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pac do cacau e dívidas

Dirigentes da Secretaria de Agricultura da Bahia, Ceplac, Desenbahia, Banco do Brasil e Banco do Nordeste se reuniram hoje (18) para definir normas da renegociação das dívidas dos produtores de cacau junto à instituições financeiras. A renegociação das dívidas, que envolve cerca de 8 mil contratos de financiamento, faz parte do PAC do Cacau.
“A partir dessa renegociação será possível iniciar a liberação de novos créditos, fundamentais para a retomada da produção de cacau e a implantação de projetos de diversificação e a agroindústria”, afirmou o diretor geral da Seagri, Itazil Benício dos Santos, que participou da reunião, realizada na sede regional da Ceplac.

Em tempo: a questão do valor do desconto sobre o total da dívida ainda vai render. A chiadeira

entre os grandes produtores, que terão descontos menores, é grande.

Eles são minoria, mas fazem um barulho danado.

Farinha e Pirão

“Farinha pouca, meu pirão primeiro”, diz o adágio popular, verdadeira elegia ao individualismo, ao ´cada um por si´.
Pois na zona rural de Buerarema, agricultores familiares stão subvertendo o ditado e mostrando que, unidos, podem gerar emprego e renda.
A recém-inaugurada Fábrica de Farinha reúne trinta cooperados e vai produzir 30 toneladas/mês, com renda de um salário mínimo mensal para cada um.
A renda pode aumentar, com a certificação do produto, já que a farinha de Buerarema é considerada uma das melhores do Brasil.
Farinha pouca pode virar farinha muita.
E o pirão pode dar pra todo mundo.

Quando a saúde vira caso de polícia

Desesperado porque não conseguia atendimento para seu filho numa unidade de saúde pública, o pai deixou o garoto com um vigia do posto e se dirigiu a uma delegacia de polícia, onde registrou queixa por negligência e omissão de socorro.
A medida, extrema e inusitada, garantiu o atendimento ao menor.
O fato aconteceu em Salvador, mas poderia perfeitamente ter acontecido em Itabuna, onde a despeito de gastos astronômicos com propaganda, a saúde pública vive uma situação caótica, que por desnecessário, há muito deixou de receber o apodo “está na UTI”.
Melhor dizer que está em fase terminal, moribunda, menos pela falta de recursos, já que o setor recebe cerca de 130 milhões de reais por ano de repasses federais e estaduais, e mais por absoluta incapacidade de gestão, para dizer o mínimo.
O Hospital de Base, que por uma imensa ironia é a principal obra e ao mesmo tempo o principal fracasso administrativo das quatro gestões do atual prefeito, é um exemplo pronto e acabado dessa situação que penaliza, principalmente, a população mais carente, que não tem acesso a um plano de saúde.
No HdB, falta tudo, de remédios básicos a médicos. Chegou-se a um ponto em que familiares dos pacientes são obrigados a levar lençóis, toalhas e alimentação. Estagiários de Medicina e Enfermagem se dizem abismados com a falta de estrutura e não raro observam que, antes de receitar um remédio aos internados, médicos procuram saber o que está disponível no estoque.
Uma enfermeira está sendo processada porque, no afã de ajudar um paciente manipulou um remédio e o doente veio a falecer. Como se a culpa fosse dela e não de quem dirige (?) o hospital. O Pronto Socorro tornou-se um “teatro de horrores”, com pacientes deitados no chão e uma espera interminável pelo atendimento.
A situação não é diferente nas unidades de saúde, onde também faltam remédios e médicos. O nome pomposo, Unidade de Saúde da Família, é quase uma afronta às pessoas que procuram atendimento e não conseguem receber nem medicamentos básicos.
Centros de referência como o Creadh, o Cepron e o Brasil Sorridente minguaram e a Farmácia Popular só não foi pelo mesmo caminho porque, providencialmente, o Governo Federal manteve o controle de gestão através de um convênio com a Fundação Oswaldo Cruz.
Há exatos quatro anos, a saúde pública foi a pedra de toque da campanha eleitoral em Itabuna, quando no afã de obter votos, prometeu-se o impossível, como o inacreditável atendimento no Hospital de Base em quatro minutos, promessa devidamente registrada para a posteridade.
Descartado o impossível, por impossível que é, deixou-se de fazer ao menos o possível, gerando o caos que está aí.
Saúde pública, que isso fique bem claro (porque uma nova campanha se inicia) não é moeda eleitoreira, é um direito do cidadão.
Quando se torna caso de polícia, o jeito é recorrer ao delegado.
Se o exemplo de Salvador for seguido, haja polícia para tanta demanda.

