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Memórias de um Dinossauro

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Não vem ao caso

 

Vitória da Conquista, final dos anos 80. A sucursal da TV Cabrália no Sudoeste Baiano dando os primeiros passos e lá estava eu, na fase de ajustes da equipe local de jornalismo.

Tempos tão ´dinossauricos´ que as matérias eram enviadas de ônibus para Itabuna em fitas U Matic e editadas para entrarem nos telejornais.

Eis que o repórter Junior Patente chega da rua com a reportagem da prisão de quatro jovens, com uma senhora quantidade de maconha.

Fita pronta pra ser enviada, o então editor de jornalismo, cujo nome não vem ao caso (gracias Moro!), me diz:

-Essa matéria não pode sair, porque é tudo filho de gente conhecida.

Por “conhecida”, entenda-se, gente com grana ou com poder político.

Fui na jugular:

-E se fosse gente pobre, poderia sair?

O silêncio ensurdecedor do editor foi a resposta que eu esperava.

A matéria saiu e o editor demitiu-se logo depois, embora os jovens nem chegaram a sentir o gostinho da cadeia.

Afinal, em qualquer tempo, certas coisas definitivamente ´não vem ao caso`…

Memórias de um Dinossauro

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Contigo estarei

Há pouco mais de duas décadas, Itabuna ganhou repercussão nacional e internacional com o casamento de Ferreirinha, beirando os 70 anos, com a adolescente Yolanda, então em seus tenros 14 aninhos.

Ferreirinha posava de garanhão grapiúna e dava entrevistas para Deus e o mundo, mas Yolanda não abria a boca. Fotografias posadas ao lado de Ferreirinha, tipo casal feliz, então, nem pensar.

Como colocar a foto só de  Ferreirinha no jornal era assunto velho, eu e Manoel Leal decidimos que Yolanda faria a foto do casal, mesmo tendo que chutar a canela da ética. E lá fomos nós para a casa do velho garanhão.
Ferreirinha nos recebeu de braços e portas abertas, mas foi logo cortando qualquer esperança. Yolanda não falaria nem tiraria fotos.

Foi aí que veio a luz.

Virei pra Manuel Leal e falei: “vamos dizer que a reportagem é pra revista Contigo”.

A Contigo era uma espécie de Caras da época. Meu sotaque de paulista abriu as ´porrrrrrrrrrrrrrtas´ e, como era pra Contigo, Yolanda tirou fotos que davam para encher uma edição da revista e ainda falou de sua relação com Ferreirinha.

A proeza, primeira foto e entrevista do casal juntos, fez com que exemplares de A Região pousassem no SBT e despertassem a atenção do programa Jô Onze e Meia, um sucesso monumental de audiência na emissora de Silvio Santos.

Ferreirinha deu uma entrevista impagável a Jô Soares, onde revelou suas proezas de conquistador, atribuiu sua potência sexual ao suco de cacau (na verdade, quem pediu pare ele dizer isso foi Manuel Leal) e levou a platéia que acompanhava a gravação ao delírio ao revelar que havia noites em que Yolanda, exausta, era quem pedia para ele parar…

Exausta Yolanda deve ter ficado mesmo foi de tanto esperar a tal reportagem na Contigo, com direito a foto de capa, já que se é pra prometer o impossível, a gente promete o impossível e mais um pouco.

 

Não são outros 500. São os nossos 500. Mortos!

Ensaio sobre a cegueira

Memórias de um Dinossauro

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Dedé do Amendoim, vascaíno, petista. E insubstituível!

Após 46 anos percorrendo os bares de Itabuna com sua inseparável bicicleta, vendendo amendoim e ovo de codorna, Dorival Higino da Silva, também conhecido como Dedé do Amendoim ou, por motivos óbvios, Tesão, pendurou as chuteiras e os pedais em 2016.

Com oito filhos criados graças à sua labuta incansável, ele decidiu que era hora de parar, curtir a família e torcer/sofrer com o Vasco da Gama, seu time de coração.

dede do amendoimComo Pelé, deixou sucessores na labuta para ganhar honestamente o suado pão de cada dia, mas não substitutos, porque Dedé é dessas figuras que merecem o adjetivo “insubstituível”.

