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Ceplac busca novas fontes para fomentar cacau

Juvenal Maynart

Juvenal Maynart

(do Valor Econômico)- Em meio à restrição orçamentária, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que atualmente responde à secretaria-executiva do Ministério da Agricultura, está dando os primeiros passos para recuperar sua autonomia de gestão e de financiamento. O objetivo da Ceplac é acessar recursos externos ao orçamento federal, como de fundos internacionais de fomento.

Em pouco mais de um mês, uma consultoria será contratada por licitação para definir o novo modelo jurídico da Ceplac para permitir que ela receba esse tipo de recursos. A expectativa dentro do órgão é que a consultoria elabore esse modelo até fevereiro ou março.

Ainda não estão definidas quais fontes de financiamento a comissão poderá acessar, mas já foi sinalizada a possibilidade de buscar doações internacionais através dos projetos Fundo Verde para o Clima – submetido às Nações Unidas – e World Cocoa Foundation (WCF) – financiado pelas maiores companhias que atuam na produção de chocolate, tais como a suíça Nestlé e a americana Mars. Os detalhes constam de um relatório produzido por um grupo de trabalho do Ministério da Agricultura e que foi obtido pelo Valor.

cacau A autonomia administrativa e financeira já foi uma realidade para a Ceplac, mas em setembro de 2016 ela foi subordinada ao Ministério da Agricultura, e desde então passou a ser financiada diretamente pelo orçamento da Pasta.

A restrição orçamentária da Ceplac, porém, data de mais tempo. Há quase 30 anos, o órgão não realiza concurso público para contratar novos funcionários. Nesse meio tempo, a comissão enfrentou a pior crise do setor cacauicultor, provocada pela vassoura-de-bruxa no sul da Bahia.

A Ceplac já chegou a ter 4,2 mil funcionários, mas hoje o quadro tem 1,7 mil, sendo que 1,2 mil já têm idade e tempo de serviço suficientes para se aposentar. A falta de novos concursos também impediu a entrada das novas gerações, mais familiarizadas com ferramentas digitais.

O enxugamento do orçamento aprofundou-se nos últimos anos. Em 2012, foi fixado um orçamento de R$ 25,2 milhões para a comissão, mas a execução ficou em R$ 22,2 milhões. No ano passado, o valor orçado foi de R$ 22,7 milhões, mas somente R$ 17,3 milhões foi empenhado. Para este ano, o orçamento caiu para R$ 17,1 milhões.

Uma fonte externa de financiamento é vista dentro do órgão como uma saída para garantir o apoio da Ceplac para o fomento do cultivo de cacau pelo sistema agroflorestal. Nesse sistema, os cacaueiros são plantados junto à floresta nativa, um modelo que já é adotado no Pará.

Nos últimos anos, a Ceplac especializou-se nesse sistema, fornecendo sementes para os produtores, o que ajudou o Pará a se equiparar à Bahia em importância para a oferta nacional de cacau.

O crescimento da produção da amêndoa no bioma amazônico alterou a geografia da cadeia do cacau no país e impôs um novo desafio para o setor. Com um parque processador todo concentrado no sul da Bahia, a preocupação da Ceplac agora é estimular uma indústria do cacau no Pará, para evitar preocupações fitossanitárias derivadas do transporte do cacau de um bioma para outro, disse Juvenal Cunha, diretor geral da Ceplac.

A comissão também atua em cadeias complementares à cacauicultura, como a heveicultura, a piscicultura e cultivo de palma, mas a reavaliação do modelo da Ceplac pode reduzir o escopo de atuação.

Café com Cacau na ABAV Expo Internacional de Turismo

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A empreendedora Marly Brito, de Itacaré,  participa da 45ª ABAV Expo Internacional de Turismo, que acontece de 27 a 29 de setembro, em São Paulo. Marly é proprietária do Café Cacau, um espaço gourmet próximo ao trevo de acesso à cidade, onde além do café especial, comercializa chocolates artesanais  finos, amêndoas caramelizadas, trufas e bolos,  que ela mesma produz,  com destaque para chocolates com alto teor de cacau e mix de cacau e frutas regionais, estará em exposição no estande da Bahia na ABAV. Para Marly Brito, a exposição em São Paulo, que reúne operadores de turismo o do Brasil e do Exterior, “é uma excelente oportunidade de mostrar as deliciais do nosso chocolate e divulgar as belezas naturais, a história do Sul da Bahia”.

