres partíamos em direção ao centro da cidade.

 

Janete Lainha

Janete Lainha

Podemos dizer que a feira é um não-lugar. As pessoas chegam, colocam o que pretendem vender e dão o expediente de acordo com a tradição local. São diversos produtos comercializados: carnes, frutas, roupas, utensílios, mingaus… É uma diversidade enorme. Cabem também as diversas expressões humanas: a dança, a capoeira, os jogos, a cachaça, o lazer e, claro, a literatura de cordel. Read the rest of this entry »

Setre promove Oficina de Finanças Solidárias

efson limaA Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), por meio da Superintendência Estadual de Economia Solidária e Cooperativismo (Sesol), promove, nos dias 11 e 12 de março, Oficina de Finanças Solidárias. A atividade, que será realizada online, tem como público-alvo técnicos e gestores públicos da área de Economia Solidária, presidentes das organizações sociais envolvidas na prestação do serviço de assistência técnica da área e equipes dos Centros Públicos de Economia Solidária (Cesol).

“O objetivo da oficina é fortalecer a transversalização da política pública, pautada na assistência técnica, na formação e na difusão das experiências e a gestão coletiva de recursos financeiros, possibilitando o acesso ao capital de giro para a compra de bens e de insumos para os empreendimentos de economia solidária”, destaca o coordenador de Assistência Técnica e Inclusão Sócioprodutiva, Efson Lima.

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As mulheres com as letras – Uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher e sempre

 

Efson Lima

 

efson limaA sociedade convencionou comemorar o dia internacional da mulher em 08 de março anualmente. A data faz lembrar lutas históricas, entre elas, o motivo que levou uma parte dos países no mundo a relembrar esse dia.  Louvemos todas as mulheres, entretanto, peço licença para reverenciar aquelas  que fazem da escrita a luta diária, utilizam suas vozes para promover direitos,  afirmam o empoderamento feminino no dia a dia e apresentam caminhos para uma sociedade. As letras representam uma das feições mais avançadas de uma sociedade e registram o trajeto humano.

Como sabido, o ambiente do ensino superior no primeiro momento esteve reservado aos homens. Entretanto, as mulheres foram quebrando as correntes e adentrando no espaço que, aparentemente, tinha sido  projetado para a perpetuação da masculinidade.  E, agora, elas não só têm concretizado suas formações, mas se espalhado na efetivação de diversos ofícios. Buscam ocupar as diferentes profissões. Tornam-se professoras, médicas, advogadas, enfermeiras,  juízas, engenheiras, escritoras… empreendedoras elas foram sempre.

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O Coletivo Flisba (Festival Literário Sul-Bahia) busca compreender esse processo, não sem razão, promoverá no dia 08/03, às 21 horas, pelo Instagram,  uma live para refletir sobre a data. A mediação da atividade será feita  pela professora Silmara Oliveira, presidenta da Academia de Letras de Itabuna (ALITA) e a convidada será a professora Tica Simões, professora universitária da UESC, que formou uma geração de pessoas e orientou tantas outras no campo da literatura, do turismo e da cultura. Ambas, sócias da ALITA. Além disto, são duas mulheres que exaltam a literatura do sul da Bahia  e, certamente, vão refletir sobre a obra da poeta Valdelice Pinheiro, cuja escritora é a homenageada do Bardos Baianos – Litoral Sul.

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O FLISBA reservou ainda dois outros momentos: em 09/03, às 20 horas, vai promover  uma live com o tema: “Violência oculta e explícita contra a mulher”  no perfil do Flisba e no dia 11/03, uma Roda de Conversa “DE MULHER PARA MULHER – Desabafos e descobertas”. A roda de conversa receberá inscrições no Sympla. Estas duas atividades serão  conduzidas por Indyara (Indy) Ribeiro, psicóloga e psicanalista e da professora  Luciana Chagas, ela que é doutora em Psicologia Clínica (USP), psicanalista e pesquisadora.

