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SeleDunga


Durante uma entrevista coletiva à imprensa, o técnico Dunga, ao falar sobre a escalação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, disse que “essa é a minha Seleção, porque não é a da maioria de vocês”.

Por ´vocês` entenda-se os jornalistas brasileiros que estão na África do Sul para a cobertura da Copa.

Foi mais uma demonstração de mau-humor do treinador, cujo ressentimento parece não ter limites, como se todo mundo estivesse contra ele e, na copa, é ele contra todo mundo.

Dunga não perde a chance de atingir a imprensa com seus petardos, como se os jornalistas fossem obrigados a encarnar esse espírito patriótico que beira a imbecilidade, mas que o treinador tem como mantra sagrado.

Quase quarenta anos após o período mais sangrento da ditadura militar no Brasil, Dunga parece rever o slogan “ame-a ou deixe-a”, como se a seleção fosse a encarnação da Pátria Amada Brasil daquela época que não deixou saudades.

Não é por aí.

Por mais que a Seleção Brasileira não empolgue, ela não é apenas de Dunga.

Ela é também de milhões de brasileiros que, na Copa do Mundo, elevam às alturas a paixão pelo futebol, se vestem de verde e amarelo e torcem pela conquista de mais um título mundial.

Gente que, mesmo tendo que engolir um time apenas guerreiro (epa, olha o merchandising da Brahma, que prefiro receber em Bohemias!), ainda assim vive esse clima tão característico de Copa do Mundo, quando o pais para diante da televisão.

O que não quer dizer -e isso não entra na cabeça de Dunga- que jornalistas e torcedores não possam questionar a convocação (agora irreversível) e a escalação do time.

Em seu estilo militar, Dunga pode até transformar a concentração da seleção brasileira num quartel, mas não pode exigir unaminidade, nem uma imprensa que só elogia.

E não dá mesmo para haver unaminidade para um treinador que abriu mão de Paulo Henrique Ganso, Neymar, Ernanes e Ronaldinho Gaúcho para ficar com Josué, Felipe Melo, Kleberson e Grafite.

Repito o que tenho dito: o Brasil pode até ganhar a Copa e tenho a impressão de que vai ganhar.

Mas será na base da força física, da correria, da tradição e de alguns lampejos. Nada que encante o torcedor ou que, daqui a duas ou três décadas, seja lembra com saudade.

Enfim, está aí a SeleDunga!

Bom dia? “Sé se for para sua mãe”, diria o anão-treinador.

MULHER BOLA


O volante-brucutu da Seleção Brasileira, Felipe Mello, condenou a bola a ser usada na Copa do Mundo, a Jabulani, a uma patricinha, que não gosta de ser chutada. E que prefere bola tipo “mulher de malandro”, que gosta de apanhar.

A comparação é estapafúrdia, mas é bem a cara do time de Dunga.

A pobre da bola vai apanhar mais do que a mulher de malandro. E se bobear, até o malandro em questão entre na porrada.

Viajando com o perigo


No imaginário da juventude, o automóvel sempre esteve associado à liberdade e também a uma certa dose de rebeldia.

Ao completar 18 anos, quase todo jovem sonha em tirar a carteira de habilitação e passar a dirigir. O carro é quase como um rito de passagem da adolescência para uma nova etapa de vida.

Pena que, além da pretensa liberdade, o carro acabe associado a uma tragédia que não é exclusiva do Brasil, mas que aqui ganha proporções assustadoras: os acidentes de trânsito, com uma legião de mortos e feridos.
O Brasil tem cerca de 400 mil vítimas de acidentes de trânsito por ano, com quase 40 mil mortes. Nem países em permanente estado de guerra, como o Iraque e o Afeganistão, produzem números semelhantes.

Na Bahia, foram cerca de cinco mil acidentes nos últimos doze meses com um mais de 400 mortos. Esses números referem-se apenas às rodovias federais, não inclui as estradas estaduais e as vias urbanas, onde a situação não é diferente.