 

Chocolate naturalmente rosa é criado pela maior processadora de cacau do mundo

O novo chocolate 'ruby' da  Barry Callebaut Foto: Divulgação

O novo chocolate ‘ruby’ da Barry Callebaut (Foto: Divulgação)

(do Estadão)-A Barry Callebaut, a maior processadora de cacau do mundo, lançou nesta semana o que afirma ser o primeiro chocolate naturalmente cor de rosa do mundo. De acordo com a empresa suiça, essa é a primeira inovação na cor do produto em mais de 80 anos, desde que a Nestlé criou o chocolate branco. O desenvolvimento levou mais de 13 anos, desde que a empresa descobriu um novo tipo de cacau durante experimentos em laboratório.

“É natural, é colorido, é hedonista e tem um aspecto de indulgência, mas ele mantém a autenticidade do chocolate”, afirma Antoine de Saint-Affrique, CEO da empresa, à Bloomberg. Isso tudo sem adição de corante nem de sabores na composição, criando um resultado menos doce e mais leve do que o chocolate branco, garante a produtora.

Com grãos de cacau da Costa do Marfim, do Equador e inclusive do Brasil, a empresa sai na frente em uma época em que os alimentos precisam ser cada vez mais apelativos visualmente para as redes sociais. “Ele tem um bom equilíbrio e conversa com os millenials”, pondera Saint-Affrique. O chocolate rosa deve chegar ao mercado do Reino Unido daqui seis meses, informa o The Guardian. Ainda não há previsão para a chegada no Brasil.

Parceria vai fomentar sustentabilidade na produção de cacau

cacau(SF Agro)- O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deverá firmar, até o final do ano, convênio com a Word Cocoa Foundation (WCF) para desenvolver ações para garantir a sustentabilidade na cacauicultura brasileira. As negociações foram iniciadas durante reunião entre representantes do Mapa, da WCF e da cadeia produtiva, na Secretaria Executiva do ministério.   De acordo com o coordenador-geral de Desenvolvimento Institucional do Mapa, Jair Oliveira, o projeto idealizado para o Brasil é baseado no sucesso do programa já implantado na África. Ele é viabilizado pelo Cocoa Action, órgão da WCF que alinha as empresas mundiais de chocolate com governos e setores interessados na sustentabilidade do cacau.

Segundo comunicado do Mapa, a World Cocoa Foundation tem suas ações voltadas às parcerias público-privadas, ao aprendizado conjunto e compartilhamento de conhecimento que visa à mudança da cadeia produtiva do cacau, considerando a sustentabilidade. “O interessa da WCF em firmar parcerias com o Brasil deve-se ao potencial da cultura, além da importância que o atual governo dispensa ao cacau por meio da Ceplac [Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira]”, disse o consultor da instituição, Pedro Ronca.

Ele afirmou o reconhecimento internacional da Ceplac pelos serviços prestados à cacauicultura. A Ceplac tem o maior banco de germoplasma do mundo e importante experiência em pesquisa. Segundo ele, o plano de reestruturação da Ceplac deverá trazer grandes benefícios ao setor.   Na avaliação do diretor da Ceplac, Juvenal Maynart, parceria é de fundamental importância para organização do sistema de produção com sustentabilidade socioeconômica e ambiental. Adiantou também que a Ceplac promoverá pesquisa para definir as necessidades da cadeia produtiva e que a assistência técnica terá o envolvimento de todos os agentes da cacauicultura.

Jorge, Itabuna e Ilhéus: indiferença e amor

jorge

Se vivo fosse, Jorge Amado completaria 105 anos. Um dos mais importantes escritores brasileiros, conhecido em todo o mundo, Jorge Amado deu à chamada Civilização Cacaueira uma dimensão planetária, em obras imortais como Cacau, Terras do Sem Fim, Tocaia Grande e, principalmente, Gabriela Cravo e Canela, todas ambientadas no Sul da Bahia.

Nascido na Vila de Ferradas, na então recém emancipada Itabuna, Jorge passou parte da infância e juventude em Ilhéus, cidade em que inspirou grande parte de sua obra e onde escreveu o primeiro romance, O Pais do Carnaval.