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Adeus, Gumercindo da Rocha Dorea! O editor de Ilhéus para o Brasil

 

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Efson Lima

efson limaNas academias de letras, após o ingresso da pessoa para a confraria, a imortalidade é uma palavra – chave. E o fenômeno vai se confirmando com a morte paulatina de cada um dos participantes, pois, a morte não confere fim a obra. Esta se perpetua. A imortalidade física foi objeto de desejo entre diversas civilizações. Ele impulsionou o surgimento da química, desenvolveu técnicas de preservação de corpos. Se a imortalidade física não pode ser uma constante, a imortalidade simbólica continua a toda prova, ele se confirma com a literatura, a música, o cinema, a arquitetura, a ciência entre tantas outras áreas.

 

 

 
Tenho pesquisado sobre a Academia de Letras de Ilhéus (ALI) desde 2016. Alguns membros da ALI se notabilizaram no cenário nacional e internacional, outros de feição menos popular mais com enorme contribuição no cenário nacional, por vezes, não recebem o devido tratamento. Alguns por estarem afastados da sua pátria regional, outros por não estarem sob nossos olhares. Não obstante, reza a lenda que santo de casa não faz milagre.

 

 

 

Entre esses que fogem a nossa cabeça, podemos registrar Gumercindo, cuja notícia da morte tomei conhecimento via postagem de Geraldo Lavigne, no Facebook. Gumercindo Dórea faleceu no dia 21 de fevereiro do corrente ano, no domingo passado. Ele era um dos membros mais velhos da Academia de Letras de Ilhéus, tinha 96 anos; ocupava a cadeira de n.º 40. Aparentemente desconhecido em sua terra, foi editor de celebridades nacionais. Talvez, sua postura de viés conservador, como apontou Sérgio Mattos, tenha colocado – o em um patamar de menor prestígio (não somos democráticos): “é um dos mais importantes editores nacionais, apesar de ser relegado e contestado devido às suas ligações com o integralismo”.

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Vacina, ciência e Covid

 

Efson Lima

efsonO Brasil tem um histórico polêmico quando o assunto é vacinação. Talvez, o mais marcante seja a Revolta da Vacina, em 1904, no Rio de Janeiro, quando a vacinação foi proposta de forma obrigatória pelo médico-sanitarista Osvaldo Cruz em favor da modernização do Rio de Janeiro, que era a capital do país. Somente agora diante dos embates para a vacinação massiva em face do coronavírus que o tema é relembrado. E quem diria, uma parte considerável da população mesmo diante do risco de morte e das sequelas da COVID-19 teme em tomar a vacina.

A experiência humana com a vacina é datada do século XVIII, foi o médico inglês Edward Jenner que adotou a técnica da vacina para prevenir a contaminação por varíola. A varíola é considerada a primeira doença infecciosa que teve sua erradicação alcançada por meio da vacinação em massa.

Quiçá, seja justificável, na virada do século XIX para o XX, o receio sobre a vacinação, afinal, o debate sobre cientificismo e a própria afirmação da ciência eram perenes e as dúvidas sobre a produção de vacinas e fármacos eram elevadas. Mas em pleno século XXI, depois de uma longa trajetória das vacinas e os protocolos clínicos, a “explicação” para tamanha resistência esteja pautada na polarização em torno de uma ideologia fundada na pequenez humana. As explicações podem ser várias para a recusa em tomar a vacina, mas nenhuma delas encontra no plano da moralidade justificativa plausível para torcer contra o sucesso das vacinas e muito menos que as autoridades não assegurem com eficiência o acesso ao serviço de humanização e que a vacina não esteja gratuita ao povo. É dever do gestor público e das pessoas públicas sinalizarem a favor da vacinação.

