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O CIRCO DA NOTÍCIA

Embora não existam as chamadas provas irrefutáveis, parece não haver dúvidas de que Alexandre Nardoni e Ana Jatobá foram os responsáveis pela morte da menina Isabella, num crime que chocou o Brasil.

Isabella, aos 5 anos de idade, foi vítima de uma seqüência de monstruosidades, que incluíram espancamento, esganadura e jogada para a morte, atirada que foi da janela do sexto andar do apartamento onde passava os finais de semana com o pai e a madrasta.

Apesar das negativas do casal, que apontam a existência de uma terceira pessoa no local do crime, tese totalmente descartada pela perícia técnica, a polícia e a justiça concluíram que Alexandre Nardoni e Ana Jatobá foram, inquestionavelmente, os assassinos da pequena Isabela.

Num júri que catalisou as atenções do Brasil, os jurados concluíram pela culpa do casal. Alexandre foi condenado a 31 anos de prisão e Ana Jatobá a 26 anos.

Fez-se, enfim, Justiça!

O julgamento de Alexandre Nardoni e Ana Jatobá, entretanto, lança luz sobre outra questão: a espetacularização da tragédia e como pessoas simples se dignam -e até brigam- para fazer parte de um enredo com o qual não tem a mais remota ligação.

Gente que passa dias e dias à porta do Fórum, à espera de ser captado por uma câmera de televisão, um microfone ou uma máquina fotográfica.

Explora-se, à exaustão, a mãe, familiares e amigos, amplificando uma dor que, por si só, já é difícil de administrar. A patuléia quer lágrimas e a mídia, de olho na audiência, faz brotarem as lágrimas.

É preciso gente se indignando, socando os carros em que os réus eram transportados e isso uma câmera ligada ou um clique disparado produzem com a maior facilidade.

Arma-se, em torno do julgamento, um verdadeiro circo da notícia, que vai além do resultado final e permanece pelos dias seguintes, sugando-se todas as gotas do infortúnio que ceifou a vida da pequena Isabella e perpassou uma cicatriz no coração e na alma de sua mãe.

Dos programas matutinos e vespertinos de variedades e banalidades aos respeitáveis (?) telejornais noturnos, passando pelos programas policiais, dos jornais populares a publicações sérias (?), das rádios aos sites, todos querem um naco da tragédia, ainda que à custa do mais deslavado sensacionalismo.

Encerrado o júri, que Isabella descanse em paz, que sua mãe encontre na justiça feita o conforto para uma perda irreparável e que Alexandre Nardoni e Ana Jatobá paguem pela barbaridade que perpetraram.

Quanto ao Circo da Notícia, a lona foi temporariamente desmontada, à espera do próximo crime bombástico, ou do próximo espetáculo, o que infelizmente dá no mesmo.

De volta para o futuro


Em alguns momentos ao longo do século passado, com o cacau gerando riquezas que ultrapassavam a barreira do bilhão de reais em safras maravilhosas, teve-se a nítida impressão de que o Sul da Bahia havia encontrado o seu destino glorioso, o seu futuro promissor.

Crises cíclicas, visão equivocada de que aquela riqueza duraria para sempre e uma doença devastadora que atende pelo nome quase obsceno de vassoura-de-bruxa, entre outros fatores, fizeram com que esse futuro nunca chegasse.

Ao contrário, nas últimas duas décadas, o Sul da Bahia mergulhou num abismo que parecia não ter fim, com uma queda de cerca de 90% na produção de cacau.

Emblematicamente, chegou-se ao ponto em que, de exportadora, a região passou de importadora de cacau.

A esse período critico, somou-se o descaso das autoridades e o esfacelamento das instituições que deveria estar apta para, ao menos, minimizar os impactos dessa crise, como a Ceplac.

Produziu-se, então, uma tragédia de proporções bíblicas, que só não teve conseqüências ainda mais graves (como se isso fosse possível), graças ao espírito empreendedor de alguns empresários e produtores, que não esmoreceram e mantiveram a esperança, a custa de trabalho e abnegação.

Eis que, mesmo sem a recuperação de seu principal produto, que jamais poderá ser o único, o Sul da Bahia passa a contar com expectativas concretas de, enfim, abrir as portas para o futuro, com geração de emprego e renda, qualidade de vida e oportunidades para todos.