Enquanto a relação dos ilheenses com o escritor é de admiração, reconhecimento e afeto, os itabunenses o tratam com olímpica indiferença.

Casa onde Jorge nasceu em Ferradas: portas fechadas

Casa onde Jorge nasceu em Ferradas: portas fechadas

Jorge Amado sempre se definiu como ilheense ou, no máximo, um grapiuna. Só ao completar 80 anos disse enfaticamente, num programa especial da TV Cabralia, que nasceu em Itabuna. De Ferradas, escreveu em Navegação de Cabotagem, livro de memórias, que nascera “no cú do mundo”.

Óbvio que se tratava de uma brincadeira, mas os orgulhosos ferradenses receberam a blague como ofensa. E jamais o perdoaram, tanto que um busto colocado na praça principal foi retirado durante a noite e sumiu e uma estatua colocada na entrada no bairro foi alvo de vandalismo e, depois de restaurada, abrigada em segurança no campus da Universidade Federal do Sul da Bahia.

Casa onde Jorge vivem em Ilhéus: ponto turístico

Casa onde Jorge viveu em Ilhéus: ponto turístico

Na celebração dos 105 anos de Jorge, os contrastes que explicam a relação. A casa em que o escritor nasceu é um projeto inacabado de memorial e passa a maior parte do tempo fechada. Já a casa em que o escritor morou em Ilhéus é atração turística, com direito a uma estátua, foto obrigatória para pessoas de todas as partes do Brasil e do Exterior.

Indiferença em Itabuna, amor em Ilhéus.

Não importa. Nosso Menino Grapiuna é imortal.

Salve Jorge!!!

Sul da Bahia, do cacau ao chocolate

 

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Do cacau ao chocolate. Essa é a nova realidade do Sul da Bahia, após décadas como região produtora de amêndoas. A cada dia, novos empreendedores passam a investir na produção de chocolates finos, apostando num mercado consumidor em expansão no Brasil e no Exterior. O Chocolat Bahia 2017, Festival Internacional do Chocolate e Cacau, que está sendo realizado em Ilhéus, com o apoio do Governo da Bahia, é uma oportunidade de apresentar novos produtos, adquirir e trocar conhecimentos e ampliar os negócios. São   cerca de 40 marcas de chocolates regionais em exibição, cada uma com sua característica, mas com a marca do cacau de qualidade, fruto de investimentos na modernização da lavoura.

hans schaeppi

Hans Schaeppi é um pioneiro. Há 32 anos ele implantou a primeira fábrica de chocolate caseiro do Nordeste. “Foi um grande desafio, porque havia uma cultura de produzir amêndoas e percebi que era preciso investir no produto final. Hoje vejo com alegria a Região partindo para a verticalizado e se tornando a terra do Cacau e do Chocolate”, afirma. Atualmente, Hans produz cerca de duas mil toneladas/ano, comercializa os produtos em todo o país e busca atingir o mercado chinês.

henrique almeida

O setor de chocolates premium cresce cerca de 10% ao ano no Brasil, enquanto o mercado tradicional cresce apenas 2%. Henrique Almeida é outro exemplo de produtor de cacau que apostou no chocolate. Da terceira geração de uma família de produtores de cacau, há 5 anos, ele  começou a produzir chocolate. Investiu em amêndoas de qualidade, cursos de capacitação e hoje comercializa o chocolate premium em grandes redes da Bahia e do Sul/Sudeste do país. O próximo passo é o mercado árabe e os Estados Unidos. “Cacau e alimento e também e prazer. Nosso foco é a qualidade é esse é o caminho da região. O negócio Cacau só é viável se atrelado ao chocolate”,destaca

leo maia

O mercado de chocolate também atrai jovens empreendedores como Leonardo  Maia. Com pós graduação em Gestão de Negócios em Cacau e Chocolate ele está produzindo chocolates finos com 50% e 70% de cacau.  “Na  infância sempre tive muito contato com fazendas de cacau e sempre que podia acompanhava os trabalhadores nos tratos e colheita do cacau. E em minhas viagens para outros países tive a oportunidade de experimentar diversos tipos de chocolates e percebi que o nosso cacau do Sul da Bahia tem um potencial grande a ser explorado”, afirma.