Onde é que o jovem entra nessa história de terror?

Entra como protagonista, ator principal.

Na Bahia, jovens entre 18 e 29 anos representam 25% do total das carteiras de habilitação, mas respondem 45% dos mortos e feridos em acidentes. É o maior percentual entre todas as faixas etárias.

O motorista brasileiro é um imprudente por excelência. Não respeita as leis de trânsito, abusa da velocidade e ainda não percebeu que bebida e direção, definitivamente, não combinam. Esses fatores são responsáveis por 95% dos acidentes nas estradas brasileiras. O péssimo estado de conservação das rodovias, apontado como vilão, responde por meros 5% das ocorrências.

A esses defeitos, o jovem acrescenta mais um: o excesso de confiança, típico da idade, em que o vigor físico atinge o auge e transgredir faz parte do estilo de vida. Uma regra que, na virada dos anos 60/70 do século passado, Caetano Veloso sintetizou no “É Proibido Proibir”. Como se tudo fosse possível e permitido.

É o excesso de confiança que leva às ultrapassagens que beiram a insanidade, ao “pé embaixo” no acelerador. O carro, que deveria ser um acessório importante de locomoção e, até mesmo, um símbolo de liberdade, acaba se transformando numa arma muitas vezes letal.

Todos os anos, milhares de jovens tem suas vidas ceifadas ou irremediavelmente comprometidas pelos acidentes. Pais, familiares e amigos choram a dor de perdas prematuras e inesperadas.

Apesar de números tão assustadores, o festival de imprudência continua e o número de mortos e feridos não para de aumentar, numa estatística macabra que desafia o bom senso.

A vida é bela demais para, em nome de uma rebeldia tola e inconseqüente, terminar na próxima curva, no próximo semáforo vermelho, na próxima ultrapassagem arriscada, no próximo “pega”…

Quem arrisca a vida dessa maneira só não é um completo otário porque é mais do que isso: um irresponsável completo que ainda expõe a vida de pessoas inocentes.

SÃO JOÃOMO TOTAL

Cada vez que me deparo com outdoors anunciando festas juninas promovidas pela prefeituras com atrações de primeiro time do forró (e preços estratosféricos) e depois vejo as lamentações de prefeitos alegando que não tem recursos para pagar funcionários e fornecedores e manter serviços essenciais, dá vontade de rir.

Só não é o caso de gargalhar porque algumas dessas festas deveriam ser patrocinados pelo Omo Total, aquele que lava o dinheiro, perdão, a roupa, mais branco.

Guerreiros Africanos


Depois de uma semana concentrados na Vila Militar, perdão, no campo de treinamento do Atlético Paranaense em Curitiba, e de uma rápida passagem por Brasília, onde fizeram cena e posaram para fotos ao lado do presidente Lula, os soldados do capitão Dunga desembarcaram na África do Sul, onde daqui a alguns dias começa a Copa do Mundo, maior evento esportivo do planeta.

A Seleção Brasileira, que não é necessariamente a seleção dos sonhos dos brasileiros, tentará nos gramados africanos o seu sexto título mundial, distanciando-se da Itália, detentora de quatro copas e da Alemanha, com três conquistas.

Uma seleção que não tem nada de sonho.

Foi construída a partir da visão da realidade e de futebol de Dunga, exatamente à imagem e semelhança do treinador.

Esqueçam o futebol arte. Isso é coisa de figurinha amarelada pelo tempo e imagens de televisão em preto e branco ou das transmissões de rádio.

Agora, é comprometimento, dedicação, suor, amor à pátria (isso num time de milionários da bola, a esmagadora maioria jogando no exterior), espírito guerreiro.

É assim que a seleção vai em busca do hexa.

Uma defesa forte, com um goleiro em grande fase, dois bons alas e três zagueiros arrasa-quarteirão.