Uma imprensa democrática?

Uma rádio comunitária recebe a ameaça de fechamento por veicular notícias que contrariam os interesses de um deputado. Em meio a discussões sobre a liberdade de imprensa e acesso à informação, o assunto é colocado em votação. A sociedade, ciente de que a comunicação ocupa o cerne dos conflitos entre os interesses dos poderes dominantes e das comunidades, decide pela permanência da rádio no ar. Essa foi a história contada na segunda plenária da 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia, aberta na manhã de domingo (8) na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).
O drama da rádio em questão foi encenado pelo grupo teatral 1º de Maio, de Salvador, que abordou de forma divertida a necessidade de reformulação das políticas públicas de comunicação. A peça mostrou ainda que a comunicação deve ser vista como um direito do cidadão, e não como um objeto de manipulação de poucos que querem controlar o que deve ou não ser divulgado. “Comunicação é um tema público, e não privado. Diz respeito à identidade de um povo, logo tem que estar aberta à discussão para toda a sociedade. E esse é justamente o objetivo da conferência: tratar a comunicação como política pública”, destacou o Assessor Geral de comunicação do estado, Robinson Almeida.
O secretário de Agricultura, Geraldo Simões, lembrou a experiência das cinco rádios educativas, instaladas em escolas da rede municipal de ensino, durante sua gestão como prefeito. “As rádios ofereciam entretenimento e orientação a população sobre noções de saúde, além de incentivar a presença dos alunos em sala de aula através da mobilização da família”, disse Simões, destacando que “a democratização dos meios de comunicação e a transparência nas relações com a sociedade contribuem para a implantação de um modelo de gestão participativo”.
PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES
Outros temas pertinentes, como a diferença entre a opinião publicada e a opinião pública, além de mitos como a célebre frase de que “uma mentira contada dez vezes torna-se verdade”, foram discutidos pelas cerca de 245 pessoas que se inscreveram para a plenária em Ilhéus, entre profissionais da área, estudantes e representantes de segmentos da sociedade civil. A Bahia é o primeiro estado do país a realizar uma conferência com esse tema.
Os alunos de comunicação da Uesc (habilitação para Rádio e Tevê) tiveram participação expressiva, como o jovem Tássio Brito, também coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade. “A comunicação não pode ser algo que fique nas mãos de pequenas minorias. Deve haver democratização do acesso e da disponibilidade do conteúdo, cujo conhecimento é direito de todos”, falou ele. Sua colega Égila da Silva Passos concorda com ele e espera que as discussões promovidas no evento sejam colocadas em prática. “Uma comunicação eficiente depende da atitude
de todos nós.

Na mesa de abertura da conferência, os discursos de representantes da sociedade deixaram claro que a população deve entender que o governo e a imprensa privada, quando prestam informações, não estão fazendo um favor, e sim atendendo a um direito que o cidadão tem de receber essas informações. E o público também deve ter em mente que comunicação não significa apenas acessar orkut e MSN, muito menos digerir sem senso crítico o que é veiculado no telejornal de maior audiência ou no periódico de maior circulação.
“Hoje, a comunicação ultrapassou os limites da profissionalização, pois todo mundo comunica e produz informação, principalmente com o advento das novas mídias. A comunicação é inerente ao ser humano e é muito importante que esta discussão passe por todos os segmentos da sociedade”, afirmou Rosely Arantes, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT-BA) no evento. Após a abertura no auditório, os participantes da plenária passaram discutiram os quatro eixos temáticos colocados em pauta: cidadania e novas tecnologias de informação; políticas públicas de comunicação; comunicação e educação e comunicação e desenvolvimento territorial.

Cachimbo da Paz

Como bom articulador que é, está mais do que na hora do governador Jaques Wagner colocar ordem na tribo petista.
As disputas internas, a guerra de egos e a troca de sopapos na disputa por espaços políticos podem comprometer um governo que tem tudo para dar certo e que não deve ser abatido pelo chamado “fogo amigo”.
Amigo?