 

AGRICULTURA FAMILIAR

carine assunção

A produção de chocolate também é incentivada na agricultura familiar, que responde por 90% da produção de cacau no Sul da Bahia. A Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia conta com 300 associados e produz chocolates caseiros e achocolatado com 30% de cacau. Beneficiados com recursos do Programa Bahia Produtiva, do Governo do Estado, os agricultores familiares pretendem investir na produção de cacau organico, que agrega valor ao chocolate e derivados. “Nossos produtos já são consumidos na merenda escolar e com o chocolate de origem vamos buscar novos mercados, gerando mais renda no setor rural”, destaca Carine Assunção, coordenadora da cooperativa.

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Com 420 associados, a Cooperativa de Agricultores Familiares do Sul da Bahia, também atendida pelo Bahia Produtiva, produz chocolates finos e achocolatados e está criando uma linha exclusiva para os supermercados. “Com assistência técnica e capacitação vamos melhorar cada vez mais a qualidade e criar novos canais de comercialização” , diz o diretor da Coopesulba, Gildeon Farias.

gerson marques

Gerson Marques, presidente da Chocosul  destaca que “a produção de chocolate é uma alternativa viável, num processo que está se consolidando. Dos 40 produtores, 38 produzem o próprio cacau. São empreendedores que foram para as fazendas, reorganizaram a produção, com uma nova mentalidade, investindo em amêndoas de qualidade superior”. “Essa é uma estratégia que terá impactos positivos na economia regional, com a melhoria da produtividade e consequentemente do preço final. O modelo antigo, de mero fornecedor de matéria prima, está superado. Hoje o caminho é a verticalização, valorizando principalmente a produção de chocolates fino, de cacau orgânico que tem alto valor agregado”.

Bois, cacau e uma região de omissos

Helenilson Chaves

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O Brasil assiste a um espetáculo vergonhoso, em que um grupo empresarial, movido a favores governamentais, concedidos em troca de propinas negociadas na calada da noite, que circulam em malas e através de outros artifícios, consegue amealhar um patrimônio na casa dos 16 bilhões de reais.

Mais do que isso, obtém o perdão ou a prorrogação, com prazos que atravessam décadas, de dividas com financiamentos públicos que igualmente são contabilizados em bilhões de reais, devidamente referendados pela mais alta corte do Judiciário.

A abertura dos segredos do grupo JBS, através da deleção de um de seus donos, expõe a maneira em que nossas principais autoridades, no Executivo e no Legislativo, atuam, privilegiando os interesses pessoais em detrimento dos interesses públicos.

A “generosidade” governamental com a JBS e outros grandes grupos empresariais nos remete à situação, completamente oposta,  que aflige a nossa Região Cacaueira.

Há três décadas, o Sul da Bahia sofre com uma crise provocada por uma praga que dizimou a lavoura cacaueira, levou os produtores à lona e gerou milhares de desempregados no setor rural, afetando a nossa economia como um todo.

De maiores produtores de cacau do mundo, responsáveis por uma fatia considerável do PIB baiano, passamos a uma região que hoje precisa importar cacau para não perdeu o parque industrial e perder ainda mais empregos. Vivemos uma espécie de “crise dentro da crise”, com as consequências por demais conhecidas.

Nesses 30 anos, estamos sempre à espera de um apoio governamental que nunca chega.

Acreditamos em promessas que nunca se concretizam. Ou, pior, não nos damos conta da grave situação em que nos encontramos.

Nossa representação política é ineficiente, quando não é nula. A Ceplac, uma instituição que poderia contribuir para a retomada do desenvolvimento regional, definha e não se vê um mísero protesto.

Os bancos públicos apertam os produtores com a cobrança de dívidas impagáveis, assumidas por conta de projetos governamentais malogrados, é ninguém levanta a voz.

Sem reagir, sem exigir nossos direitos, omissos diante de tamanho descaso, nos comportamos feito cordeiros rumo ao sacrifício.

Ou numa analogia com a citada JBS, como bois a caminho do matadouro.

