hanna thame fisioterapia animal
bahiagas livros do thame

Archive for agosto 17th, 2019

Jorge Amado: um eterno imortal para além de sulbaiano

Efson Lima

 

efson lima   O nosso autor sulbaiano mais destacado da literatura nacional completou 107 anos em 10 de agosto de 2019. Imortalizado na Academia de Letras de Ilhéus, Academia de Letras da Bahia e Academia Brasileira de Letras permanece vivo. Certamente continuará povoando nossas cabeças, nossos imaginários e seduzindo milhares de pessoas para a literatura, assim como eu fui atraído pela obra Capitães de Areia, Gabriela, Cravo e Canela entre outros clássicos. Em Ilhéus se somou a Abel Pereira e a Nelson Schaun, Wilde Oliveira Li8ma e Plínio de Almeida, os quatro últimos membros da Comissão de Iniciativa para fundarem a Academia de Letras de Ilhéus em 1959, que vivencia o ano diamante.

Na Academia de Letras de Ilhéus pertenceu a cadeira de n.°13, cujo patrono Castro Alves o influenciou na produção de suas obras. Por sinal, neste ano, a Literária Internacional do Pelourinho homenageou o poeta abolicionista, cuja FLIPELÔ organizada pela Fundação Jorge Amado presta homenagem ao escritor das terras do cacau, terras essas que conferem identidade a nação grapiúna e ao seu povo. A cadeira de n.°13 o acolheu sua esposa, Zélia Gattai e, agora, acolhe nosso escritor Pawlo Cidade que tem prestado significativos serviços ao campo da gestão cultural no Estado da Bahia, assim como tem construído significativamente uma vasta obra literária, cuja preocupação ambiental aparece em seus livros. Tema que se tornou hodiernamente tão emblemático, especialmente, com a atual gestão federal no país, que parece não ter preocupação com as gerações do presente e muito menos com as futuras.

jorge amado     Na Academia Brasileira de Letras foi eleito, em 6 de abril de 1961, para a cadeira n.° 23, que tem por patrono José de Alencar e por primeiro ocupante Machado de Assis. Jorge Amado, um crítico das academias, na fase adulta, reverá seus posicionamentos, como assinalou em seu discurso de posse na ABL: “Chego à vossa ilustre companhia com a tranqüila satisfação de ter sido intransigente adversário dessa instituição, naquela fase da vida, um que devemos ser, necessária e obrigatoriamente, contra o assentado e o definitivo, quando a nossa ânsia de construir encontra sua melhor aplicação na tentativa de liquidar, sem dó nem piedade, o que as gerações anteriores conceberam e construíram.” O tempo é senhor de nossas razões. E como é!

No início deste texto, disse “nosso autor”, só mesmo para ressaltar mesmo a origem. O escritor pertence ao mundo. É símbolo de nossa terra, nascido em Ferradas, em Itabuna, não só se imortalizou, mas imortalizou-nos na literatura universal. As suas obras de cunho regionalistas conseguiram ter sentido no Chile, na França, em Portugal, na Itália, na antiga URSS. Conseguiu-nos orgulhar. Jorge Amado que recebeu diversas críticas, marginalizado pela crítica do sul, continua vivo em nossas memórias e provocando críticas de diversos movimentos. Sempre que posso pergunto-me, será que o escritor deve agradar ao seu leitor? Eu como sou aprendiz ainda não consigo ter clareza, mas o tempo será senhor das futuras razões.

————–

Efson Lima é Doutor em Direito/UFBA. Coordenador – geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho. Das terras de Itapé/BA e eterno ilheense adotivo. Contato: efsonlima@gmail.com

Quando a doença bate em nossa porta sem pedir licença

Eulina Lavigne

 

eulina lavigneA nossa Alma, representada por nossa consciência,  se manifesta por meio do nosso corpo que deve expressar a sua forma harmoniosa de ser.