No meio de campo, mais dois brutamontes para auxiliar a defesa e apenas um jogador extra-classe, Kaká, e ainda assim envolvido com uma série de contusões.

No ataque, o centroavante Luis Fabiano, sem a técnica do Ronaldo dos bons tempos, mas com faro de gol, tendo como companheiro solitário Robinho, que fracassou na Europa, recuperou parte de seu futebol no Santos e que fará um bem danado à seleção se atuar como atua nos comerciais de marcas de carro, aparelho de televisão, telefone celular e até de salsinha.

Se Dunga precisar do banco de reservas, que o deus dos estádios nos ilumine e proteja: Josué, Kléberson, Gilberto, Julio Baptista e Grafite são algumas das opções do treinador.

Mesmo com uma seleção meia boca, sem nenhum gênio indiscutível da bola, dá para ganhar a Copa?

Por incrível que pareça, a resposta é sim.

Não há, no futebol atual, nenhuma grande seleção, daquelas que se aposta sem risco de errar.

A Argentina tem Messi e uma penca de craques, a Holanda joga bonito e a Espanha finalmente montou um time competitivo, mas parecem tremer mesmo quando encaram um Brasil mambembão.

No mais, é preparo físico, velocidade e a tática do “defende como pode, ataca quando dá”.

É esperar a bola rodar para ver no que dá…

Chacina!!!


Hugo Soares da Silva, 45 anos; Lucas Santos Oliveira, 19 anos; Mateus Santos de Jesus, 18 anos; e Afonso Santos Pereira, de 16 anos.

Um barraco no paupérrimo bairro do Gogó da Ema, periferia de Itabuna, madrugada de domingo, 23 de março.

O silêncio da noite é interrompido por uma série interminável de tiros. Os vizinhos, acostumados à explosão de violência, não se atrevem a deixar suas casas para ver o que está acontecendo. Preferem proteger as próprias vidas.

E, providencialmente, não ver nada.

Quando o dia amanhece, Hugo, Lucas, Mateus e Afonso estão mortos.

Vítima de uma chacina comum no Rio de Janeiro, São Paulo e até mesmo Salvador, mas que quando chegam a uma cidade de porte médio como Itabuna sinalizam a que ponto chegou o nível de violência, com os assassinatos contados às centenas e os roubos, assaltos e agressões contados aos milhares.

O crime teria sido executado por sete homens, vestidos de preto e armados com pistolas e escopetas. A ação foi rápida e os assassinos não deram qualquer chance de defesa às vítimas.

Brutalidade em estado puro.

A polícia, que ainda não tem pistas dos autores da chacina, apurou que Hugo, Lucas, Mateus e Afonso tinham envolvimento com o tráfico e/ou consumo de drogas e que o barraco onde foram fuzilados era um conhecido ponto de venda de entorpecentes.

(Conhecido dos consumidores, bem entendido, porque para parte da polícia esses locais parecem ter o dom da invisibilidade).

O fato dos quatro estarem envolvidos com o submundo da marginalidade, entretanto, não muda o ponto principal da questão: a absurda explosão de violência que assola Itabuna.

Esse é o xis do problema (e que problema!): as chacinas são o ponto máximo, o clímax da violência. Quando ele começa a ocorrer, é sinal de que todos os limites já foram superados e a situação se tornou intolerável, insustentável.

Dizer que é preciso fazer alguma coisa é atirar a esmo, perdão, chover no molhado, de tanto que se tem dito, pedido, implorado, chamado a atenção para uma situação que não dá para ignorar nem postergada.

Definitivamente, chega!

VASSOURA NAS BANCAS

Aviso à minha meia duzia de quatro ou cinco leitores: o livro Vassoura já está à venda na banca de jornais ao lado da FTC em Itabuna, por módicos 15 reais.

Quem quiser receber em casa, no trabalho ou pelo correio, basta ligar pra (73) 9981 7482 ou (73) 3212 6034.