A vida como ela é

No livro “Stalin”, uma alentada biografia de dois volumes sobre o ditador russo Josef Stalin, o escritor Dmitri Volkogonov mostra como, a despeito de viver sob um regime sanguinário que torturava e matava inimigos reais e imaginários e impunha privações terríveis, o povo não reagia e, ao contrário, achava que a vida estava melhor.
Sufocados pelo terror e manipulados por uma irresistível máquina de propaganda, os russos, num misto de medo e ilusão, demoraram décadas para descobrir o tirano que se escondia por trás da máscara do “ Líder Genial dos Povos”, entre outros epitetos que elevaram o culto à personalidade a níveis insuperáveis.
Até hoje, com o regime comunista reduzido a pó, ainda há os que sentem saudades dos ´bons tempos` do camarada Stalin.
Guardadas as devidas e necessárias proporções, é mais ou menos o que está ocorrendo na Bahia.
Durante duas décadas, o Estado viveu sob o comando de um grupo político, o carlismo, que combinou perseguição aos adversários, concessão de beneficios a uma pequena casta e propaganda maciça aliada ao controle total dos veículos de comunicação, o que significava a glorificação do grande líder e a exaltação de sua obra, transformando a Bahia numa pretensa ilha de prosperidade e bem estar social.
Na prática, ocorria justamente o contrário. O estado ostentava índices de saúde, educação, desemprego, violência e exclusão similares a de miseráveis países africanos. Os eventuais avanços econômicos -e seria injusto negá-los- se limitavam à Região Metropolitana e a um ou outro polo isolado.
O povo ficava com as migalhas mas ainda assim tendia a achar que a vida era boa.
Em 2006, na esteira da popularidade do presidente Lula, respaldada por uma representativa e até então inédita união de partidos progressistas, Jaques Wagner elegeu-se governador da Bahia já no primeiro turno, impondo ao carlismo a maior de todas as suas derrotas
Não houve apenas uma mudança de governo, mas de paradigma.
A transparência, até então inexistente, passou a ser realidade e a sociedade organizada passou a ter voz e vez na definição de políticas públicas, através da realização de fóruns regionais com expressiva participação popular.
A centralização, que tantos males causou ao Interior, está sendo substituída pela criação de pólos regionais de desenvolvimento, aproveitando-se as potencialidades de cada região.
No Sul da Bahia, por exemplo, o PAC do Cacau, que terá recursos de R$ 2,5 bilhões, além de equacionar as dívidas dos produtores rurais e possibilitar a obtenção de novos créditos, vai investir na retomada da produção de cacau de alto rendimento e resistente a doenças, em programas de diversificação como seringueira, pupunha, dendê, etc; e na agroindústria, fazendo com que a região deixe de ser apenas produtora de matéria prima.
Além disso, estão sendo implantadas obras importantes como o Porto Sul e o Gasoduto da Petrobrás, que darão um novo impulso à economia regional, após décadas de abandono.
A parceria Governo Federal/Governo da Bahia deixou de ser apenas retórica e aí está o Plano de Aceleração do Crescimento, com ações em todo o Estado.
Fiel a seu estilo, Wagner não é de prometer o que não pode cumprir nem vender o que não pode entregar. Não é dado -e isso é uma outra marca saudável de seu governo- a pirotecnias que a curto prazo podem até render dividendos eleitorais, mas que não passam de embuste.
Os avanços de sua administração são visíveis e expressivos, ainda que não haja mágica que conserte em pouco mais de um ano, distorções sedimentadas em duas décadas. É um longo caminho, que está sendo percorrido a passos seguros e decididos.
Os arautos do caos, curiosamente os mesmos que funcionaram como operadores de um sistema perverso e excludente, estão com as garras afiadas, aproveitando-se das armas disponíveis para tentar desqualificar Wagner e seu governo.
Faz parte do jogo, admita-se, e o papel da oposição é esse mesmo.
Mas a História, e outra vez recorramos à Stalin, mostra que por linhas tortas ou retas, a verdade sempre aparece, assim como os pés de barro de deuses que se julgavam eternos e dos seguidores que tentam perpetuar seus métodos de ação.

