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A incrível historia de Che Guevara em Ilhéus

Gerson Marques

 gerson marquesO navio da Costeira havia chegado na madrugada, jogou âncora nas proximidades da entrada da barra, esperou o dia amanhecer, soltou cinco apitos longos e graves entrou na baía do Pontal  com a elegância de um cisne negro, ancorou pouco tempo depois no cais da companhia, o movimento frenético do desembarque começou imediatamente, uma multidão logo se formou na balbúrdia do cais, estivadores, marinheiros, passageiros, pessoas que esperavam parentes, vendedores de pastel, picolé e jornal, carregadores de bagagens oferecendo seus serviços em carrinhos de mãos, e toda fauna humana que habita beiras de cais em qualquer lugar do mundo, pescadores, marujos, prostitutas, meliantes amadores e profissionais. O ar estava tomado por um cheiro nauseante de maresia, misturado a peixes, perfumes caros e baratos, suor e charutos, inebriava os mais sensíveis e gerava reclamações dos mal humorados em geral, isso tudo debaixo de uma chuva fina e um calor abafado.

Passou sem ser notado, carregando uma pequena maleta de couro  marrom, vestido em um surrado terno de linho branco, apesar de alto e jovem, caminhou a passos lentos em direção ao Hotel Coelho, duas quadras de distância do porto, lá escreveu na ficha de hospedagem o nome de Ernesto G. de La Serna, natural da Argentina, 30 anos, médico de profissão.

Do mesmo navio, desembarcou com idêntica  discrição, o cidadão americano Porter J. Goss, nome que colocou na ficha de hospedagem do mesmo hotel, preenchida dezessete minutos após o argentino Ernesto.

A Ilhéus de 1956, era uma pequena mas cosmopolitana cidade, com grande presença de estrangeiros, tanto em sua população fixa como de visitantes, muitos deles atraídos pelos milhões gerados no próspero negócio do cacau.

Os hóspedes estrangeiros do Hotel Coelho, juntaram-se a outros tantos que iam e vinham nas ruas próximas ao cais, a cidade fervilhava logo cedo, o movimento dos poucos automóveis disputava o espaços das ruas com as tropas de mulas e burros carregando cacau para o cais, a estudantada passava fazendo algazarras, e as lojas começavam a abrir suas portas, já era quente e abafado o dia, com sol matinal e chuvas eventuais de verão, nesta época os libaneses e sírios dominavam o comércio, algumas firmas exportadoras de cacau eram de suíços e outras pertenciam a grandes empresários de Salvador, os ingleses eram os homens da ferrovia, e os sergipanos vindo de todo nordeste inclusive do sertão baiano, tocavam as bodegas, mercearias, vendas e o negocio de quinquilharias em geral, aos negros cabia o trabalho pesado da estiva e os serviços gerais das roças de cacau nas matas húmidas da região, tudo girava em torno do fruto dourado e do movimento de navios no cais do porto.

DOSSIER MATHIL COMMANDANTE CHE GUEVARA RAOUL CORRALESO argentino Ernesto, sempre muito discreto era por vezes visto em conversas sisudas com alguns conhecidos da cidade, diziam que eles conversavam sobre política e sindicatos, também se falava que o doutor argentino,  eventualmente fazia exames e aviava receitas de remédios manipulados na botica do sergipano Aldaségio. Já o americano Porter ou Mister Porter, como exigia ser chamado era sempre visto em mesas de bares, solitário e beberrão, mas tinha um olhar astuto, sabia observar a paisagem humana e tirar conclusões sociológica do universo em seu arredor, particularmente parecia ter interesse por tudo que o médico argentino fazia, apesar de sua descrição quase invisível.

Certa noite Dr. Ernesto o argentino, estava em uma mesa de carteado no Cabaré  Bataclan, quando entrou Mister Poter, sentando em mesa próxima, a fumaça dos muitos charutos, cigarros e cigarrilhas impregnava o ambiente, em outra mesa um grupo de jovens cacauicultores ufanavam das riquezas de suas famílias em vozes altas e muitas gargalhadas, acompanhados por belas putas e bons uísques, o garçom Osmundinho se virava para atender a todos correndo do balcão para as mesas e vice versa, algumas mesas más discretas na penumbra do fundo do salão eram exclusivas de alguns coronéis e suas putas de preferência, sempre muito perfumadas e maquiadas.