É nesse contexto que se encaixa a inauguração de uma base de distribuição do Gasoduto da Petrobrás e na seqüência a implantação da Ferrovia Oeste-Leste, do Porto Sul, do Aeroporto Internacional de Ilhéus e de uma Zona de Processamento de Exportações no Sul da Bahia.

O gasoduto, que começa a distribuir gás natural a partir de hoje, deverá atrair novos empreendimentos e permitir o tão sonhado processo de industrialização, que impacta toda uma rede de comércio, prestação de serviços, saúde, educação, lazer, etc. Um processo que a ferrovia, o porto e o aeroporto irão consolidar.

Trata-se de ações concretas e não daquelas promessas eleitoreiras das quais tanto nos acostumamos. E trata-se, também, de um novo momento, que não pode ser desprezados e cujas oportunidades devem ser aproveitadas.

Pode-se dizer, sem qualquer exagero, que hoje começa uma espécie de entrada naquele futuro que um dia pareceu tão próximo, depois ficou exageradamente distante e que, de novo, está ao alcance das mãos.

Agora é trabalhar, e muito, para transformar oportunidade em realidade.

Que não é apenas uma rima, mas também é uma solução.

Crônica de um rio que pede socorro


José Bastos não foi apenas um dos principais personagens da história centenária de Itabuna e nem é somente o nome de uma praça no centro da cidade.

Foi, também, um poeta talentoso, que ao lado de Telmo Padilha e Valdelice Pinheiro, rendeu em prosa e verso uma homenagem a um rio:

“Do Cachoeira escutando os bravios rumores/Como a Iara gentil destas águas profundas!/Oh! Como sou feliz e me sinto orgulhoso/ De um dia ter nascido em seu seio faustoso/Sob o esplendor de um céu de beleza tão rara”.
De José Bastos e, um pouco mais recentemente, de Telmo e Valdelice pode se dizer que, além da paixão desmesurada por Itabuna, viveram num tempo de bravios rumores, iaras gentis e águas profundas de um rio que transbordava vida, inspirava poetas, alimentava as pessoas com seus peixes fartos e garantia o sustento de lavadeiras e areeiros.

Um rio que, lá se vai um vai um século, testemunhou caudaloso e silente (aqui, justas referências a Telmo Padilha e Valdelice Pinheiro) o nascimento de uma cidade, Itabuna, como décadas antes testemunhara o surgimento de uma vida, Tabocas, brotada às suas margens generosas.

Não é de todo exagerado dizer que a Itabuna metrópole, cidade de braços abertos, espírito empreendedor pairando sobre ela e que a despeito de eventuais crises cíclicas não para de se desenvolver, é filha desse rio, que serpenteia entre matas, divide/une as duas partes da cidade e segue seu caminho ao encontro da imensidão do mar.

Filha ingrata, diga se de passagem!

Ao longo das últimas três décadas, com o acentuado e desordenado crescimento de Itabuna, o Rio Cachoeira vem passando por um processo de deterioração que praticamente o transformou num imenso e fétido canal de esgotos. No trecho urbano de Itabuna, as matas deram lugar ao lixo.

Esse misto da falta de responsabilidade dos órgãos públicos e da falta de consciência da população transformou o antigo rio vivo, num rio quase morto, a implorar por um socorro que não vem.

Se nos tempos centenários a cidade precisou do rio para nascer, agora é o rio quem precisa da cidade para não morrer.

Enquanto ainda há tempo de evitar que ele morra…

Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Água, esse bem precioso para a vida, é preciso que se olhe para o Rio Cachoeira, patrimônio que a centenária Itabuna insiste em maltratar.

Não com o olhar de piedade ou de indiferença, mas com o olhar, e principalmente com o compromisso, de quem sabe que é preciso agir agora para salvar o Rio Cachoeira.

O nosso rio.

Bola Murcha, Boa Cheia


Dois jogos, um empate suado em casa contra o Madre de Deus, que ainda perdeu um pênalti, e uma sapecada de 4×1 do Ipitanga no campo do adversário. Apenas um pontinho ganho e a lanterna do chamado “Quadrangular da Morte”.

Assim, o Itabuna caminha célere para o cemitério da Segunda Divisão do Campeonato Baiano em 2011.

