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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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O Flisba e a chama coletiva

Efson Lima

  

O Festival Literário Sul – Bahia (Flisba) nasceu no dia 31 de julho de 2020, por meio de uma mensagem de WhatsApp. Criamos um grupo na bendita rede social e lá foram chegando as pessoas. Fomos juntar às academias de letras do sul da Bahia: Academia de Letras de Ilhéus, Academia de Letras de Itabuna, Academia de Letras e Artes de Canavieiras e, agora, a Academia Grapiúna de Letras, como se tece uma colcha de lindos retalhos coloridos. Jovens, idosos, professores, estudantes, advogados e militar foram se juntando e tecendo um amanhã de artes até formar uma orquestra.

A pandemia era a maior transformação que  parte considerável dos envolvidos do Coletivo enfrentava cara a cara. Fomos e somos corpos frágeis diante de um ser igualmente frágil, mas invisível aos nossos olhares e provocadores de profundas mudanças socioculturais de nosso tempo.  Mesmo assim, o Flisba ocorreu virtualmente, naquela que foi a “Primavera Literária”. As mesas e atividades culturais foram promovidas virtualmente. Pessoas que jamais tinham mantido contato físico  e outras que jamais veremos. “Que vai ficando no caminho” como reverbera a música  cantada por Ney Matogrosso; que saudade bateu de Magnus Vieira.

            Magnus Vieira foi imprescindível no primeiro Flisba e, no segundo, em 2021, já reinava a saudade.  Tomamos emprestado seu nome e sua memória para colocar em pé o Slam Magnus Vieira. O Slam daquele ano foi a nossa segunda experiência presencial do Flisba. A primeira já tinha sido o encerramento do Flisba no Teatro Candinha Dórea. O Flisba já nasceu grande. O Slam é uma batalha de poesia falada.

O Flisba 2021 veio com algumas atividades prévias, mas também sofreu com o cansaço das inúmeras lives, que se proliferaram planeta à fora. Mesmo assim, o Flisba permaneceu latente e provocou inúmeras discussões. O Flisba não é um festival pelo festival, mas um espaço de provocações e reflexões necessárias ao nosso tempo e às questões culturais das cidades sul – baianas. O Coletivo Flisba fez um mapeamento de escritores no sul da Bahia; provocou campanha de leitura… e tem acompanhado atentamente as ações culturais da região.

Em 2022, eis que a primeira edição integralmente foi realizada de forma presencial. Marcado para Itajuípe, teve sua rota alterada para Ilhéus e lá fomos nós concretizar na cidade romance. Na terra também de Jorge Amado, de Adonias Filhos e porque não de Marcos Santarrita, cujo escritor precisei aprender mais um pouco por meio de Silmara Oliveira e me deliciei com a exposição de Maria da Luz Leite.

Ainda, pela noite, no primeiro dia, lançamentos de livros, grupos teatrais e musicais, circo e a abertura oficial. As quatro Academias presentes e as homenagens à ensaísta e escritora Maria de Lourdes Netto Simões (Tica) e ao biografado Apolónio Brito e ao escritor Lima Barreto (in memoriam). Tendo Seu Apolônio Brito 107 anos de idade.

Eu ainda continuo sendo um leitor assíduo e interessado pelo grande cronista baiano Antônio Lopes, sobre o qual tive a oportunidade de discorrer e ler uma de suas crônicas encartada em um de seus livros durante o evento. Tive a honra e o privilégio de dividir a mesa com o escritor e professor Aleilton Fonseca e meu confrade da Agral, Jailton Alves, que lindamente fez manhã de quinta-feira ser poética.

Na sexta, pela noite, o escurecer de nuvens levou o Slam Magnus Vieira para dentro da Academia de Letras de Ilhéus. Seis potentes vozes ecoaram,  na Batalha da Terra da Gabriela, protestos, denúncias e reconhecimento da ancestralidade… marcas de nosso tempo. Jovens que não se subordinam a matança; Jovens que protestam em favor da liberdade. Jovens que fazem da batalha de poesia, espaço para exigir um novo Brasil.  Sheilla Shew, Roger Ferreira e Igor Luiz entrelaçaram o momento. Foi uma noite emocionante.