Entediado das cartas, Dr. Ernesto inicia uma conversa com uma polaca gaúcha de nome Creusa, havia dois anos tinha chegado para o Bataclan, pouco tempo depois sobem discretamente um longo vão de escadas que ligava o salão a um corredor de quartos no andar de cima, Creusa tinha as chaves do terceiro quarto a esquerda do corredor, abriu e entraram já em abraços e beijos. Em movimento rápido o americano Poter também avança escada acima com a jovem Nubia, uma morena assanhada e desejada que fazia sucesso com os clientes, segundo as más línguas era a preferida de um certo coronel de quem ela arrancava muitos e caros presentes, ocuparam um quarto contíguo ao já ocupado pelo doutor e a polaca.

Os acontecimentos seguintes foram narrados pelo garçom Osmundinho, que ainda os repetiu por muitos anos as gerações seguintes de clientes do Bataclan.  Segundo ele, doutor Ernesto estava em vigorosas e barulhentas preliminares com a gaúcha polaca Creusa, enquanto no quarto ao lado o americano mantinha silêncio total, teria depois dito a ele, a morena assanhada Nubia, que o gringo não queria saber de chamego nem aconchego, se interessará mesmo pelos ruidosos acontecimentos no quarto de Creusa, em certa hora teria ouvido a gaúcha polaca gritar com voz de exclamação, entre surpresa e admirada, após tirar as calças do doutor argentino a seguinte frase; “bha tchê, que vara!” isso foi o suficiente para enlouquecer o americano que de súbito apanhou uma arma que levava na cintura, correndo em direção ao quarto vizinho, arrombou a porta e gritou em inglês; “Communist son of a bitch! Go to hell!” (comunista filho da puta, va para o inferno), o doutor argentino  que estava nu, porém armado, ainda que não com arma de fogo… (Sempre que contava essa parte da história o garçom Osmundinho fazia menção de desmaiar, usando adjetivos e gestos exagerados para descrever o tamanho da estrovenga do argentino…) após proferir sua sentença em inglês o americano Poter, atirou em direção do argentino que foi  salvo pela providencial e mortífera atitude de Creusa ao atravessar na frente da bala, a fatalidade criou a oportunidade para o argentino pular da janela do quarto ao telhado da casa vizinha, em seguida em outro telhado, ganhado um corredor ao lado de baixo da casa de onde pode alcançar a rua, em disparada carreira teria fugido nu em direção ao cais, na escuridão da noite, se  escondeu no porão de um cargueiro de bandeira panamenha, que logo ao amanhecer zarpou com grande carregamento de cacau.
A notícia dos acontecimentos da noite repercutiram fortemente na cidade ao amanhecer, ganhando a manchete principal do jornal vespertino Diário da Tarde, “ Americano atira em argentino armado e acerta em quenga polaca”. Más, quem realmente narrava a história em detalhes para grande audiência por vários dias foi o garçom Osmundinho, sempre com desmaios, suspiros, gestos e adjetivos exagerados.

Passado alguns anos, os ilheense foram surpreendidos com um desdobramento inusitado da noite agitada do Bataclan, nas manchetes dos jornais que chegavam nos navios vindos do Rio de Janeiro, a notícia da revolução cubana trazia a foto de um revolucionário de nome Che Guevara, que era ninguém menos que o Dr. Hernesto, aquele desmarcado argentino que fugirá correndo nu pela cidade… Osmundinho o garçom do Bataclan logo mandou pintar um quadro com a foto do revolucionário e colocou na parede de sua casa, sem nunca ter sido um comunista foi o primeiro a ter um pôster de Che, coisa que seria moda anos mais tarde.

Essa história me foi contada nos anos oitenta, por Napoleão Marques, dentista e velho comunista ilheense, que tomou muita cerveja com Dr. Ernesto, tendo inclusive emprestado seu consultório para o argentino atender pessoas carentes, sempre fiquei intrigado em saber quem era o americano Porter J. Goss, até descobrir com auxílio do Google, que se tratava de um agente da CIA que teve a missão de matar Che Guevara, tendo quase conseguindo cumpri-la no nosso Bataclan.

 

Gerson Marques  é Diretor Presidente da Chocosul – Associação dos Produtores de Chocolates do Sul da Bahia.

