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Archive for novembro 15th, 2019

Os juristas na Academia de Letras de Ilhéus – o ministro José Cândido Carvalho

Efson Lima

 

efson limaAs letras parecem estar para o mundo jurídico, assim como os enredos jurídicos estão para as letras, entretanto, não vaticinarei, pois, o determinismo não faz bem ao progresso das ideias. Talvez, se fôssemos aprofundar os estudos, veríamos que juristas, médicos, diplomatas e outras categorias profissionais vivenciam o mundo das letras como vivenciam suas profissões. Certamente, poderíamos encontrar as causas a partir da estruturação da sociedade brasileira.  Não obstante, as primeiras instituições universitárias no Brasil estiveram atreladas às formações médica e jurídica.

 

Ao se observar o quadro de fundadores da Academia de Letras de Ilhéus, assim como os sucessores e os membros atuais tem-se um a presença maciça desse grupo, podemos registrar entre os falecidos: Francolino Neto, João Hygino, Orlando Gomes e João Mangabeira. Vivos têm uma plêiade poderosa: Soane Nazaré, Jane Hilda Badaró, Edvaldo Brito, Mário Albiani, Neusa Nascimento, Cyro de Mattos entre tantos outros, cuja lista poderia ser tranquilamente acrescida.  Não obstante, a ALI tem como patrono Rui Barbosa, que foi um jurista. Entre os juristas, podemos evidenciar a  figura do ministro José Cândido.

 

José Cândido Carvalho

José Cândido Carvalho

O ministro José Cândido integrou o grupo de fundadores da Academia de Letras de Ilhéus em 1959, ocupando a cadeira de n.°39, cujo patrono escolhido foi Visconde de Cairu.  Não obstante, José Cândido esteve entre os convidados na casa de Abel para fundar a academia “Aos quatorze dias do mês de março de mil novecentos e cinquenta e nove (1959), nesta cidade de Ilhéus, do Estado Federado da Bahia, precisamente as 17 horas, na residência do intelectual Abel Pereira, Edifício Magalhães, 2o. andar, apartamento 2, à Praça Visconde de Mauá, reuniram-se os srs. Abel Pereira, Nelson Schaun, Wilde Oliveira Lima e Plínio de Almeida, membros da comissão de iniciativa, e mais os convidados Dom Caetano Antonio Lima dos Santos, Osvaldo Ramos, José Cândido de Carvalho Filho, Halil Medauar, Jorge Fialho e Otávio Moura- para o caso especial de se estudar o plano e consequente fundação da Academia de Letras de Ilhéus.  Nessa reunião, fizeram-se representar pelo Sr. Abel Pereira, por meio de cartas de autorização, os srs. Fernando Diniz Gonçalves, Sosígenes Costa, Camilo de Jesus Lima, Raimundo Brito, Eusígnio Lavigne, Ramiro Berbert de Castro, Flávio Jarbas, Heitor Dias, Flávio de Paula e Milton Santos”, conforme trecho de Ata reproduzido por Jane Hilda Badaró no artigo “A Academia de Letras de Ilhéus Comemora 60 Anos de História! “
O Ministro José Cândido era o único fundador vivo, entretanto, estabeleceu o destino que partisse para outro plano, justamente, no ano em que a Academia de Letras de Ilhéus completara 60 anos – a idade do diamante. Certa vez, lia no Diário de Ilhéus, que a rua onde está instalada a subseção da Justiça Federal tinha tido o nome alterado para “Rua Ministro João Cândido de Carvalho”, confesso que estranhei. Eu não compreendia o motivo da alteração, certamente, faltava-me naquele momento informação suficiente para compreender a dimensão do Ministro e a relação dele com a cidade de Ilhéus. O tempo passa e se confirma como o senhor das razões. Então, fazendo minhas leituras, fui compreendendo o quanto o Ministro João Cândido tinha sido importante para Ilhéus e para a Bahia. Assim como, a sua atuação profissional tinha nos elevado no País.

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Meu Deus , quem é você?

Eulina Lavigne

 

eulina lavigneHoje quero compartilhar com vocês um poema pouco conhecido do nosso querido Pierre Weil, educador e psicólogo francês, fundador da Universidade da Paz em Brasília.

 

Meu Deus, quem é você?

As duas questões essenciais.

Meu Deus, mas afinal de contas quem é você? Eu, me fala eu ti suplico. Quem sou eu?

Na verdade a resposta a estas duas perguntas se encontra em ti mesmo. Elas não podem se expressar em palavras. Trata-se de uma experiência vivida por ninguém. Somente tu a podes encontrar.

Se tu encontras quem tu és, tu saberás quem eu sou. Uma maravilhosa surpresa ti encontra no final desta busca. Uma busca onde não há nada a procurar, pois tudo está aí mais perto do que a ponta do teu nariz, mais íntimo do que o mais íntimo dos teus pensamentos.

Que as palavras que seguem catalisem a resposta sem palavras em ti mesmo. A resposta do sem nome. Não sou nada de tudo que tu pensa que sou. Nem alguém, nem ninguém, nem algo, nem nada. Sou muito mais do que tudo isto e ao mesmo tempo eu sou tudo isso.

