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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

fevereiro 2023
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Chove chuva, chove sem parar


Durante toda a semana, o Sul da Bahia foi atingido por chuvas torrenciais que, se não chegaram a provocar a tragédia verificada no Rio de Janeiro nem o caos instalado em Salvador, vem causando vários transtornos às populações.

Em Ilhéus a prefeitura teve que decretar situação de emergência, por conta do risco de deslizamentos nos morros da cidade e determinou a desocupação e destruição de barracos localizados em várias impróprias para a construção de habitações.

A ocupação desenfreada dos morros é a parte visível do processo de empobrecimento que empurrou milhares de pessoas para as periferias de Ilhéus e Itabuna. Em Ilhéus, essa ocupação se deu nos morros, com riscos permanentes de deslizamentos durante o período chuvoso, e em áreas de manguezais, a exemplo de uma parte do bairro Teotônio Vilela.

Quando vem a chuva, acende-se a luz vermelha, diante da tragédia que pode acontecer a qualquer momento. Passado susto, os moradores acabam voltando às suas casas e barracos, por absoluta falta de opções de moradia segura.

E em Ilhéus, além da emergência nos morros, a população ainda sofre com inúmeros pontos de alagamentos nos bairros e na área central da cidade. A avenida Soares Lopes se transforma num rio, praticamente paralisando o tráfego. E aí, o problema reside na falta de um sistema de eficiente de escoamento das águas pluviais, incluindo a falta de limpeza de bocas de lobo e o péssimo costume de jogar lixo em qualquer lugar.

Se não enfrenta o problema de ocupação de morros, Itabuna também sobre com as chuvas. No centro da cidade, a água paralisa o trânsito e invade as lojas, por conta do entupimento das bocas de lobo, mesmo problema que se verifica em alguns bairros como Pontalzinho, São Caetano e Conceição. A culpa é mais do descaso do que da natureza.

Para as populações ribeirinhas, como as que moram nos barracos da Bananeira, o temor atende pelo nome de Rio Cachoeira, que recebe boa parte das águas da chuva, transborda e invade as residências localizadas em suas margens nem sempre plácidas e quase sempre desassistidas pelo poder público.

Às populações de Itabuna e Ilhéus, tão vulneráveis aos efeitos das chuvas, só resta olhar aos céus, implorar por um raio de sol e apelar para que São Pedro feche as comportas celestiais.

Porque se depender das autoridades aqui na terra…

Uma segunda (e talvez derradeira) chance

Em alguns momentos da primeira metade do século passado as imensas riquezas geradas pela produção de cacau criaram todas as condições para que uma parte desses recursos fosse aplicada em projetos de diversificação, permitindo um duradouro processo de desenvolvimento e bem estar social, algo impossível de ocorrer quando se vive da monocultura, por mais lucrativo que o produto seja.

Ou aparente ser.

O fato é que, por falta de visão ou pela ilusão de que aquelas riquezas seriam eternas, aliadas a uma notória ausência de espírito coletivo, as raras iniciativas no sentido de se evitar a extrema dependência do cacau se mostraram ineficientes.

O resultado é que quando a crise provocada pela vassoura-de-bruxa se revelou mais devastadora do que todas as outras crises, o Sul da Bahia mergulhou num abismo e viu sua economia reduzida a frangalhos.

As conseqüências foram e ainda são visíveis: produtores descapitalizados, centenas de propriedades rurais relegadas ao abandono, desemprego em larga escala, empobrecimento das pequenas e médias cidades e criação de bolsões de miséria nas periferias, cada vez mais carentes e violentas, de Ilhéus e Itabuna.

Mesmo com um processo de recuperação a partir dos primeiros anos deste século, com a expansão do turismo e de um incipiente pólo de informática em Ilhéus e da consolidação dos pólos de comércio, prestação de serviços, saúde e ensino superior em Itabuna, ainda existe uma imensa demanda por empregos, que resultariam numa vida mais digna para milhares de pessoas.

E eis que o Sul da Bahia se vê diante de uma segunda chance de encontrar o caminho do desenvolvimento, com a implantação de projetos importantes como o Porto Sul e a Ferrovia Oeste Leste, cujos benefícios não se limitarão apenas a Ilhéus, mas se estenderão aos demais municípios do Sul da Bahia.

O porto e a ferrovia farão da região um pólo industrial, além de aquecer outros setores da economia, criando as bases para um novo ciclo de desenvolvimento. São obras capazes de ter, para o Sul da Bahia, o mesmo impacto que o Pólo Petroquímico teve para a Região Metropolitana de Salvador.