Diversos escritores e expositores se reuniram durante três dias para não só discutir sobre literatura, mas, sobretudo, (re)pensar a Cultura, cuja mesa foi mediada pela mestra Janete Lainha, possibilitando o encontro de Pawlo Cidade, Geraldo Magela, Bruna Setenta e Adroaldo Almeida. O cenário era a Academia de Letras de Ilhéus. Os apreciadores eram os mais diferentes personagens das terras sul – baianas. Personagens que se imortalizaram pela força da participação social.

A 3ª edição do Flisba foi marcada pela chama coletiva, pelo valor da solidariedade e do respeito entre os pares. Foi uma construção coletiva, na qual o jovem aprendeu com o mais velho. O intelectual bebeu na sabedoria do fazer juvenil. Os estranhamentos, às vezes, são coisas da liberdade, do aprender fazendo e do aprender escutando. Na democracia podemos divergir. Na ditadura as vozes se calam e se fecham.

As pessoas estavam com vontade de promover debates e encontrar saídas para os problemas. O tempo foi curto. Ficou no ar o desejo de quero mais. O Flisba de 2022 foi marcado por seu lema: “Resistência Cultural – Literatura, Educação e Liberdade”. A própria realização dele foi um ato de resistência. As presenças das pessoas sinalizavam liberdade; educação a chama viva para cidades sul – baianas melhores, caso desejemos ter dias promissores.

Sobre o Flisba, procurei perguntar a Marcus Vinicius Rodrigues, cujo nome se escreve tudo com “u” e tudo com “s”, membro da Academia de Letras da Bahia, o que ele havia achado do evento, ele respondeu: gostei, cumpriu com o previsto. Ok, eu respondi. Ele que promoveu uma luxuosa oficina de Escrita Criativa, cuja Casa de Arte Baiana abriu as portas para receber o oficineiro e seus aprendizes. Lá, eu estava no lugar de aprendiz. Sentei-me na cadeira mais uma vez. Ele relembrou o saudoso Hélio Pólvora e o “Itinerários do Conto”.  O oficineiro leu um de seus contos, que causou calafrios nos presentes e os risos apareciam… como não amar a escrita libertária? Liberdade para escrever. Liberdade para pensar.

São muitas narrativas sobre o Flisba 2022. Busquei relatar apenas algumas a partir de meu lugar de expectador. Pintamos uma linda aquarela, como arremata Toquinho: “Nessa estrada não nos cabe/Conhecer ou ver o que virá/O fim dela ninguém sabe/Bem ao certo onde vai dar/Vamos todos numa linda passarela/
De uma aquarela/Que um dia enfim descolorirá

 

Efson Lima – Doutor e mestre em direito pela Universidade Federal da Bahia. Escritor nas horas vagas. Membro da Academia de Letras de Ilhéus e da Academia Grapiúna de Letras. Advogado. efsonlima@gmail.com

 

 

2 respostas para “O Flisba e a chama coletiva”

  • Alderacy Pereira da Silva Junior says:

    Nobre articulista e articulador cultural Efson Lima:

    Congratulações parabenizado pela trajetória exitosa do Festival Literário do Sul-Bahia (Fliba). Todos os membros desse coletivo e evento, apoiadores e partipantes do Flisba estão de parabéns pela mobilização e valorização do fazer artístico e cultural.
    Para além da vocação turística e dos tempos de ouro do cacau, a rica e diversificada Região Grapiúna é um solo fértil para criações artísticas. Assim sendo, empreendimentos artísticos e culturais são sempre bem-vindos e úteis para alimentar e dinamizar toda essa Economia Criativa Regional. Aproveito ainda para afirmar que os homenageados da edição de 2022 do Flisba são merecedores das deferências e, assim, dos nomes escritos em nossas memórias:ensaísta e escritora Maria de Lourdes Netto Simões (Tica), escritor Lima Barreto (in memoriam) e personalidade Apolônio Brito.
    Que ventos Flibas e vinda longa para o coletivo homônimo.

    Afetuosamente,

    ALDERACY PEREIRA
    Jornalista, Consultor Literário e Revisor de texto. Idealizador e coordenador da Casa Ouro Preto, Sala de Leitura Ruy do Carmo Póvoas e Primavera Literária.

  • Alderacy Pereira da Silva Junior says:

    Errata:
    Que venham outros Flibas…

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