Um Lula, vários Lulas (*)

Num dia qualquer do ano de 1952 um menino chamado Luiz Inácio da Silva saiu do sertão de Pernambuco em companhia da mãe e dos irmãos. Subiu num pau de arara para tentar a vida no Eldorado Paulista. Na `sunpólo´ de milhões de nordestinos.
Luiz Inácio estudou a duras penas, fez um curso no Senai, virou líder metalúrgico, fundou um partido de trabalhadores e…
Bem, essa é a história do Lula que todo mundo já sabe.
O que vai se contar aqui é a história do Luiz Inácio da Silva, também apelidado de Lula, filho de dona Maria de Jesus e de seu Dionísio Inácio da Silva. Nascido em 30 de março de 1964. Bem no dia em que eclodiu o golpe militar. Aquele que mergulhou o país nas trevas, matou, prendeu, censurou.
E que, por linhas tortas, deu origem ao gene do Lula famoso, que se notabilzou por combater a ditadura e abrir caminho para a volta da democracia.
O Lula de dona Maria e seu Dionísio nasceu em Ipirá, no sertão baiano. Só estudou até o segundo ano primário. Desde cedo, começou a trabalhar na roça, a conviver com o drama da seca, embora por ironia more num povoado chamado Caixa Dágua. “Moço, sabe o que é ficar um ano sem ver chuva?. A gente planta o milho, o feijão. Aí vinha a seca e acabava com tudo”.
Luiz Inácio da Silva casou-se com Miranice, também da Silva, e teve quatro filhos, Jailton 14 anos, Juliana 12, Rodrigo 11 e Diego 6. “A gente vê os meninos crescerem na maior dificuldade, mas nunca perde a esperança de que eles vão ter um futuro melhor”.

Um futuro que parecia não vir nunca na Ipirá onde o Lula baiano nasceu e cresceu. “Esse ano a seca foi demais moço. Arrasou tudo. Eu tirava 15 reais por semana capinando roça, mas nem isso tava conseguindo. A fome batendo, a gente olha pra mulher e os filhos e dá um aperto no coração”.
Caminhando em busca de trabalho, o sol a pino ardendo na cabeça, Luiz Inácio da Silva decidiu vir para Itabuna. Sem ter a mais vaga idéia de como era a cidade, sem conhecer ninguém. “Ouvia falar do cacau, que aqui era um lugar muito rico, com dinheiro para todo mundo”.
Lula juntou o dinheirinho da viagem de ônibus. Antes reservou R$ 9,00 (nove reais!) e fez uma feirazinha para mulher e os filhos. “Lembro bem. Um quilo de açucar, um quilo de feijão, dois litros de farinha, um pacote de café, um pedacinho de jabá”.
Após nove horas de viagem, desembarcou em Itabuna. Com uma esperança do tamanho do mundo e exatos R$ 2,50 no bolso. “Achava que era chegar aqui e arrumar emprego, alugar uma casinha e trazer a mulher e os filhos pra morar comigo”.
Não se sabe o que acabou primeiro, o dinheiro ou a esperança. Na Itabuna real, não havia emprego nem dinheiro nascendo em árvores. Luiz Inácio descobriu isso desde que deixou a rodoviária, percorreu a pé a avenida Inácio Tosta Filho e chegou à praça José Bastos. “Que cidade grande, muito verde, muita água. A gente até se assusta. Mas logo percebi que não conseguiria nada aqui”.
Foram nove dias sobrevivendo com a ajuda de pessoas que se emocionavam com seu infortúnio. Nove noites dormindo nos bancos na Estação Rodoviária. “Dormindo sentado, moço, que não deixam a gente se deitar”.
Na quinta-feira, 30 de outubro, naquele que seria seu derradeiro dia no inexistente Eldorado Grapiuna, Lula almoçou de verdade pela primeira vez. Depois, enrolou um pedaço de frango assado num papel alumínio e colocou no bolso.
A frase que segue aqui soaria num exagero, não fosse dita com a sinceridade típica do sertanejo. “Moço, isso é pra dividir com a mulher e os meninos”.