Mais eis que, em vez de gerar uma ampla mobilização de todos os segmentos regionais, em função das múltiplas oportunidades que oferecem, a Ferrovia Oeste-Leste e o Porto Sul enfrentam a resistência de alguns setores, a exemplo dos ambientalistas e alguns hoteleiros, que num misto de má fé, desinformação e interesses inconfessáveis, tentam transformar o porto e a ferrovia numa versão grapiuna do apocalipse, como se em vez de progresso e desenvolvimento, eles fossem trazer destruição.

Em nome de uma causa justa, a conservação ambiental, esses setores estão usando todos os artifícios para barrar os projetos, como se fosse possível, em função das rígidas leis ambientais de hoje, realizar obras de tamanha envergadura sem os necessários estudos e as compensações por eventuais danos, mínimos se comparados aos benefícios que o Porto Sul e a Ferrovia Oeste Leste proporcionarão.

O debate é necessário, salutar e contribui para que sejam dadas todas as garantias para que os impactos ambientais sejam mínimos e compensáveis.

Já a radicalização em nome de uma causa (será que é apenas isso?) é condenável, numa região que não pode se dar um luxo de desperdiçar essa segunda e talvez derradeira chance, em nome de uns poucos caranguejos, uma penca de guaiamuns, meia dúzia de siris e um pedaço de mata.

Ou será que eles são mais importantes do que os milhares de pais de família que estão aí, a espera de um emprego que lhes permita viver com dignidade e quem sabe, num domingo de sol, desfrutar com os amigos as decantadas praias e as maravilhas naturais de Ilhéus?

PIRATAS DO ALÉM


A pirataria agiu rápido e já “psicografou” uma cópia do filme Chico Xavier, o maior sucesso do cinema brasileiro em 2010.

O filme está sendo vendido pelos camelôs de Itabuna, ao preço módico de dois reais, sem direito a pechincha.

Apesar de fã de Chico Xavier, juro que não comprei.

Sou um sujeito sério, direito e respeitador das leis.

Como diria Tim Maia, só minto um pouquinho de vez em quando…

CUBA, PELA LENTE DE ALBERTO COUTINHO


O jornalista Alberto Coutinho abre nesta sexta-feira, 16 de abril, na galeria do Teatro Municipal de Ilhéus, às 20 horas, a “Exposição 50 Anos da Revolução Cubana”, que revela imagens da vida em Havana, capital da ilha. A mostra reúne 50 fotos (38 de 30X45 e 12, 50X75), cujas imagens demonstram culturalmente a riqueza do país e as semelhanças cotidianas com o povo baiano. O evento é aberto ao público, de modo geral, e conta com o apoio da Fundação Cultural de Ilhéus (Fundaci) e do Sindicato dos Jornalistas da Bahia.

Cuba guarda um tesouro arquitetônico de grande valor que não passou despercebido pela lente do fotógrafo, que também trouxe registro dos antigos automóveis que circulam pelas ruas românticas de Havana; além disso, captou cenas que retratam a expressão artística da cidade, como música, artes plásticas, artesanato, entre outras.

Alberto Brito Coutinho, 55 anos, natural de Coaraci/Itabuna, repórter-fotográfico há mais de 20 anos, trabalhou em vários jornais da Bahia e atualmente trabalha na Assessoria de Comunicação do Governo do Estado da Bahia (AGECOM), e ainda escreve no seu blog: http://turbinasdeideias.blogspot.com

Papo Cabeça


– Os traficantes aí de carro, de moto, na boa e a gente aqui fodido…
– Você é otário, que dá dinheiro pra eles…
– Então você também é otário, porque também compra as pedras na mão deles…

E os dois “otários” flagrados nessa conversa deitados numa calçada no centro de Itabuna, visivelmente sob o efeito do crack, foram vistos logo depois perambulando pelas ruas, como dois zumbis, pedindo alguns trocados a quem encontravam pela frente.

Um aparenta 12 anos, outro 14. Adolescentes, como dezenas de outros adolescentes que podem ser encontrados pelas ruas ou então reunidos numa área próxima ao Centro Comercial de Itabuna, muito apropriadamente apelidada de “Cracolândia”.

Obviamente que não se tratam de otários, mas de vitimas de uma droga relativamente barata, de efeito devastador, que se alastrou como uma praga incontrolável, a partir de São Paulo, para atingir grandes, médias e pequenas cidades Brasil afora e Brasil adentro.

