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Posts Tagged ‘ditadura militar’

Robinson Almeida apresenta Projeto de Lei que veda homenagens à pessoas que participaram da Ditadura Militar

robO deputado estadual Robinson Almeida (PT) apresentou na Assembleia Legislativa da Bahia o Projeto de Lei N° 23/596/2019 que proíbe a utilização de nomes de pessoas que apoiaram a ditadura militar (1964-1985) em prédios, obras e equipamentos públicos no estado. O regime de exceção no Brasil durou 21 anos e foi responsável por torturas e assassinatos de opositores do regime, que defendiam a democracia.

No PL, o parlamentar sugere também a proibição aos órgãos de administração pública estadual de realizarem eventos ou quaisquer atividades com o propósito de celebrar, aclamar ou homenagear o período do regime militar e veda também o repasse de recursos financeiros, mediante convênios e outras modalidades de ajuste administrativo.

“O Projeto é uma maneira de honrar a memória de quem lutou verdadeiramente pela volta da democracia e liberdade. A Constituição de 1988 é resultado de diversos movimentos sociais e lutas que hoje se traduzem em direitos que não podem e não devem ser reduzidos”, disse Robinson.

Salvador terá ato pelas vítimas da Ditadura Militar

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Aprovada há 40 anos, a Lei de Anistia Política não incluiu todos os atingidos pelos atos da Ditadura Militar. Para protestar contra as recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro, que agride a memória dos mortos e desaparecidos e ampliar o alcance dessa lei, estará sendo realizado em Salvador o Ato pela Memória, Verdade e Justiça, exigindo do governo brasileiro a inclusão daqueles que até hoje não foram beneficiados pela Lei e informações definitivas sobre os desaparecidos.

 

O ato, que acontece no próximo dia dia 29 de agosto,  às 18 horas, no Auditório da Faculdade de Direito da UFBa, bairro da Graça, é promovido pela OAB Bahia, Grupo Tortura Nunca Mais, ADJC – Associação Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania e ABJD – Associação Brasileira de Juristas pela Democracia .
 

Bolsonaro, um sociopata no poder

 

Josias Gomes

Bolsonaro é um sociopata que se considera herói de guerra. Alimenta em sua mente perturbada a cruel fantasia de que ajudou a salvar o Brasil do comunismo. Na realidade, Bozo não consegue salvar nem a si mesmo.

josias 2O capitão maluco – expulso do exército – é um sujeito inescrupuloso, de baixa inteligência. Sequer consegue dar-se conta de que as ditaduras formam governos totalitários, corruptos, incompetentes e genocidas, rechaçados por todo e qualquer cidadão minimamente normal mentalmente.

A esmagadora maioria que fez parte dos golpes civil-militar, direta ou indiretamente, é assassina em massa. O Brasil deveria ter seguido o exemplo de outras democracias e ter prendido estes genocidas,
antes que eles saltassem do esgoto da História.

Vejam o nível da declaração do suposto presidente da República: “Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como seu pai desapareceu no período militar, conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele”.

Bolsonaro não tem o mínimo de respeito pela renomada instituição OAB. Tripudia de forma sádica a memória do companheiro Fernando Santa Cruz, pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB. Fere também a memória de todos os seres humanos que foram torturados, mortos e desaparecidos naqueles tempos de trevas. O canalha não tem o mínimo respeito pela democracia, pelas instituições e pelos direitos humanos.

Bolsonaro é um sociopata!

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A ideia de morte aos opositores está viva no Brasil de hoje

A0 PÉ DA GOIABEIRA lopes

No fim do ano passado, o governo estadunidense divulgou um relatório-bomba endereçado a Henry Kissinger, então secretário daquele país. O documento, emitido pelo diretor da CIA, William Egan Colbim, em abril de 1974, mostra – mais do que as práticas fascistas, criminosas e assassinas adotadas pelos generais golpistas do Brasil – o nível de subserviência com que os militares cultivaram as relações com os Estados Unidos. Percebe-se que o capitão Bolsonaro, fã de carteirinha dos torturadores da época, tem a quem puxar.

Poderia causar espanto e indignação a parte do relatório que fala de uma reunião privada entre o general Geisel (presidente de plantão) e os generais Milton Tavares de Souza, Confúcio Dantas de Paula Avelino e João Figueiredo: é que nesse encontro, segundo a CIA, foi discutida a continuidade da “política de execuções sumárias” do regime, adotada desde o governo do general Emílio Garrastazu Médici.

É inacreditável (para quem não viu ”de perto” as atrocidades perpetradas contra o opositores da ditadura) o nível das práticas utilizadas para “eliminar” o perigo causado pela “ameaça subversiva”, bem como a urgência com que o assunto foi comunicado aos “patrões”, via Kissinger. E para que não reste dúvida, “ameaça subversiva” era a denominação dada pelos militares aos grupos políticos e sociais que lutavam pelo retorno da democracia brasileira.