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A Festa Literária de Ilhéus e o FLIOS- uma simbiose necessária

Efson Lima

 

efson limaO ano foi pandêmico, talvez, os termos “pandemia” e “COVID” sejam as palavras predominantes de 2020, cujo ano cuidou de oferecer contornos e traçado para a civilização humana. Apesar da triste circunstância deste ano, as instituições e/ou pessoas se mobilizaram em diferentes perspectivas para manterem as chamas acesas da esperança. As experiências ao longo deste ano foram as mais diversas e estiveram pautadas na solidariedade, na criatividade e no cuidado. Essas práticas foram se proliferando ao redor do planeta, consolidando um outro vocábulo entre nós: “ superação”.

 

No sul da Bahia e no campo da literatura,  quando parecia não mais ocorrer a Festa Literária e o Festival Literário de Ilhéus (FLIOS), forças da oportunidade se levantaram e concretizaram um evento espetacular pelas redes sociais da Editora da UESC (Editus) e da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), organizadoras centrais dos eventos.  A Festa que estava ocorrendo tradicionalmente em maio, dessa vez,  foi realizado neste mês de dezembro, de 07 a 12/12/20, permitindo que as distâncias fossem reduzidas mesmo na pandemia. O poético cuida de explicar.

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A Festa Literária de Ilhéus é a junção de dois eventos literários: a  Feira do Livro da Uesc e o FLIOS – Festival Literário de Ilhéus, respectivamente, na 8ª e 5ª edições,  cujo objetivo foi possibilitar uma programação diversificada e promover uma maior participação e envolvimento da comunidade regional. De fato, a contar pela quantidade de mesas, de tema e de participantes, tivemos uma vasta programação, que mesclaram o literário, às questões sociais, o contexto do ensino superior, a produção de livros e a crítica.

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A realização desses eventos no sul da Bahia consolida a região como um celeiro literário. Essas ações ajudam aproximar o leitor do escritor e colaboram para a externalização da produção literária originária desta região e que ganha o mundo seja pelas escritas de Jorge Amado, Adonias Filho, Hélio Pólvora, Cyro de Mattos e de tantos outros jovens que estão a compor o panteão literário. Ao longo do evento, algumas provocações sugiram entre as quais: literatura do cacau, literatura regional, literatura brasileira? Outras discussões necessárias foram colocadas à baila, tais como: direitos humanos, o acesso das pessoas com deficiência… a própria Festa Literária e o Flios são atos de resistência em face do contexto sanitário e político em face das circunstâncias dadas no Brasil atual e de ontem.

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Eleições municipais, literatura e acesso à leitura

Efson Lima

efson limaEstamos em um ano eleitoral atípico, é verdade, mas é 2020. Estamos em novembro mesmo e as eleições serão nesse dia 15 de novembro de 2020. Dia da Proclamação da República. Os candidatos se lançaram aos processos eleitorais e elaboraram seus programas de governo, os quais foram submetidos à apreciação do eleitor. Muito bem! Nas democracias representativas os procedimentos são esses.

Muitos devem estar se perguntando, que diacho tem literatura com eleições, acesso à leitura? Tem muito a ver. Primeiro, as vitórias e as derrotas eleitorais são contadas sob as diferentes óticas.

Eusinio Lavigne

Eusinio Lavigne

Vamos falar muito da pandemia enquanto circunstância que definiu o resultado de muitas eleições em 2020.  Certa vez, em outro pequeno artiguete, tive a oportunidade de defender que a literatura nasce na imaginação e movimenta uma cadeia produtiva de uma sociedade ao possibilitar uma “fábrica criativa de escritores” ao serem publicados, tem – se os vídeos, os áudios. Temos também os diagramadores, os revisores, os designers… que vão aumentando o rol de trabalhadores no mundo da produção literária. Literatura é fator de desenvolvimento econômico em um país. Em uma República de Leitores o exercício da cidadania não será de qualquer jeito.

Mas para além do trabalho, literatura também é lazer. É meio civilizacional de uma sociedade, de um grupo. Portanto, a literatura deve ser compreendida como um processo possibilitador de reflexões sobre ontem, hoje e o amanhã. É meio para a libertação de um povo. É caminho para a afirmação de um Estado Democrático de Direito. É “o sonho acordado da civilização” como afirmou Antonio Candido.