Itabuna não é exceção.

Embora não se disponha de dados oficiais, o consumo de crack atinge nível alarmantes e é a base de uma infinidade de pequenos furtos e roubos, onde celulares, relógios, eletrodomésticos e roupas são levados para serem trocados por pedras de crack, uma pedra que “exige” sempre mais do seus usuários.

É o crack também a motivação para um sem número de assassinatos, geralmente consumidores que não conseguem pagar o débito com traficantes e morrem por causa de 5, 10, 15 reais.

É, além disso, uma das razões para que Itabuna seja considerada uma das cidades brasileiras em que os jovens estão expostos aos maiores riscos de violência. Uma reação de causa e efeito.

O crack é menos um problema de polícia e mais um problema social, que está a exigir uma ampla mobilização por parte das autoridades e da sociedade civil organizada.

Um problema que atingiu tamanhas dimensões que não se resolve apenas com repressão, embora ela seja necessária, especialmente no que concerne o combate ao tráfico, que muitas vezes é feito abertamente, diante de uma inacreditável cegueira policial.

É preciso que se realizem ações efetivas, que se criem oportunidades para que os jovens não adentrem o caminho sem volta das drogas e do tráfico, que se dote a periferia carente e abandonada de serviços públicos e programas de inclusão social.

E que o usuário de crack não seja tratado como infrator, mas como um doente que precisa de cuidado, atenção.

Porque otário mesmo é quem assiste à deterioração da juventude e permanece de braços cruzados.

Volta de apresentação

José Serra deixou o Governo de São Paulo.

Dilma Roussef deixou a Casa Civil do Governo Federal.

Embora ainda não sejam, oficialmente, candidatos à presidência da república, até as pedras que rolam encostas abaixo em cidades mal planejadas sabem que ambos são pretendentes a ocupar a cadeira do presidente Lula no Palácio do Planalto a partir de janeiro de 2011.

Nessa corrida que só termina em outubro e cuja largada será dada após as convenções partidárias que sacramentarão os nomes dos candidatos, eles estão na chamada volta de apresentação.

Desincompatibilizados de seus cargos, Serra e Dilma já estão liberados para alardear publicamente suas pretensões, embora tanto um como outro venham sendo acusados de fazê-lo enquanto estavam no Governo Paulista e no Planalto.

No Brasil, a impressão que se tem é que nossos políticos sempre estão em campanha.

O fato é que a partir de agora, José Serra e Dilma Roussef vão intensificar a exposição junto ao eleitorado, cada qual tentando mostrar que é o mais indicado para suceder Lula.

Serra com a missão de mostrar que pode melhorar o que Lula tem feito a partir de sua experiência em cargos públicos, já que falar em mudança pode significar um erro fatal, diante da aprovação popular do atual presidente.

Dilma, menos conhecida do eleitorado, tentará mostrar que se o país e a vida das pessoas melhoraram como a população avalia, nada melhor do que elegê-la, ungida que foi pelo presidente Lula para sucedê-lo. Ou seja, não há necessidade de mudar.

Serra já esteve bem na frente de Dilma, mas a ministra, que em principio parecia fadada à derrota, ganhou musculatura e nesse momento a distância entre eles é, digamos, visual.

O tucano já vê a petista pelo retrovisor e, quando a corrida começar para valer, o risco de ultrapassagem não deve ser descartado, principalmente se Lula conseguir transferir para Dilma parte de sua imensa popularidade, um combustível nada desprezível de votos.

Trata-se de uma corrida sui generis em que o principal piloto estará fora das pistas, por absoluta falta de possibilidades legais disputá-la, e que a depender da sua capacidade de “empurrar” seu representante no carro poderá levá-lo (levá-la) ao ponto mais alto do pódio.

Mas, antes disso, haverá muitas curvas, derrapagens, batidas e, porque não?, ultrapassagens, antes que o vencedor receba a bandeirada final e a faixa presidencial.

É a rima dos sonhos de Serra, Dilma e até dos “barrichelos” que entrarão na pista só para competir e mais nada.

Cem anos. Sem time!


O que no domingo de Páscoa parecia ser o testemunho de uma ressurreição revelou-se uma espécie de suspiro de moribundo, aquela falsa sensação de recuperação que antecede a morte.

E o Itabuna morreu, ao menos no que tange à 1ª. Divisão do Campeonato Baiano.

Ainda no início de abril, encerra de forma melancólica o ano de 2010, condenado ao pântano da 2ª. Divisão em 2011.