 

Governo incentiva plantio de cacau com R$ 2,13 bilhões para investimentos

juvenalA partir de 1º de julho, os cacauicultores poderão contar com R$ 2,13 bilhões em crédito de investimento para a implantação, melhoramento e manutenção de suas lavouras em sistemas florestais ou agroflorestais. Os recursos fazem parte do Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), anunciado  pelo Governo Federal, no  lançamento do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2017/2018.

Antes, o plantio com incentivo do ABC só era permitido na Amazônia. Com o novo PAP, foi ampliado para as outras regiões do país, principalmente Bahia e Espírito Santo.

cacau (6)De acordo com o diretor da Ceplac (Departamento da Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira) do Mapa, Juvenal Maynart Cunha (foto), financiar o incremento da produção do cacau no sistema de Agricultura de Baixo Carbono é uma visão inovadora. Isto porque, acrescenta, o cacau é uma árvore nativa da Floresta Amazônica e de boa convivência com as florestas nativas. “A Ceplac é detentora da ciência e extensão rural na inserção produtiva, tanto na Floresta Amazônica quanto na Mata Atlântica”, ressalta o diretor.

Os projetos apresentados com essas finalidades às instituições financeiras terão limite de financiamento de até R$ 2,2 milhões por produtor de cacau, com taxas de juros de 7,5% ao ano e com prazo de pagamento de até 12 anos.

Além do cacau, também estão contempladas as plantações de açaí, oliveira e nogueira no Programa ABC.

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Doce Pecado

Deus criou a árvore dos frutos de ouro, o cacau. E o homem criou a tentação, o chocolate.

Deus criou a árvore dos frutos de ouro, o cacau. E o homem criou a tentação, o chocolate.

Novas oportunidades e o Santo Graal

Helenilson Chaves

 hc (2)Observando a rodovia que liga Itabuna a Ilhéus, meus olhos não enxergam apenas uma estrada, mas sim uma grande avenida que no futuro unirá as duas cidades-irmãs.

Diversos empreendimentos imobiliários de pequeno e médio porte ganham vida às margens da rodovia, sinal de que os sonhos que povoaram as cabeças dos investidores começam a dar os primeiros passos.

Com certeza, ali surgirá o ponto que mostra a força da nossa economia, que apesar de abalada e sofrendo os efeitos de Torquemada, reflete a  enorme capacidade de resistência.

Além disso, veremos também empreendimentos realizados por empresários da nossa região, compartilhando com grandes empresas oriundas de várias partes do Brasil, as oportunidades que o Porto Sul e a Ferrovia Oeste Leste, -quando concluídos e espero que essas obras importantes se tornem realidade-, despejarão no Sul da Bahia.

Confiamos plenamente nessa chama empreendedora que vem desde os tempos dos pioneiros da lavoura cacaueira, característica marcante da gente grapiuna, que já deu seguidas mostras de superação e de capacidade de se reerguer, de dar a volta por cima.

Sabemos que os nossos empresários tem totais condições de aproveitar essa nova era, assumindo o papel de protagonistas e não apenas de figurantes, num processo de desenvolvimento que se mostra irreversível.

Vem aí um novo ciclo de desenvolvimento, mas vale ressaltar que o cacau será sempre emblemático, seja pela força dos que desbravaram uma região inóspita fazendo brotar uma economia  forte, seja pelo imenso potencial de um produto que, tratado com o devido cuidado e contando com o apoio necessário para sua recuperação, terá condições de atender a uma demanda crescente em todo o mundo, com imensos ganhos sócioeconômicos para o Sul da Bahia.

O Porto Sul, a Ferrovia Oeste Leste e outros empreendimentos são bem vindos, mas o cacau será sempre o nosso Santo Graal.

 

Helenilson Chaves é empresário

III Encontro Baiano destaca Sistemas Agrossilviculturais na Mata Atlântica

sistemas agroProfissionais e pesquisadores internacionais e brasileiros de reconhecida competência na área agroflorestal, professores e estudantes de instituições de ensino superior e empresários e produtores rurais do Sul da Bahia e de outras regiões do país vão participar do III Encontro Baiano de Sistemas Agrossilviculturais (EBSAGS). Será de de 5 e 9 de junho na semana dedicada ao Meio Ambiente, cuja data transcorre dia 5.
Em eventos simultâneos como palestras, mesas-redondas, oficinas e Feira do Empreendedor vai acontecer no campus e auditório da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), em Itabuna, e no Centro de Treinamento da CEPLAC, no Km 22 da BR-415-Jorge Amado, em Ilhéus.