 

`Quatro Estações em Havana`. Magistral!

conde
Lançado em 2016 pela Netflix, Quatro Estações em Havana é baseado nos livros de Leonardo Padura “Ventos da Quaresma”, “Passado Perfeito”, “Máscaras” e “Paisagem de Outono” . Trata-se de uma série policial sem o ritmo dos filmes policiais.

Os quatro episódios, todos sensacionais, tem ritmo próprio, às a vezes lento, com tomadas longas de uma Havana que passa ao largo dos turistas. As imagens de Habana Vieja e da periferia comum a qualquer bairro latino-americano, as frases que exortam um socialismo que não passam de slogan e uma trilha musical esplendorosa compõem uma trama para ser vista e revista.

‘Quatro Estações em Havana’ se passa nos anos 90, quando Cuba ´beijou a lona` após a dissolução do império soviético e conta a estória de Mario Conde (Jorge Perrugorría), um policial cubano, que bebe muito, é depressivo, mas é muito competente como investigador e deseja ser escritor, mas só consegue produzir literatura quando está apaixonado. O clima do seriado é noir e Havana é também uma protagonista na história.

A série mostra, com sutileza e as vezes com ironia fina, as contradições do regime implantado por Fidel após a epopeia de Sierra Maestra. Imagens de Che, sempre emblemátivas no contexto em que surgem, são uma constante nos quatro episódios, além da presença do cubano simples do submundo habanero que, mais de meio século depois, ainda não conseguiu ser alcançado pelas apregoadas maravilhas do socialismo.

‘Quatro Estações em Havana’ é simplesmente imperdível.

Carta de Fortaleza

carta fortalezaInspirados pelas lutas camponesas cearenses, nós, coordenadoras e coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra nos reunimos em Fortaleza reivindicando a memória e o exemplo de Fidel Castro, do centenário da Revolução Russa e do cinquentenário do martírio de Che Guevara, para estudar a conjuntura política e agrária de nosso país e projetar os desafios e tarefas para o próximo período.

Há uma crise estrutural do capitalismo, acentuada desde 2008, expressa nas crises econômica, política, social e ambiental, representada pelas propostas autoritárias e fascistas, que ameaçam os direitos humanos, trabalhistas e os bens da natureza em todo mundo. Neste contexto, para que o Capital continue se apropriando dos recursos econômicos da sociedade, é necessária a eliminação dos direitos históricos da classe trabalhadora para que estes recursos estejam disponíveis unicamente para o mercado financeiro. O golpe e os atos institucionais do governo ilegítimo no Brasil, como a reforma da previdência, trabalhista, a PEC55 e a entrega do Pré-Sal são exemplares deste movimento. Diante deste cenário:

Reafirmamos a necessidade de reformas estruturais e de uma Reforma Agrária Popular, que garanta a soberania alimentar, a soberania nacional contra a venda das terras para o capital estrangeiro e a defesa dos bens da natureza (a água, em especial o aquífero Guarani, a terra, os minérios, o petróleo e a biodiversidade). Somos contrários e combateremos a Medida Provisória 759 do retrocesso da Reforma Agrária, que privatiza as terras destinadas à reforma agrária, transformando-as em mercadoria, legaliza os grileiros de terras públicas e exclui os as trabalhadoras e trabalhadores acampados do processo de assentamentos.

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Havana, a cidade paixão

la-habanaDaniel Thame

havana 2      San Cristobal de La Habana. Ou simplesmente La Habana. Capital de Cuba, a maior ilha do Caribe. Dito assim, poderia ser apenas a localização geográfica de uma cidade.

Mas La Habana, Havana, não é apenas uma cidade. Cidades existem em todas as partes do mundo. Metrópoles, grandes, médias e pequenas cidades ou mesmo vilazinhas perdidas no mapa.

Havana é diferente. E nem se peça explicação. Porque explicação não há. Ou há tantas explicações que nem é o caso de se explicar.

Havana é para ser vivida com toda a intensidade que é possível viver numa cidade que tem alma, que pulsa e que se reinventa sem perder a essência. havana 8

Cidade com alma e com coração. E o coração de Havana se chama Habana Vieja. A velha Havana, onde se tromba em cada esquina com a História e com personagens históricos.

Habana Vieja, dos monumentos que havana 17percorrem cinco séculos de um país e de um povo dominados pelos conquistadores e que há meio século decidiu ser dono de seu próprio destino.

