anna livia (4)Anna Lívia Ribeiro

 

anna livia (5)Conhecer é o primeiro passo para entender, para reconhecer o valor de alguma coisa. Mas, não adianta apenas conhecimento, é preciso também despertar o sentimento de pertencimento. É uma necessidade humana estar ligado a alguma coisa, ter uma referência. Entretanto, o que torna alguma coisa uma referência?

 

Para responder a essa pergunta eu penso na memória, preservada por meio das tradições, do patrimônio material e imaterial. Ela é uma referência ímpar. Nela podemos encontrar a potência para vislumbrar o futuro a partir do passado. A memória é emocional, é afetiva. Ela mexe com sentimentos, com sensações. Como diz meu amigo José Nazal “A gente só ama o que conhece.”

 

Uma das coisas que nos faz sentir parte de um espaço geográfico, de um território, é o vínculo que temos com o passado. Nossa história é parte constitutiva da nossa identidade local. A História pode mostrar que é possível construir o futuro, não um futuro que imite o passado, mas que possa nele encontrar repostas ou estímulos para novos projetos.

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O conhecimento por parte das comunidades e dos indivíduos do seu patrimônio, da história e da cultura dos locais onde vivem é significativo para o processo de preservação dos bens culturais e também para fortalecer os sentimentos de identidade, que os façam se sentirem sujeitos ativos da história.

 

Conhecer e ocupar os lugares da cidade gera pertencimento uma vez que o conceito de lugar está relacionado à nossa identidade, com o qual criamos vínculos e demonstramos o quanto esse lugar é importante para nós. Conhecer, estudar o lugar onde nascemos e vivemos significa compreender as relações que ali acontecem, o lugar como espaço vivido e construído ao longo do dia a dia pelos indivíduos e por seus interesses.

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Estudar a história da nossa cidade contribui para a manutenção da memória do lugar, significa resgatar e preservar a tradição daqueles que ajudaram na sua construção. É uma oportunidade, única, de compreender a nossa própria identidade.

Uma das funções da escola é contribuir para a formação de cidadãos críticos capazes de atuar na sociedade em que vivem, de participar da construção e reconstrução da cidade porque todos os acontecimentos ocorrem em uma dimensão espacial e esse espaço é resultado das ações humanas, podendo ser analisado a partir de várias dimensões da realidade: histórica, cultural, econômica, política, demográfica e socioambiental.

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A escola é o universo propício para estimular as pessoas a se apropriarem de todos os lugares, histórias, objetos, monumentos, tradições, saberes e fazeres herdados e produzidos pelos grupos que as constituem. O que começa como espaço indiferenciado transforma-se em lugar à medida que o conhecemos melhor e o dotamos de valor.

 

Ilhéus é, a cada esquina, uma aula de História, Geografia, Filosofia, Português, Arquitetura…

Ilhéus é transversalidade. A riqueza cultural salta aos olhos e inunda todos os saberes e sentidos.

Estamos pisando em solo colonial.

 

“O nosso destino nunca é um lugar, mas a maneira de olhar as coisas.”

(Henry Miller)

Anna Lívia Ribeiro é ilheuense, Mãe, Avó, Pedagoga, Especialista em Educação Infantil, Mestra em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, Graduada em Gestão de Turismo, Agente de Viagens.