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Posts Tagged ‘Daniel Thame’

Memórias de um Dinossauro

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 A Mulher Caridosa

Os dois amigos chegaram à pensão modesta na cidade do interior paulista no domingo à noite.

Radialistas em início de carreira e, portanto,  escalados para as piores coberturas, iriam fazer reportagens sobre um encontro de prefeitos e vereadores.

Tanta atenção para uma baboseira daquelas, que desde todo o sempre serviu de fachada para que os políticos tivessem diversão garantida bancada pelos cofres públicos, só se justificava porque o prefeito era também o dono da rádio onde eles trabalhavam.

O dinheiro contado mal dava para as despesas. “Luxos”, só mesmo algumas doses de “fogo paulista”, uma mistura horrenda de pinga vagabunda com groselha, e uma visitinha ao puteiro local, ainda assim  contando com a generosidade de uma moçoila mais em conta, mais rodada e em, digamos, fim de carreira.

Porque as putas que valiam a pena, preferiam prefeitos, vereadores, assessores mais graduados e mesmo os caipiras com aqueles “errrrrrrrrrrrrrrrrrres” intermináveis, mas com dinheiro  no bolso.

Daí que, a dona de pensão, uma velhota lá pelos seus 65 anos, viúva contrita, que era um trombolho repugnante na noite de domingo, passou a ser uma pessoa legal na segunda-feira, simpática na terça-feira, agradável na quarta-feira e atraente na quinta-feira.

Na sexta-feira os dois, que eram amigos de dividir um prato de comida, quase estavam saindo no tapa para ver quem iria dormir com a dona da pensão, aquela delícia de mulher.

Ali era uma pensão familiar e não haveria espaço para briga, ainda mais uma briga entre amigos. Ela deu para os dois.

Um de cada vez, é bom que se registre, porque era uma senhora de respeito, com um enorme crucifixo sobre a cama e o retrato do saudoso falecido na penteadeira.

E ainda exigiu que fosse com a luz apagada, no que os dois amigos, donos de uma imaginação fértil, não reclamaram.

No dia seguinte, eles foram embora e ela foi à missa.

Comungou sem se confessar.

Entendeu aquilo não como um pecado, mas como um ato de caridade cristã a dois necessitados.

 

Saúde e ameaça do fascismo no são destaques no Café com Pimenta

O comportamento displicente de parte da população em relação à prevenção da Covid 19, a ampliação da vacinação e os investimentos na saúde em Itabuna, com a participação da secretária Livia Mendes, foram destaque no Programa Café com Pimenta, no canal iPolítica no youtube.

O programa, apresentado por Ricky Mascarenhas com as participações de Thiago Dias e Daniel Thame, também analisou as manifestações do 7 de Setembro e suas consequências. “É preciso conter a escalada do fascismo”, disse Daniel Thame. Já Thiago Dias defendeu um posicionamento mais incisivo das instituições, alertando que” o golpe está na ordem do dia e isso não pode ser encarado com normalidade” mas como uma ameaça à democracia.

Assista o Café com Pimenta na íntegra:

Nestor Amazonas, o cinegrafista e o pitú

 

Daniel Thame

dt chapeuComeço da TV Cabrália. 1988. Tempo em que as equipes de reportagem corriam atrás da notícia sem preocupação em economizar na gasolina ou na diária do repórter, do cinegrafista, do auxiliar e do motorista.

Hoje, a equipe se limita ao repórter e ao cara que acumula as funções de motorista/cinegrafista. Em alguns casos é a  “equipe de um só”.

Voltando à Cabrália. A equipe saiu para fazer uma matéria em Ubaitaba e aproveitou para fazer outra reportagem sobre a situação precária da rodovia Ubatã-Ipiaú. Duas boas reportagens, veiculadas nos telejornais da emissora.

Até aí, nada demais. Boas reportagens eram marca da Cabrália, uma espécie de pré-faculdade de comunicação no Sul da Bahia, tamanho o número de profissionais que formou. O problema foi a conta do almoço, que incluiu até pitú.

nestorNestor Amazonas, o mentor da TV Cabrália,  um dos mais completos profissionais de tevê do país, era um cara legal, mas não era dado a exageros, porque a emissora tinha dono e dono não costuma rasgar dinheiro.