Isso, justamente no ano do primeiro centenário da cidade que empresta o nome ao time.

O ano que poderia ser glorioso será lembrado como o ano vergonhoso do rebaixamento do clube azulino, que tem como símbolo um dragão, mas que há muito tempo não assusta ninguém, tantas foram as vezes nos últimos anosem que flertou com a queda ora consumada.

A esperança da glória centenária se resumiu aos dois primeiros jogos do campeonato, quando o Itabuna venceu o Atlético de Alagoinhas e o Vitória.

Em seguida, o que se viu foi uma sucessão de derrotas, uma penca de goleadas e o passaporte para o Quadrangular da Morte, onde a triste sina continuou, mesmo com vitórias de 4×0 sobre o Colo Colo e 3×0 sobre o Ipitanga.

Mas ai, a salvação já havia entrado para a categoria milagre.

E milagres, como se sabe, não costumam acontecer com tanta freqüência nos últimos dois mil anos, desde que um jovem galileu andou transformando água em vinho, multiplicando pão e vinho, fazendo coxos andarem, cegos enxergarem e até mortos retornarem ao mundo dos vivos.

Resultado: na chuvosa noite de quarta-feira, 7 de abril, no ano do Centenário, entre raios, trovões e relâmpagos (cenário ideal para um filme de terror), o Itabuna mergulhou para o abismo da 2ª. Divisão, aquela categoria futebolística quase mambembe, disputada por times marca bufa.

O torcedor, esse apaixonado que nunca abandona o time, está triste, os jogadores e a comissão técnica envergonhados e a diretoria sem conseguir explicar o inexplicável.

Se serve como consolo, não é o fim do mundo.

Muitos times, inclusive gigantes do futebol, renasceram após quedas para a 2ª. Divisão.

Pode ser o caso do Itabuna, caso aprenda as lições desse fracasso e corrija os muitos erros do acidentado percurso de 2010.

E que se aprenda, de uma vez por todos, que time de futebol não tem dono.

Ou melhor, tem sim: o torcedor.

CARANGUEJADA

Na bacia das almas, com uma derrota com sabor de vitória, o Colo Colo salvou o próprio pescoço e permanece na 1ª. Divisão.

Mas, precisa sofrer tanto?

Rio de Janeiro, águas de abril

“O Rio todinho debaixo d’agua – vergonhoso – onde já se viu uma cidade deste tamanho sumir debaixo d’agua? Está parecendo New Orleans, nos Estados Unidos após a passagem do furacão Katrina. Os pobres nadando e os ricos lá longe nas suas chácaras. Estão falando em 2000 desabrigados. E a multidão que já estava morando na rua? Foi parar onde? Vi crianças descalças sendo enxotadas do metrô para o dilúvio. Aqui em casa a luz vai e vem – vai baixando, baixando até quase apagar, aí vai subindo como se o dia tivesse amanhecendo. As linhas de telefones estão todas congestionadas, fora do ar. Silêncio completo, nem um ruído de trânsito – parece o interior – um cão latindo, o grito de alguém. Bizarro. Um imenso silêncio diante das provas mais contundentes da falta de qualquer investimento na infra-estrutura da cidade”.

O relato acima é de cineasta inglesa Vik Birkbeck, que há 30 anos mora e trabalha no Rio de Janeiro, e reflete a indignação com as seguidas tragédias que se abatem sobre a Cidade Maravilhosa, a mais recente delas o dilúvio de proporções bíblicas que deixou mais de 100 mortos e instalou o caos numa das maiores metrópoles brasileiras.

Um Rio de água, lama, deslizamentos de morros, barracos e casas destruídas, trânsito parado, vôos cancelados, energia interrompida, serviços urbanos suspensos e mortes, muitas mortes.

Um Rio que se orgulha de ser a sede dos principais jogos e da final da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, mas que, paradoxalmente, não consegue evitar, ou ao menos reduzir, os estragos e as mortes causadas por tragédias mais do que previsíveis e que vem se repetindo com espantosa freqüência.

O que ocorreu nas últimas 48 horas no Rio de Janeiro foi uma quase inacreditável conjunção de fenômenos naturais, que resultou no maior temporal sobre a cidade em quatro décadas.

Mas não se pode, nem se deve imputar a culpa à natureza.

A tragédia que atingiu o Rio de Janeiro e seus habitantes é fruto da falta de planejamento urbano e da ausência do compromisso de suas autoridades com obras de infra-estrutura, que raramente resultam em votos, ao contrário das chamadas obras faraônicas, de muito impacto visual e pouco efeito prático.