Dedé do Amendoim é, ao lado do Caboco Alencar, que felizmente continua na ativa no ABC da Noite, um dos personagens mais fascinantes da boemia itabunense, com histórias que dariam um livro.

Uma delas, ocorrida em meados dos anos 90, dá bem a dimensão do estilo Dedé. Vendia ele seus amendoins e seus ovos de codorna no Katiquero, vestindo com orgulho uma camisa do PT, quando um desses babacas que infelizmente poluem os bares perpetrou:

-Tira a essa camisa horrível que eu compro tudo…

Ao que Dedé respondeu na lata:

-Pois pra gente como você eu prefiro não vender nada…

E seguiu em frente, com sua bicicleta e sua dignidade.

Em tempo 1: Dedé recolheu-se em sua residência no bairro de Fátima.  Vítima de uma enfermidade, atualmente enfrenta dificuldades para se locomover.

Mesmo contra sua já manifestada vontade, é merecedor de todas as homenagens.

Em vida, como deve ser!

Em tempo  2: Zequinha, célebre dono do Katiquero, fechado desde março por conta da pandemia, diz que o local não será reaberto, ao menos com ele no comando.

Bares não deveriam morrer, ainda mais quando não são apenas bares, mas simbolos de uma cidade.

 

Livro “O gato que tinha três nomes” celebra paixão pelo chocolate do Sul da Bahia

 

ernesto e o livro 13

Um gato que tem três nomes e é tão apaixonado pelo chocolate do Sul da Bahia que  acaba virando ou sendo confundido com uma deliciosa barra do produto de origem que, além do cacau, está se tornando uma referência de qualidade e conquistando mercados no Brasil e no mundo.

 

O mundo mágico do chocolate é uma das abordagens do livro “O gato que tinha três nomes”, do  jornalista e escritor Daniel Thame, em  sua primeira incursão na literatura infantil. Editado  pela Via Litterarum, o livro tem ilustrações fantásticas da artista e produtora cultural  Juraci Masiero Pozzobon, e é uma  divertida história de um  gato  das terras encantadas do cacau e do chocolate do Sul da Bahia.

 

“O livro celebra a valorização da família, o amor aos animais e a conservação da natureza, numa linguagem típica do universo infantil e vai encantar crianças de todas as idades”, diz o autor. A inspiração veio do gato adotado pela família do próprio autor, que é chamado por três nomes diferentes e que com sua personalidade forte se tornou o verdadeiro `dono da casa`.

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“Procurei trabalhar valores que são importantes na formação das crianças e também fazer um livro em que as crianças vão se divertir, com ilustrações que destacam o universo do cacau, do chocolate  e da Mata Atlântica, três marcas do Sul da Bahia”, afirma Thame.

 

“O gato que tinha três nomes” pode  ser adquirido através do email danielthame@gmail.com ou do telefone/wathsapp (73) 99981-7482.

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Aviso: a pandemia não acabou!

Memórias de um Dinossauro

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 Carnaval Antecipado de Itabuna em 2002- Na última noite da folia, aproveitava para dar uma relaxada e saia num bloco de reggae, o Planeta Reggae, comandado por Paulo Fumaça,  a gente mantinha só por gostar desse tipo de música e criar uma alternativa para a mesmice do axé. Saimos com Edson Gomes, que apesar de misturar reggae com uma chatíssima pregação evangélica ainda atraia uma multidão.

 

Como sempre fazia, naquele estresse que é coordenar a área de comunicação do carnaval, subi no trio e acendi meu charuto, um Cohiba honestíssimo.

 

 

Um rapaz que acompanhava o trio não parava de me fazer sinais pedindo para que eu jogasse o charuto pra ele, certamente confundindo meu puro com outra coisa.

 

Eu fazia sinais mostrando que se tratava de um charuto, mas ainda assim ele insistia.

Quando o charuto estava no final, joguei a ponta pro rapaz, que ficou numa alegria danada.

Pois bem, demos a volta na avenida, num percurso de três quilômetros, e quando a gente estava encerrando a apresentação o sujeito, sabe-se lá Deus como, conseguiu escalar o trio e começou a beijar a minha mão, dizendo ´você é moral, você é moral´.

