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Bolsonaro e o impeachment que vira aspirina

A0 PÉ DA GOIABEIRA lopesO Brasil, para desespero dos tantos que não queremos banalizar os recursos legais de exceção, volta a falar em impeachment, ainda não assentados os traumas do golpe institucional contra a presidenta Dilma Rousseff. Periga, ao se utilizar esse remédio jurídico contra o atual ocupante do Palácio Central (verdadeiramente um presidente de fancaria, eleito de forma suspeita), transformar o impeachment em falsa panaceia para todas as crises de governo, uma espécie de aspirina que faz baixar a febre institucional, e que pode ser comprada em qualquer farmácia.

Mas, é importante dizê-lo, baseado em opiniões de juristas, jornalistas não comprometidos e “brasilianistas” em geral, que esse Bolsonaro é diferente de tudo o que se viu no país antes e depois da democratização: é um celerado, ligado diretamente a bandidos do Rio de Janeiro (chamados “milicianos”) e comanda um bando de alucinados cuja única preocupação, ainda que usando o nome de Deus, é destruir todas as conquistas do povo brasileiro nos últimas duas décadas. Há de se perguntar se parar o tresloucado presidente neste momento reverterá danos já praticados: alguns desses danos são irreversíveis e projetam reflexos nas futuras gerações. De imediato, a visão Brasil no panorama internacional é do mais absoluto ridículo.

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Sem freios, essas pessoas exercem o poder à sua maneira, tentam esmagar quem pensa de forma diferente delas, subvertem o conceito de democracia. Daí, pregam esses analistas, justifica-se o impeachment, pois “À democracia cabe o direito de defender-se” – com a arma definitiva da própria democracia: o impeachment.

Um Ministro já condenado pela Justiça procura desmontar o sistema de defesa do meio ambiente, escondendo mapas ambientais, indispondo o país com o mundo civilizado, gerando prejuízos ao agronegócio (grande financiador da campanha do capitão), afasta fiscais que ousaram multar Bolsonaro por pesca ilegal. É o absolutismo nas mãos de pessoas sem qualificação para o exercício do poder político,  com comportamento de bandidos.

Na Educação, um despreparado anuncia cortes de verbas das universidades, como punição às que não se aliam ao pensamento oficial, ações de combate a um vago marxismo cultural e, em vez de programas educacionais consistentes, o incentivo  ao conflito entre professores e alunos. Adiante-se que, segundo os reitores dessas universidades, pelo menos metade dos alunos do terceiro grau são de baixa renda – portanto, o bloqueio das verbas é, no fundo, mais um ataque contra os pobres.

Na Economia, um banqueiro que parece desconhecer o Brasil real, guiando-se apenas pela ideologia, desmontando instituições como o BNDES (matando, assim, um instrumento importante de financiamento), desqualificando o trabalho do IBGE e ameaçando os grupos democráticos de proteção social.

Estes exemplos, apenas, para não falar das derrapadas patológico-religiosas da ministra Damares Alves, ela própria um espécie de musa desse governo atípico.

Na presidência, uma família de desequilibrados, com ligações diretas com as milícias e, agora, estimulando a guerra no campo, criminalizando movimentos sociais e interferindo em rebeliões internas de países vizinhos, expondo não apenas os vizinhos, mas o próprio Brasil, às consequências de uma guerra, que comprometeria um século e meio de tradição diplomática.

Junto com governadores irresponsáveis, como Wilson Witzel, do Rio, e João Dória, de São Paulo, amplia a já de si excessiva violência policial, deixando no ar a noção de que o direito de matar está assegurado ao braço armado do governo.

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Enquanto isso, no Palácio, Carlos morde Mourão, Mourão diz que não doeu nada, Bolsonaro censura propaganda do Banco do Brasil, o general Santos Cruz censura Bolsonaro, Olavo de Carvalho diz que o general Santos Cruz é um M., o general Vilas-Boas diz que Olavo é um “Trotsky de direita” e… o vice escova o terno da posse, esperando o momento em que algum desses lunáticos jogue gasolina no manicômio e risque um fósforo.

 

Parece lícito afirmar que a desesperança de hoje tem futuro garantido: a manter-se essa maluquice, só restará aos brasileiros pobres (nada de mal vai aos ricos) o desalento, a miséria crescente, a escola desmontada em todos os níveis, os criminosos cada vez mais organizados como empresa – a única coisa “boa” a ser tirada desse cenário será a explosão social, com cabeças rolando e outras consequências “desagradáveis”.

——

NOTA DO BLOG: Antes de ser ´reformado` pela Previdência e trabalhar até depois da morte, o Barão apela à Providência e recolhe-se. Sem choro nem vela, sem missa da capela. Rimou, mas e daí?

 

 

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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