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Posts Tagged ‘cacau’

Pesquisa da Unicamp sobre vassoura-de-bruxa é destaque na revista The Plant Cell

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(por Isabel Gardenal, do Portal Unicamp)-A  “vassoura-de-bruxa”, doença que ainda hoje causa graves danos à plantação de cacau no Brasil, consumindo até 50% da safra, está bem próxima de ter sua ação totalmente desvendada. Cientistas do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, envolvidos no programa nacional Genoma Vassoura-de-Bruxa, liderado pelo professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, caminham na direção de decifrar totalmente a interação entre o cacau e o fungo em nível molecular. Usando a metodologia de sequenciamento de RNA-seq, o grupo conseguiu chegar a uma espécie de mapa rodoviário da doença e entender exatamente as suas vias de acesso para atingir o cacau.

VB 3Com base nesse mapa da doença e com o uso de ferramentas de última geração, está sendo possível compreender exatamente em que ponto atacar a vassoura-de-bruxa com moléculas fungicidas para que a doença seja destruída. O próximo passo será conseguir outro financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para desenvolver uma nova droga agrodefensiva, que já tem inclusive um protótipo. “Graças à técnica de RNA-seq, foi reconstruído o campo de batalha entre o cacau e o fungo com um nível de detalhe sem precedentes, fornecendo uma leitura dos genes afetados na planta e do fungo”, afirma Gonçalo.

Como ápice desse trabalho de 14 anos, acaba de sair um paper no periódico The Plant Cell, de alto impacto na área de Fisiologia de Planta, com o título em inglês “High-resolution transcript profiling of the atypical biotrophic interaction between Theobroma cacao and the fungal pathogen Moniliophthora perniciosa”. O texto, que passou por uma longa submissão, exigindo ajustes e mais pesquisas, mereceu destaque em um editorial da revista. Assinam o trabalho os pós-doutorandos do IB Paulo José Teixeira, autor principal, e Daniela Toledo Thomazella, orientados pelo professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, líder do programa Genoma Vassoura-de-Bruxa e do Laboratório de Genômica e Expressão da Universidade.

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A civilização do cacau

Documentário conta a história de uma região unica, em que um fruto de ouro ditou o seu destino.

Virus ebola ameaça produção de cacau na África e preço do chocolate pode disparar

chocolate

O vírus mortal ebola, que afeta países africanos e colocou todos os países em alerta,  está ameaçando a oferta mundial de cacau, indispensável na produção do chocolate. A Costa do Marfim, maior produtora da matéria-prima, fechou suas fronteiras com a Libéria e Guiné.

O fechamento paralisou a força de trabalho necessária para colher e escolher o fruto. O país do Oeste Africano ainda não teve nenhum um caso confirmado do ebola.

Temendo que o surto possa aumentar os preços, a Organização  Mundial do Cacau está mantendo contato permanente com empresas como Nestlé e Mars  grandes multinacionais processadoras, para evitar uma crise no setor.

A má notícia para os africanos pode ser uma boa notícia para o Sul da Bahia, onde a produção de cacau vem aumentando a cada ano, com a consequente elevação dos preços das amêndoas.

Costa do Marfim tem safra recorde e pode comprometer preços do cacau no Sul da Bahia

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O governo da Costa do Marfim anunciou que os recebimentos de cacau na Costa do Marfim durante a safra 2013/14, encerrada em 30/09/2014,  registraram um recorde de 1.740.842 toneladas, contra 1.440.514 toneladas na safra anterior.

 

O recorde anterior registrado foi de 1,5 milhão de toneladas, na safra 2010/11.

 

A safra recorde da Costa do Marfim deve ter impactos preços do cacau no Brasil, que estão em processo de recuperação. No Sul da Bahia, a arroba de cacau está cotada a 110 reais.

Eduardo Salles defende ações para revitalização da região do cacau

eduardo sallesO ex-secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles,  candidato a deputado estadual (PP), que é Filho, neto e bisneto de agricultores do Sul da Bahia,afirma que a cacauicultura é uma das maiores responsáveis pelo desenvolvimento da Bahia e que a sua revitalização é uma de suas metas. “Muito já fizemos por essa região nos últimos quatro anos, mas precisamos fazer muito mais”, disse ele, destacando que dentre outras iniciativas “continuo defendendo maior fiscalização sanitária nas importações, maior taxação de produtos derivados do cacau importados e a redução do prazo do drawback, de dois anos para seis meses”.