Ainda no documento, o diretor da famigerada CIA informa a Kissinger que, na referida reunião, o general Milton detalhou todo o “trabalho” executado pelo Centro de Inteligência do Exército (CIE) nos últimos anos do governo Médici.

Coube ao mesmo  general Milton dar a boa notícia, sobre o trabalho da “inteligência” militar: “Cerca de 104 pessoas nesta categoria foram sumariamente executadas pelo CIE durante o ano passado, ou pouco antes”. O relatório da CIA acrescenta que “Figueiredo apoiou essa política e insistiu em sua continuidade”.

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Durante desfile em Belo Horizonte, em 1970, homem é torturado no pau-de-arara, “ao vivo” – transportado por dois índios “fantasiados” de militares, e visivelmente constrangidos

Diga-se que veio a público apenas uma parte do relatório da CIA, a parte “mais doce”, digamos assim, o que no0s condu8z `à reflexão óbvia: Se a execução sumária de 104 cidadãos brasileiros pelo alto comando do exército foi considerada algo passível de ser divulgado, imaginem o que mantiveram em segredo.

É esse tempo sombrio que nos espreita em cada recanto do Planalto Central da República, na perspectivav de voltarmos a um tempo sem lei e sem paz, quando fica proibido pensar ou agir fora dos manuais militares.

Rel2

Criança constrange o general João Figueiredo, o último ditador da série verde-oliva

Por enquanto, as execuções ainda não são “oficiais”: restringem-se aos habitantes da periferia das grandes cidades, num ensaio de faxina “social” que ainda não atingiu (salvo as exceções de Marielle, Jean Willis e Márcia Tiburi) o estágio de “faxina ideológica”, propriamente.

Virose

Do youtuber Felipe Neto, após o capitão Bolsonaro dizer que o holocausto deve ser perdoado:

“Nosso presidente tem a capacidade mental de uma azeitona”

 

(As diatribes do Barão e sua equipe são publicadas às terças e sábados, quer chova, quer faça sol)

 

O preço da Liberdade

Josias Gomes

 

josiasQuanto vale a liberdade de expressão? Sabemos que a liberdade não se negocia, não pode ser precificada. Esse texto tem o compromisso histórico de alertar muitos jovens que apoiam regimes totalitários e golpes militares com toda força que os opressores conseguiram penetrar em suas mentes.

O jovem, por si só, é um libertário e contestador nato, contudo num mundo opressor teriam as suas palavras e ações silenciadas. Durante os regimes democráticos, todo cidadão tem o direito de concordar ou não com um modelo político.

Na Ditadura Militar, não!

Uma ilustração clara é a do jornalista Reinaldo de Azevedo, que falou: “Eu escrevi uma matéria contra o Bolsonaro e fui ameaçado de morte. Eu escrevi quatro livros contra o PT e nunca fui ameaçado de morte”.

Cálice é uma canção de Chico Buarque e Gilberto Gil, feita durante os anos atômicos da Ditadura Militar. Escolhi essa canção emblemática que foi censurada pelos milicos porque tem diversas metáforas que denunciavam um Brasil amputado e podemos fazer analogias com os dias atuais.

Cálice é uma canção poética poderosa que se refere ao silêncio obrigado da população brasileira. De uma maneira magistral, Chico e Gil (com interpretação livre) denunciam a tragédia vivida pelo povo brasileiro, comparando com o calvário que Jesus sofreu até a sua crucificação.

Em um verso da canção eles cantam: “Como beber dessa bebida amarga”. O vinho, que é para celebrar a vida, está cheio de sangue, amargo, adulterado por censura, desaparecimentos, torturas e morte. O cale-se da Ditadura é feito de ópio.

Jovens, não caiam no canto da serpente. Este canto triste pode durar décadas, gerações, e amanhã vocês podem ser senhores e senhoras arrependidos.

Provavelmente, muitos jovens não conheçam a canção Cálice, porque existe um processo de alienação brutal provocado pela mídia, indústria cultural, onde tentam apagar a memória de luta do povo, artistas e intelectuais brasileiros. Cálice é um hino da minha geração que lutou por um mundo livre, plural, sem vinhos envenenados de ódio e paranoia.

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

“Mesmo calada a boca, resta o peito”.

Josias Gomes é deputado federal licenciado e secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR-BA).

Aos Domingos, Na Esquina

Curta produzido por Sônia Maria Hass e integrante do filme colaborativo Um Golpe, 50 Olhares. Um projeto organizado pelo CRIAR BRASIL e fomentado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, por meio do Projeto Marcas da Memória.

É isso que o Brasil quer celebrar?

Paulo Coelho, no Washington Post

pc 228 de maio de 1974: um grupo de homens armados invade meu apartamento. Começam a revirar gavetas e armários – não sei o que estão procurando, sou apenas um compositor de rock. Um deles, mais gentil, pede que os acompanhe “apenas para esclarecer algumas coisas”. O vizinho vê tudo aquilo e avisa minha família, que entra em desespero. Todo mundo sabia o que o Brasil vivia naquele momento, mesmo que nada fosse publicado nos jornais.