A explosão demográfica, a escalada irrefreável rumo aos morros, a ocupação desenfreada de áreas de mata, a destruição de florestas e a completa ausência do poder público criam todas as condições para que o impacto dos fenômenos naturais se multiplique, gerando mortes e destruição em larga escala.

O homem, muito por conta dos homens que ele elege, acaba sendo vítima daquilo que ele mesmo provoca, numa reação de causa e efeito.

Não raro, um efeito devastador.

O Rio de Janeiro que afunda e se afoga nas águas de abril, é um pouco do retrato do Brasil, em que planejamento e prevenção parecem palavras perdidas no dicionário das autoridades, que só se mobilizam quando a catástrofe já é um fato consumado.

Diante das próximas chuvas, no Rio de Janeiro e em tantas outras cidades brasileiras, a dúvida é saber quem serão as próximas vítimas.

Lições de imprudência e despreparo


Maysa Cordeiro Macedo, de 18 anos, estudante, moradora de Ibicui, pequena cidade encravada entre o Sul e Sudoeste da Bahia, é mais uma vítima da violência.

Na madrugada do último sábado, Maysa levou um tiro de escopeta, quando viajava de carona numa moto.

Ao contrário do que é praxe nessa escalada de violência insana e sem limites, a jovem não foi morta durante uma tentativa de assalto, por um desses marginais para quem a vida não tem valor algum.

Maysa foi vítima de um misto de imprudência e despreparo, baleada mortalmente por um policial que, em tese, deveria justamente protege-la e proteger os demais cidadãos de bem.

Imprudência e despreparo, sim, posto que a morte de Maysa pode ser incluída no rol das evitáveis, não fosse a conjugação desses dois fatores.

O motorista da moto em que a jovem estava passou diante de uma blitz realizada pela polícia. Como estava sem habilitação e com os documentos do veículo em situação irregular, em vez de parar, decidiu seguir em frente.

Um dos policiais que atuavam na blitz, optou pela pior maneira de fazer o motoqueiro parar: atirou. Segundo ele, para acertar um dos pneus da moto.

Se acertou o pneu, isso é irrelevante, diante da tragédia que sucedeu.

Estilhaços do tiro de escopeta atingiram a estudante, que ainda foi socorrida com vida, mas faleceu antes de chegar ao Hospital de Base de Itabuna.

O policial agiu no melhor (ou pior) estilo “primeiro atira, depois pergunta”, praxe que há muito deveria ter sido extinta da cartilha de procedimentos, mas que infelizmente não chega a ser uma exceção durante as abordagens.

Óbvio que vai se alegar que ocorreu uma lamentável fatalidade.

Óbvio também que o policial não teve a mais remota intenção de atingir Maysa.

Mas, ao agir com a imprudência com que agiu, amplificou as chances de que isso viesse a ocorrer, como de fato ocorreu.

Um pouco mais de cuidado com a capacitação e com o tipo de policial que se coloca nas ruas certamente irá contribuir para evitar que uma simples blitz se transforme numa tragédia pessoal e familiar.

Para Maysa, que pegou uma carona sem volta, será tarde demais.

SANGUELATE

“Coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim, um ovo, dois ovos, três ovos assim?”.

Esqueçam a ingenuidade das canções de Páscoa.

A Semana Santa em Itabuna teve cinco assassinatos, quatro deles envolvendo jovens entre 18 e 24 anos de idade.

Em vez de chocolate, sangue.

Em vez de ressurreição, morte mesmo.

E o coelhinho da Páscoa que trate de correr, antes que sobre pra ele também.

Um tiro, dois tiros, três tiros assim…

O mundo vai ter que esperar


Acabo de receber das mãos de Agenor Gasparetto e Marcel Santos, da Via Litterarum, o primeiro exemplar do meu livro, Vassoura, uma série de contos que tem como pano de fundo essa tragédia de proporções bíblicas que foi a vassoura-de-bruxa e seu impacto na vida das pessoas.

Obra de ficção, num livro muito legal e –acredito- de leitura agradável, com finais que sempre surpreendem.

O lançamento estava previsto para a próxima semana, mas uma violenta crise de asma deste blogueiro vai fazer com que o mundo tenha que esperar mais um pouco.

Não sendo eu carismático, me tornei um cara asmático.

A piada é boa, mas pra quem passa por isso, não tem graça nenhuma.





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