Quando esta harmonia é quebrada, a doença se instala como um convite para a retomada do equilíbrio. Thorwald Dethlefsen e Rüdiger Dahlke em seu livro A doença como caminho, dizem que se a consciência de uma pessoa se desequilibra, o fato se torna visível e palpável na forma de sintomas corporais e que é uma insensatez afirmar que  o corpo está doente: só o ser humano pode estar doente; no entanto, esse estar doente se mostra no corpo como um sintoma.

A todo o instante, a vida nos convida a expressar o nosso ser de forma íntegra e harmoniosa, testando  se o nosso discurso vem estar alinhado com as nossas ações. Se de fato expressamos o nosso Ser de forma honesta. Porque se não posso ser honesto comigo e muito menos com o outro, eu me desestruturo,  a minha consciência se desalinha e perde a sua harmonia.

doençaComo não temos tempo para olhar para o que de fato está no desalinho, por conta do nosso medo, que pode ser do abandono, da rejeição, de sair de um lugar de conforto, os sintomas se manifestam no nosso corpo e expulsamos estes sintomas com o simples uso de medicamentos.

Até que um dia a nossa consciência não suporta  ser quem não é, não se expressar da forma que precisa e a doença bate em nossa porta com firmeza, entra e diz: está na hora de você olhar para você  e se cuidar. Vamos parar um pouco?

No Evangelho de Tomé, log. 22 Jesus disse: Quando de dois fizerdes um,  e quando transformardes o interior em exterior e o exterior em interior, quando o superior for como o inferior, e quando fizerdes o masculino e o feminino uma só coisa, de tal forma que o masculino não seja masculino e o feminino não seja feminino; quando fizerdes olhos no lugar de um e uma mão no lugar de uma mão, e um pé no lugar de um pé, uma imagem no lugar de uma imagem, então entrareis no reino.

Pois, pois. Jesus desde então já nos convidava a integrar, a incluir,  a sair do eu, do tu, e transformar a polaridade em unidade. A amar-se e aceitar-se do jeito que é e aceitar  o outro do jeito que ele pode se expressar e ser. A  enxergar no outro o que o outro nos revela e que não queremos ver em nós.

 

Read the rest of this entry »

Bolsonaro e a volta da escravidão

 

Josias Gomes

josias 2300 anos de escravidão, o odor da carnificina, o sangue no olhar do carrasco e a sede da “elite” escravista não se dissiparam em pleno 2019!
A besta Bolsonarista resgata o pior Brasil, o país de colônia exploratória e genocida.

A chegada de Bolsonaro ao poder representa a abertura da Caixa de Pandora, todos os males impossíveis e ideias inimagináveis em um mundo civilizado, neste desgoverno, são colocados em pauta, em série recorde, como se o fim dos tempos fosse para amanhã.

Não existe razão, o mínimo de bom senso, muito menos humanidade. Como diria o descendente de escravo com imigrante italiano, o Rap Mano Brown: “O ser humano é descartável no Brasil”.

A MP da “Liberdade Econômica” é o slogan bonitinho por trás do punhal cravado nas costas da classe trabalhadora. O Capitão do Mato, obedece aos seus “senhores” e aprofunda a devassa trabalhista iniciada no Vampiro Temer. O objetivo é levar o povo de volta ao Tronco e a senzala é o destino da esmagadora maioria dos brasileiros se não enfrentamos estes fascistas como eles merecem.

A Medida Provisória 881, é o paraíso dos empregadores que vão poder explorar os trabalhadores (a) mais do que já exploram, protegidos pela “lei”. Será permitido:

Trabalho em qualquer dia da semana, inclusive sábado, domingo e feriados, sem o pagamento de horas extras e feriados. Em relação ao descanso no dia de domingo, a proposta era impor 7 domingos trabalhados para ter direito a uma folga. Chegaram a um consenso de 4 domingos trabalhados para conseguir folgar neste dia, e alardearem como se fosse um benefício.

Read the rest of this entry »

Memórias de um Dinossauro

dt

 O rapaz de Ilhéus e a moça do posto de gasolina

Primórdios da TV Cabrália, final da década de 80, início da década de 90.

