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Archive for agosto 10th, 2019

Jorge Amado, Menino Sergipano?

Daniel Thame

livro DT 1A seca de 1909 dizimou a pequena cidade de Estância, no sertão sergipano. A seca e suas consequências – fome, miséria e morte – não eram novidade para os sertanejos, conformados com os desígnios de Deus naquela natureza morta que sugava gente viva, ano a ano, como se castigo divino fosse.

E era castigo mesmo, não necessariamente divino, mas os homens e mulheres humildes se apegavam à fé, à crença inabalável de um mundo melhor, depois da morte, lá bem acima do céu.

E, no céu, o que eles enxergavam a olhar para o alto não eram os santos, anjos, arcanjos e querubins da fé cega, mas o sol a queimar como chama do inferno. Ironia e heresia.

O sertanejo sempre foi, antes de tudo, um forte, diz o adágio popular.

Mas como não fraquejar vendo a plantação minguar, o gado mirrar, o solo se transformar numa massa disforme e sem vida?

Como não entrar em desespero vendo a fome se aproximar, os filhos pequenos a clamar por um pouco de farinha, um feijão ralo, um copo de água?

Jorge.Amado_Como não sentir uma dor no peito vendo a mulher, antes formosa, se transformar num fiapo de gente, agarrada à Bíblia e à devoção aos santos que, apesar de tantas orações, tanta penitência, não mandavam uma mísera gota de água do céu? Ao contrário, empurravam as nuvens e a chuva para bem longe, lá pro mar distante, onde uma água a mais, uma água a menos não faria falta.

-Não dá mais, a gente vai morrer aqui, vendo tudo se acabar, disse o marido à esposa…

-Deus vai prover na hora certa. Temos que ter fé, respondeu a esposa, como se nascer, sofrer e morrer fosse a ordem natural das coisas.

No colo da mulher, o filho do casal, de um ano de idade, mais um na loteria de vida e morte, com imensas chances de morrer antes de dar os primeiros passos na terra arrasada.

-Não adianta esperar por Deus. A gente tem que ir embora daqui. Chega de tanto sofrimento. A fala do marido agora era de resolução.

-E a gente vai pra onde? Pobre é pobre aqui ou em qualquer lugar do mundo, a mulher era pura resignação.

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Pare de Aceitar Migalhas

Tazitando, com Michele Tazitu

Violência psicológica contra a mulher: a agressão invisível

Débora Spagnol

 

Debora SpagnolViolência é conceito abrangente que abarca todas as classes sociais, gêneros, etnias e faixas etárias. Ocorre tanto em espaços públicos como privados, entre classes sociais abastadas e miseráveis e não distingue vítimas: quase todos estamos sujeitos a ela, em determinadas fases de nossa vida.

Quando a vítima é mulher, a violência assume nuances distintas e geralmente se manifesta em diferentes graus de severidade, que podem evoluir para o crescente aumento da agressão e resultar no irremediável: o feminicídio.

O termo “violência contra a mulher” desmembra-se em vários tipos: de gênero (quando manifesta a desigualdade entre homens e mulheres), intrafamiliar, doméstica, física, sexual, patrimonial, institucional e psicológica.

Entendo ser a psicológica uma das piores formas de violência, já que muitas vezes deixa marcas graves (embora invisíveis) na mulher que é vítima de tal covardia, além de possibilitar o cometimento das demais violências e muitas vezes garantir a impunibilidde do agressor.

Por violência psicológica se define toda a ação ou omissão que tenha por objetivo causar danos à autoestima, à identidade e ao bom desenvolvimento psicológico de uma pessoa. Tais atitudes e comportamentos podem vestir a roupagem de insultos constantes, xingamentos, desvalorização, humilhações públicas, chantagem, ridicularização, ameaças, manipulação afetiva, críticas pelo desempenho sexual, omissão de carinho.

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TVE exibe documentário sobre o educador baiano Anísio Teixeira

anO documentário ‘Anísio Teixeira – Educação não é privilégio’, revela a vida e a obra do educador baiano e explora a sua mais revolucionária realização: a luta por uma escola pública de qualidade e a criação do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, mais conhecido como Escola Parque. A obra será exibida neste sábado (10), às 17h30, e marca o dia do estudante, comemorado em 11 de agosto.

Dirigido por Mônica Simões, o doc. faz parte da série Educadores Brasileiros, que apresenta a biografia e a obra de grandes teóricos da educação no Brasil. A narrativa é construída por meio de um grande acervo de imagens de vídeos, filmes de arquivo, fotografias e documentos, além de depoimentos de filhos, amigos e especialistas.

Anísio Spínola Teixeira foi um dos maiores educadores brasileiros graças ao pioneirismo na implantação de modelos educacionais, a defesa da escola pública e a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Seu trabalho foi fundamental para democratizar a educação no Brasil. Jurista, intelectual e escritor, Teixeira acreditava na educação como base de uma sociedade e que só através dela seria possível ter justiça social e igualdade de direitos.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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