Sou levado para o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), fichado e fotografado. Pergunto o que fiz, ele diz que ali quem pergunta são eles. Um tenente me faz umas perguntas tolas, e me deixa ir embora. Oficialmente já não sou mais preso: o governo não é mais responsável por mim. Quando saio, o homem que me levara ao DOPS sugere que tomemos um café juntos. Em seguida, escolhe um táxi e abre gentilmente a porta. Entro e peço para que vá até a casa de meus pais – espero que não saibam o que aconteceu.

No caminho, o táxi é fechado por dois carros; de dentro de um deles sai um homem com uma arma na mão e me puxa para fora. Caio no chão, sinto o cano da arma na minha nuca. Olho um hotel diante de mim e penso: “não posso morrer tão cedo.” Entro em uma espécie de catatonia: não sinto medo, não sinto nada. Conheço as histórias de outros amigos que desapareceram; sou um desaparecido, e minha última visão será a de um hotel. Ele me levanta, me coloca no chão do seu carro, e pede que eu coloque um capuz.

pcO carro roda por talvez meia hora. Devem estar escolhendo um lugar para me executarem – mas continuo sem sentir nada, estou conformado com meu destino. O carro para. Sou retirado e espancado enquanto ando por aquilo que parece ser um corredor. Grito, mas sei que ninguém está ouvindo, porque eles também estão gritando. Terrorista, dizem. Merece morrer. Está lutando contra seu país. Vai morrer devagar, mas antes vai sofrer muito. Paradoxalmente, meu instinto de sobrevivência começa a retornar aos poucos.

Sou levado para a sala de torturas, com uma soleira. Tropeço na soleira porque não consigo ver nada: peço que não me empurrem, mas recebo um soco pelas costas e caio. Mandam que tire a roupa. Começa o interrogatório com perguntas que não sei responder. Pedem para que delate gente de quem nunca ouvi falar. Dizem que não quero cooperar, jogam água no chão e colocam algo no meus pés, e posso ver por debaixo do capuz que é uma máquina com eletrodos que são fixados nos meus genitais.

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E Rose não vai falar de rosas…

 

 

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Rose Nogueira

“Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto.

Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. ‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele. Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’.

Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado.

Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido.

Picou a página do jornal e atirou em mim. Segurei os seios, o leite escorreu.

Ele ficou olhando um momento e fechou o vestido.

Me virou de costas, me pegando pela cintura e começaram os beliscões nas nádegas, nas costas, com o vestido levantado.

Um outro segurava meus braços, minha cabeça, me dobrando sobre a mesa.

Eu chorava, gritava, e eles riam muito, gritavam palavrões.

Só pararam quando viram o sangue escorrer nas minhas pernas. Aí me deram muitas palmadas e um empurrão.

Passaram-se alguns dias e ‘subi’ de novo. Lá estava ele, esfregando as mãos como se me esperasse.

Tirou meu vestido e novamente escondi os seios.

Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo.

Ele ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco.

No meio desse terror, levaram-me para a carceragem, onde um enfermeiro preparava uma injeção.

Lutei como podia, joguei a latinha da seringa no chão, mas um outro segurou-me e o enfermeiro aplicou a injeção na minha coxa.

O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’. ‘E se não melhorar, vai para o barranco, porque aqui ninguém fica doente.’

Esse foi o começo da pior parte.

Passaram a ameaçar buscar meu fillho. ‘Vamos quebrar a perna’, dizia um. ‘Queimar com cigarro’, dizia outro.”

ROSE NOGUEIRA, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), era jornalista quando foi presa em 4 de novembro de 1969, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é jornalista e defensora dos direitos humanos.

Aula de História

1964

ditadura m 2

Marcha do Silêncio em Salvador lembra vítimas da ditadura militar

marcha silencio

Acontece no dia 1º. de abril, em Salvador, a Marcha do Silêncio, que  homenageia os mortos e desaparecidos políticos vítimas da Ditadura Militar (1964-1985).

A Marcha sairá às 14 horas,  da Piedade até o Campo da Pólvora, onde se encontra o Monumento aos Mortos e Desaparecidos  Baianos.

. Os manifestantes levarão cartazes com fotos dos desaparecidos baianos, acompanhados por um instrumento o surdo que seguirá marcando com um bumbo durante a caminhada.

Na chegada os participantes fincarão no cruzes no chão, seguido de apresentação de  poesias, performances e pronunciamentos de lideranças políticas e sindicais e familiares das vítimas da ditadura brasileira

A Marcha do Silêncio é realizada em diversos países que sofreram ditaduras sangrentas, como Brasil, Argentina, Uruguai e Chile.

A história de Marighella

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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