Cena 1
Nestor Amazonas, mentor e então superintendente daquela aventura que era implantar no Sul da Bahia a primeira emissora de televisão do Norte/Nordeste do Brasil, me chama na sala dele e diz:

-Tá vindo aí um rapaz de Ilhéus, muito bem recomendado. Você coloca ele como editor do Jornal do Meio Dia ou do Repórter Regional.

O JMD e o RR eram, então, os principais telejornais da emissora. Mas com Nestor era assim que as coisas funcionavam. “Coloca ele como editor” e não se fala mais nisso.

Ou, se fala. Quando o “rapaz de Ilhéus” entra no departamento de jornalismo, eu vejo que se tratava de um quase menino. Indicado pelo Nestor, mas ainda assim bastante novo para aquilo que eu imaginava para a função de editor. Feitas as apresentações de praxe, resolvi o problema:

-Você não tem cara de editor, você tem cara de repórter. A partir de amanhã, começa a trabalhar com a equipe de externa, fazendo reportagens.

No dia seguinte, com uma reportagem sobre a precariedade da Guarnição do Corpo de Bombeiros em Itabuna, aquele rapazinho que pela minha intuição não servia para editor iniciava uma das mais brilhantes carreiras de um repórter na Bahia, com passagens pela TV Cabrália e TV Santa Cruz, e rompendo as fronteiras regionais até chegar a Angola, na África, onde trabalhou em duas oportunidades. Aventurou-se pelo marketing político e, além de Itabuna, atuou em Salvador, Aracaju, Recife, Curitiba, Macapá e outras praças.

O nome desse rapaz é Maurício Maron, que dispensa apresentações.

Cena 2
Entro no estúdio da TV Cabrália, levando o roteiro do Jornal do Meio Dia. Naquele tempo não havia computador e as falas dos apresentadores eram escritas numa máquina de datilografia especial, com letras grandes, que ficavam ainda maiores quando colocadas num teleprompter, equipamento que permite passar ao telespectador a impressão (falsa) de que o apresentador ou a apresentadora “decoraram” todas aquelas notícias.

Com o papelório nas mãos, tenho a atenção desviada pra uma moça loira, bonita, vestida com um macacão de posto de gasolina, pronta para gravar o sorteio de alguns vales-combustível, uma promoção da TV Cabrália com o Posto Universal.

De novo movido pela intuição, peço para acenderem as luzes do estúdio, ligar o teleprompter, pego aleatoriamente uma das folhas do Jornal do Meio Dia, entrego para a moça e decreto:

-Senta aí na banqueta de apresentadora e leia isso pra mim.

Ninguém entendeu nada, a moça menos ainda. Mas, foi lá e leu, meio sem graça, mas com firmeza.

Nem esperei ela se levantar da banqueta. Sai do estúdio e fui direto para a sala da superintendência.

-Ramiro, descobri uma apresentadora da porra!!!

Autorização dada de imediato. Eram tempos em que meu cheque especial na Cabrália tinha crédito farto.

O Posto Universal perdeu uma garota propaganda e a televisão ganhou uma apresentadora de primeira linha, que fez história na Cabrália apresentando o Jornal do Meio Dia e programas especiais (um deles de antologia, o dos 80 anos de Jorge Amado), passou pela TV Santa Cruz, trabalhou na TV Globo do Rio e de São Paulo e depois foi para a Rede Manchete/Rede TV, onde está até hoje, esbanjando talento e simpatia.

A moça do posto de gasolina atende pelo nome de Claudia Barthel, que como o ´velho´ e bom Maron, também dispensa apresentações.

____________________

Nos tempos de hoje, em que a Uesc  e Unime despejam jornalistas aos borbotões todos os anos (alguns deles já se achando um Willian Bonner, um Clóvis Rossi, ou  uma Fátima Bernardes)  histórias como essas parecem lenda, delírios de um quase ex-jornalista.

Mas  foram reais, numa época em que havia menos formalismo e mais romantismo na profissão.

Se era melhor ou pior, quem sou eu pra dizer?

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

Busca por data
agosto 2019
D S T Q Q S S
« jul   set »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031