Monumentos e prédios históricos –e eles são as marcas indeléveis de Habana Vieja- são testemunhas dessa saga única de nuestra América. Fascinam não pelo que mostram, mas pelo que representam.havana 20

Caminhar por Habana Vieja é respirar utopia na Praça da Revolução, que conserva relíquias da epopéia que começou em Sierra Maestra e está longe de terminar.

E beber um run e fumar um puro habano no Hotel Habana Libre (o antigo Hotel Nacional dos mafiosos americanos), onde se instalou o quartel general da recém-vitoriosa havana 9havana 4revolução cubana e que, contam as paredes e as lendas, travou-se o inacreditável diálogo em que Fidel, ao escolher seus ministros, perguntou quem era economista. Che levantou a mão e Fidel imediatamente o nomeou Ministro da Economia. Che, entre uma baforada e outra de charuto, questionou: “ porque eu?”. Ao que Fidel rebateu: “mas eu perguntei quem era economista e você levantou a mão”. E Che: “carajo Fidel, eu entendi você perguntar quem era comunista”. Che virou Ministro da Economia e ainda por cima presidente do Banco Nacional de Cuba. Notas de peso, a moeda cubana, com sua assinatura são vendidas como souvenir em Havana.

É tomar almoçar ou jantar comida criolla (a comida típica cubana), beber um mojito e deixar um recado para a posteridade na Bodeguita del Médio, tão mundialmente célebre que dispensa apresentações. É ´conversar´ com Ernest Hemingway no Hotel Ambos Mundos ou ler um poema ao lado de Pablo Neruda nas calles estreitas, que aparentemente não levam a lugar nenhum, mas levam a todos os lugares que a imaginação permite.

É achar relíquias entre livros, discos e pinturas nas praças, regateando os preços pelo prazer da conversa. É se perder na luxúria do Tropicana e do Le Parisien, espetáculos que unem música, dança, teatro e sensualidade. É admirar sem pressa as jóias arquitetônicas que surgem a cada esquina.

É caminhar e sentir a brisa do Mar do Caribe no Malecon, a avenida beira mar. onde casais apaixonados se apaixonam ainda mais e a noite é uma criança, porque é mais fácil trombar com Fidel Castro do que ser assaltado, seja noite ou dia, primavera, outono, inverno ou verão.

É conhecer o Teatro Nacional, o Capitólio, os hotéis em estilo da primeira metade do século passado. É tomar um sorvete de sabor incomparável na Copélia. É dirigir ou apenas tirar fotos em carros antigos e excepcionalmente bem conservados, uma das marcas de Havana. Ou passear sem pressa em taxis adaptados de bicicletas ou charretes, como se fosse fazer o tempo passar devagar. E em Habaja Vieja até o tempo passa sem presa.

É descobrir e redescobrir uma nova cidade a cada dia, tantas são as cidades dentro de Havana, e tantas são as nuances na mesma Habaja Vieja.

Habana Vieja não é para turistas, embora viva apinhada de turistas. Porque turista olha, fotografa e se empanturra de lugares comuns, guiado por folhetos que revelam justamente lugares comuns, mas não revelam a alma do lugar.

Habana Vieja – e me atrevo a dizer- Havana, e a Cuba de Santa Clara, Trinidad, Matanzas, Remedios, Cinfuegos, Pinar del Rio, Santiago, é para ser vista e, principalmente, vivida por quem se sente parte daquilo tudo. Que não apenas vê, mas enxerga, que não apenas visita, mas incorpora.

Que ao respirar, não manda apenas ar para os pulmões, mas impregna as veias com algo absolutamente imaterial.

Uns chamam isso de alma.

Mas também pode chamar de paixão.

Porque Habana Vieja, e aqui se chegou à palavra síntese, é imensamente e inteiramente paixão.

 

Joan Baez, Guantanamera

che 13

Se vivo fosse, Ernesto Che Guevara estaria completando 88 anos hoje,

Mas se vivo fosse, Ernesto não seria o Che. Na morte heróica, lutando por um ideal, ele se tornou eterno.

Hasta siempre Comandante.