Comprem, comprem, comprem…

Céu estrelado, tucano ressabiado


A pesquisa DataFolha sobre a sucessão presidencial, publicada no final de semana, confirma aquilo que o Vox Populi e o Sensus já indicavam: Dilma Roussef e José Serra vão disputar uma eleição acirradíssima, sem qualquer favoritismo para um ou outro candidato.
De acordo com o DataFolha, Dilma Roussef teve um crescimento de sete pontos porcentuais e empatou com o pré-candidato do PSDB, José Serra, que caiu cinco pontos percentuais. O dois candidatos somam 37% cada. Dilma saiu de 30% para 37% e Serra saiu de 42% caindo para 37%, comparando-se com a ultima pesquisa do mesmo instituto.
Outro dado relevante é que na pesquisa espontânea, em que não são apresentados os nomes dos candidatos, Dilma lidera com 19%. Ela subiu seis pontos em relação a pesquisa anterior, apresentando uma diferença de cinco pontos porcentuais em relação a Serra que tem 14%.
Se nas pesquisas anteriores Dilma subia de forma lenta, mas consistente e Serra permanecia estagnado nos mesmos patamares, desta vez a pré-candidata do PT dá um salto significativo, ao passo que o pré-candidato tucano despenca na mesma proporção, tanto que num eventual segundo turno ambos também aparecem empatados tecnicamente, com Dilma um ponto à frente.
Pesquisa eleitoral é apenas o retrato de um momento e também o indicativo de uma tendência.
E o retrato do momento, a tendência é que Dilma Roussef pode sim passar José Serra e ganhar a eleição.
Estamos aqui falando de tendência e não de fato consumado, porque se assim fosse, bastava definir o vencedor através da pesquisa, dispensando-se a eleição.
Mas o fato inquestionável -e não adianta brigar com números- é que a candidata escolhida por Lula para sucedê-lo, tem todas as condições de se tornar a primeira mulher a assumir a presidência da república no Brasil.
E Lula, do alto dos 76% de aprovação popular, registrados pelo próprio DataFolha, é um “cabo eleitoral” de peso, capaz de definir a eleição em favor de Dilma Roussef, mesmo diante de um candidato com a experiência e a envergadura de José Serra.
A pesquisa DataFolha, que nada tem de definitiva, de qualquer maneira dá um novo impulso à candidatura de Dilma Roussef, especialmente no ânimo da militância petista e na composição das alianças com outros partidos, alguns deles fisiologistas até a alma, esperando para saber de que lado o vento bate para decidir em qual canoa vão embarcar.
E acende uma luz amarela na candidatura de José Serra, sepultando de vez a tese (se é que ela um dia existiu) do passeio eleitoral, para se configurar com uma batalha que só será decidida na reta final da campanha.

A pré-campanha dá uma pausa para a Copa do Mundo, quando as atenções se voltam para o desempenho do Brasil, mas quando a bola parar de rolar nos gramados da África do Sul, o jogo eleitoral vai esquentar de vez.
Com a estrela lutando para voar mais alto e o tucano brigando para não ser abatido em pleno vôo.

Soldadinhos de Chumbo


O estudante José Denisson da Silva Neto, de 17 anos, foi assassinado brutalmente na porta do Colégio Ciso, em Itabuna, na tarde de quinta-feira, dia 20.

Denisson estava na porta da escola, quando dois homens se aproximaram em uma moto, desceram e um deles deflagrou quatro tiros que o atingiram o estudante na perna direita, abdome, braço esquerdo e nas costas. O jovem, que cursava o primeiro ano do ensino médio, morreu na hora.

“Não, José Denisson não era apenas um estudante e sim um jovem envolvido com o tráfico de drogas, que morreu numa guerra pela disputa dos pontos de venda”, bradaram os simplistas, reverberando o noticiário policial, quase que com o alivio de que há um marginal a menos em circulação.

Mas, não é tão simples assim.

José Denisson era apenas um estudante, jovem da periferia paupérrima de Ilhéus que se mudou com a família para a periferia paupérrima de Itabuna.