(Atenção Presidente Lula: o parágrafo acima não é uma invenção de jornalista para dramatizar o texto. É um cruel retrato de milhões de brasileiros, xarás seus ou não).

Por volta da meia noite do mesmo dia 30, com passagem fornecida pela prefeitura e uma pequena quantia em dinheiro obtida através de doações , Luiz Inácio embarcou de volta para seu povoado de Caixa Dágua, na distante Ipirá. “Lá eu passo necessidade, mas estou perto da família. Aqui eu iria virar um mendigo”.
Sobre o seu xará famoso, Luiz Inácio é só admiração, numa quase veneração ao retirante que foi mais longe, infinitamente mais longe, do que ele:
-Sempre votei no Lula. Ele perdia, mas eu acreditava que um dia ele iria ganhar para melhorar a vida da gente. E ele vai fazer isso, ajudar os pobres. Tem o Fome Zero, que eu ainda não recebo, mas com fé em Deus vou receber, pra colocar comida em casa.
Na improvável hipótese de encontrar o presidente, garante que não pediria nada:
-Pedir o que, moço! Eu ia era dar um abraço bem forte nele e dizer que dou valor pra gente teimosa, que não desanima. Que eu tenho orgulho de ser nordestino como ele.
O ônibus da Aguia Branca arranca na noite sem estrelas, rasgando a BR 101, deixando a imensidão de verde e de água e encarando a poeira do sertão seco e miserável.
Na poltrona 26, agarrado aos poucos pertences e ao seu pedacinho de frango frito, Luiz Inácio Silva, cidadão de Ipirá, dorme.
Talvez sonhe com um outro Luiz Inácio da Silva, cidadão do mundo. Aquele que pode lhe garantir um cartão do Fome Zero.
Ou, o que é mais provável, sonhe acordado com a hora em que irá abraçar a mulher e os filhos.
Na imensidão do nada em que o sol transforma seu povoado e sua vida, Lula vai se lembrar de Itabuna como uma espécie de Terra Prometida às avessas. Ou de uma promessa apenas adiada. “Um dia talvez eu volte e volte pra ficar. Pode escrever aí, moço, que eu não sou homem de me entregar fácil”.

(Atenção, de novo, presidente Lula. Esse Luiz Inácio aí poderia ser você. Ou melhor, pela ordem natural das coisas, você poderia ser esse Luiz Inácio. Quis o destino que você fosse o escolhido. Para mudar o destino de Luiz Inácio, sua mulher, seus quatro filhos e dessa gente que apesar de tudo não perde a capacidade de sorrir.)
O sorriso do nosso Lula do povoado de Caixa Dágua certamente é a mais perfeita tradução da palavra esperança.

——–
Texto publicado no Diario do Sul- novembro/2004

Pecados da Carne

Em Teixeira de Freitas existiam duas churrascarias de nome exótico, “Gato que Ri” e “Onça que Chora”, disputando palmo a palmo (ou melhor, espeto a espeto) a preferência dos consumidores.
Cada uma se esforçava para oferecer maior quantidade e variedade de carnes na tentativa de levar vantagem sobre a outra.
Resultado: o gato deixou de rir, a onça deixou de chorar. Ambas faliram.
Moral da história: e desde quando toda história precisa ter moral?
Eu apenas quis contar um caso engraçado que ouvi numa churrascaria. E onde mais poderia ser?

Do outro lado do rio

O Rio Pardo é o limite para a entrada do eucalipto na região Sul da Bahia.
Caso a árvore, que já domina intermináveis extensões de terra no Extremo Sul, chegue ao outro lado do rio, a lavoura cacaueira -e por tabela o que resta da Mata Atlântica- correm o risco de (literalmente) virar papel.

Oi, seja vivo, claro!