Ariston Cardoso

Ariston Cardoso

Não é possível pensar uma gestão municipal sem colocar o campo da educação, especialmente, de parte do ensino infantil e fundamental na ordem do dia. O município não alcançará uma qualidade no ensino sem a alfabetização das crianças e da juventude. Infelizmente, o jovem e o idoso precisam ser alfabetizados. O “infelizmente” adotado não é porque são jovens e idosos, mas porque a alfabetização deve ocorrer ainda na infância. E no Brasil continuamos a alfabetizar jovens e adultos, pois, não estamos cumprindo com o nosso dever na infância.

Na segunda semana do mês de setembro deste ano, o Instituto Pró-Livro divulgou a pesquisa sobre leitura no Brasil – “5ª. Edição da Retratos da Leitura no Brasil”. Entre as constatações, sabemos que o número de leitores no Brasil diminuiu, a redução foi de 4.6 milhões de pessoas; temos 29% da população sendo considerada analfabeta funcional no país. Entre os que frequentam as bibliotecas, 17% avaliam como bons os serviços e 43% dizem não encontrar os livros pelos quais estão interessados. Triste sina!

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Lançamento de livros, escritores e muita literatura no Sul da Bahia

efs 4Efson Lima

Poderíamos dizer que a bruxa está solta. Dessa vez não é a que colocou fim a cacauicultura sul-baiana, mas a que estimula e apresenta novos traçados criativos, especialmente, o literário. Nos últimos dias, mesmo diante da pandemia, a força criativa dos escritores do sul da Bahia tem nos brindado com publicações de livros, inclusive, ampliando o rol de escritores; o mapa de escritores do sul da Bahia vai crescendo, alcançando outras cidades menores e diversificando sua composição. Os seguintes escritores publicaram ou vão publicar livros: Luh Oliveira, Ruy Póvoas, Aurora Souza, Pawlo Cidade, Roger Ferreira e Sheilla Shew. Alguns deles já consagrados com diversas obras e aceitabilidade do público e outras aceitando o desafio de se colocarem no espectro da crítica e dos leitores. Os dois grupos merecem nossa admiração. Eles vão ficando nossa identidade. Afinal, felicidade da nação que possui escritores. A nação grapiúna tem.

 

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Temos tido também diversas lives com escritores da região. São momentos que se revelam verdadeiros cafés culturais. Os participantes refletem seus processos criativos, mas colocam na ordem do dia às questões do contexto cultural, o acesso à educação de qualidade e à leitura. Leitura de mundo tão necessária para nos tirar da vala comum em que o País se meteu.
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Não é novidade que o sul da Bahia tem uma força criadora enorme. Não temos dúvida de nossos escritores consagrados. Temos escritores que receberam a premiação do Jabuti, cuja premiação é a mais importante do setor literário brasileiro. Temos editoras na região que estimulam o fazer literário, a publicação científica… São articulações necessárias para manterem acessa a chama da literatura. Há um mês pessoas se juntaram e colocaram literalmente no ar o FLISBA – Festival Literário Sul-Bahia.

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Recentemente, a Academia de Letras de Ilhéus prometeu realizar o FLIOS – Festival Literário de Ilhéus, virtualmente. As lives promovidas por Luh Oliveira e Tácio Dê são outras estratégias necessárias para a promoção da literatura, da leitura e da cultura como um todo.

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Literatura, acesso à leitura e gestão municipal

Efson Lima

 

efson limaEstamos em um ano eleitoral atípico, é verdade, mas é 2020. Os candidatos se lançam aos processos eleitorais e elaboram seus programas de governo. Muito bem! Nas democracias representativas os procedimentos são esses. O processo pode ser melhorado quando os candidatos dialogam com a sociedade civil organizada e os cidadãos e vão concretizando a soma dos interesses públicos no citado documento.