Raúl Castro recebe Obama no Palácio da Revolução em Havana

raul e obama 3O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi recebido nesta segunda-feira (21) pelo presidente cubano, Raúl Castro, no Palácio da Revolução, em Havana, para uma reunião que é considerada o ponto alto da visita do presidente americano à ilha comunista.

raul e obama 4No encontro, Obama pretendia pressionar Castro por reformas econômicas e democráticas e ouvir reclamações sobre as sanções americanas ao país. O presidente cubano já deixou claro que não está disposto a negociar nenhuma mudança em sua política a pedido ou por pressão dos Estados Unidos, seu adversário por mais de meio século, segundo a France Presse.

Pouco antes, o presidente norte-americano participou de raul e obamauma cerimônia na emblemática Praça da Revolução e depositou uma coroa de flores na frente da estátua do herói independentista José Martí, na mesma praça onde há também uma imagem de Ernesto Che Guevara.

O secretário de Estado americano, John Kerry, destacou esse “momento histórico” e o que significou “ter ouvido os dois hinos juntos, em Havana, com o presidente dos Estados Unidos”, segundo a France Presse.
cuba obama 1
Obama faz a primeira viagem em 88 anos de um presidente dos EUA a Cuba.

“Vim a Havana estender minha mão amistosa ao povo cubano”, afirmou o presidente Barack Obama nesta segunda-feira em sua página no Facebook, onde também publicou algumas fotos feitas durante seu passeio com a esposa Michelle e suas filhas por Habana Vieja.
cuba obama 2
“Estou aqui para enterrar o último vestígio da Guerra Fria na América e para construir uma nova era de entendimento que ajude a melhorar a vida dos cubanos”, afirmou. “É uma honra ser o primeiro presidente dos Estados Unidos em quase 90 anos a visitar um país e um povo que ficam apenas a 170 km de nosso litoral”, acrescenta o texto.

“Como muitos americanos, só conheci o isolamento que houve entre nossos governos. Nasci em 1961, quando houve a invasão da Baía dos Porcos. Um ano mais tarde, o confronto da Guerra Fria com Cuba colocou o mundo à beira da guerra nuclear”, recordou.

“Com a passagem dos anos, os desencontros entre nossos governos causaram sofrimento a nossos dois povos, incluindo os cubanos-americanos, muitos dos quais passaram décadas separados de seu país de nascimento e de suas famílias”, acrescentou. (do G1)

Quando dois argentinos se encontram em Havana…

Praça da Revolução, Havana, Cuba. O Papa Francisco fala para uma multidão. Ao fundo, a imagem do onipresente Ernesto Che Guevara. O destino não apenas joga baralho, com as vezes comete lá suas trapaças.

Praça da Revolução, Havana, Cuba. O Papa Francisco fala para uma multidão. Ao fundo, a imagem do onipresente Ernesto Che Guevara.
O destino não apenas joga baralho, com as vezes comete lá suas trapaças.

Canto épico a la ternura Vol. 1 – 1995 , Santiago Feliu

Alberto Granado: Cuba e Venezuela celebram 93 anos do nascimento do companheiro-mochileiro de Che

alberto granado 1Argentino de nascimento, filho adotivo de Cuba, cidadão das Américas,   Alberto Granado completaria hoje 93 anos.

A data está sendo celebrada na Venezuela e em Cuba, dois países que Granado amou e defendeu.

Alberto Granado vem a ser o homem que iniciou então irrequieto Ernesto Guevara Linch de La Serna nas aventuras e desventuras do continente, história magnificamente narrada no filme “Diários de Motocicleta”, ditigido por Walter Salles Junior.

ernestoFoi naquelas viagens que o mochileiro Ernesto, jovem de classe média da então próspera Argentina, conheceu de perto a miséria extrema dos campesinos e operários da Bolivia, Peru, Chile e dos índios da Amazonia.

Foi com Alberto que Ernesto fez a travessia que o transformou em Che Guevara, home e mito que dispensa apresentações.

Todas as honras, portanto, a Alberto Granado, a quem cabe como uma luva a palavra companheiro.

 

Havana, a cidade paixão

Daniel Thame

 

San Cristobal de La Habana. Ou simplesmente La Habana. Capital de  Cuba, a maior ilha do Caribe. Dito assim,  poderia ser apenas a localização geográfica de uma cidade.

Mas La Habana,  Havana, não é apenas uma cidade. Cidades existem em todas as partes do mundo. Metrópoles, grandes, médias e pequenas cidades ou mesmo vilazinhas perdidas no mapa.

