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Eu, Jaqueline, Advogada

jaqueline

Jaqueline Oliveira de Souza

Me chamo Jaqueline e minha história acadêmica teve ínicio em 2014, mais especificamente no 2º semestre de 2014 e foi por intermédio de um programa social. Havia finalizado o ensino médio há pouco tempo, e trabalhava como operadora de caixa em uma loja de departamentos no shopping. Surgiu à possibilidade de fazer a inscrição no vestibular de uma faculdade e solicitar o Fundo de financiamento ao estudante do ensino superior (Fies).

 

 
Logo, fui aprovada e adentrei na faculdade de Direito. Finalizei o curso no fim de 2019 e a colação de grau ocorreu em março de 2020. Prestei o Exame da Ordem (OAB) pela primeira vez durante esse período, e passei logo de “cara”. A segunda fase do Exame de ordem não alcancei por pouco, e acabei por me inscrever na repescagem apenas para 2ª fase. Infelizmente, veio o caos da pandemia e as provas ficaram suspensas por período indeterminado. Quando ocorreu o retorno, realizei a 2ª fase e por fim, fui APROVADA.

Meu depoimento é sim uma história de superação, contudo, é muito importante que não romantizemos às dificuldades. Não é fácil conciliar faculdade e trabalho. Principalmente, tratando-se de um curso elitista como Direito. No período desses 5 anos trabalhei comoo

operadora de caixa, operadora de cartão, operadora de telemarketing. As possibilidades de estágio remunerado nessa área são escassas quando não há “contatos”. Desse modo, era impossível abandonar um emprego cujo possuia carteira assinada e demais benefícios, para me dedicar integralmente em um estágio NÃO-remunerado. Logo, cumpri apenas o estágio obrigatório exigido pela faculdade.

É esse ponto que as ações afirmativas e programas sociais são essenciais. Não se trata de baixo intelecto. Pessoas pretas, pardas,índigenas,pobres, não são menos inteligentes que pessoas de classe alta e brancas. O que as difere são OPORTUNIDADES. Esses programas sociais funcionam como meio de equiparar as oportunidades, reparação histórica e descentralizar o poder de uma parcela de “famílias dominantes” existentes no Brasil. É surreal normalizar que alguém sem privilégio precise acordar 5h da manhã para trabalhar, passe por um dia exaustivo, precise passar madrugadas em claro estudando e consiga competir igualmente com um indivíduo com privilégio de raça/classe. Enquanto ele dorme, frequenta as melhores escolas, cursos preparatórios, curso de idiomas o seu oponente está com a saúde mental completamente exausta.

É preciso ter empatia com a qualidade de vida, o cansaço físico, emocional e mental dessas pessoas. Não romantizem essas dificuldades para obter um diploma. É necessário equiparar as possibilidades em todos os campos. Programas sociais não são favores. Programas sociais são nossos por direito. Defendem as Cotas, Prouni e Fies!

Defendam governos que oportunizam isso.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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