Quando foi questionar a despesa, o cinegrafista esperneou:

-Ô Nestor, qualé? Eu to acostumado a comer bem na minha casa!

Nestor encerrou o assunto:

-Vou almoçar hoje na sua casa. Se tiver pitú, a tevê paga essa conta. Se não tiver, você paga.

Desnecessário dizer quem teve o salário desfalcado no final do mês.

Essa semana, num telefonema emocionado via watshapp, que permitiu a conversa a três, a pretexto de saudar o decano Ramiro Aquino por mais um aniversário, Nestor Amazonas perpetrou: “vivi com vocês na Cabrália os melhores anos de minha vida”. E como continua sendo Nestor Amazonas, arrematou “em pé, obviamente…”

Eu também Nestor, eu também…

 

 

Economista explica alta no preço dos combustíveis no Café com Política

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Após a estreia polêmica na última quarta-feira, 18, a segunda edição do Programa Café com Pimenta promete esquentar ainda mais o debate sobre a alta dos combustíveis em todo o Brasil.

A economista com extensão financeira pela IFRS, Lorenna Bispo será a entrevistada desta semana e conversa com Ricky Mascarenhas, Daniel Thame e Thiago Dias sobre a questão que tanto tem afetado a população brasileira, especialmente as classes baixa e média/baixa.

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O preço do litro da gasolina comum já passa dos R$ 7 em pelo menos quatro estados brasileiros, segundo pesquisa semanal de preços da Agênca Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na Bahia, o valor varia entre R$ 5,80 e 6,29.

Waldomiro volta pra casa

A história de Waldomiro de Deus, Menino Grapiuna que conquistou o mundo com a sua arte.

Política e economia regional marcam a estréia do Café com Pimenta

A análise da política nacional, estadual e regional, além do papel da Expofenita na arrancada para o retorno de eventos que irão reaquecer a economia de Itabuna, marcaram a estréia do programa Café com Política nesta quarta-feira, 18, no Canal iPolítica Bahia no youtube.

Apresentado por Ricky Mascarenhas, com as participações de Daniel Thame e Thiago Dias, o programa de estréia contou com a presença de Josias Miguel, coordenador da Expofenita e Presidente da Agesul.

Assista o Café com Pimenta na íntegra

Café com Pimenta estréia no Youtube

cafe com pimentaEstreia nesta quarta-feira, 18, às 19 horas, o Programa Café com Pimenta, transmitido ao vivo pelo Canal iPolitica Bahia no YouTube.

A nova atração será apresentada pelo Jornalista Ricky Mascarenhas, do Blog iPolitica, e comentários dos jornalistas Daniel Thame, do Blog do Thame e Thiago Dias, do Blog Pimenta.

Com interação aberta aos internautas, os jornalistas e convidados vão comentar os fatos mais importantes da semana, em âmbitos regional, estadual e nacional.

Para Daniel Thame, é uma oportunidade de poder emitir opinião sem restrições. “Vai ser ótimo, poder falar o que pensamos sem censura.”, afirmou Thame, experiente no assunto.

Já Thiago Dias afirma que a expectativa é muito grande e pretende dar o melhor. “É uma experiência nova, mas que me motiva muito, vamos fazer a diferença.”, garante Dias, que acompanha diariamente a política Ilheense.

Ricky Mascarenhas enaltece os parceiros de bancada, mesmo eles estando via Meeting. “É uma honra poder dividir bancada com essas duas feras. Tenho certeza que vamos fazer uma grande programa.”, concluiu.

Para assistir ao programa, é só clicar no link abaixo. O programa começa às 19 horas.

https://youtu.be/QLjtREWE720

Jorge Amado, Menino Sergipano?

Daniel Thame

livro DT 1A seca de 1909 dizimou a pequena cidade de Estância, no sertão sergipano. A seca e suas consequências – fome, miséria e morte – não eram novidade para os sertanejos, conformados com os desígnios de Deus naquela natureza morta que sugava gente viva, ano a ano, como se castigo divino fosse.