 

A situação já era inusitada, mas não havia acabado. O rapaz, sem soltar da minha mão, disse:

-Ô moral, eu saí da cadeia só pra ver o Edson Gomes, eu amo reggae…

E, para mostrar que não estava mentindo, levantou a camisa, exibindo inúmeras marcas de bala de revólver nas costas e as indefectíveis tatuagens de quem passa pela cadeia.

Surpreso, eu apenas respondi:

-Ô moral, porque não me disse isso antes? Eu teria jogado era uma caixa de charutos inteira…

Jorge Amado, Menino Sergipano?

Daniel Thame

livro DT 1A seca de 1909 dizimou a pequena cidade de Estância, no sertão sergipano. A seca e suas consequências – fome, miséria e morte – não eram novidade para os sertanejos, conformados com os desígnios de Deus naquela natureza morta que sugava gente viva, ano a ano, como se castigo divino fosse.

E era castigo mesmo, não necessariamente divino, mas os homens e mulheres humildes se apegavam à fé, à crença inabalável de um mundo melhor, depois da morte, lá bem acima do céu.

E, no céu, o que eles enxergavam a olhar para o alto não eram os santos, anjos, arcanjos e querubins da fé cega, mas o sol a queimar como chama do inferno. Ironia e heresia.

O sertanejo sempre foi, antes de tudo, um forte, diz o adágio popular.

Mas como não fraquejar vendo a plantação minguar, o gado mirrar, o solo se transformar numa massa disforme e sem vida?

Como não entrar em desespero vendo a fome se aproximar, os filhos pequenos a clamar por um pouco de farinha, um feijão ralo, um copo de água?

Jorge.Amado_Como não sentir uma dor no peito vendo a mulher, antes formosa, se transformar num fiapo de gente, agarrada à Bíblia e à devoção aos santos que, apesar de tantas orações, tanta penitência, não mandavam uma mísera gota de água do céu? Ao contrário, empurravam as nuvens e a chuva para bem longe, lá pro mar distante, onde uma água a mais, uma água a menos não faria falta.

-Não dá mais, a gente vai morrer aqui, vendo tudo se acabar, disse o marido à esposa…

-Deus vai prover na hora certa. Temos que ter fé, respondeu a esposa, como se nascer, sofrer e morrer fosse a ordem natural das coisas.

No colo da mulher, o filho do casal, de um ano de idade, mais um na loteria de vida e morte, com imensas chances de morrer antes de dar os primeiros passos na terra arrasada.

-Não adianta esperar por Deus. A gente tem que ir embora daqui. Chega de tanto sofrimento. A fala do marido agora era de resolução.

-E a gente vai pra onde? Pobre é pobre aqui ou em qualquer lugar do mundo, a mulher era pura resignação.

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Memórias de um Dinossauro

 

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Profissão Repórter

Entre as várias reportagens que diz ao longo desses mais de  40 anos de estrada, 32 deles no Sul da Bahia, nenhuma foi mais estressante do que a cobertura dos 500 anos do Brasil em Porto Seguro. O que seria uma comemoração, organizada a caráter para incensar Fernando Henrique Cardoso e ACM, se transformou num festival de pancadaria, perpetrada pela polícia baiana contra índios, sem-terras e estudantes.
Na véspera do fatídico 22 de abril, tive que optar entre ficar em Porto Seguro, onde a festa estava preparada, ou seguir para Coroa Vermelha, onde o clima estava pesado porque os movimentos sociais não se contentavam em fazer figuração no teatrinho armado pelo governo.

 

Não tive dúvidas: fui a Coroa Vermelha e ao lado da equipe da TV Cabrália, testemunhei uma demonstração de truculência e insanidade que repercutiu em todo mundo. Não perdi nenhuma festa, até porque festa não houve, para desalento do então Rei da Bahia, que ali viu desmoronar o seu sonho de se tornar o Rei do Brasil.

