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Abril Marron e prevenção da cegueira

Dr. Rafael Andrade

 

mutirão itabuna Dr. RafaelO Abril Marrom teve como objetivo alertar sobre a Prevenção, o Combate e a Reabilitação aos diversos tipos de cegueira.

Durante todo o mês, entidades médicas, hospitais, associações de pacientes e órgãos governamentais realizam atividades de conscientização da população sobre os cuidados com a visão. Durante o Abril Marrom, ocorrem ainda mutirões de atendimento oftalmológico e eventos sobre o tema.

A iniciativa é fundamental, já que a maioria dos casos de cegueira é  tratável quando diagnosticada precocemente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 60% a 80% dos casos de cegueira são evitáveis, e só no Brasil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) , são mais de 6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual.  Então, divulgar a ideia do Abril Marrom significa salvar a visão de milhares de pessoas.

O abril Marrom surgiu em 2016 a partir da iniciativa do Professor Doutor. Suel Abujamra, ex-presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

O mês de abril foi escolhido por ser neste mês comemorado o Dia Nacional do Braille, o dia 8 de abril. A data é o nascimento de José Álvares de Azevedo (08 de abril de 1834) o professor responsável por trazer, em 1850, o alfabeto Braille ao Brasil. A cor marrom foi a escolhida para a Campanha, por ser a cor de íris mais comum nos olhos dos brasileiros.
As principais causas da cegueira em adultos são a catarata, o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e o diabetes (ou edema macular diabético – EMD).

 

A catarata é uma doença que, geralmente, vai provocar baixa acuidade visual progressiva. “A pessoa vai começar a ver a imagem mais embaçada, mais enevoada”. É uma doença cujo tratamento se faz por meio de cirurgia, e o paciente consegue recuperar a visão. Das quatro doenças mencionadas, a catarata é a que tem tratamento que mais assegura a regressão. As outras três têm características diversas e necessitam prevenção.

Há vários tipos de glaucoma, doença que deve afetar 112 milhões de pessoas em ate 2040, segundo projeção da OMS. O tipo mais comum é o glaucoma crônico simples. “É uma doença silenciosa, não dá sintomas. Só fica perceptível quando é terminal. E, ao contrário da catarata, a perda que ele (glaucoma) provoca é irreversível”. Por isso, existe grande preocupação dos oftalmologistas e dos médicos em geral, em detectar inicialmente, quando a doença se instala. “Quando a gente detecta no início, consegue controlar. A doença não tem cura, mas é possível controlar com o uso de colírios para pressão ocular, de modo a evitar  dano no nervo óptico, que pode causar a perda de visão”.

A degeneração macular relacionada à idade atinge a população mais idosa, após os 60 ou 70 anos. A OMS estima que cerca de 30 milhões de pessoas no mundo têm DMRI atualmente. A doença tem duas formas: seca e úmida. Para a forma seca, a proposta é um composto de vitaminas para retardar a evolução. Para a forma úmida, quando em atividade, o tratamento é com farmacoterapia intraocular que, muitas vezes, consegue controlar.

 

 

Entre as causas mais comuns de cegueira evitável no Brasil estão: a catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) além das causas de cegueira infantil. Essas doenças atingem milhares de pessoas e podem ser tratadas com eficácia quando diagnosticadas precocemente. A visita ao oftalmologista deve ocorrer desde a primeira infância e em todas as fases de vida é preciso monitorar a saúde dos olhos. Muitas dessas doenças são silenciosas, não apresentando sintomas nas fases iniciais, detectá-las precocemente previne a perda da visão, por isso é essencial ir ao oftalmologista no mínimo uma vez ao ano.

O diabetes é considerado a principal causa de perda visual evitável na população economicamente ativa, em diversos países. Considera-se que 95% dos casos de perda visual pelo diabetes são evitáveis ou tratáveis. A pessoa que tem diabetes vai precisar de uma avaliação oftalmológica, que inclui exame da retina (membrana do fundo do olho) pelo menos uma vez por ano. Nesse exame, podem ser detectadas alterações que as pessoas, às vezes, não percebem nem afetam sua visão naquele momento, mas que já podem representar um dano e devem ser tratadas. O fato de existir no Brasil entre 13 milhões e 14 milhões de pessoas com diabetes dá grande ênfase à importância dos exames preventivos. “A grande batalha da classe médica é conseguir realizar a cobertura diagnóstica dos pacientes que precisam do exame”.

 

 

Como já vimos boa parte dessas doenças de grande impacto são inicialmente assintomáticas ou com pouco sintomas, onde a grande maioria dos pacientes, cuja queixa de problemas visuais esteja relacionada a óculos, só vai saber se tem alguma coisa mais grave se fizer exame de fundo de olho, medição da pressão ocular com o oftalmologista, com frequência anual.

 

Portanto, é  imperativo destacar importância da consulta periódica completa com um oftalmologista, principalmente, a partir dos 40 anos, pelo menos uma vez ao ano, para detectar, além de alterações de refração, de grau e, eventualmente, a catarata, se há indício de glaucoma e, em pacientes mais idosos, sinais precoces da degeneração macular, para orientar o acompanhamento, a frequência de retorno ou o uso de compostos vitamínicos para retardar a progressão ou, no caso da doença ativa, o tratamento.

 

 

É fundamental a detecção precoce dessas doenças oculares evitáveis, pois a gente consegue chegar antes de danos maiores já estabelecidos evitáveis, para isso uma rotina de visitas ao oftalmologista é imprescindível para melhorar as condições de saúde ocular das pessoas no país”, destaco que três fatores são decisivos para a manutenção da saúde ocular: estilo de vida equilibrado e saudável, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

 

Outra medida importante para um país continental ainda muito desigual como nosso, são os grandes projetos de rastreamento destas doenças oculares, como os grandes Mutirões do Diabetes que se iniciaram há 18 anos em Itabuna na Bahia e alongo dos anos vem sendo realizados em várias cidades do Brasil, e vem evoluindo, cada vez mais efetivos, ainda mais com a chegada da Telemedicina, Campanhas de Glaucoma e de Cirurgia de Catarata. Além grandes movimentos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia para aumentar o acesso, caminhando para fortalecer a presença e participação da Oftalmologia na saúde básica familiar.

 

Segundo o Diretor do Departamento de Saúde Ocular da SBD Dr. Fernando Malerbi tem um outro grande projeto para jovens diabéticos que acabou de ser lançado a fim permitir a realização do exame do fundo de olho em número amplo de pacientes diabéticos, a SBD lançou programa para que médicos oftalmologistas recebam voluntariamente, em seus consultórios, pacientes jovens com diabetes que não têm acesso a esse tipo de investigação. O projeto piloto foi lançado no Rio de Janeiro e é coordenado pela vice-presidente da SBD, Solange Travassos. Outras entidades se engajaram no projeto, como a SBRV, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia.

 

 

O Dr. Rafael Andrade é coordenador do Centro Avançado em Retina e Vítreo do Hospital Beira Rio e idealizador do Mutirão do Diabetes de Itabuna

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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