O consumo de drogas foi o caminho natural de uma existência em meio a grandes dificuldades e nenhuma perspectiva de futuro.

Um perfil que se encaixa perfeitamente no padrão de crianças e adolescentes que são recrutados pelos traficantes.

De consumidor, ele passou a vendedor de drogas.

Um desses inúmeros soldadinhos do tráfico, que comercializam pequenas quantidades em portas de escolas e bares, ganhando um dinheirinho que mal dá pra sustentar o próprio vício.

E que de tão abundantes no, digamos, mercado, acabam se tornando absolutamente descartáveis, visto que não faltam peças de reposição.

José Denisson foi apenas mais peça descartada nessa engrenagem macabra, em que o tráfico encurta a vida de milhares de jovens e adolescentes.

No momento em que José Denisson deixou de ser apenas estudante para se tornar estudante e soldadinho do tráfico, selou o próprio destino.

Morreu como morrem tantos e tantos soldadinhos, tombados numa guerra que quase sempre só atinge a parte de baixo do submundo das drogas.

É lícito supor que se existissem políticas públicas de inclusão de jovens e adolescentes, José José Denisson não estaria na porta do colégio, onde encontrou a morte, mas na sala de aula, onde poderia encontrar um futuro melhor.

Inúteis perorações, verborragia pura, diante de um corpo estendido no chão, diante dos colegas de escola, testemunhas de uma lição de violência cotidiana que assusta, mas que não se faz absolutamente nada para evitar.

Não foram apenas quatro tiros que mataram José José Denisson.

Foi também uma arma letal que atende pelo nome de omissão.

Quando o interesse do patrão está acima do interesse popular




Na noite de quarta-feira, a Rede Globo exibiu mais uma reportagem contrária à implantação do Porto Sul em Ilhéus, desta vez repercutindo a entrega de um documento em que ambientalistas pediram à ministra do meio ambiente que a obra não seja realizada.

A exemplo do que ocorreu na cobertura de um abraço à Lagoa Encantada, convescote entre empresários hoteleiros, milionários, artistas e ambientalistas, que rendeu reportagens no Fantástico e no Bom Dia Brasil; a matéria sobre o encontro com a ministra usou a Lagoa como uma espécie de “isca”, já que o local não sofrerá qualquer impacto com a implantação do empreendimento.

Mas, entre mostrar a Ponta da Tulha, um vilarejo cheio de problemas e com elevado índice de desemprego, onde a base operacional do Porto Sul será implantada, e a paradisíaca Lagoa Encantada, optou-se pelo engodo, o que aliás tem sido praxe nessa questão do Porto Sul. Imagina-se o efeito que hipotética destruição daquela maravilha na natureza tem sobre as pessoas que assistem aos telejornais globais.

As reportagens veiculadas pela Rede Globo são o que, no jargão jornalístico, chama-se de IP, sigla para Interesse do Patrão.

Explica-se: por trás da aparente preocupação ambiental demonstrada pela Rede Globo, em matérias questionando a Ferrovia Oeste-Leste e Porto Sul, em Ilhéus, no Sul da Bahia, está o interesse particular de um dos proprietários das Organizações Globo, o empresário Roberto Irineu Marinho, que possui móveis na região. No caso de Roberto Irineu Marinho e de outro mega-empresários (alguns deles também mega-anunciantes na Rede Globo), que vez por outra desfrutam as belezas naturais do Sul da Bahia, mas desconhecem a realidade local, o único impacto será a visão dos navios que farão o transporte de minérios, no cais off shore, localizado a quatro quilômetros da praia.

Quando aos ambientalistas, existe sim muita gente bem intencionada, algumas delas com certa dose de ingenuidade, fácil de ser manipulada. Gente que está sim, preocupada com a conservação da natureza e que vê o porto como ameaça.