A matemática ainda aponta o caminho da salvação: três vitórias e um empate nos quatro jogos que restam podem garantir o Dragão Sem Fogo na Primeira Divisão.

Mas, pelo futebol que o time (não) vem jogando, essa possibilidade começa a entrar para a categoria milagre, ir para a conta do imponderável que costuma ocorrer de vez em quando nesse esporte que fascina justamente por desafiar a lógica.

Convenhamos: o Itabuna está fazendo um esforço sobre-humano para cair, mesmo disputando esse quadrangular macabro com sumidades como Ipitanga, Madre de Deus e Colo Colo.

O time ilheense, com uma vitória e uma derrota, pelo menos respira, enquanto o “ex-quadrão” itabunense dá seus últimos suspiros.

Para ampliar o sofrimento dos torcedores de Itabuna e Ilhéus, as duas equipes se enfrentam nesta semana, em dois jogos que podem significar a queda de um e a salvação de outro.

Ou a desgraça de ambos, em caso de dois empates, a depender dos resultados das partidas entre Ipitanga e Madre de Deus.

O fato é que ao Itabuna só resta acreditar que, embora raros, milagres existem.

E. se não for pedir demais, jogar um pouquinho de futebol que seja, para facilitar um pouco a tarefa do santo milagreiro escalado para a missão quase impossível.

BOLA CHEIA

Da bola murcha para a bola cheia: nesse pântano que é o futebol brasileiro, salvo apenas por alguns lampejos do jovem e ainda não devidamente testado time do Santos, é um bálsamo poder assistir, pela ESPN, os jogos do Barcelona da Espanha.

O time espanhol resgatou o futebol-arte e transforma seus jogos em espetáculos capitaneados pelo argentino Lionel Messi, um talento à altura de seu compatriota Diego Maradona e de gênios brasileiros como Zico, Falcão e Rivelino.

O Barcelona de hoje é o time que mais se aproxima daquele memorável Santos dos anos 60, que encantou o mundo com Pelé, Pepe, Coutinho e Cia.

Tá bom, Messi não é nem nunca será um Pelé.

Mas Pelé não conta, posta que veio de outra galáxia.

SOB NOVA DIREÇÃO


De forma discreta, a Unime Itabuna, que já foi FacSul e acabou adquirida pelo Grupo Iuni Educacional está mudando de mãos mais uma vez.

Quem assume o controle da faculdade itabunense é o Grupo Pitágoras, que está absorvendo todas as unidades do Iuni no Brasil.

O negócio vinha sendo gestado há pelo menos três meses e se consumou em março, embora ainda necessite de confirmação oficial.

Foi num carnaval que passou


No dia 26 de março, Lula vem a Itabuna inaugurar o gasoduto da Petrobrás e a base de distribuição de distribuição da Bahigás.

Há exatos oito anos, Lula desembarcou na cidade, a convite do amigo Geraldo Simões, para curtir o carnaval antecipado.

Vinha de três derrotas seguidas na disputa para a presidência da república e iria tentar pela quarta vez. Tentou, ganhou, ganhou de novo e se transformou no presidente mais popular na história do Brasil.

Naquele carnaval que passou, quando tudo ainda era esperança, um Lula brincalhão e acessível a todos tomou suas cachacinhas e fumou bons charutos cubanos, dos quais boas e generosas doses e alguns puros foram degustados na companhia deste blogueiro.

A foto, que guardo com carinho nos meus alfarrábios, foi tirada no camarote da prefeitura, momentos antes de uma coletiva à imprensa.

Na conversa eu pedia (ou implorava) para compartilhar o estoque especial de habanos que Lula recebia diretamente de Fidel.

Sem a colaboração de Lula, tive que continuar utilizando expedientes que, nessa Cuba de Fidelito e Rauzito, me tornariam sério candidato ao paredón.

LULA EM ITABUNA E ILHÉUS DIA 26

Está confirmada a visita do presidente Lula a Itabuna e Ilhéus, no próximo dia 26 de março, sexta-feira. Acompanhado da ministra Dilma Roussef e do governador Jaques Wagner, Lula chega a Itabuna às 11 horas, para o início das operações do Gasoduto Sudeste/Nordeste – GASENE, com a instalação de uma base de distribuição de gás natural.