Eduardo Salles destacou que a diversificação das culturas é uma das prioridades, e lembrou que nesse sentido o Instituto Biofábrica de Cacau (IBC) foi revitalizado, tendo distribuído gratuitamente nos últimos cinco anos 6,8 milhões de mudas de cacau e essências florestais e de fruteiras, a agricultores familiares. Só neste ano foram distribuídas 1,65 milhão, e a previsão é de que no próximo ano esse número possa chegar a 4 milhões de mudas.

Dentre as ações que tiveram sua ajuda quando ex-secretário da Agricultura para serem concretizadas na região do cacau, Eduardo Salles destaca a inclusão da amêndoa de cacau na Política de Preço Mínimo da Conab (PGPM), com o valor de R$ 75,00 a arroba, a proibição de importação de Cacau da Costa do Marfim, o decreto elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente que permite a regularização de sistemas agroflorestais, inclusive a cabruca, viabilizando o manejo e a retirada de espécies exóticas e o desenvolvimento da economia florestal, além da inclusão do cacau no FNE Verde do Banco do Nordeste, medida que permitiu a ampliação do prazo de carência para 8 anos e mais 12 anos para pagamento, nas operações de refinanciamento das dívidas dos produtores e concessão de novos créditos.

Eduardo Salles destacou ainda o lançamento do Plano Estadual da Borracha Natural, que visa dentre outros objetivos a ampliação da área plantada de 32 mil para 100 mil hectares em consórcio com o cacau, e a construção de um terminal pesqueiro em Ilhéus, onde pescadores e marisqueiras podem acessar serviços e comprar gelo 15% mais barato e óleo diesel com subsídio de 40%.

Deputado questiona promessas de Souto no Sul da Bahia e lembra perseguição a Itabuna

“Paulo Souto agora diz que vai concluir o Porto Sul e a Ferrrovia Oeste Leste, mas durante seus mandatos como governador praticamente abandonou o Sul da Bahia”. A afirmação é do deputado federal Geraldo Simões (PT), ao comentar a promessa feita pelo candidato a governador do DEM durante encontro com produtores rurais em Ilhéus.

“Agora  Paulo Souto promete resolver os problemas da lavoura cacaueira e agilizat o Porto e a Ferrovia. Porque não fez isso quando era governador?”, questiona o deputado.O Porto Sul e a Ferrovia Oeste Leste, executados pelo Governo Federal e pelo Governo da Bahia, são duas das mais importantes obras de infraestrutura do  país, com investimentos que chegam a R$ 10 bilhões. “Essas obras demonstram o compromisso do PT com o Sul da Bahia e quem vai  conclui-las é a presidenta Dilma e  Rui Costa”, afirma Simões.

Geraldo Simões relembra um episódio que, segundo ele, demonstra o descaso de Souto com a Região Sul. Em 1994, Itabuna enfrentava a pior seca de sua história e Simões, que era prefeito da cidade, pediu ao então governador Paulo Souto a construção de uma adutora entre a Lagoa Encantada e o sistema de captação de água em Castelo Novo. “Era uma obra emergencial com dois quilômetros de adutora, com um custo de  apenas dois milhões de reais, mas mesmo assim Paulo Souto deixou a população de Itabuna sem água durante cinco meses, apenas porque a prefeitura era administrada pelo PT”, diz o deputado.

“Não podemos voltar a esse passado em que adversários políticos eram tratados como inimigos  e o Sul da Bahia estava relegado ao mais completo abandono”, afirma.

 

Aécio cancela visita a Itabuna e Ilhéus

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O candidato a presidencia da República pelo PSDB, Aécio Neves, cancelou a visita que faria a Itabuna a Ilhéus no próximo dia 23. O cancalamento teria ocorrido por conta das alterações na agenda do candidato após a morte de Eduardo Campos.

A visita de Aécio estava sendo aguardada com ansiedade por um grupo de produtores de cacau, que iriam solicitar que o ticano assumisse o compromisso de, se eleito, determinasse o perdão (que chamam de anulação) das dívidas da lavoura cacaueira.

 

Lendas, bruxas e fadas

brujasConta a lenda que há duas décadas, uma bruxa, invejosa de tanta fartura, que fazia do Sul da Bahia uma ilha de prosperidade em meio ao Nordeste subdesenvolvido, lançou uma praga mais voraz do que as sete pragas do Egito.

A bruxa pode ser uma lenda, mas a praga não.

Os efeitos da vassoura-de-bruxa, devastadores, são mais do que conhecidos, descapitalizando e endividando produtores, levados a planos de recuperação da lavoura equivocados; e lançando ao desemprego milhares de trabalhadores rurais, que sem outra opção, criaram imensos bolsões de miséria nas periferias abandonadas de Itabuna e Ilhéus..