Mas existe também gente que faz da causa ambientalista um negócio altamente rentável, que se alia aos hoteleiros e donos de mansões em nome dos próprios interesses, pouco se importando com os impactos positivos que o Porto Sul terá numa economia combalida pela vassoura-de-bruxa.

Na mesma tarde em que a Rede Globo cobria o encontro de um empresário milionário e de um ambientalista com a ministra, centenas de representações empresarias, sindicais e de associações de moradores de Ilhéus se reuniam para se posicionar favoravelmente ao Porto Sul.

Nem um mísero repórter da emissora apareceu por lá.

Entre o interesse do patrão e o interesse popular, a Rede Globo nem titubeia em suas escolhas.

OBRIGADO, OBRIGADO, OBRIGADO…

Faltam palavras a este blogueiro, tão acostumado a lidar com elas, para exprimir a gratidão pela presença de tantos amigos no lançamento de meu livro “Vassoura”, modesta obra literária, mas que se torna gigantesca pelas pessoas que reuni no Centro Cultural Adonias Filho, em Itabuna.

Por ora, apenas meu muito obrigado a todos.











PRAÇA DE GUERRA


Poucos logradouros públicos têm um nome tão desenxabido como a Praça do Trabalho, no bairro Pontalzinho, em Itabuna.

Trabalho?

Com quase uma dezena de bares em seu entorno e nas ruas próximas, ponto de encontro de milhares de pessoas nos feriados e finais de semana, o nome que mais lhe convém é Praça do Lazer.

Versão grapiuna da famosa Passarela do Álcool em Porto Seguro, a Praça do Lazer, ou vá lá que seja, do Trabalho, faz jus à fama boêmia de uma cidade de vida noturna intensa e agitada, de gente empreendedora, mas que não abre mão de diversão.

Mas, nos últimos anos, o que deveria ser a celebração da alegria, se transformou num caldeirão de violência, alimentado por um mal disfarçado consumo de drogas, que muitas vezes é feito abertamente, com direito até a uma espécie de “delivery”.

O usuário faz o pedido por telefone e a droga é entregue de moto, como se fosse uma pizza ou um hambúrguer.

Uma minoria, em meio a multidão que está apenas se divertindo em torno de uma cervejinha gelada, mas que acaba expondo todos ao risco de sofrer algum tipo de violência.

E a Praça do Trabalho, que deveria se chamar praça do Lazer, está mesmo a merecer o nome de Praça de Guerra.

Ou não é uma Praça de Guerra um local em que cinco pessoas são baleadas num único final de semana e em que já houve até execução sumária, diante de centenas de testemunhas?

Praça de Guerra cai melhor num lugar onde as pessoas deveriam se divertir, mas se colocam em meio ao faroeste dos tiros disparados a esmo.

Nos casos dos cinco baleados no final de semana, em dois deles, os bandidos chegaram de moto, atirando, como se estivessem, perdão, se divertindo numa brincadeira de tiro ao alvo.

A professora de educação física Jaqueline Oliveira Santos, atingida de raspão, e o marido dela, José Odimar Pamponet da Silva, que levou dois tiros na região do abdome, estavam num dos bares quando foram surpreendidos pelos marginais.

De acordo com a professora, os bandidos chegaram de moto, atirando, criando um clima de pânico no local.

É como se os marginais estivessem, perdão, se divertindo numa brincadeira de tiro ao alvo, apesar pelo prazer de exercer a violência.

Praça do Trabalho.

Praça do Lazer.

Praça de Guerra.

E a praça, que um dia foi do povo como o céu um dia foi do condor e hoje é do avião, vai sendo tomada pela bandidagem, matando o sacrossanto direito que todo o cidadão tem de se divertir.

Até se deliciar com uma cervejinha estupidamente gelada e tornou uma aventura de altíssimo risco.

Será que, perdão pelo trocadilho que desce quadrado, dá tanto trabalho assim para a polícia intensificar o patrulhamento na praça, para que ela volte e ser um local de lazer e não de guerra?

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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