E era castigo mesmo, não necessariamente divino, mas os homens e mulheres humildes se apegavam à fé, à crença inabalável de um mundo melhor, depois da morte, lá bem acima do céu.

E, no céu, o que eles enxergavam a olhar para o alto não eram os santos, anjos, arcanjos e querubins da fé cega, mas o sol a queimar como chama do inferno. Ironia e heresia.

O sertanejo sempre foi, antes de tudo, um forte, diz o adágio popular.

Mas como não fraquejar vendo a plantação minguar, o gado mirrar, o solo se transformar numa massa disforme e sem vida?

Como não entrar em desespero vendo a fome se aproximar, os filhos pequenos a clamar por um pouco de farinha, um feijão ralo, um copo de água?

Jorge.Amado_Como não sentir uma dor no peito vendo a mulher, antes formosa, se transformar num fiapo de gente, agarrada à Bíblia e à devoção aos santos que, apesar de tantas orações, tanta penitência, não mandavam uma mísera gota de água do céu? Ao contrário, empurravam as nuvens e a chuva para bem longe, lá pro mar distante, onde uma água a mais, uma água a menos não faria falta.

-Não dá mais, a gente vai morrer aqui, vendo tudo se acabar, disse o marido à esposa…

-Deus vai prover na hora certa. Temos que ter fé, respondeu a esposa, como se nascer, sofrer e morrer fosse a ordem natural das coisas.

No colo da mulher, o filho do casal, de um ano de idade, mais um na loteria de vida e morte, com imensas chances de morrer antes de dar os primeiros passos na terra arrasada.

-Não adianta esperar por Deus. A gente tem que ir embora daqui. Chega de tanto sofrimento. A fala do marido agora era de resolução.

-E a gente vai pra onde? Pobre é pobre aqui ou em qualquer lugar do mundo, a mulher era pura resignação.

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Memórias de um Dinossauro

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Homem Bomba

Diário de Osasco, final da década de 70. Eu e Cláudio Cruz, amigo-irmão que Deus levou prematuramente em 2017,  trabalhávamos como repórteres, recém iniciados no jornalismo e escalados para funções que os veteranos sempre consideravam coisa menor: a cobertura nos bairros e as sessões de esportes e de polícia. Na verdade, eram as grandes escolas para quem estava começando e onde a gente fazia de um limão, uma limonada.

Ou de um cachorro quente um banquete, naqueles tempos difíceis, mas, hoje reconheço, felizes.

dt e ccA nossa produção jornalística não deveria andar lá essas coisas (não que faltasse assunto: Osasco tinha problemas típicos de uma cidade industrial encravada na Grande São Paulo com bairros sem infraestrutura e a violência era assustadora), porque resolvemos diversificar as atividades e nos embrenhar por outras áreas.

Com a luta armada brasileira nos estertores e a Revolução Cubana distante demais, decidimos explodir latas de lixo do bairro Presidente Altino, onde ficava a sede do jornal, com aquelas bombas típicas de São João, ´tamanho GG´.

Não me perguntem o que uma coisa tem a ver com a outra, porque não tem nenhuma mesmo. É apenas pra dar um certo charme ao texto.

O plano (!) era esperar o fechamento do jornal, lá pelas onze da noite, e sair detonando as latas de lixo que encontrássemos pela frente. Como havia bombas suficientes para explodir Presidente Altino e adjacências, achei que uma bomba a mais, uma bomba a menos não faria diferença.

E então, sorrateiramente, enquanto Cláudio revisava compenetrado uma de suas matérias, coloquei uma das bombas embaixo da sua cadeira e… BUM!
Bota “BUM!” nisso. A desgraçada era muito mais potente do que a gente imaginava e ao barulho ensurdecedor seguiu-se uma fumaceira que tomou toda a redação.

Deu-se o pandemônio. O pessoal da oficina achou que a caldeira da linotipo (onde o chumbo derretido a uma temperatura mercurial servia para compor as páginas do jornal) havia explodido e saiu correndo pra rua. Vrejhi Sanazar, o dono do jornal, achou que seu patrimônio tão duramente conquistado tinha ido pelos ares e entrou feito um doido na redação.