Com previsão de reunir cerca de 1.000 participantes, a terceira edição do EBSAGS debaterá estratégias de incentivo ao agronegócio e à empresa rural e proporcionará a integração dos participantes com especialistas em sistemas silvipastoris. É também a oportunidade de se reunir a excelência acadêmica e realizar preleções e discussões sobre usos do recurso água e acerca da regularização ambiental das fazendas de cacau e agropastoris.

No momento, as atenções do mundo estão voltadas para as mudanças climáticas, suas consequências e a discussão de ações mitigadoras e a necessidade da conservação ambiental. Mas, desde o século XVIII a Região Cacaueira se beneficia com sistemas agrossilviculturais, a partir do consórcio de culturas agrícolas com espécies arbóreas.
O tradicional cultivo do cacau adotado é o sistema “cabruca” em que mudas são plantadas à sombra de árvores da mata atlântica, após esta ter sido submetida a um raleamento de seu sub-bosque. Isto acontece por causa do sombreamento do cacau, planta de cujas amêndoas beneficiadas se produz o chocolate, que vive nova onda de consumo e experimentação mundial, principalmente com massivo conteúdo de cacau e pouco açúcar na sua formulação.

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Treblinka ao céu azul

Helenilson Chaves

 hcTreblinka, o terrível campo de concentração na gelada  Polônia em que milhares e milhares de judeus foram brutalmente assassinados pelo terror nazista durante a 2ª. Guerra Mundial, é um dos símbolos trágicos da história recente da humanidade.

Guardadas as devidas proporções e com o necessário respeito à memória dos que pereceram e de seus familiares que sobreviveram com as marcas da dor irreparável, temos no Sul da Bahia uma espécie de Treblinka ao céu azul, em que milhares de pessoas foram condenadas, senão à morte brutal, a um definhamento lento e progressivo, que se arrasta há quase três décadas.

Não é propriamente um campo de concentração, longe disso, mas criou-se uma espécie de gueto formado por mais de 100 cidades e com uma população superior a um milhão de pessoas, vítimas de uma  insensibilidade que supera todos os limites do tolerável.

Desde que a vassoura-de-bruxa chegou ao Sul da Bahia, de forma intencional ou por absoluta negligência dos órgãos de vigilância fitossanitária, a outrora pujante civilização cacaueira vem definhando, mergulhada numa crise que parece não ter fim.

Uma região que gerava 1 bilhão e 600 milhões de dólares viu esse valor minguar para 240 milhões de dólares em duas décadas e a produção de cacau, seu principal produto, cair em 80%. O impacto dessa catástrofe atingiu a todos, ricos e pobres, gerou desemprego em massa, fechamento de empresas e uma crise social que pode ser sentida nas pequenas, médias e grandes cidades.

Quando precisou agir, o governo agiu mal e errado. Um plano de recuperação da lavoura completamente equivocado, que fez a produção cair em vez de aumentar, e elevou as dívidas dos produtores à estratosfera. O remédio que era para salvar, levou a região à UTI, onde ela definha até hoje, porque em outro gesto de insensibilidade, o governo passou a cobrar por dívidas impagáveis, através dos bancos oficiais, pelas quais os produtores não eram responsáveis.

A falta de lideranças políticas com poder de reivindicação e capacidade de mobilização só fez agravar esse quadro. Governo após governo, a região continuou relegada ao abandono, apesar de em épocas passadas ter contribuído de forma substancial com a economia baiana e brasileiro.

Planos efetivos de renegociação das dívidas dos produtores em condições reais de quitação dos débitos (mesmo quando o caso é de perdão das dívidas) e da liberação de recursos para a retomada da produção de cacau, que a despeito da necessidade de diversificação continua e continuará sendo nosso principal produto, nunca saíram do campo da promessa.

Não é possível esperar mais. É preciso que as autoridades adotem medidas efetivas para a recuperação da lavoura cacaueira e a consequente retomada do desenvolvimento regional.

Caso isso não ocorra -e ocorra já- nossa região estará condenada ao extermínio econômico, com todas as consequências nefastas que isso representa para toda a sua gente.

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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