Muitos devem estar se perguntando, que diacho tem literatura com eleições, acesso à leitura? Tem muito a ver. Primeiro, as vitórias e as derrotas eleitorais são contadas sob as diferentes óticas.

 

Vamos falar muito da pandemia enquanto circunstância que definiu o resultado de muitas eleições. Anteriormente, em outro pequeno artiguete, tive a oportunidade de defender que a literatura nasce na imaginação e movimenta uma cadeia produtiva de uma sociedade ao possibilitar uma “fábrica criativa de escritores” ao serem publicados, tem -se os vídeos, os áudios. Temos também os diagramadores, os revisores, os designers… que vão aumentando o rol de trabalhadores no mundo da produção literária. Literatura é fator de desenvolvimento econômico em um país.

Mas para além do trabalho, literatura também é lazer. É meio civilizacional de uma sociedade, de um grupo. Portanto, a literatura deve ser compreendida como um processo possibilitador de reflexões sobre ontem, hoje e o amanhã. É meio para a libertação de um povo. É caminho para a afirmação de um Estado Democrático de Direito. É “o sonho acordado da civilização” como afirmou Antonio Candido.

Não é possível pensar uma gestão municipal sem colocar o campo da educação, especialmente, de parte do ensino infantil e fundamental na ordem do dia. Não alcançará uma qualidade no ensino sem a alfabetização das crianças e da juventude. Infelizmente, o jovem e o idoso precisam ser alfabetizados. O “infelizmente” adotado não é porque são jovens e idosos, mas porque a alfabetização deve ocorrer ainda na infância.

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FLISBA faz nascer uma Primavera Literária no Sul da Bahia

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O Festival Literário Sul – Bahia  (FLISBA) ocorreu entre os dias 24 e 26 deste mês e inaugurou a estação das flores e veio promovendo uma  “Primavera Literária” como estampou em seu tema.  Além das flores que chegaram, o FLISBA apresentou diversas discussões sobre literatura, o acesso ao livro e à leitura, bem como os desafios da produção literária no sul da Bahia. O evento vai se transformando em um movimento em defesa da literatura e do acesso à leitura.

O festival foi realizado por meio das redes sociais, especialmente, do canal do Youtube – Festival Literário Sul-Bahia. Foram seis mesas de discussões, além da mesa de abertura e de outros momentos  que estabeleceram uma sintonia com diferentes linguagens artísticas, envolvendo artes plásticas, música, cinema e teatro.

flisba 4O FLISBA foi organizado em tempo recorde, os preparativos foram iniciados em 31 de julho deste ano e em menos de dois meses o FLISBA estava ocorrendo nas redes sociais. Foi uma semente que rapidamente floresceu dando frutos. Os organizadores são pessoas que moram em diferentes cidades, mas todos e todas com origem no sul da Bahia. Algumas pessoas envolvidas na organização do evento estão morando fora do sul da Bahia, como o escritor Geraldo Lavigne de Lemos e Sophia Sá Barretto, que estão morando, respectivamente, em São Paulo e em Portugal.

A abertura do FLISBA (24/09) reuniu três academias de letras do sul da Bahia: Academia de Letras de Itabuna (ALITA),  Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e a Academia de Letras e Artes de Canavieiras. A presidente da ALITA, Silmara Oliveira, sintetizou e disse o que representava o  evento como “o encontro da literatura em primeiro lugar, proporcionado pelo FLISBA, que representa o pensamento assim de muitas pessoas atenadas na arte, cultura e conhecimento. É vasto o mosaico de poetas, ficcionistas, contistas ensaístas da região sul da Bahia.”.

flisba 2Ainda na mesa de abertura, a emoção foi marcada pela homenagem do FLISBA ao Teatro Popular de Ilhéus (TPI), representado por Romualdo Lisboa, que foi surpreendido com o aparecimento repetino de Amaurih Oliveira, um dos atores que passaram pelo grupo Teatro Popular de Ilhéus e mora atualmente na cidade do Rio de Janeiro e pelo ator Thiago Carvalho, que mora em Salvador e pertence ao grupo de Teatro Finos Trapos. O representante do grupo Finos Trapos ingressou durante a mesa para registrar a importância do TPI para as artes na Bahia e no Brasil. O Grupo Finos Trapos fez residência na Tenda do TPI em Ilhéus.