Há pelo menos uma semana venho recebendo ligações diárias de uma operadora de telefonia celular.
Moças com um inconfundível sotaque paulista e cheias de mesuras tentam me convencer a fazer um novo plano, trocando sistema pré-pago por uma das inúmeras opções de pós-pago.
É claro (aqui vai o primeiro de uma série de trocadilhos) que as ofertas são tentadoras. Minutos grátis, tarifas reduzidas, uma infinidade de torpedos liberados, bônus para cada ligação…
Se o sujeito não ficar vivo (lá vai o segundo trocadilho) acaba aceitando um dos planos sugeridos quase por impulso, dada a gentileza das atendentes. Você está falando com um ser humano, alguém de carne e osso e não com uma gravação; e invariavelmente acaba se rendendo.
Passa seus dados, faz o plano que a moça lhe convence ser o mais apropriado e pronto!
Pronto mesmo, porque a partir daí, negócio consolidado, bom dia senhor, boa tarde senhor, boa noite senhor (maldita mania que paulista tem de chamar todo mundo de senhor!), obrigado, passar bem, desliga.
E aí do pobre coitado que depois descobre que não era bem assim, que por trás daquela proposta maravilhosa existiam algumas condições, não suficientemente explicadas pelas operadoras, que tornam o plano desvantajoso e, em alguns casos, desastroso.
Porque, nesse caso, saem as atendentes solícitas, com suas vozes de sereia, e entram as inefáveis gravações, numa espera capaz de testar a paciência de monge budista. Ou de monge tibetano, categoria mais em moda graças ao jeito olimpicamente chinês de tratar quem ousa questionar o poder dos camaradas/capitalistas.
Você liga para o número indicado e começa a romaria. “Se o senhor quer saber o valor da conta, tecle 1”; “se o senhor quer reclamar de defeito na linha tecle 2”; “se o senhor quer mudar a data do pagamento da fatura, tecle 3”; “se seu aparelho está com ruído, tecle 4”; “se seu time está jogando mal, tecle 5”; “se você não agüenta mais sua mulher nem ela agüenta você, tecle 6”; “se você quer falar com uma de nossas atendentes… bem, nesse caso tecle qualquer tecla e espere sentado, porque em pé cansa”.
E cansa mesmo, enquanto você ouve aquela série de comerciais tentando convencer que sua operadora é a melhor da Via Láctea, quando você está ligando justamente porque ela não é.
Quando, finalmente, consegue falar com uma atendente de verdade, começa o empurra-empurra. “Vamos estar transferindo o senhor para o setor tal”, “aguarde que vamos estar colocando o senhor em contato com o departamento tal” e nada de resolver o problema, ainda mais quando o cliente (ou seria a vítima?) se mostra disposto a cancelar o plano.
Joga para um, passa para outro, argumenta daqui, questiona da lá. “Mas, senhor, outra promoção dessas nós não iremos fazer!”, “o senhor não gostaria de fazer, então outro plano?”, “o senão não quer refletir melhor e ligar outra hora?”.
A senhora não se incomodaria em ir pra PQP? Ops, a conversa está sendo gravada!
Meu último contato desse nível com uma operadora que ofereceu um plano super-econômico e no final das contas a fatura dobrou de valor em relação ao que eu pagava no plano anterior, durou exatos 47 minutos, ao final dos quais nada foi resolvido, porque ai entram as taxas de cancelamento, os prazos mínimos para manter o contrato, etc.,etc., etc., etc.
Em suma, cada vez que receber uma ligação prometendo o céu da telefonia, o jeito é desligar antes que a moça da voz macia e inebriante diga oi (pronto, aqui está o trocadilho final).
Porque numa situação dessas, não dá nem pra fazer um brinde.
E tim-tim, convenhamos, é um trocadilho mais infame -e despropositado- do que os demais.

EXCLUSIVO: FHC NO GOVERNO LULA

O presidente Lula estaria disposto a atrair o PSDB para a base aliada do governo. Para isso, teria oferecido um ministério aos tucanos.
Após intensos debates, lideranças do PSDB indicaram o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que já teria sido aprovado pela Casa Civil, para comandar o Ministério da Fazenda. Diante disso, a exoneração do ministro Guido Mantega seria questão de horas.
Os tucanos teriam feito ainda outra exigência: que o nome da atual moeda, o Real, fosse mudado para Surreal.

Agronegócio

Tem muito de plantação na série de notas dando conta de que Geraldo Simões está deixando a Secretaria de Agricultura.
Se a semente vai germinar ou não, isso depende de uma única pessoa: o governador Jaques Wagner, que afinal de contas, é quem nomeia e desnomeia.
O saldo dessa safra sai, no máximo, na próxima semana.
Mas pode sair antes.

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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