Às 15 horas, Lula, Dilma e Wagber estarão em Ilhéus, onde participam da Crimônia de Abertura do Edital para Licitação da Ferrovia Leste/Oeste e da assinatura de contratos do Programa Minha Casa Minha Vida

Segura o andor, que o santo é de barro


Deve ser disputadíssimo o andor de São José, na procissão de amanhã em homenagem ao Padroeiro de Itabuna.

Em ano eleitoral, choverão candidatos a deputado federal e estadual, um olho no santo e outro no eleitor.

Só se espera que passada a procissão e chegada a eleição, o devoto só dê voto para quem merece.

Epa, esse trocadilho vai para a categoria dos mais infames do ano…

Messilona


Que Robinho e Neymar que nada!

Se tem um time que faz lembrar aquele fantástico Santos dos anos 60, esse time é o Barcelona de Messi, Iniesta, Xabi Alonso, Daniel Alves e Cia.

Tudo bem que Messi não é nenhum Pelé, mas Pelé não conta, porque veio de outra galáxia.

Esse Barcelona nos faz lembrar os tempos em que futebol era arte e não força física.

Um timaço!

O vôo


Em 2004, quando um helicóptero da Petrobrás sobrevoou Itabuna, levando a bordo técnicos e diretores da empresa, prospectando um local ideal para a implantação do citygate do Gasoduto de Integração, a reação de parte da população foi da ironia ao descrédito total.

A implantação do citygate, base de distribuição do gás natural que trafega pelo gasoduto, foi uma reivindicação do então prefeito de Itabuna, Geraldo Simões, ao presidente Lula.

No calor de uma disputa eleitoral acirrada e num período em que a crise provocada pela vassoura-de-bruxa minava a auto-estima da cidade, o projeto foi encarado por muitos como mera jogada de marketing para angariar votos.

Uma coisa que não iria sair no papel. Ou, a despeito do helicóptero, não iria cair do céu.

Seis anos depois, o gasoduto pode não ter caído do céu, visto que foi implantado sob a terra e é fruto de muito trabalho, mas aquilo que parecia uma promessa inconsistente não apenas está prestes a se tornar realidade; como também pode servir de ponto de partida para a transformação da economia regional.

Na próxima semana, quando entrar em operação a partir de um contrato entre a Petrobras e a Bahiagás, a base de distribuição de gás natural do gasoduto vai, literalmente, abrir a torneira para uma série de oportunidades de negócios.

O gás natural, uma fonte energética mais limpa e mais barata, vai possibilitar a atração de novas empresas, fazendo com que o processo de industrialização, ainda incipiente, seja acelerado. Além disso, a utilização de gás natural pelo comércio, prestadores de serviços e frota de veículos, certamente dará um novo impulso a esses segmentos.

Isso sem contar a utilização domiciliar do gás natural, a partir de uma rede de dutos que será implantada pela Bahiagás. A partir da Central de Distribuição, os dutos se estenderão por Itabuna e chegarão a Ilhéus, Itapetinga, Vitória da Conquista e quase uma centena de municípios das regiões Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia, num processo de integração e desenvolvimento conjunto.

E aqui já não está mais se tratando de conjecturas ou suposições e sim de algo plenamente viável, que obviamente não irá se tornar concretizar num passe de mágica, mas demanda trabalho, espírito empreendedor, capacitação profissional, senso de oportunidade e visão de futuro.

Uma oportunidade histórica dessas é para ser aproveitada, priorizando o desenvolvimento sustentável e a divisão justa das riquezas geradas por esse novo ciclo de desenvolvimento que surge no horizonte.

Que, impulsionado pelo gás natural, esse processo seja sólido e duradouro, numa região extremamente penalizada por uma crise que já dura duas décadas e que merece trilhar um novo caminho.

Lula nas alturas


Pesquisa CNI/Ibope, divulgada hoje mostra que a avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu recorde em março, chegando a 75% de aprovação dos brasileiros, contra 72% em novembro de 2009.

A aprovação pessoal de presidente Lula se manteve em 83%.Na comparação entre o primeiro e o segundo mandatos do presidente, 49% consideram que o segundo é melhor que o anterior. Outros 40% consideram igual, e 9% dizem que o segundo é pior que o primeiro.