Em seguida, teve uma mesa que abordou os centenários de João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector. A mesa foi mediada pelo professor Ramayana Vargens e teve exposições de Aurora Souza, Raquel Rocha e Gideon Rosa. A mesa foi simbólica. Teve-se um encontro de gerações, assim como do encontro do teatro com a literatura e com o cinema. Foram mais de duas horas de análises.

No final da tarde foi realizado o Slam Sul da Bahia, que trouxe o estilo da poesia falada e reuniu jovens de diferentes cidades do sul da Bahia.  O  vencedor do Slam Sul Bahia foi Daniel Felipe, o “Ladrão de Livros”, que circula nos ônibus declamando poesias no sul da Bahia. A sensação deixada é que os jovens gostam de poesia e a poesia pode ser usada como um instrumento pedagógico para diferentes áreas. O segundo lugar foi ocupado por Marília Martins , de Eunápolis  e a terceira posição por Robert Araújo ( MC Roty), de Potiraguá.

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O Festival Literário Sul da Bahia – um resposta ao contexto da pandemia e a afirmação da cidadania cultural

Efson Lima

 

efson lima Algumas pessoas desde o dia 31 de julho de 2020, cuja ligação é o nascimento ou ter morado no sul da Bahia, estão articulando a organização do Festival Literário Sul -Bahia ( FLISBA). O FLISBA surge como uma reposta ao contexto da pandemia, mas não só isto, ele nasce com um espírito de ser uma “ Primavera Literária”.  O evento vai ocorrer de forma virtual, com transmissão pelas redes sociais, especialmente, pelo Youtube e Facebook, nos dias 24, 25 e 26 de setembro de 2020.

Os organizadores advertem  que o  Flisba “surge com o cunho literário, mas não se fecha nesse campo, pelo contrário, é espaço que visa congregar as diferentes expressões artísticas sob uma perspectiva inclusiva. É uma primavera literária que possibilita o encontro do passado com o presente e projeta futuro. As gerações se encontraram para fazer a simbiose do bem viver literário, artístico. Idosos e jovens, homens e mulheres sob diferentes orientações e perspectivas veem nas artes a possibilidade de reconfigurar as caminhadas, sendo um espaço para a solidariedade e um fazer coletivo”.

O Festival presta uma homenagem a João Cabral de Melo Neto e a Clarice Lispector, ambos completam 100 anos de  nascimento em 2020, respectivamente, janeiro e novembro. O primeiro com sua produção cuja matriz é o nordeste, a segunda tem na instrospectividade uma característica perene. Clarice não é brasileira da gema, mas a acolhemos como se brasileira nata fosse. Ela sempre foi grata, pois, quando perguntada  sobre a origem, prontamente respondia: brasileira. O Festival também marca uma reflexão sobre as contribuições de Jorge Amado e Adonias Filho para a literatura. Sabemos que a região tem tantos outros escritores de gabarito elevado. Acreditamos que outros Festivais virão para homenagear nossos imortais conterrâneos.

O Festival será um espaço de intercâmbio para a promoção da literatura e dos processos criativos dos escritores regionais da região sul da Bahia, inclusive, dos novos. O FLISBA visa estimular a leitura e aproximar os agentes culturais, promovendo atividades que exercitem reflexões sobre a cultura, questões ambientais, questões ligadas à diversidade de gênero, uso das redes sociais e tecnologias. Temas que se tornaram emergentes seja pelo contexto da pandemia, seja pelo fenômeno político atual.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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