Enquanto tu me pensas em não sou. Quando tu paras de me pensar então eu sou e então tu não é mais. Eu penso logo eu não sou. Eis o teu novo postulado. Então, tu não podes mais ser o que tu jamais  fostes, Tu. Pois tu sou eu, relativo e absoluto. Eu transcendo todos os teus conceitos. Eu te falo sem palavras quando estamos em uníssono, tu e eu. Mas, nos nossos tempos tão perturbados este uníssono é tão raro que eu preciso usar da tua linguagem: eu sou, tu és, tu eu. Então ouça os nomes dos sem nomes. Eu não tenho nome. Pois todo nome me limita. No entanto, são infinitos os nomes que me deram. Sou Brahma, sou Alah, sou Buda, sou Cristo, com ou sem barba sou o Pai. Sou o logos, sou o verbo, sou Alfa e Ômega, o começo sem início e o fim sem o término. Sou Javéh o único e no entanto como pai sou o mundo absoluto da unidade. Como filho, sou o mundo relativo da pluralidade das formas da matéria. Como Espirito Santo, sou a energia matriz como a minha própria transformação incessante do todo e tudo e de tudo do todo. Sou sempre Brahman e no entanto quando emano de mim mesmo sou Brahman, quando quero me manter tal qual sou Vishnan, quando me dissolvo em mim mesmo sou Shiva. Sou Shit, Ananda, Ser, Consciência, Felicidade. Sou o campo unificado de Buda. Como tal, sou não dual. E no entanto, sou Dharmakaya o corpo absoluta. Sou Sambugakaya o corpo glorioso, sou Niermanakaya o corpo de aparição. Sou o tal. O único e no entanto sou Yin e Yang. Receptivo e ativo.

Sou o eterno o que é. Do meu sopro inspirei Abraão, Krishna, Brahma, Jacó, Moisés, David, Salomão, Gautama, Elias, Padmasambhava, Ananda, Maim, Mohamed, Sri Aurobindo, Hari Krishna, Tereza D´ávila, João da Cruz, Krishnamurti, São Francisco e muitos outros ainda. Sou Deus.

Sou o Ser. Sou. Sou. Sou.

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Saber quem é traz cura

Basia Piechocinska

 

 

A pergunta milenária “Quem sou?” remete a filósofos antigos e a seres iluminados. De fato, alguns deles atribuem sua iluminação à contemplação dessa pergunta. Mas o que esta pergunta realmente pode trazer para a nossa vida cotidiana? Como ela pode nós afetar? Realmente tem algum poder transformador?

basia pier 6 (foto Ana Lee)Tem. O poder transformador dela é ao mesmo tempo sutil e poderoso, suavemente mudando como experimentamos o mundo. Ela é capaz de pouco a pouco nos conectar com uma real paz interior, trazendo cura.

Está a fim de fazer um experimento? Vamos lá então. Quem é você? Você é seu corpo? Não, porque seu corpo é seu. Ele é uma coisa que você tem. E se tiver alguma dúvida pergunte quem experimenta quem? É você quem experimenta seu corpo ou é ele que experimenta você? Então, você não é seu corpo.
Você também não é seu nome, seu sexo, nem sua idade. Essas são qualificações, descrições, mas não a sua essência.
Será que você é seus pensamentos, suas emoções, seus sentimentos? De novo vamos ter que dizer que não. Os pensamentos, as emoções e os sentimentos aparecem e desaparecem em você, e é você quem os experimenta. Eles chegam e vão, mas você continua.

curaNo última coluna, duas semanas atras, falamos que somos a defesa contra a perda de amor. As nossas formas particulares de agir surgem dessa defesa que foi criada há tempo. Mas essas formas de agir também não são aquele quem você realmente é. Elas são condicionamentos, não você.

Você também não é nem as memórias nem as expectativas. Seu ser é agora. Seu ser, a sua existência é a parte mais real do que tem. Você sabe que você é. Nisso não tem dúvida. Então, você é. E além de ser, você sabe que é. Isso chamamos de consciência. Você é a consciência que parece experimentar o mundo.

É quando começamos realmente enxergar que não somos corpos, nem pessoas, nem os condicionamentos mas aquela pura consciência que é e sabe que é, que podemos começar deixar muitos dos dramas atras. Os dramas das nossas vidas, os sofrimentos, e as feridas parecem reais quando nos identificamos com eles. Quando nós identificamos com a ferida, a carregamos, sustentamos, criamos defesas para não mexer nela. Entramos nas batalhas para defende-nos.

E quando esse discernimento que não somos a personagem, só jogamos o papel da personagem, surge, de repente podemos nos abrir e começar desfrutar do que acontece. De repente podemos viver plenamente, sem o feche que o medo impõe. A nossa visão fica mais ampla, o nossa capacidade de resolver os problemas aumenta junto, e a nossa capacidade de desfrutar plenamente se estabelece.

Tudo bem, pode até ser. Mas como chegar a esse ponto de se identificar com a ampla consciência, com aquele amor aberto, com a sensação de beleza? O primeiro passo já está feito. Esse é o passo de logicamente entender quem somos. Agora trata-se de prática e costume. Quanto mais vamos praticar essa visão, mais natural ela vai ficar. Uma das melhores formas de pratica-la é se afastar das distrações e em vez de usar a mente para enfocar nos acontecimentos usa-la para des-enfocar, abrir. Sentados, com o corpo relaxado, os olhos suavemente fechados, deixando todos os sons entrar sem enfoque ou preferência, mergulhamos na sensação de abrir, relaxar, e simplesmente ser. Mesmo se for só para uns poucos minutos cada dia, esse treino vai pouco a pouco começar mexer com toda sua forma de perceber o mundo, te convidando a ter uma experiência mais plena e satisfatória, com uma paz real e cada vez mais perceptível no fundo.

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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