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O FLISBA e as reflexões necessarias

Efson Lima

efsonO Festival Literário Sul – Bahia (FLISBA) nasceu de algumas inspirações idealistas naquele 31 de julho de 2020, via grupo de WhatsApp. Diversas pessoas se somaram e colocaram em setembro daquele ano, o primeiro festival literário que foi pensado para ser virtual diante do contexto da pandemia. Era tudo novo e incerto. Nem sabíamos se seríamos acometidos pela COVID-19. Tínhamos sonhos! Já veio ousado, propondo uma “Primavera Literária”. O FLISBA foi abraçado pela imprensa regional. As mesas foram constituídas e apresentadas. Na sequência, várias ideias surgiram e algumas foram concretizadas.

Após o primeiro FLISBA, o próprio grupo foi se renovando até alcançar a segunda edição do FLISBA em 2021, que, coincidentemente, ocorreu na mesma data e no fim de semana. Ele voltou primaveril, agora,  propondo “arte na superação da pandemia”. As mesas foram diversas na composição e nas temáticas. Buscou-se evitar um quantitativo maior de pessoas em cada uma delas e o tempo se tornou uma bússola necessária. Os homenageados da mostra literária foram evidenciados nasmesas propostas pelo Coletivo: Paulo Freire, Carolina Maria de Jesus e Elvira Foeppel. Sou suspeito para escrever, mas o mérito do FLISBA foi ter conferido visibilidade a Elvira Foeppel. Ela estava esquecida. Não se pode falar de empoderamento feminino, esquecendo das pioneiras. É até comum essa prática,  mas precisamos nos afastar dela. Ele prejudica a construção do fio da História.

O Coletivo Paulo Freire, na Uesc, que estuda sobre Paulo Freire brilhou com a presença da professora Gilvânia Nascimento. O professor Ramayana Vargens mesclou positivamente falas sobre o educador Paulo Freire e o compromisso dele com a cultura, especialmente, com a cultura popular. Cada atividade do FLISBA merece comentários próprios e artigos particulares. Bem editadascada atividade do FLISBA, tem-se um bom material de estudo e de consumo pedagógico.

 

Na mesa de abertura, os dados apresentados por Luh Oliveira sobre o “Mapeamento de Escritores do Sul da Bahia” sugerem a necessidade de ações culturais e verifica-se uma forte presença de autores nas redes sociais. Os professores Ramayana Vargens e  Ruy Póvoas mereceram as homenagens do Coletivo Flisba, cuja distinção também será estendida ao Coletivo Paulo Freirena UESC. Foi emocionante o momento.

Outros passagens marcantes do FLISBA foram: o “Sarau Flisbástico”, que reuniu diversos poetas e escritores, o sarau permitiu pulsar a cultura sul-baiana e se  tornou um momento de confraternização; as presenças de Tales Pereira e  Karkaju Pataxó, que representaram o encontro da diversidade no seu sentido pleno, o FLISBA precisa avançar em direção a Costa do Descobrimento e Extremo Sul, precisa fazer um diálogo com os Tupinambás de Olivença e Pataxó em Pau Brasil; a  mesa “Cultura Popular e suas linguagens  com a mestra Lainha. Cineclube Claudio Lírio, Jorge Batista e Jailton Alves, com a mediação de Walmir do Carmo, representou um belo momento do Flisba e um diálogo com a mesa sobre Paulo Freire.

O Slam que nasceu Sul-Bahia fez homenagem a Magnus Vieira ao destacar o nome de um dos criadores do  FLISBA e do Slam dentro da programação do Festival. O poeta faleceu no mês de março de 2021, surpreendendo a comunidade cultural do Estado da Bahia. O Slam é uma competição de poesia falada, “ batalha mesmo” no sentido bom do termo.  Os vencedores do Slam receberam brindes e os participantes foram certificados pela participação. A organização fez um esforço enorme para trazer os competidores e disponibilizar uma estrutura melhor. Conseguiram, mas o Slam precisa continuar tendo vida própria e realizando ações no seu entorno. Ele é uma estratégia que pode ser levada para as escolas; fazer um diálogo com os jovens.

Não podemos falar de Flisba sem citar as pessoas que flisbaram em 2021: Anarleide Menezes, Aurora Souza, Cátia Hughes, Cremilda Conceição, Efson Lima, Fabrício Brandão, Geraldo Lavigne, Jane Hilda Badaró, Igor Luiz, Indy Ribeiro, Laura Ganem, Luh Oliveira, Paula Anias, Pawlo Cidade, Ramayana Vargens, Raquel Rocha, Ruy Póvoas, Roger Ferreira, Sheilla Shew, Silmara Oliveira, Tácio Dê, Tales Pereira, Tica Simões e Walmir do Carmo. O Flisba virou verbo de ação. Ele pode ser conjugado poeticamente. Eu flisbo/ Você flisba/Ele flisba/Nós flisbamos/Vós flisbais/Eles flisbam. Agora, é sempre bom tê-lo no presente do modo indicativo e, preferencialmente, que seja conjugado no plural.

O Coletivo continua plural, com jovens idealistas,senhores e senhoras, buscando uma convivência harmoniosa e fraterna. Os trabalhos continuam voluntaristas. De um ano para outro tanto os produtores quanto os expectadores se tornam exigentes. Os desafios surgem. Surgem as dores do crescimento. Que venha a 3ª edição do FLISBA em qual contexto? Fica para os organizadores decidirem o formato e quando vai ocorrer. Os desafios estão lançados! As cortinas não fecham no FLISBA. O até logo é muito breve. Eles e elas e os não binários já estão logo, logo… pensando na próxima traquinagem com os seus apoiadores.

Efson Lima – doutor em direito/Ufba. Professor universitário. Escritor nas horas vagas.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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