E o advogado Achoute Sanazar, irmão do Vrejhi, que morava ao lado, quase teve um enfarto, imaginando que após invadir, destruir e ocupar a Armênia de seus ancestrais, os turcos tinham decidido eliminar também os descendentes espalhados pelo mundo.

Serenados os ânimos e esclarecidos os fatos, Vrejhi me xingou de filho da puta em português, armênio e em todos os  idiomas que um dia poderia aprender, Cláudio ficou quatro dias praticamente surdo e as latas de lixo e os moradores de Presidente Altino foram poupados da nossa sanha revolucionária.

Minha carreira de Homem Bomba acabou ali.

O Estado Islâmico já sabe o que não perdeu.

 

Memórias de um Dinossauro

 

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E a História  nos esqueceu…

Rádio Iguatemi, Osasco (SP), 1980. A emissora operava em Ondas Tropicais, podia ser ouvida na Amazônia, nos rincões da América do Sul, mas em Osasco mesmo era captada em aparelhos de rádio especiais. Ou seja, era “falando para o mundo e cochichando para ninguém”.

Ainda assim, eu, Cláudio Cruz (um dos amigos que preservei mesmoe quase   30 anos depois de ter trocado São Paulo pela Bahia falecido prematuramente ) e Chico Motta (que depois se elegeria vereador), fazíamos com galhardia um programa esportivo diário.

gravador antigoAcho que só o operador de áudio ou algum visitante eventual que estivesse no estúdio (ou então algum índio amazônico, um cocalero boliviano, um peruano perdido lá pelos altos de Machu Pichu) ouvia aquele programa; mas era como se falássemos para Osasco inteira e para boa parte de Carapicuíba, Barueri, Jandira, Itapevi e outras cidades da Região Oeste da Grande São Paulo.

Para nós não bastava apresentar um programa esportivo na única emissora de rádio de Osasco. O pioneirismo nos convocava, atiçava.

Pois eu, Chico e Cláudio decidimos que seríamos os primeiros a transmitir ao vivo um jogo entre dois times de futebol profissional de Osasco,
“Profissional” é um pouco de exagero. Rochdale e Montenegro disputavam o equivalente à 5ª. Divisão do futebol de São Paulo e teriam certa dificuldade em vencer o Itabuna e o Colo Colo, times do Sul da Bahia cujos jogadores tinham/tem  sérias dificuldades de relacionamento com uma dama chamada bola de futebol.

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Memórias de Um Dinossauro

dtRepórter-Torcedor

gol do são pauloO ano era 1985. O São Paulo, treinado por Clinho, decidia o Campeonato Paulista com a Portuguesa, no estádio do Morumbi. Sãopaulino até a medula, fazia reportagem de campo para a Radio Difusora Oeste, emissora modesta, mas briosa, de Osasco.

O São Paulo tinha um timaço, com Falcão, Silas, Muller, Careca, Sidney e Cia, mas a Lusa endurecia o jogo. E eu não sabia se reportava os lances ou se torcia. O São Paulo fez 1×0 no primeiro tempo com Careca e levava um sufoco até a metade do segundo tempo, quando Sidney fez 2×0.

A comemoração dos jogadores aconteceu ao lado do gramado, justamente onde eu estava. Foi quando minhas dúvidas acabaram. Larguei o microfone no chão e fui comemorar com os jogadores.

Quando o narrador Silva Neto, tão sãopaulino quanto eu,  pediu a descrição do lance, silêncio total.

De cara, lá do estúdio da rádio,  cortaram a minha linha de transmissão, um trambolho com um fio quilométrico acoplado a uma caixinha e ao microfone que a gente tinha que desenrolar e enrolar antes e depois de cada partida, e passei o resto do jogo apenas assistindo, até invadir o gramado para comemorar, desta vez o título em meio a torcedores e jogadores.

Como eram tempos românticos, levei apenas uma suspensão de três dias.

E, pior dos castigos, não me escalaram mais para os jogos do São Paulo.

 

 

Porque choro por Bruno Covas

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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