Houve choro e ranger de dentes, e em meio à vã esperança de que a crise fosse passageira e que o cacau voltasse aos míticos tempos dourados, as dívidas foram se tornando impagáveis e a inadimplência explodiu.

Entrou-se naquele círculo vicioso em que, sem dinheiro para quitar as dívidas, o produtor se viu impedido de obter novos créditos para investir em clones de cacaueiros resistentes à vassoura-de-bruxa. Milhares de propriedades rurais foram relegadas ao abandono e a produção de cacau, devastada pela doença, foi reduzida a inacreditáveis 90%.

Como era previsível, a questão da dívida se tornou a ´pedra de toque´ que praticamente engessou o Sul da Bahia nesse período sombrio, em que só não chegamos ao fundo do poço, graças a algumas ações em áreas como turismo, comércio, prestação de serviços e a criação de pólos de saúde e ensino superior.

Quanto ao cacau, de exportador o Sul da Bahia passou a importador, o que dá a exata dimensão do tamanho da crise.

Pois bem, num desses raros momentos em que todos os segmentos regionais de unem em torno de um único objetivo, a questão da dívida dos produtores rurais recebeu um tratamento especial, criando condições efetivas para que ela fosse equacionada.

Após exaustivas negociações, o equacionamento da dívida atende 98% dos 13 mil produtores de cacau inadimplentes, com vantagens que da remissão (perdão) do débito para micro-produtores a descontos que podem chegar a 90% do valor do débito, além da inclusão do cacau no FNE Verde, que amplia o prazo de pagamento para 20 anos, com 8 de carência.

Mesmo com todas essas vantagensainda há os que resistem em renegociar os débitos, na velha mania de continuar vertendo lágrimas enquanto a vida segue ou à espera de um absolutamente impossível perdão do valor total da dívida.

Chega de choro.

A hora é de virar a página e a partir da renegociação das dívidas e da obtenção de novos créditos, iniciar a retomada da produção de cacau resistente à doenças e de alta produtividade e a verticalização, que inclui a fabricação de chocolate, agregando valor ao nosso principal produto, além de programas de diversificação como dendê, seringueira, pupunha e fruticultura.

Quem sabe se, a partir dessa mudança de paradigma, daqui a duas ou três décadas, se conte a lenda de uma fada redentora que derrotou a bruxa e nos recolocou num novo e duradouro ciclo de desenvolvimento sustentável.

Esqueçamos, por ora, fadas, bruxas e lendas.

O nome dessa nova página que precisamos escrever a partir de agora atende pelo nome de trabalho, aliado a uma elevada dose de união e de espírito empreendedor.

Daniel Thame

Uma rica região rica

Ricardo Ribeiro

ricardoO sociólogo Selem Rashid Asmar costuma definir o sul da Bahia como “uma pobre região rica”. Paradoxo constatado ainda no tempo em que o cacau sustentava praticamente sozinho a economia desta ponta do território baiano. A riqueza então existente estava concentrada nas mãos de poucos, o que explica a interessante definição rashidiana.

Pensamento semelhante é externado pelo professor Alessandro Fernandes, economista e pró-reitor de Extensão da Universidade Estadual de Santa Cruz. Segundo ele, há 40 anos a região era considerada próspera em função do bom momento da cacauicultura. No entanto, afirma o professor, os indicadores sociais de hoje são melhores que os daquela época, o que à primeira vista é difícil de compreender.

Como se sabe, houve uma praga chamada vassoura-de-bruxa no meio do caminho, que destruiu lavouras, expulsou 250 mil trabalhadores do campo, desvalorizou terras. Em cidades como Ilhéus e Itabuna, assistiu-se ao crescimento de favelas, ampliação da miséria, surgimento de contingentes sem perspectiva.

Acontece que, além do estrago, a vassoura deixou como legado uma região que se reinventou. Da monocultura de cacau, para a diversidade produtiva e a fabricação de chocolate; da riqueza nas mãos de poucos, para uma melhor distribuição da terra, com o fortalecimento da agricultura familiar. Hoje, existem novas políticas públicas que ajudam a fixar o homem no campo.

É inegável que a região mudou seus paradigmas, depois de muito chorar pela vassoura espalhada. Presenciei recentemente, na arena virtual, um debate de temperatura elevada sobre a questão, com o nosso amigo Gerson Marques defendendo a melindrosa tese de que a vassoura-de-bruxa foi boa para o sul da Bahia. Entendi o argumento como uma defesa da mudança de mentalidade em uma região até então presa a um modelo produtivo atrasado.