A reportagem foi publicada no jornal A Região. A foto é de Lula Marques.
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Polícia barra povo e FHC
faz festa vip dos 500 anos

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Memórias de um Dinossauro

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Homem Bomba

Diário de Osasco, final da década de 70. Eu e Cláudio Cruz, amigo-irmão que Deus levou prematuramente em 2017,  trabalhávamos como repórteres, recém iniciados no jornalismo e escalados para funções que os veteranos sempre consideravam coisa menor: a cobertura nos bairros e as sessões de esportes e de polícia. Na verdade, eram as grandes escolas para quem estava começando e onde a gente fazia de um limão, uma limonada.

Ou de um cachorro quente um banquete, naqueles tempos difíceis, mas, hoje reconheço, felizes.

dt e ccA nossa produção jornalística não deveria andar lá essas coisas (não que faltasse assunto: Osasco tinha problemas típicos de uma cidade industrial encravada na Grande São Paulo com bairros sem infraestrutura e a violência era assustadora), porque resolvemos diversificar as atividades e nos embrenhar por outras áreas.

Com a luta armada brasileira nos estertores e a Revolução Cubana distante demais, decidimos explodir latas de lixo do bairro Presidente Altino, onde ficava a sede do jornal, com aquelas bombas típicas de São João, ´tamanho GG´.

Não me perguntem o que uma coisa tem a ver com a outra, porque não tem nenhuma mesmo. É apenas pra dar um certo charme ao texto.

O plano (!) era esperar o fechamento do jornal, lá pelas onze da noite, e sair detonando as latas de lixo que encontrássemos pela frente.Como havia bombas suficientes para explodir Presidente Altino e adjacências, achei que uma bomba a mais, uma bomba a menos não faria diferença.

E então, sorrateiramente, enquanto Cláudio revisava compenetrado uma de suas matérias, coloquei uma das bombas embaixo da sua cadeira e… BUM!
Bota “BUM!” nisso. A desgraçada era muito mais potente do que a gente imaginava e ao barulho ensurdecedor seguiu-se uma fumaceira que tomou toda a redação.

Deu-se o pandemônio. O pessoal da oficina achou que a caldeira da linotipo (onde o chumbo derretido a uma temperatura mercurial servia para compor as páginas do jornal) havia explodido e saiu correndo pra rua. Vrejhi Sanazar, o dono do jornal, achou que seu patrimônio tão duramente conquistado tinha ido pelos ares e entrou feito um doido na redação.

E o advogado Achoute Sanazar, irmão do Vrejhi, que morava ao lado, quase teve um enfarto, imaginando que após invadir, destruir e ocupar a Armênia de seus ancestrais, os turcos tinham decidido eliminar também os descendentes espalhados pelo mundo.

Serenados os ânimos e esclarecidos os fatos, Vrejhi me xingou de filho da puta em português, armênio e em todos os  idiomas que um dia poderia aprender, Cláudio ficou quatro dias praticamente surdo e as latas de lixo e os moradores de Presidente Altino foram poupados da nossa sanha revolucionária.

Minha carreira de Homem Bomba acabou ali.

O Estado Islâmico já sabe o que não perdeu.

 

Memórias de um Dinossauro

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Jogar pra perder…

 

Radio Difusora Oeste, Osasco, anos 80 do século passado. O Palmeiras jogava no Pacaembu contra um time do interior (XV de Jaú, Ferroviária, algo assim, a memória é de dinossauro, mas falha).

 

Times em campo, lá vai esse bravo repórter entrevistar o goleiro Leão. Idolo do Palmeiras, três Copas do Mundo no currículo,

 

Jogador famoso sempre olhou pra rádio modesta (a nossa era briosa, mas obviamente  modesta) com desdém e Leão nunca foi propriamente um exemplo de simpatia.  Ainda mais diante da pergunta -vá lá, eu reconheço- idiota que perpetrei:

-Leão, o Palmeiras entrou em campo pra ganhar o jogo?

O goleiro poderia ter feito o que quase todo jogador faz: responder o óbvio, e ir pro jogo, mas Leão optou pela opção ´zagueiro de roça`:

-Não, a gente entrou em campo pra perder…

E, sem mais delongas, virou as costas, seguiu pro gol, enquanto meus eventuais ouvintes certamente estavam rindo deste que na época vos falava e agora vos escreve.

 

Ah, sim. O Palmeiras perdeu pro XV de Jaú, Ferroviária, um time desses aí.

 

Praga de repórter de rádio pequena também pega.

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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