DILMA PEDE PASSAGEM


Na corrida pela sucessão presidencial, José Serra caiu de 38% para 35% e Dilma Roussef subiu de 17% em novembro para 30% em março.

Quando a pergunta é feita sem a apresentação dos nomes, a chamada consulta espontânea, Dilma tem 14% contra 10% de Serra.

Já tem analista político fazendo mágica para explicar que Serra caiu mas não caiu e Dilma subiu mas não subiu.

Foi bom, mas foi ruim

Quem assistiu ao Jornal Nacional da última quinta-feira deve ter ficado sem entender o contorcionismo para tentar transformar uma notícia evidentemente boa, a retração do PIB brasileiro em apenas 0,21% em 2009, ocorrido em meio a maior crise do capitalismo em quase um século, em algo não tão bom assim.

Em meio a números expressivos no último trimestre de 2009, com a recuperação da indústria e da agricultura e a expansão do comércio, serviços e construção civil, foi feita exposição de percentuais negativos propositadamente fora de contexto. A um economista respeitado que previu crescimento robusto em 2010, contrapôs-se o inevitável senador José Agripino Maia, do DEM, que obviamente viu o apocalipse na economia brasileira.

Diante de números que apontam que o Brasil sentiu menos os impactos da crise do que potências econômicas como os EUA, Alemanha, Itália, Japão e França, que tiveram quedas expressivas, o JN forçou uma comparação quase hilária com republiquetas como Panamá e Honduras, onde a produção de alguns cachos de bananas a mais já provoca a elevação do PIB.

O malabarismo no principal telejornal da principal emissora de televisão do País, que literalmente brigou com a notícia, está longe de ser algo isolado, um deslize de um editor desatento.

Passado o “foi bom, mas foi ruim” do PIB, o Jornal Nacional daquele dia mostrou primeiro as críticas a Lula por conta de sua posição passiva diante da existência de presos políticos em Cuba e depois, num tom mais acima, o novo escândalo gerado pela revista Veja e prontamente repercutido pela TV Globo e os jornais O Globo, Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, sobre o suposto desvio de recursos de uma cooperativa de crédito para campanhas eleitorais do PT.

Em meio às denuncias de desvio de recursos, noticiou-se que o presidente Lula comprou um triplex de cobertura à beira mar.

Epa, um ex-metalúrgico comprando triplex de cobertura na praia? Aí tem!

Aí tem e aí vai ter.

Os grandes veículos de comunicação vêm perdendo leitores e telespectadores, perdendo receita e influência sobre a chamada opinião pública.
A distribuição do bolo publicitário do Governo Federal, antes restrita às grandes corporações da mídia, possibilitou a expansão dos sites alternativos da internet e o fortalecimento dos jornais e emissoras de rádio das capitais fora do eixo Rio-São Paulo e das cidades do interior do país.

A mídia está menos hegemônica, menos concentrada. Não se transformam distorções em fatos consumados como ocorria uma década atrás.
Isso é bom para a democracia, mas péssimo para quem controlava a informações como um poder paralelo.

Vai daí que, diante daquilo que os barões da mídia passaram se tratar de ameaça concreta, a manutenção desse modelo por mais quatro anos, com a vitória de Dilma Roussef na eleição presidencial, eles resolveram, mandar às favas o prurido e ir ao ataque.

Alguém acredita que foi só coincidência o surgimento nova denuncia envolvendo o PT, num caso que vem sendo apurado há pelo menos dois anos pelo Ministério Público, ocorrer uma semana após uma pesquisa DataFolha apontar Dilma Roussef em situação de empate técnico com o tucano José Serra?

O que se tem visto são os primeiros foguetes de uma artilharia pesada, mas cuja capacidade de fazer efeito pode se equiparar a de um traque, a exemplo do que ocorreu na campanha presidencial de 2006, com o super dimensionamento de um dossiê idiota e fotos de uma montanha de dinheiro montadas para dar a impressão de que era uma cordilheira de dinheiro.

O problema de entrar dessa maneira numa ainda pré-campanha eleitoral para ajudar na vitória do candidato de sua preferência é perder não apenas a eleição, mas também a credibilidade.

Ou o que ainda resta dela.

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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