Não chegaria a classificar a vassoura como algo positivo para a região, pois o preço foi demasiadamente alto, principalmente para os milhares de desempregados e suas famílias, ainda hoje atingidos pelas consequências da praga em múltiplas formas. A aplaudida mudança de paradigmas, que ocorreu “pela dor”, nada mais é do que uma reação necessária de uma região que chegou ao fundo do poço, mas tem plenas condições de se recuperar em novas bases, e seguir em frente.

Nosso desejo é de que esta venha a ser, futuramente, uma “rica região rica”. E os caminhos estão traçados para que assim seja.

Ricardo Ribeiro é advogado e editor do BA24Horas.

Geraldo Simões: “regulamentação da Cabruca é uma grande vitória dos produtores de cacau”

cabrucaO deputado federal Geraldo Simões destacou, em pronunciamento no Congresso Nacional, a assinatura pelo governador  Jaques Wagner  de um decreto de regulamentação da Política Florestal do Estado da Bahia, publicado no Diário Oficial. Entre outras medidas propostas, o decreto trata do Sistema Agroflorestal denominado “Cabruca”. “Para quem não é da região, ou não conhece a cultura cacaueira, é preciso esclarecer que o Sistema Cabruca é um sistema de cultivo do cacau combinado com a manutenção de espécies da cobertura vegetal originária, para sombreamento. Este tipo de consórcio é responsável para manutenção das características da Mata Atlântica no Sul da Bahia”, disse o deputado.

Ao contrário do acontecido em outras regiões, onde a Mata Atlântica foi praticamente devastada, no Sul da Bahia, a introdução da cultura cacaueira, ainda que inicialmente afetou a floresta local, ao cuidar da preservação de espécie nativas para o sombreamento, possibilitou a sobrevivência da Mata, minimizando os efeitos da ocupação produtiva da região.

GS Brasilia“Tenho a firme convicção que a melhor política agrícola adequada, em termos de sustentação ambiental é aquela que combina preservação e conservação, com desenvolvimento da agricultura e a ocupação econômica com características  de diversificação e consórcio produtivo e que possa ser manejável de maneira sustentável”, afirmou Simões.  O Sistema Cabruca, além de manter espécies originais, permite a manutenção do solo rico em matéria orgânica, conserva as nascentes e permite a continuidade da fauna e flora local, com impactos reduzidos. Tudo isto aliado à sustentabilidade econômica, não só pela produção cacaueira, mas pelo manejo florestal adequado.

“Em consonância com o exposto, em 2009 apresentei à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4.995, instituindo a política de conservação das áreas de cultivo tradicional de cacau no sistema Cabruca. Nele se define como Cabruca o sistema agrossilvicultural com densidade arbórea igual ou maior que 40 indivíduos de espécies nativas por hectare, que se fundamenta na implantação da cultura do cacau sob a proteção das árvores remanescentes da vegetação da Mata Atlântica, de forma descontinua e circundada por vegetação nativa”, ressaltou Gerado Simões.

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Projeto Cabruca vai impulsionar lavoura cacaueira no Sul da Bahia

cabrucaO Governo da Baia publica hoje (2) um decreto ambiental que regulamenta o manejo do sistema agroflorestal conhecido como “cabruca” – cultivo de cacau feito à sombra de árvores. A Bahia é o maior produtor nacional de cacau e grande parte da produção da amêndoa no Estado é realizada em consórcio com espécies florestais. Segundo o secretário de Meio Ambiente do Estado, Eugênio Spengler, o decreto vem sendo consolidado há um ano com base nas definições da cabruca previstas no Código Florestal e na Lei da Mata Atlântica.   Será reconhecido como cabruca qualquer cultivo de cacau consorciado com sombreamento que tiver 20 “indivíduos nativos de cobertura” (árvores, não necessariamente uma por espécie). Mas só será permitido o corte de um “indivíduo” nativo quando houver a partir de 40 deles na área de cultivo, diz Spengler. Espécies raras e ameaçadas de extinção não podem ser retiradas. E para cada árvore cortada, deverão ser cultivadas três em áreas degradadas.

Há uma série de critérios para a extração das árvores que fazem sombra aos cacaueiros. E o produtor precisará fazer um plano de manejo que terá de ter a aprovação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Inema), diz Spengler.   O decreto também prevê o rastreamento eletrônico das árvores retiradas para evitar desmatamento ilegal, além de autorizar o cadastro das áreas de cabruca como cotas de reserva ambiental que poderão também ser usadas como compensação dos passivos de reserva legal. Dentre os principais Estados produtores de cacau, só o Espírito Santo autorizou, por meio de instrução normativa no início deste ano, computar o “cacau cabruca” como área de reserva legal.   Estima-se que já existam 550 mil hectares de cacau em sistema de cabruca na Bahia. Spengler diz que a cabruca está inserida no bioma da Mata Atlântica – embora não seja essa vegetação, tem o papel ambiental de contribuir para a reprodução de espécies nativas do bioma.