Havana é diferente. E nem se peça explicação. Porque explicação não há. Ou há tantas explicações que nem é o caso de se explicar.

Havana é para ser vivida com toda a intensidade que é possível viver numa cidade que tem alma, que pulsa e que  se reinventa sem perder a essência.

Cidade com alma e com coração. E o coração de Havana se chama Habana Vieja. A velha Havana, onde se tromba em cada esquina com a História e com personagens históricos.

Habana Vieja, dos monumentos que percorrem cinco séculos de um país e de um povo  dominados pelos conquistadores e que há meio século decidiu ser dono de seu próprio destino.

Monumentos e prédios históricos –e eles são as marcas indeléveis de Habana Vieja-  são testemunhas dessa saga única de nuestra América. Fascinam não pelo que mostram, mas pelo que representam.

Caminhar por Habana Vieja é respirar utopia na Praça da Revolução, que conserva relíquias da epopéia que começou em Sierra Maestra e está longe de terminar.

E beber um run e fumar um puro habano no Hotel Habana Libre (o antigo Hotel Nacional dos mafiosos americanos), onde se instalou o quartel general da recém-vitoriosa revolução cubana  e que, contam as paredes e as lendas, travou-se o inacreditável diálogo em que Fidel, ao escolher seus ministros, perguntou quem era economista. Che levantou a mão e Fidel imediatamente o nomeou Ministro da Economia. Che, entre uma baforada e outra de charuto, questionou. Ao que Fidel rebateu: “mas eu perguntei quem era economista e você levantou a mão”. E Che: “carajo Fidel, eu entendi você perguntar quem era comunista”. Che virou Ministro da Economia e ainda por cima presidente do Banco Nacional de Cuba. Notas de peso, a moeda cubana,  com sua assinatura são vendidas como souvenir em Havana.

É tomar almoçar ou jantar comida criolla (a comida típica cubana), beber um mojito e deixar um recado para a posteridade na Bodeguita del Médio, tão mundialmente célebre que dispensa apresentações. É ´conversar´  com Ernest Hemingway  no Hotel Ambos Mundos ou ler um poema ao lado de Pablo Neruda nas calles estreitas, que aparentemente não levam a lugar nenhum, mas levam a todos os lugares que a imaginação permite.

É achar relíquias entre livros, discos e pinturas nas praças, regateando os preços pelo prazer da conversa. É se perder  na luxúria do Tropicana e do Le Parisien, espetáculos que unem música, dança, teatro e sensualidade. É admirar sem pressa as  jóias arquitetônicas que surgem  a cada esquina.

É caminhar e sentir a brisa do Mar do Caribe no Malecon, a avenida beira mar.   onde casais apaixonados se apaixonam ainda mais e a noite é uma criança, porque é mais fácil trombar com Fidel Castro do que ser assaltado, seja noite ou dia, primavera, outono, inverno ou verão.

É conhecer o Teatro Nacional, o Capitólio, os hotéis em estilo da primeira metade do século passado. É tomar um sorvete de sabor incomparável na Copélia. É dirigir ou apenas tirar fotos em carros antigos e excepcionalmente bem conservados, uma das marcas de Havana. Ou passear sem pressa em taxis adaptados de bicicletas ou charretes, como se fosse fazer o tempo passar devagar. E em Habaja Vieja até o tempo passa sem presa.

É descobrir e redescobrir uma nova cidade a cada dia, tentas são as cidades dentro de Havana, e tantas são as nuances na mesma Habaja Vieja.

Habana Vieja não é para turistas, embora viva apinhada de turistas. Porque turista olha, fotografa e se empanturra de lugares comuns, guiados por folhetos que revelam justamente lugares comuns, mas não revelam a alma do lugar.

Habana Vieja – e me atrevo a dizer-  Havana, e a  Cuba de Santa Clara, Trinidad, Matanzas, Remedios, Cinfuegos, Pinar del Rio, Santiago,  é para ser vista e, principalmente, vivida por quem se sente parte daquilo tudo. Que não apenas vê, mas enxerga, que não apenas visita, mas incorpora.

Que ao respirar, não manda apenas ar para os pulmões, mas impregna as veias com algo absolutamente imaterial.

Uns chamam isso de alma.

Mas também pode chamar de paixão.

Porque Habana Vieja, e aqui se chegou à palavra síntese, é imensamente e inteiramente paixão.

 

Soy loco por ti América

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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