Estima-se que o manejo da cabruca poderá gerar um fluxo financeiro anual de R$ 3,3 bilhões com a venda de resíduos florestais. Guilherme Galvão, presidente da Associação de Produtores de Cacau (APC), afirma que, com isso, os agricultores ganham fôlego para pagar suas dívidas, já que suas rendas poderão subir cerca de R$ 12 mil por hectare.( Fonte: Valor)

Produtores do Sul da Bahia criam perfume de chocolate

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Imagine passear por uma fazenda de cacau, acompanhar todo o processo de coleta do fruto, preparo da semente, degustar um bom chocolate e ter a possibilidade de levar o cheiro do chocolate para presentar alguém, ou mesmo, para uso diário? Pois saiba que agora isso é uma realidade. A Phyla Perfumes e Cosméticos está lançando o perfume exclusivo com cheiro de chocolate.   Engana-se quem pensa que na Bahia os cacauicultores pararam no tempo, muita coisa mudou na cultura do cacau nos últimos anos. O investimento em alta tecnologia está agregando valor à produção. Tudo começou com investimentos em chocolate fino, que vem ganhando o mercado internacional, mas agora, outros dois produtores foram além e criaram o perfume de chocolate. Isso mesmo, agora para quem não quer ficar longe do chocolate, mesmo que seja do seu aroma, pode usar um perfume que lembra o cheiro do chocolate.

A inovação partiu dos cacauicultores baianos Heitor Drummond e Alexandre Gedeon que produzem o fruto do cacau à sombra da Mata Atlântica nas regiões de Ilhéus e Uruçuca, sul da Bahia, e para agregar valor ao produto investiram no cheiro do chocolate. “Todo mundo ama o chocolate, é atraído pelo aroma do doce, então, porque não ter também o cheiro do chocolate?”, questiona Heitor justificando a iniciativa.    O processo de fabricação da Phyla perfumes e cosméticos com aroma de chocolate é mantido em segredo, mas os produtores afirmam que para chegar à essência final do produto, foram necessários vários meses de pesquisa. “Nós testamos várias amêndoas, buscamos o auxílio de perfumistas, químicos e pesquisadores para chegarmos a esse perfume que, de fato, lembra ao chocolate, afim de, fazer um produto agradável ao olfato e de ótima fixação”, conta Alexandre.    Segundo o cacauicultor para que a qualidade do perfume agrade aos mais exigentes, é necessário também que a produção tenha alto padrão de qualidade, como se fosse mesmo produzir um chocolate fino comestível: “nós produzimos o cacau com os mesmos padrões para a produção de chocolate fino de qualidade, com os mesmos princípios e cuidados para ter um cacau de qualidade”, afirma Heitor.

Heitor Drummond e Alexandre Gedeon

Heitor Drummond e Alexandre Gedeon

Além de agradar ao olfato, esse cacau é ecológico. Há mais 250 anos, o cacau do sul da Bahia é produzido sob a sombra da Mata Atlântica, no sistema conhecido pelo nome de cabruca. O sistema associa o plantio à conservação de árvores raras, como pau-brasil e jequitibá, assim como dos animais que transitam por esses corredores de florestas. A cabruca preserva 13% das espécies de árvores de uma mata original. Cientistas do Jardim Botânico de Nova York registraram uma concentração recorde de biodiversidade na região: 476 diferentes espécies vegetais por hectare.    A Phyla perfumes e cosméticos com aroma chocolate surgiu em meio a esse cenário que emoldurada paisagens montanhosas e praias de areia fina, em meio às florestas de cacau do sul da Bahia, com o intuito de agregar valor e diversificar a produção após a praga da vassoura-de-bruxa que arrasou as plantações e se transformou na protagonista de uma tragédia que mudou o destino de quase 3 milhões de pessoas.

E alternativas como a da Phyla Perfumes e Cosméticos é o que tem compensado a região, contribuído para renovar os ânimos, possibilitar novos investimentos para a lavoura e atraído novos olhares para esta região que outrora era conhecida como a região do fruto de ouro, que concentrava riquezas e fora retratados tantas vezes na literatura do escritor Jorge Amado.    O perfume com aroma do chocolate pode ser adquirido incialmente através do e-mail da empresa phylaperfumesecosmesticos@hotmail.com diretamente com os criadores da marca, que além do aroma do chocolate, também produzem outros fragrâncias. (Fonte: Mercado do Cacau)

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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